segunda-feira, janeiro 07, 2013

Última de Perdiz ?...




 



06/01/2013
Agora mais para baixo,  , a 10 Km a sul de Mértola.
Dia de nevoeiro que só levantou pelas 11 horas, retardando ao máximo a caçada.
As perdizes, ásperas, já não "dâo gatilho".
9 espingardas, entre elas 3 portas, tudo boa gente, conseguiram 23 bicos.
Só numa porta foram abatidas 9, quase 50% do resultado final.
Por aqui se vê que quem caçou de salto,  andou ... a "penar".
Só lhes ouvíamos as asas...
Fica uma cheirinho de video para aquelas que ficam no campo e para o que a próxima época nos pode reservar de bom.
Um abraço amigo.

Os tordos andam "escaldados"...





















05/01/2013
Santa Iria - Serpa
Centenas de tordos no ar.
Muito altos. Pousavam somente lá no meio do olival.
A porta também não ajudou. O 13 sempre dá azar...para quem é supersticioso.
Algumas portas foram autênticos "portões".
Abraço amigo



terça-feira, dezembro 18, 2012

Dia de caça...mas para os tordos!





















16/12/2012

Há daqueles dias...

Serra da Adiça

Nº de tordos cobrados:27
Nº de tordos vistos: Não digo !
Nº de tordos atirados: Não digo !
Nº de tordos falhados: Não digo !
Nº de tiros dados: Não digo !

Chiça Penico! - foi mesmo daqueles dias, mas para o lado dos tordos.

Cheguei a um ponto que, sem hesitações,  arrumei a espingarda e acabei a manhã a dar uma volta no olival, com a Inca, pelas portas dos outros companheiros, à procura de tordos cobrados mas não achados. Ainda descobriu 3

Para a próxima será melhor.




terça-feira, dezembro 11, 2012

A nossa Perdiz Vermelha


















09 de Dezembro de 2012

É quase um chavão mas a sua caça traz-nos mesmo, invariavelmente, sensações fortes e intensas.

Possantes e esguias, as perdizes adultas furtam-se, com inteligência,  aos cães, no meio daquelas estevas e dos matos,  até mais não poderem. Quando se sentem já definitivamente encurraladas, sem saída possível, saltam, fortes, cacarejando e batendo as asas com toda a força que têm e que podem, sendo frequente vê-las, de "asa aberta", em fuga, a grandes alturas, em voos planados, tentando escapar em velocidade aos seus implacáveis perseguidores.

A maioria acaba por conseguir a fuga com êxito, mas outras, menos felizes ( ou espertas) terminam por cair debaixo do fogo certeiro das espingardas dos caçadores, sendo depois cobradas pelos cães perdigueiros que nos acompanham.

As planícies onduladas,  a perder de vista,  do Concelho de Mértola , mistas de mato de estevas com sementeiras de inverno, são das minhas favoritas para caçar a esta espécie.

As fotografias acima foram tiradas no passado domingo,  num regresso, para a repetição de um dia memorável, onde, 12 meses depois, nos juntámos novamente, em salutar convívio e camaradagem.

Retomámos ali, uma vez mais,  uma jornada de caça de salto à perdiz.

A Zona de Caça é o Moinho do Monte Novo , Proc 5734 da DGF,e caçar nesta Herdade, de alguns milhares de hectares, com aquela tipologia de terrenos, é um prazer que eu não consigo de forma alguma descrever, isto é não há palavras que o descrevam, só lá caçando é que nos apercebemos da magia desta caça e desta Herdade.

Para além da perdiz vermelha, o caçador,  ali,  tem sempre  a oportunidade de cobrar, no seu percurso, geralmente de 4 ou 5 horas seguidas de caça de salto,  alguns coelhos e uma ou outra lebre que sempre se vão levantando aos cães.

Verdadeiro prazer,  total!


domingo, dezembro 02, 2012

Grande dia de tordos


















Serra da Adiça
Monte Branco
Zona do Figueiral
02 Dezembro 2012
40 tordos
103 tiros
JK8 , chumbo 9 e 8 , Pólvora A2
Boas caçadas em geral. Tordos a entrarem bem às portas.
Divertimento, adrenalina e exercício toda a manhã.
Quem disser que caçar aos tordos não cansa está a mentir.
Só se caçar com mochileiro,porque ir apanhar 40 tordos tem que se lhe diga.
A INCA foi mas só para companhia.
Almoço no Monte,  boas postas bacalhau cozido com batatas.
Viva os tordos !!!!

segunda-feira, novembro 26, 2012

E o ensino prossegue...


















24 e 25 Novembro


A Inca continua a sua aprendizagem nas perdizes.
No sábado foi um verdadeiro festival de chuva e...de bem caçar. 
Começava a dar ao rabo,baixava a barriga, seguia o rasto, entrava nos arrifes de mato e acabava por expulsar de lá de dentro as perdizes, direitinhas, para mim, para o dono dar ao gatilho.
As feridas.. não ficou nenhuma. Cobrou-as todas, sem excepção. A cadelita caça de nariz no ar que mais parece um pointer. Tem um defeito, está já a caçar longe. Como tem o faro muito apurado e muito vício e carga genética no sangue, segue entusiasmada os rastos,  indiferente, muitas vezes, ao chamamento do apito.
Não gosto de coleiras de ensino. Espero não ter de as usar, vamos lá ver.


Experimentei-a no domingo e levei-a aos tordos à Serra da Adiça, mas o estar ali parada não é nada para ela.
Ao fim de longos minutos, desatou a ladrar-me, aborrecida como que a dizer:
"Que é que estás aí a fazer pá? Aos tiros para o ar? Mas afinal o que é isto, onde é que estão elas ? Vamos mas é embora à procura delas..."
Como não parava de ladrar, acabei por levá-la para o carro e guardei-a na caixinha. Passado um bocado fui espreitá-la e, lá estava, a dormir solenemente, com o sol a bater-lhe em cima. As perdizes de sábado fizeram "mossa" ....
23 tordos, 75 tiros e dei-me por satisfeito . Mais para quê?


domingo, novembro 04, 2012

Faça sol, chuva( muita ) frio ou vento ( muito) ...


















04 Novembro 2012

A paleta de cores do Alentejo, sobrepõe-se às condições verdadeiramente agrestes do temporal de vento e chuva tão forte que mais pareciam agulhas a picarem-me a cara, foi isto que encontrei e enfrentei este fim-de-semana em Safara, de oleado às costas.

Quer acreditem quer não a sensação de liberdade e isolamento nestas condições são fatores absolutamente fantásticos para mim.

A "Inca" , a minha braco alemão fêmea, continua a sua aprendizagem e, para já, em matéria de cobro e "trazer à mão" estou talvez tentado a considerá-la quase... "fora de série".

Caçar com ela está a tornar-se  um verdadeiro prazer. Redescobri de novo a magia daquelas jornadas de passo largo, em que o caçador e o seu fiel perdigueiro vão escrutinando o terreno,  cabeço a cabeço, a sua cauda curta a abanar,  rápida,  a mostrar-me que as perdizes estão por ali, a barriga da cachorra baixa ainda mais um pouco quando os rastos estão mais frescos, até finalmente conseguir o tiro, a queda da ave, o cobro e, de seguida,  o prémio da indescritível satisfação de ver a cadela a trazer-me , cabeça levantada, rápido, a perdiz na boca. Quando a entrega, ela dá-ma literalmente para a minha mão, de alma aberta, sem hesitações.

Aliás, com os seus 5 meses e meio de idade, o diacho da cadela, para brincar, traz-me tudo, os cartuchos que a automática dispara, garrafas de plástico abandonadas no campo por incautos, papéis ou sacos velhos, tubos de plástico perdidos que já protegeram plantações de pequenos sobreiros, não há nada que ela não me traga. E eu aceito tudo e recompenso-a sempre com duas ou três festas na cabeça.

Abraço amigo

segunda-feira, outubro 22, 2012

A "Inca" começa a faturar !!


















Nada me dá mais prazer do que fazer uma caçada de salto,
sozinho, com o perdigueiro pela frente, a desbravar as manchas de mato,
restolhos e cabeços do Alentejo.

Neste caso, uma caçada com a minha nova "companheira" braco alemão.

De onde ela me chegou, envio um forte abraço.

Estou muito satisfeito.

Safara, terra de lebres e perdizes

Quando as terras são assim...

... o resultado costuma ser este !

terça-feira, outubro 16, 2012

Reforço do Plantel

































Apresento-vos... a INCA !!

Numa jornada de caça à perdiz e à lebre em Ferreira do Alentejo fui presenteado com uma esperança que me encheu a alma de alegria por voltar a ter condições para a criar e caçar.

Uma cachorra Braco Alemão, com 5 meses, que me deu sinais de séria  promessa  para o futuro e para me acompanhar nas minhas  lides da caça.

Já pára, traz à mão, é mais resistente que muitos adultos, caça em zigue-zague e parece-me muito boa de nariz. Valha-me Deus, que mais posso desejar?

Só há uma coisa que não consegue: trazer-me uma lebre à mão, a boca de dela não tem dimensão para a abocanhar e levantar. Não faz mal, vai as trazendo arrastando-as pelo chão como já pude observar. eheheh !

Abraço amigo

domingo, outubro 07, 2012

De salto, em Ferreira do Alentejo





















Ferreira do Alentejo
Herdade do Paço
5 de Outubro de 2012
Jornada de salto à perdiz, lebre e Coelho


domingo, setembro 23, 2012

Aos coelhos, na Amareleja
















Caça aos Coelhos
23/09/2012
Herdade dos Arrochais - Amareleja

Às 6h00 da manhã,  na Padaria Vitória, por ali escondida numa das ruelas da Vila da Amareleja, não falhou o cafézinho de termo e o pão quentinho barrado com manteiga que me confortaram o estômago, meio vazio, da longa viagem que fiz desde Lisboa . Aproveitei e mandei embrulhar 2 pães alentejanos para levar para casa.

A convite de um amigo meu,  da Empresa onde trabalho, dediquei o meu domingo a uma caçada num dos melhores coutos da zona,  feito este a que não podia faltar, de  maneira nenhuma.

Como cenário, 2.800 hectares de paisagens já muito áridas, agrestes e continuamente castigadas por uma seca persistente que nos assola de há muitos meses a esta parte.

Por ali nos aventurámos, naqueles barrancos profundos e  selvagens, que ladeiam a perder de vista o Rio Ardila, barrancos cheios de pedra de xisto, de rochas enormes e giestas secas , já castanhas de tão queimadas pelo sol implacável do dia a dia naquela terra.

A aventura foi só o de um dia de caça em terrenos pouco amigáveis e com muito, muito calor durante a manhã, a obrigar-nos a beber litros de água, porque o risco, esse, na verdade não existe (se os cães forem razoavelmente bons). Caçar ali é seguramente êxito garantido atendendo à densidade de coelhos existentes. "Moroços" enormes,  repletos de tocas, autênticas cidades subterraneas, dão guarida a milhares e milhares de coelhos espalhados por aquelas terras.

Os cães, esses, coitados,  não têm descanso,  e o que lhes vale são as pequenas charcas escondidas em juncos, por onde passam e saceiam a sede, e onde ganham novas forças para novas voltas e novos combates contra os orelhudos.

Os coelhos, quando descobertos e acossados, saiem tocados em correria desenfreada, com as orelhas coladas às costas. A preocupação deles é subir, subir, subir logo pelos barrancos acima. É por ali, é assim que eles sabem que ganham a batalha aos podengos e mestiços de toda a ordem. Se conseguirem fugir e chegarem lá acima sem levarem fogo e sem que os cães lhe deitem o dente, eles bem sabem que do outro lado está a salvação podendo entocar na outra vertente,nos buracos mais próximos.

Ao longo da manhã, a "estouraria" foi intensa. Quem captura mais são sempre as portas, cuidadosamente colocadas pelo Guarda à medida que as matilhas vão avançando no terreno.

Quem está de salto, com muitos cães  a caçar e a rodearem os matagais, aí os coelhos fogem mais afoitos e os caçadores acabam por se conterem e muitas vezes não arriscam atirar com os cães a latirem desalmadamente à sua volta.

No final, um quadro de caça generoso e à minha conta foram pendurados uma dúzia de orelhudos.

Dois já estão no frigorífico, cortadinhos e temperados com pimentão vermelho alentejano, para amanhã  fritar e beber umas "bejecas" fresquinhas.

J. Alves , quando quiser diga-me que eu vou lá outra vez... !

Um abraço amigo

sábado, setembro 22, 2012

Epitáfio de Rolas 2012





Cada vez menos... e foram nesta lua de princípios de Setembro( foto tirada em Pias à noite )

Bem que dizia o Zé da B.!

Deixámos de as caçar ... ! -este ano.

Abraço






terça-feira, setembro 04, 2012

Enquanto não vêem as rolas...pescam-se achigãs























Enquanto esperei pela abertura das rolas, acabámos por combinar um dia de pesca aos achigâs.

Não, a piscina que se vê não foi onde pescámos os achigãs mas sim o complexo rural em Alcáçovas para onde fomos , de véspera, descansar.

Logo após o pequeno almoço, aí pelas 09h30 dirigimo-nos para o local da pesca, ali para os lados do Vale da Arquinha.

Durante a manhã, com a ajuda das rapalas mas sobretudo das amostras de borracha entaladas em anzóis tipo "pescoço de cavalo" bom trabalho démos aos nossos amigos peixes. A caixa do equipamento está equipada para medir o tamanho do peixe  e a preocupação residiu em apanhar tudo o que fosse do tamanho legal. O que não atingia o comprimento estipulado hoje em dia pela lei era devolvido à água.

É um dos meus petiscos favoritos no Verão, pelo que logo que chegámos a casa, fui "amanhá-los" e ao final da tarde já estávamos sentados, a comer meia dúzia deles, com umas cervejolas bem geladinhas.

O molho para o achigã grelhado é simples: muito coentro picado, sumo de limão, manteiga derretida e tudo bem misturado e a pincelar durante a assadura.

Bom apetite.

Abraço

domingo, agosto 05, 2012

Rolas e Torcazes 2012






















A esta hora já o trator passou com as rodas por cima deste trigo semeado que vemos na foto, esmagando o cereal e fazendo soltar a semente. 

Está feito de propósito para a caça das rolas, pelo que não é colhido.

Um pouco mais abaixo, à direita, enfim,  não se consegue ver aqui mas existe uma faixa de sementeira de girassol !

Será que é um sítio adequado para uma boa abertura de rolas ? É de apostar ?

A água fica na boca,  mas no dia 23 - é quando se faz a abertura aqui - logo veremos os resultados, aqui mesmo, neste blogue.

A abertura não foi feita no dia 23 e o local foi outro cevadouro dentro da mesma Herdade na Amareleja.

Os resultados não correspondem inteiramente  à minha caçada do dia mas o Miguel, pelo seu comportamento exemplar durante a caçada mereceu um quadro de caça generoso.

Todos nós já o sabemos: as rolas são cada vez em menor número. Metê-las dentro do Couto já é trabalho de expert. Os diversos que esta ZCT tem são todos exemplarmente tratados pelo Guarda da Herdade, ali, mesmo ao lado do Rio Ardila.

Esperemos pelos próximos dias para ver os resultados, pois elas estão já a descer para o Sul.

Um abraço amigo.

domingo, março 04, 2012

Carta aberta a um amigo ecologista




















Adaptação de um texto de
Israel Hernández Tabernero, de que muito gostei.

Sou um ser humano falso , um fingido, um sádico mascarado de caçador, um mau tipo, um insensível, um mentecapto, um mestre do eufemismo, alguém a quem, por favor, nunca voltes as costas...

Podes tu pertencer aos que dizem que ficas encantado com o campo e com os animais, que amas a mãe natureza e todos os seres que nela habitam, sem excepção. Que te dá prazer visitá-la, se possível na companhia do teu cão, que adoptaste, de passar um fim de semana com a tua família ou amigos numa casa rural, esse será sempre o teu plano perfeito.

Desfrutas então quando observas de longe o majestoso voo do abutre, ou o voar rápido do falcão peregrino ou o esvoaçar imóvel do penereiro.

Sonhas em conseguir juntar o dinheiro suficiente para conseguires comprar aquele magnífico telescópio austríaco que te irápermitir ver tudo nessas idílicas paisagens, até mesmo o fundo da tua alma.

Em casa reciclas tudo, para o trabalho vais sempre em transporte público e sempre que podes colaboras com uma organização ambientalista. Sim, decididamente estás comprometido para sempre. Para ti, é isso que é amar a Natureza, o resto - dirás tu - serão cantigas.

Por isso, meu amigo ecologista, que tão bem nos conhcemos, és incapaz de entender porque razão sou eu um caçador e falo de uma estupidez tão grande como o acto de caçar. Como assim? - Eu não posso de forma alguma amar a natureza e os animais pois acabo por, no final, procurar matá-los. Não, para ti amar a Natureza não é isso.

A minha espingarda será sempre um objecto tétrico, um objecto artificial, que provoca um imenso ruído na paz dos campos, sempre que eu disparo... nunca este cenário poderia encaixar numa tela a óleo de Monet, dirás.

Apesar disso, digo-te e redigo que proclamo o meu amor por esta mesma amante, que tu também amas. Mas isso é impossível, dirás. Sou um falso humano, um fingido, um sádico mascarado , um mau tipo, um insensível, um mentecapto, um mestre do eufemismo, alguém de que desconfias e a quem nunca voltarás as costas...não vá o Diabo tecê-las.

Mas deixa-me só dizer-te uma coisa, gostaria muito que, por uma só vez que fosse, te debruçasses comigo sobre a Natureza, aquela que eu verdadeiramente conheço. E que te fundisses com ela tal como eu faço muitos fins-de semana.

Vem então. Parte essa vitrina que te aprisiona, sai dessa maldita rota do sedentarismo e vem pisar a erva molhada da madrugada ainda escura, que te encharca os pés, sente que és tu o dono do teu caminho e que encaminhas os teus passos para qualquer lado, não te importes nem com o destino nem com a direcção, nem com o resultado.

Esse é o caminho que nós, caçadores, seguimos durante algumas horas, os que deixamos de sonhar em sermos livres para passarmos a sê-lo verdadeiramente, nas nossas jornadas. Sente aquele vento áspero e gelado na tua cara, suja as tuas calças de barro quando saltas aquela charca que está atravessada no teu caminho, treme, encharcado de chuva, frio ou de nervos, quando te sentas um pouco no meio do nada, a descansar, ofegante, naquela imensidão, compreende que, ali, a tua vida, naquele momento, depende única e exclusivamente de ti, pois estás só, ali não existem óleos de Monet, nem a policia, nem a cobertura de telemóvel que tanta falta te fazem. Possívemente, só os teus companheiros de caça e o teu cão fiel amigo.

Sente-te livre. Pica-te, arranha-te nos tojos quando procuras romper pelo monte acima em busca das perdizes esguias. E sangra das pernas. Acaricia o teu cão companheiro de caça e tenta olhá-lo nos seus olhos fugidios e esquivos. Vais ver que não consegues pois ele está é absolutamente compenetrado em procurar aquela perdiz para ti, que tanto pretendes. Depara-te com a lebre matreira que, dormindo nos pastos, salta à tua frente, em desafio e corrida desenfreada.

Sente as horas, o dia, a fugirem, a escaparem rapidamente debaixo dos teus pés. Desafia essa Gigante toda poderosa que é a Mãe Natureza. Desfruta-a com toda a atenção a que és obrigado e olha-a com respeito.

Observa como espera a raposa, sinistra, imóvel, como ela salta sobre a ratazana ou o coelho, observa como o falcão peregrino "rasga" aquele bando de torcazes que vem para o Alentejo, onde alguns perdem a vida.

Encontra pelo caminho a cama do Javali, ainda quente, e faz uma careta com o mau cheiro pestilento do animal que ali esteve. Se o encontrares pela frente, vê como o teu sangue parece congelar nas veias durante cinco segundos. Observa como a raposa agarra com os dentes na jugular daquela lebre menos atenta e mais afoita. Sente a fuga do veado , a partir as ramadas das giestas, e que é bem capaz de saltar por cima de ti enquanto foge e escapa aos seus perseguidores, envolvendo o teu coração numa autêntica revolução de sentidos.

Observa muito bem todo esse cenário que nós caçadores vivemos, pois é o mais real que vais ver na puta da tua vida. Aqui estão escritas todas as leis da existência e da sobrevivência. Assim é, há milhares de anos, ainda que tu não o saibas. Uma dessas leis, a mais lapidar, é a da vida e da morte, a de comer ou ser comido, a de fugir ou ser abatido, a de caçar ou ser caçado.

Se tens sangue nas tuas veias, o teu coração irá acelerar e muito ao ser testemunho directo de tão maravilhoso e grandioso espectaculo.

E então talvez compreendas que a unica diferença que existe entre nós é que eu não me conformo em ser um mero espectador desta maravilha que é a gloriosa Natureza.

Que eu quero ser o que sempre fui, e que desfruto vivendo a vida da maneira mais simples , esquecendo nestes dias tudo o que aprendi na escola e na universidade, participando nesse formidável jogo de vencedores e vencidos.

Talvez assim entendas porque sou verdadeiramente capaz de me integrar na Natureza como qualquer outro animal. Como animal que tu também foste antes de te tornares completamente artificializado com as tuas teorias humanistas, antes de distorceres a realidade para não sentires o tacto pegajoso do sangue da peça de caça ou do estertor da morte da peça que capturaste e que ainda bate na tua perna, à medida que caminhas.

Nesse dia, depois de veres a vida através dos meus olhos, talvez penses que o meu melhor não é a falsidade e que eu, de facto, amo profundamente a natureza. O meu amor talvez não seja tão idílico, nem tão casto, nem tão puritano como tu gostarias que fosse. Mas é um amor real, longe de ser perfeito, como o que um filho sente pela sua mãe e não como o que uma mãe sente pelo seu filho.

Um amor que por muito que tentes, nunca mo poderás arrebatar.

Um abraço de amizade, deum caçador.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

2012 - Despedida em grande.




















A despedida da época cinegética de 2011- 2012 foi farta em tordos.

A merecer reflexão a época terminar em 19 Fev e nesta mesma semana terem entrado muitos bandos de tordos.

Os olivais à volta de Moura e Serpa estiveram repletos em muitos locais. Porque não começar a época dos tordos em Janeiro e terminar em finais de Fevereiro ?

Abraço amigo.

domingo, fevereiro 12, 2012

4,5 graus negativos































ZCT Serra da Adiça

Manhã gelada, a iniciar a caçada com 4,5 graus negativos.

Olivais pintados de branco com a geada. Dedos muito entorpecidos com o frio não impediram um bom aproveitamento dos tordos numa porta menos boa.

Três ou quatro portas estiveram nos limites da lei em capturas. A minha, a 8, bastante escondida - os tordos apareciam-me, súbitos, repentinos, velozes, e nos espaços das oliveiras frondosas - foram bem aproveitados, 23 bicos e 72 disparos.

Ao almoço, no Monte, um bacalhau cozido com couves e batatas de horta particular, regados com azeite e azeitonas novas de Moura. Delícia !

Um abraço amigo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Ganhar o Jogo...ou perder o controlo



















ZCT Serra da Adiça

A melhor caçada de tordos deste ano.

No entanto, não ganhei o jogo, perdi o controlo!

PB SV 10
Polvichumbo super caça 32 ch 8 e 9 - Pólvora A2
Percha: 32 tordos


A foto foi tirada exatamente no local onde armei o resguardo de caça para me ocultar dos tordos. As entradas dos pássaros eram feitas por cima do cabeço que se vê na fotografia, ao longe, lá atrás das minhas costas. Na minha esquerda, na foto, não se consegue ver, mas tem ali uma vala.

Estória a contar em breve - esta... sem falta!

Vieram com o frio




















ZCT em Serpa

PB SV10
Polvichumbo super caça 32 - Ch 9 e 8 - Pólvora A2
Percha: 30 tordos ( 2 cobrados pelo "rafa" , EB do Saldanha )
Muito frio e muitos tordos.
Muitas portas a fazerem caçadas nos limites legais.