domingo, janeiro 27, 2013
Por nada deste mundo...
27 de Janeiro de 2013
ZCT Herdade das Serras
Alqueva - Portel
A convite do meu amigo PM, Gestor desta Zona de Caça, fui fazer o último dia de caça à perdiz nesta Herdade.
Um treino a sério, para manter a Inka em forma, proporcionou-me uma extraordinária jornada de caça com esta minha nova companheira que não dou, não troco nem vendo por nada deste mundo, tal a afeição e admiração que consigo ter por este animal.
Cacei hoje sozinho, peço desculpa, cacei com ela às perdizes em dia que se previa de chuva intensa mas que, em toda a manhã, nem uma pinga me caiu em cima, embora, no bornal, à cautela, levasse o impermeável. Não precisei e bem me arrrependi de o levar pois ao fim de algumas horas já vai incomodando. O PM foi no Jeep, com a mulher, à procura de cogumelos ( Ilarca?) .
À tarde , no regresso a casa, a chuva mais parecia um dilúvio a fustigar as estradas e campos do Alentejo. Santo Huberto, o Padroeiro dos caçadores, decididamente tem estado comigo.
O dia de hoje presenteou-me com uma lição importantíssima. A diferença gigantesca que é caçar com e sem cão.
Não me consigo imaginar, vou repetir, não me consigo imaginar, a caçar sem cão, sozinho, num dia destes, naqueles cabeços de montado, com semeaduras de inverno e arrifes de mato para conferir protecção à caça. Rapidamente, abriria a espingarda, retirava os cartuchos e voltava para o Monte.
Agora ir a elas com a Inka é claramente "outra dança".
Sempre que lhe apanha o rasto, a cadela baixa-se toda em "modo felino". A curta cauda transforma-se, de repente, como se fosse um limpa pára-brisas a funcionar com temporal forte, e o ruído do nariz a aspirar os odores do chão, deixam-me imediatamente de arma bem cerrada nas mãos e em total estado de alerta. Mais cedo ou mais tarde eu sei que a INKA as vai levantar, pois esta cadela, para além de ter um nariz extraordinário tem uma paixão em seguir as pistas da caça que me deixam quase sempre de boca aberta e com a certeza de que, pelo menos, as vou ver.
Começou assim e subiu um cabeço onde me faltou as pernas para a acompanhar. Só lhes ouvi o bater das asas do outro lado.Chamei-a e apliquei-lhe um corretivo com C grande.
Mais à frente , numa semeada verde, olho para o lado esquerdo à sua procura e vejo-a parada, num ponto mais elevado do que onde eu estava, a olhar para mim. Demorei a entender que a cadela estava a descer a ladeira e marrou-se com caça. Volto-me para ela, rápido e começo a subir muito devagarinho direitinho a ela .A Inka dá dois passos mais abaixo e pára de novo. Entretanto vai olhando para mim. Faço um esforço para ver o que está no verde cereal, no solo molhado, entre os dois.
Mais um passo e endireito a espingarda mais a jeito. Volto a olhar para o chão e - finalmente - lá consigo ver a perdiz completamente amagada numa leira. Aí descomprimi. Já a tinha visto. Agora era só trabalhá-la com a cadela e conseguir um ou dois tiros bem sucedidos. Com um espaço de 10 metros entre nós, a perdiz salta em voo acelerado, para o lado direito, a tentar resguardar-se com os sobreiros.
Deixei-a endireitar, apontei com calma e bastou um só tiro a uns 30 metros. Quando caiu, já a INKA estava praticamente em cima dela.
Das 7 perdizes que cacei, todas elas foram cobradas pela INKA. 2 delas de asa. Uma caiu dentro de uma ribeira saiu do outro lado toda molhada e desatou a subir o montado. Podia tê-la rematado com um tiro. Não me preocupei e deixei a INKA trabalhar. Ainda esteve ali meia perdida mas controlei-me e deixei-a trabalhar sozinha. 3 ou 4 minutos depois estava a cobrar a perdiz a meio da encosta. Ajeita-as na boca e depois traz-me as aves à mão, intactas.
A outra que caíu de asa, se não fosse ela ia mesmo embora. Caiu ferida a uns bons 40/50 metros e desatou a correr a patas. Não fora a rapidez da INKA em ir ao tombo e abocanhá-la depois de algumas rabias e o resultado da caçada tinha ficado em 6 aves.
O dia, desagradável, frio e cinzento, transportava uma brisa forte, de sul, que fazia adivinhar chuva mais cedo ou mais tarde.
Caçando à minha frente, de chanfro sempre no ar ( tenho visto inúmeros pointers com muito piores performances neste aspecto) vejo a cadela a marrar, com o nariz dirigido para o topo do cabeço. O vento vinha de lá, do outro lado e imediatamente soube que era caça. A paragem dela não me engana. Estaca e, nesse momento, o mundo é todo dela, completamente autista mas com um instinto predador altamente focado . Vou subindo o cabeço com alguma dificuldade e ela acompanha-me, lenta,em passadas curtas e sempre a parar, em guia prolongada. Espectacular. Quando consigo olhar um pouco para a linha superior do cabeço vejo 2 cabecinhas do outro lado a correrem desalmadas. Levantam em voo rápido e desferi 2 tiros só por descargo de consciencia pois sabia que não as atingia tal a distancia. Mas a INKA merecia saber que as levantou e que levaram gatilho do dono.
Das 7 abatidas , 3 foram paradas pela cadelita ( pois é, ainda só tem 8 meses ) e todas elas cobradas e trazidas à minha mão.
Pelas 13 horas encontrámo-nos no Monte, arrumámos a tralha e fomos almoçar ao Luís da Amieira, umas migas de espargos selvagens, acompanhadas de umas plumas grelhadas.
O regresso a Lisboa foi quase todo feito debaixo de forte chuvada.
Agradeço ao PM a oportunidade que me deu e um muito especial agradecimento ao António ( ele sabe quem é) responsável por esta cadelinha ter vindo parar às minhas mãos.
Um dia, lá para o 2º ou 3º cio, vou-lhe tirar uma barriga. A dificuldade vai ser... encontrar um "parceiro à altura".
Abraço amigo
Nova jornada de tordos em Serpa
Tordos em Serpa
26 de Janeiro 2013
A boa disposição imperou na véspera ao jantar.
As expectativas de caçar em Santa Iria são sempre elevadas.
No entanto os tordos falharam neste sábado.
A melhor das 16 portas foi a 7 ( precisamente a minha ) com cobro de 32 pássaros.
Descobri um cartucho fenomenal.
Abraço amigo
segunda-feira, janeiro 21, 2013
Depois da Tempestade... a Tordada !!...
20/01/2013
Tordos na Serra da Adiça
Clube de Caça Serra da Adiça
Por ali , por aquele cantinho da Serra , muito tordo entra para ir aos olivais comer azeitona.
Esta é, sem dúvida, uma das minhas zonas predilectas para caçar ao tordo.
Portas colocadas criteriosamente em locais onde se vê o tordo a "entrar" , onde nos baixamos nos aguardos, joelhos ligeiramente dobrados, agachados, de arma aperrada nas mãos, ansiosamente à espera que eles entrem, e onde nos levantamos quando estão praticamente por cima de nós.
Para a esquerda, para a direita, por cima ( tiro del rey ), de frente - a tapar o pássaro, é assim que se deve caçar o tordo, que nesta altura já anda desconfiadíssimo.
No sábado 19, por questões profissionais, fiquei em casa e fiquei bem, a acabar um trabalho que tinha em mãos. Quem foi, teve muito azar com o temporal que fustigou todo o País, de Norte a Sul.
No domingo veio a bonança e aqui, neste cantinho da Serra da Adiça , os tordos entraram com fartura.
Gente simpática, respeitosa, com média de idades já na ordem dos 50 anos, não se deixam ficar atrás dos mais novos e "gatilham" bons molhos de tordos , conseguidos quase todas as semanas.
16 portas para 4 frentes de Couto de 1.200 Ha é um luxo nos dias de hoje.
Ao almoço, uma saudável caldeirada de bacalhau com todos, comida na sede do Clube de Caça, foi a cereja em cima do bolo.
Até domingo.
Abraço
sábado, janeiro 12, 2013
Assim já estamos melhor... !!
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| TORDOS NO SEU MELHOR |
12/01 /2013
Boa Caçada aos Tordos em Serpa - Santa Iria
Um dia regular, com bons aproveitamentos nalgumas portas, atingindo os limites da Lei.
Notou-se uma diminuição geral do nº de tordos pelo que outras portas , menos afortunadas, não obtiveram resultados tão fartos.
Os tordos começam a estar já em verdadeiro "estado de alerta". São necessários, boa cobertura, escolha acertada de local estratégico no perímetro da porta que nos calha e alta concentração em meia dúzia de horas de caça.
Nesta herdade, especialmente vocacionada para a espécie, os tordos aparecem de todas as frentes pelo que há que manter a calma e não deixar subir demasiado a adrenalina sob pena de começar a falhar "a torto e a direito".
Um abraço amigo
segunda-feira, janeiro 07, 2013
Última de Perdiz ?...
06/01/2013
Agora mais para baixo, , a 10 Km a sul de Mértola.
Dia de nevoeiro que só levantou pelas 11 horas, retardando ao máximo a caçada.
As perdizes, ásperas, já não "dâo gatilho".
9 espingardas, entre elas 3 portas, tudo boa gente, conseguiram 23 bicos.
Só numa porta foram abatidas 9, quase 50% do resultado final.
Por aqui se vê que quem caçou de salto, andou ... a "penar".
Só lhes ouvíamos as asas...
Fica uma cheirinho de video para aquelas que ficam no campo e para o que a próxima época nos pode reservar de bom.
Um abraço amigo.
Os tordos andam "escaldados"...
05/01/2013
Santa Iria - Serpa
Centenas de tordos no ar.
Muito altos. Pousavam somente lá no meio do olival.
A porta também não ajudou. O 13 sempre dá azar...para quem é supersticioso.
Algumas portas foram autênticos "portões".
Abraço amigo
terça-feira, dezembro 18, 2012
Dia de caça...mas para os tordos!
16/12/2012
Há daqueles dias...
Serra da Adiça
Nº de tordos cobrados:27
Nº de tordos vistos: Não digo !
Nº de tordos atirados: Não digo !
Nº de tordos falhados: Não digo !
Nº de tiros dados: Não digo !
Chiça Penico! - foi mesmo daqueles dias, mas para o lado dos tordos.
Cheguei a um ponto que, sem hesitações, arrumei a espingarda e acabei a manhã a dar uma volta no olival, com a Inca, pelas portas dos outros companheiros, à procura de tordos cobrados mas não achados. Ainda descobriu 3
Para a próxima será melhor.
terça-feira, dezembro 11, 2012
A nossa Perdiz Vermelha
09 de Dezembro de 2012
É quase um chavão mas a sua caça traz-nos mesmo, invariavelmente, sensações fortes e intensas.
Possantes e esguias, as perdizes adultas furtam-se, com inteligência, aos cães, no meio daquelas estevas e dos matos, até mais não poderem. Quando se sentem já definitivamente encurraladas, sem saída possível, saltam, fortes, cacarejando e batendo as asas com toda a força que têm e que podem, sendo frequente vê-las, de "asa aberta", em fuga, a grandes alturas, em voos planados, tentando escapar em velocidade aos seus implacáveis perseguidores.
A maioria acaba por conseguir a fuga com êxito, mas outras, menos felizes ( ou espertas) terminam por cair debaixo do fogo certeiro das espingardas dos caçadores, sendo depois cobradas pelos cães perdigueiros que nos acompanham.
As planícies onduladas, a perder de vista, do Concelho de Mértola , mistas de mato de estevas com sementeiras de inverno, são das minhas favoritas para caçar a esta espécie.
As fotografias acima foram tiradas no passado domingo, num regresso, para a repetição de um dia memorável, onde, 12 meses depois, nos juntámos novamente, em salutar convívio e camaradagem.
Retomámos ali, uma vez mais, uma jornada de caça de salto à perdiz.
A Zona de Caça é o Moinho do Monte Novo , Proc 5734 da DGF,e caçar nesta Herdade, de alguns milhares de hectares, com aquela tipologia de terrenos, é um prazer que eu não consigo de forma alguma descrever, isto é não há palavras que o descrevam, só lá caçando é que nos apercebemos da magia desta caça e desta Herdade.
Para além da perdiz vermelha, o caçador, ali, tem sempre a oportunidade de cobrar, no seu percurso, geralmente de 4 ou 5 horas seguidas de caça de salto, alguns coelhos e uma ou outra lebre que sempre se vão levantando aos cães.
Verdadeiro prazer, total!
domingo, dezembro 02, 2012
Grande dia de tordos
Serra da Adiça
Monte Branco
Zona do Figueiral
02 Dezembro 2012
40 tordos
103 tiros
JK8 , chumbo 9 e 8 , Pólvora A2
Boas caçadas em geral. Tordos a entrarem bem às portas.
Divertimento, adrenalina e exercício toda a manhã.
Quem disser que caçar aos tordos não cansa está a mentir.
Só se caçar com mochileiro,porque ir apanhar 40 tordos tem que se lhe diga.
A INCA foi mas só para companhia.
Almoço no Monte, boas postas bacalhau cozido com batatas.
Viva os tordos !!!!
segunda-feira, novembro 26, 2012
E o ensino prossegue...
24 e 25 Novembro
A Inca continua a sua aprendizagem nas perdizes.
No sábado foi um verdadeiro festival de chuva e...de bem caçar.
Começava a dar ao rabo,baixava a barriga, seguia o rasto, entrava nos arrifes de mato e acabava por expulsar de lá de dentro as perdizes, direitinhas, para mim, para o dono dar ao gatilho.
As feridas.. não ficou nenhuma. Cobrou-as todas, sem excepção. A cadelita caça de nariz no ar que mais parece um pointer. Tem um defeito, está já a caçar longe. Como tem o faro muito apurado e muito vício e carga genética no sangue, segue entusiasmada os rastos, indiferente, muitas vezes, ao chamamento do apito.
Não gosto de coleiras de ensino. Espero não ter de as usar, vamos lá ver.
Experimentei-a no domingo e levei-a aos tordos à Serra da Adiça, mas o estar ali parada não é nada para ela.
Ao fim de longos minutos, desatou a ladrar-me, aborrecida como que a dizer:
"Que é que estás aí a fazer pá? Aos tiros para o ar? Mas afinal o que é isto, onde é que estão elas ? Vamos mas é embora à procura delas..."
"Que é que estás aí a fazer pá? Aos tiros para o ar? Mas afinal o que é isto, onde é que estão elas ? Vamos mas é embora à procura delas..."
Como não parava de ladrar, acabei por levá-la para o carro e guardei-a na caixinha. Passado um bocado fui espreitá-la e, lá estava, a dormir solenemente, com o sol a bater-lhe em cima. As perdizes de sábado fizeram "mossa" ....
23 tordos, 75 tiros e dei-me por satisfeito . Mais para quê?
domingo, novembro 04, 2012
Faça sol, chuva( muita ) frio ou vento ( muito) ...
04 Novembro 2012
A paleta de cores do Alentejo, sobrepõe-se às condições verdadeiramente agrestes do temporal de vento e chuva tão forte que mais pareciam agulhas a picarem-me a cara, foi isto que encontrei e enfrentei este fim-de-semana em Safara, de oleado às costas.
Quer acreditem quer não a sensação de liberdade e isolamento nestas condições são fatores absolutamente fantásticos para mim.
Quer acreditem quer não a sensação de liberdade e isolamento nestas condições são fatores absolutamente fantásticos para mim.
A "Inca" , a minha braco alemão fêmea, continua a sua aprendizagem e, para já, em matéria de cobro e "trazer à mão" estou talvez tentado a considerá-la quase... "fora de série".
Caçar com ela está a tornar-se um verdadeiro prazer. Redescobri de novo a magia daquelas jornadas de passo largo, em que o caçador e o seu fiel perdigueiro vão escrutinando o terreno, cabeço a cabeço, a sua cauda curta a abanar, rápida, a mostrar-me que as perdizes estão por ali, a barriga da cachorra baixa ainda mais um pouco quando os rastos estão mais frescos, até finalmente conseguir o tiro, a queda da ave, o cobro e, de seguida, o prémio da indescritível satisfação de ver a cadela a trazer-me , cabeça levantada, rápido, a perdiz na boca. Quando a entrega, ela dá-ma literalmente para a minha mão, de alma aberta, sem hesitações.
Aliás, com os seus 5 meses e meio de idade, o diacho da cadela, para brincar, traz-me tudo, os cartuchos que a automática dispara, garrafas de plástico abandonadas no campo por incautos, papéis ou sacos velhos, tubos de plástico perdidos que já protegeram plantações de pequenos sobreiros, não há nada que ela não me traga. E eu aceito tudo e recompenso-a sempre com duas ou três festas na cabeça.
Abraço amigo
Abraço amigo
segunda-feira, outubro 22, 2012
A "Inca" começa a faturar !!
Nada me dá mais prazer do que fazer uma caçada de salto,
sozinho, com o perdigueiro pela frente, a desbravar as manchas de mato,
restolhos e cabeços do Alentejo.
Neste caso, uma caçada com a minha nova "companheira" braco alemão.
De onde ela me chegou, envio um forte abraço.
Estou muito satisfeito.
terça-feira, outubro 16, 2012
Reforço do Plantel
Apresento-vos... a INCA !!
Numa jornada de caça à perdiz e à lebre em Ferreira do Alentejo fui presenteado com uma esperança que me encheu a alma de alegria por voltar a ter condições para a criar e caçar.
Uma cachorra Braco Alemão, com 5 meses, que me deu sinais de séria promessa para o futuro e para me acompanhar nas minhas lides da caça.
Já pára, traz à mão, é mais resistente que muitos adultos, caça em zigue-zague e parece-me muito boa de nariz. Valha-me Deus, que mais posso desejar?
Só há uma coisa que não consegue: trazer-me uma lebre à mão, a boca de dela não tem dimensão para a abocanhar e levantar. Não faz mal, vai as trazendo arrastando-as pelo chão como já pude observar. eheheh !
Abraço amigo
domingo, outubro 07, 2012
domingo, setembro 23, 2012
Aos coelhos, na Amareleja
Caça aos Coelhos
23/09/2012
Herdade dos Arrochais - Amareleja
Às 6h00 da manhã, na Padaria Vitória, por ali escondida numa das ruelas da Vila da Amareleja, não falhou o cafézinho de termo e o pão quentinho barrado com manteiga que me confortaram o estômago, meio vazio, da longa viagem que fiz desde Lisboa . Aproveitei e mandei embrulhar 2 pães alentejanos para levar para casa.
A convite de um amigo meu, da Empresa onde trabalho, dediquei o meu domingo a uma caçada num dos melhores coutos da zona, feito este a que não podia faltar, de maneira nenhuma.
Como cenário, 2.800 hectares de paisagens já muito áridas, agrestes e continuamente castigadas por uma seca persistente que nos assola de há muitos meses a esta parte.
Por ali nos aventurámos, naqueles barrancos profundos e selvagens, que ladeiam a perder de vista o Rio Ardila, barrancos cheios de pedra de xisto, de rochas enormes e giestas secas , já castanhas de tão queimadas pelo sol implacável do dia a dia naquela terra.
A aventura foi só o de um dia de caça em terrenos pouco amigáveis e com muito, muito calor durante a manhã, a obrigar-nos a beber litros de água, porque o risco, esse, na verdade não existe (se os cães forem razoavelmente bons). Caçar ali é seguramente êxito garantido atendendo à densidade de coelhos existentes. "Moroços" enormes, repletos de tocas, autênticas cidades subterraneas, dão guarida a milhares e milhares de coelhos espalhados por aquelas terras.
Os cães, esses, coitados, não têm descanso, e o que lhes vale são as pequenas charcas escondidas em juncos, por onde passam e saceiam a sede, e onde ganham novas forças para novas voltas e novos combates contra os orelhudos.
Os coelhos, quando descobertos e acossados, saiem tocados em correria desenfreada, com as orelhas coladas às costas. A preocupação deles é subir, subir, subir logo pelos barrancos acima. É por ali, é assim que eles sabem que ganham a batalha aos podengos e mestiços de toda a ordem. Se conseguirem fugir e chegarem lá acima sem levarem fogo e sem que os cães lhe deitem o dente, eles bem sabem que do outro lado está a salvação podendo entocar na outra vertente,nos buracos mais próximos.
Ao longo da manhã, a "estouraria" foi intensa. Quem captura mais são sempre as portas, cuidadosamente colocadas pelo Guarda à medida que as matilhas vão avançando no terreno.
Quem está de salto, com muitos cães a caçar e a rodearem os matagais, aí os coelhos fogem mais afoitos e os caçadores acabam por se conterem e muitas vezes não arriscam atirar com os cães a latirem desalmadamente à sua volta.
No final, um quadro de caça generoso e à minha conta foram pendurados uma dúzia de orelhudos.
Dois já estão no frigorífico, cortadinhos e temperados com pimentão vermelho alentejano, para amanhã fritar e beber umas "bejecas" fresquinhas.
J. Alves , quando quiser diga-me que eu vou lá outra vez... !
Um abraço amigo
sábado, setembro 22, 2012
Epitáfio de Rolas 2012
Cada vez menos... e foram nesta lua de princípios de Setembro( foto tirada em Pias à noite )
Bem que dizia o Zé da B.!
Deixámos de as caçar ... ! -este ano.
Abraço
terça-feira, setembro 04, 2012
Enquanto não vêem as rolas...pescam-se achigãs
Enquanto esperei pela abertura das rolas, acabámos por combinar um dia de pesca aos achigâs.
Não, a piscina que se vê não foi onde pescámos os achigãs mas sim o complexo rural em Alcáçovas para onde fomos , de véspera, descansar.
Logo após o pequeno almoço, aí pelas 09h30 dirigimo-nos para o local da pesca, ali para os lados do Vale da Arquinha.
Durante a manhã, com a ajuda das rapalas mas sobretudo das amostras de borracha entaladas em anzóis tipo "pescoço de cavalo" bom trabalho démos aos nossos amigos peixes. A caixa do equipamento está equipada para medir o tamanho do peixe e a preocupação residiu em apanhar tudo o que fosse do tamanho legal. O que não atingia o comprimento estipulado hoje em dia pela lei era devolvido à água.
É um dos meus petiscos favoritos no Verão, pelo que logo que chegámos a casa, fui "amanhá-los" e ao final da tarde já estávamos sentados, a comer meia dúzia deles, com umas cervejolas bem geladinhas.
O molho para o achigã grelhado é simples: muito coentro picado, sumo de limão, manteiga derretida e tudo bem misturado e a pincelar durante a assadura.
Bom apetite.
domingo, agosto 05, 2012
Rolas e Torcazes 2012
A esta hora já o trator passou com as rodas por cima deste trigo semeado que vemos na foto, esmagando o cereal e fazendo soltar a semente.
Está feito de propósito para a caça das rolas, pelo que não é colhido.
Um pouco mais abaixo, à direita, enfim, não se consegue ver aqui mas existe uma faixa de sementeira de girassol !
Será que é um sítio adequado para uma boa abertura de rolas ? É de apostar ?
A água fica na boca, mas no dia 23 - é quando se faz a abertura aqui - logo veremos os resultados, aqui mesmo, neste blogue.
A abertura não foi feita no dia 23 e o local foi outro cevadouro dentro da mesma Herdade na Amareleja.
Os resultados não correspondem inteiramente à minha caçada do dia mas o Miguel, pelo seu comportamento exemplar durante a caçada mereceu um quadro de caça generoso.
Todos nós já o sabemos: as rolas são cada vez em menor número. Metê-las dentro do Couto já é trabalho de expert. Os diversos que esta ZCT tem são todos exemplarmente tratados pelo Guarda da Herdade, ali, mesmo ao lado do Rio Ardila.
Esperemos pelos próximos dias para ver os resultados, pois elas estão já a descer para o Sul.
A abertura não foi feita no dia 23 e o local foi outro cevadouro dentro da mesma Herdade na Amareleja.
Os resultados não correspondem inteiramente à minha caçada do dia mas o Miguel, pelo seu comportamento exemplar durante a caçada mereceu um quadro de caça generoso.
Todos nós já o sabemos: as rolas são cada vez em menor número. Metê-las dentro do Couto já é trabalho de expert. Os diversos que esta ZCT tem são todos exemplarmente tratados pelo Guarda da Herdade, ali, mesmo ao lado do Rio Ardila.
Esperemos pelos próximos dias para ver os resultados, pois elas estão já a descer para o Sul.
Um abraço amigo.
domingo, março 04, 2012
Carta aberta a um amigo ecologista

Adaptação de um texto de
Israel Hernández Tabernero, de que muito gostei.
Sou um ser humano falso , um fingido, um sádico mascarado de caçador, um mau tipo, um insensível, um mentecapto, um mestre do eufemismo, alguém a quem, por favor, nunca voltes as costas...
Podes tu pertencer aos que dizem que ficas encantado com o campo e com os animais, que amas a mãe natureza e todos os seres que nela habitam, sem excepção. Que te dá prazer visitá-la, se possível na companhia do teu cão, que adoptaste, de passar um fim de semana com a tua família ou amigos numa casa rural, esse será sempre o teu plano perfeito.
Desfrutas então quando observas de longe o majestoso voo do abutre, ou o voar rápido do falcão peregrino ou o esvoaçar imóvel do penereiro.
Sonhas em conseguir juntar o dinheiro suficiente para conseguires comprar aquele magnífico telescópio austríaco que te irápermitir ver tudo nessas idílicas paisagens, até mesmo o fundo da tua alma.
Em casa reciclas tudo, para o trabalho vais sempre em transporte público e sempre que podes colaboras com uma organização ambientalista. Sim, decididamente estás comprometido para sempre. Para ti, é isso que é amar a Natureza, o resto - dirás tu - serão cantigas.
Por isso, meu amigo ecologista, que tão bem nos conhcemos, és incapaz de entender porque razão sou eu um caçador e falo de uma estupidez tão grande como o acto de caçar. Como assim? - Eu não posso de forma alguma amar a natureza e os animais pois acabo por, no final, procurar matá-los. Não, para ti amar a Natureza não é isso.
A minha espingarda será sempre um objecto tétrico, um objecto artificial, que provoca um imenso ruído na paz dos campos, sempre que eu disparo... nunca este cenário poderia encaixar numa tela a óleo de Monet, dirás.
Apesar disso, digo-te e redigo que proclamo o meu amor por esta mesma amante, que tu também amas. Mas isso é impossível, dirás. Sou um falso humano, um fingido, um sádico mascarado , um mau tipo, um insensível, um mentecapto, um mestre do eufemismo, alguém de que desconfias e a quem nunca voltarás as costas...não vá o Diabo tecê-las.
Mas deixa-me só dizer-te uma coisa, gostaria muito que, por uma só vez que fosse, te debruçasses comigo sobre a Natureza, aquela que eu verdadeiramente conheço. E que te fundisses com ela tal como eu faço muitos fins-de semana.
Vem então. Parte essa vitrina que te aprisiona, sai dessa maldita rota do sedentarismo e vem pisar a erva molhada da madrugada ainda escura, que te encharca os pés, sente que és tu o dono do teu caminho e que encaminhas os teus passos para qualquer lado, não te importes nem com o destino nem com a direcção, nem com o resultado.
Esse é o caminho que nós, caçadores, seguimos durante algumas horas, os que deixamos de sonhar em sermos livres para passarmos a sê-lo verdadeiramente, nas nossas jornadas. Sente aquele vento áspero e gelado na tua cara, suja as tuas calças de barro quando saltas aquela charca que está atravessada no teu caminho, treme, encharcado de chuva, frio ou de nervos, quando te sentas um pouco no meio do nada, a descansar, ofegante, naquela imensidão, compreende que, ali, a tua vida, naquele momento, depende única e exclusivamente de ti, pois estás só, ali não existem óleos de Monet, nem a policia, nem a cobertura de telemóvel que tanta falta te fazem. Possívemente, só os teus companheiros de caça e o teu cão fiel amigo.
Sente-te livre. Pica-te, arranha-te nos tojos quando procuras romper pelo monte acima em busca das perdizes esguias. E sangra das pernas. Acaricia o teu cão companheiro de caça e tenta olhá-lo nos seus olhos fugidios e esquivos. Vais ver que não consegues pois ele está é absolutamente compenetrado em procurar aquela perdiz para ti, que tanto pretendes. Depara-te com a lebre matreira que, dormindo nos pastos, salta à tua frente, em desafio e corrida desenfreada.
Sente as horas, o dia, a fugirem, a escaparem rapidamente debaixo dos teus pés. Desafia essa Gigante toda poderosa que é a Mãe Natureza. Desfruta-a com toda a atenção a que és obrigado e olha-a com respeito.
Observa como espera a raposa, sinistra, imóvel, como ela salta sobre a ratazana ou o coelho, observa como o falcão peregrino "rasga" aquele bando de torcazes que vem para o Alentejo, onde alguns perdem a vida.
Encontra pelo caminho a cama do Javali, ainda quente, e faz uma careta com o mau cheiro pestilento do animal que ali esteve. Se o encontrares pela frente, vê como o teu sangue parece congelar nas veias durante cinco segundos. Observa como a raposa agarra com os dentes na jugular daquela lebre menos atenta e mais afoita. Sente a fuga do veado , a partir as ramadas das giestas, e que é bem capaz de saltar por cima de ti enquanto foge e escapa aos seus perseguidores, envolvendo o teu coração numa autêntica revolução de sentidos.
Observa muito bem todo esse cenário que nós caçadores vivemos, pois é o mais real que vais ver na puta da tua vida. Aqui estão escritas todas as leis da existência e da sobrevivência. Assim é, há milhares de anos, ainda que tu não o saibas. Uma dessas leis, a mais lapidar, é a da vida e da morte, a de comer ou ser comido, a de fugir ou ser abatido, a de caçar ou ser caçado.
Se tens sangue nas tuas veias, o teu coração irá acelerar e muito ao ser testemunho directo de tão maravilhoso e grandioso espectaculo.
E então talvez compreendas que a unica diferença que existe entre nós é que eu não me conformo em ser um mero espectador desta maravilha que é a gloriosa Natureza.
Que eu quero ser o que sempre fui, e que desfruto vivendo a vida da maneira mais simples , esquecendo nestes dias tudo o que aprendi na escola e na universidade, participando nesse formidável jogo de vencedores e vencidos.
Talvez assim entendas porque sou verdadeiramente capaz de me integrar na Natureza como qualquer outro animal. Como animal que tu também foste antes de te tornares completamente artificializado com as tuas teorias humanistas, antes de distorceres a realidade para não sentires o tacto pegajoso do sangue da peça de caça ou do estertor da morte da peça que capturaste e que ainda bate na tua perna, à medida que caminhas.
Nesse dia, depois de veres a vida através dos meus olhos, talvez penses que o meu melhor não é a falsidade e que eu, de facto, amo profundamente a natureza. O meu amor talvez não seja tão idílico, nem tão casto, nem tão puritano como tu gostarias que fosse. Mas é um amor real, longe de ser perfeito, como o que um filho sente pela sua mãe e não como o que uma mãe sente pelo seu filho.
Um amor que por muito que tentes, nunca mo poderás arrebatar.
Um abraço de amizade, deum caçador.
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