domingo, fevereiro 02, 2014
A Inka já pode descansar por alguns meses.
Ou melhor, arrumei o "ferro" na caça geral.
Os poucos tordos que por aí andam provavelmente já não me convencem para mais saídas.
O ano passado acabei com uma fotografia similar à de cima e com um "chorrilho" de elogios a esta braco alemão, nova companheira das minhas jornadas de caça.
Na próxima época, 2014/2015 irá completar , comigo, a sua 3ª época de caça.
Quando revejo tudo o que ela me ofereceu e a forma como evoluiu na 1ª e nesta grandiosa 2ª época, quase que me assusto com o que ainda pode vir a dar-me e a fazer em termos de progressão.
Toda a minha vida cacei com "pointers" , a quem muitos apelidam de... "O Rei". São cães de facto extraordinários, grandes batedores de terreno e possuídores de um olfacto apuradíssimo que lhes permite detectar a caça a distancias consideráveis. A sua beleza na paragem, o seu olfacto incontornável, fizeram-me, desde sempre, fã dos pointers , caçando, inclusive, em simultaneo, com um par deles, que me deram, também, muitas alegrias.
Mas cães de caça, não é só estética e olfacto, bonitas paragens e grandes correrias. Descobri que um bom cão de caça tem de ser muito mais do que isso.
A inteligência na abordagem às peças de caça.
A inteligência no trabalho de busca no campo.
A capacidade de sacrifício em entrar ao mato na procura incessante da perdiz, codorniz, lebre ou mesmo coelho, que lá se meteu.
A capacidade de rastear as perdizes que caiem feridas e garantir uma percentagem de êxito perto dos cem por cento no cobro.
A inteligência e a capacidade de se unirem com o seu dono, e caçarem como se fossem um todo?
A docilidade de partilhar dias de caça em trabalho e, no descanso, noites inteiras com o seu dono no mais profundo dos sonos, deitada no canto do quarto?
Um cão de caça, um verdadeiro e bom cão de caça tem de ser tudo isto. Se ainda juntarmos algumas das qualidades dos pointers, então sim, poderemos render-nos e chamar-lhes ( aos Bracos) de...Reis da caça!
Naturalmente que não pretendo entrar nesta polémica, não há raças melhores do que outras para a caça. Todas as raças têm bons e maus cães de caça. Mas o Braco Alemão, se todos fossem iguais à Inka ( e eu sei que fui um afortunado, que tive mesmo muita sorte com a cadela) seria seguramente o Rei da Caça.
Inteligentes ( talvez das mais inteligentes raças do mundo - não sou eu que o digo - só corroboro - mas sim os verdadeiros especialistas) , com autêntico espírito de sacrifício na caça, nas condições mais adversas, quer faça um calor abrasador, chuva, frio ou vento, com uma busca minuciosa e inteligente dos campos, não deixando ficar para trás locais por explorar nem peças amagadas no terreno, com olfacto poderoso, com uma paragem firme e inquebrável, com um cobro extraordinário, alegre, depositando, intacta, a peça de caça nas mãos do dono, o Braco Alemão é, descobri-o agora, talvez o cão mais completo para a caça menor.
Relato aqui 3 ou 4 lances desta época que me marcaram e deixaram de boca aberta.
Beja
Outubro
Voacaça
Muito calor.Caçava sózinho à codorniz.
Caçando numa linha de água, quase totalmente tapada com vegetação densa, a Inka detecta um cheiro forte. Procura, nervosa e rápida, uma entrada e, qual cão de coelhos, dobra-se toda e mete-se lá para dentro. Literalmente, deixei de a ver. Só a ouvia. As patas chapinhavam na água. O seu nariz "aspirava" todos os odores que a pudessem ajudar a tirar de lá para fora as codornizes. Percorro cerca de 20 ou 30 metros a acompanhar a cadela somente pelo barulho que lá dentro fazia. Subitamente, a 5 ou 6 metros á minha frente, um par de codornizes saiem de lá de dentro, uma atrás da outra, e entram outra vez para dentro, em corrida. Estava provado que a Inka andava no seu encalço. Mais uns metros e salta a primeira, em fuga, em pânico, em puro terror, pois a cadela já não lhe estava a dar mais hipóteses, já não lhe dava descanso. Desfiro um tiro e derrubo-a, caindo no restolho. Estranhamente, a cadela não sai de lá de dentro. Atravesso com alguma dificuldade a linha de água e vou apanhar a codorniz. A Inka, essa continuava lá dentro, a dar conta da outra.Recarrego a Beretta. Não demorou muito. Dois ou três minutos e a outra, sentindo-se desamparada, sai em fuga, voando, rápida. Novo tiro e a codorniz caiu a uns 20-25 metros, no restolho. Aqui já a Inka sai de dentro da vala e rápida, começa à procura da codorniz. Atiro um torrão para a zona onde ela tinha caído e rapidamente estava na minha mão, cobrada pela cadela.
O estado lastimoso em que a cadela estava, quando saiu da vala dizia-me tudo. Molhada, cheia de lama e com o corpo, cabeça e orelhas cheias daquelas irritantes pequenas bolas de picos que se nos agarram às calças e que tanto custam a tirar.
O brilho que tinha nos seus olhos e a cauda alegremente a abanar demonstrava a sua satisfação do dever cumprido, a sua satisfação de ter estado a trabalhar para o seu dono.
Serpa
Vendinha
ZCA
Dezembro
Tempo frio. Perdiz brava.
Caçada em linha, numa associativa.
Depois de ultrapassar, a muito custo, um barranco pronunciado, comecei a subir uma encosta íngreme, nas ordem dos 35/40º de inclinação. O sol banhava aquela encosta por onde algum trator teria andado a limpar o mato, remexendo a terra. A Inka, dá-lhe um cheiro, desvia de repente para a direita e uma lebre levanta-se em fuga. Com a Beneli e com um tiro certeiro de chumbo 6 derrubo-a. Rápida, a cadela cobra a lebre e traz-ma à mão. Enquanto a arrumo no bornal, oiço 2 ou 3 tiros e fico atento. Uma perdiz ( ou era um avião ?) de asa aberta, escapa aos caçadores da linha, que seguiam já na minha frente. Encaro a espingarda, aponto, corro a mão e com um tiro em cheio ceifo-lhe a vida . Porém, o tiro foi largo, talvez a uns 40 metros e com a embalagem que já trazia, a perdiz foi cair muito longe, outra vez lá para o fundo, lá para baixo, para dentro do barranco. Exausto e a transpirar como estava, de vir a subir, se me pedissem para voltar a descer lá abaixo e ir lá tentar apanhar a perdiz, estaria tentado a dizer que já lá não ia. Mas a Inka viu tudo. Viu o tiro, viu a direção, olhou e viu a perdiz a ir cair lá em baixo no vale. Rápida, desceu, desceu, desceu, entrou na ribeira, procurou, procurou ( dei-lhe 4 ou 5 minutos) e qual a minha grande alegria quando a vejo a subir outra vez o cabeço, de perdiz na boca, para me vir entregar. Ajoelhei-me, naquele momento em que ela me depositou a perdiz na mão, puxei a cadela pelo pescoço, dei-lhe um abraço e um beijo na sua linda cabeça. - Linda menina, dizia-lhe enquanto lhe fazia imensas festas.
Mértola
Janeiro
ZCT Giões
Tempo ameno. Perdiz semi-brava, mas muito agreste.
Uma linha de 7 caçadores.
Terreno com cabeços pronunciados, giestas, e largas faixas de cereal não colhido, ali deixado propositadamente alimento e refúgio da caça.
A Inka começa a dar-me sinal de perdizes. Agitada, acelera no terreno. Como só tinha ainda 2 horas nas pernas, acelero o meu passo para a acompanhar. Mesmo assim não consigo totalmente. A cadela procura o cheiro da perdiz dentro do mato, faz um círculo largo sempre com o nariz a ventos e estaca, em grande paragem, de frente para mim, entalando a perdiz, como que a querer dizer: "Dono está ali, é toda tua". A perdiz não demora e, contrariamente ao que a cadela certamente esperaria, a perdiz não arranca direito a mim. Arranca, sim, em voo poderoso, mas para o lado direito. Corro a mão e desfiro-lhe o tiro a uns 30/35 metros e ela vai cair por detrás de um muro antigo de pedra solta. Não lhe consigo sequer ver a "pancada" por causa do muro. Mas a cadela arranca, salta o muro para o outro lado e 3 ou 4 minutos depois, volta a saltar o muro para este lado, mas...com a perdiz na boca.
Beja
Salvada
Voacaça
Já de regresso aos carros, que havíamos deixado na margem do Rio Guadiana, caçava numa linha de 4.
O Paulo L. seguia pela minha direita mas bastante afastado, junto a um canavial, seguramente a uns bons 150-200 metros.
O meu companheiro da esquerda faz-me sinal em geito de desafio, se teria coragem para bater um cabeço enorme, cheio de mato e rochas que estava pela minha frente.
Ataquei o cabeço, habitado seguramente também por coelhos pelos rastos existentes. Iniciei a subida, íngreme, afastando por vezes o mato com os braços e até elevando a espingarda para não a riscar desnecessariamente.
Chegado a meia encosta, o suor escorria-me pelo nariz, desisti, endireitei a rota e comecei a seguir em frente, sempre a meia encosta. Algumas dezenas de metros mais à frente , salta-me uma perdiz do mato. Tiro quase instintivo devido ao cansaço e vejo a perdiz a cair, a uns 20/25 metros. O mato era muito, a Inka estava mais acima, ja no topo do cabeço. Chamo-a.
O tal companheiro da esquerda indica-me a zona onde tinha caído a perdiz, pois tinha visto o local da pancada. Chegado lá, tirei o chapéu, depositei-o no chão a sinalizar a zona, mas não conseguia encontrar a ave. O outro caçador, vendo que eu não a encontrava resolveu "fazer-se" ao cabeço e foi, com algum custo até á minha beira. "A perdiz caiu aqui nesta zona, caiu redonda, tem de estar por perto. Procurámos, procurámos, até de cócoras estivémos pois o mato era enorme. A Inka entretanto chega. Cobra Inka, cobra.
A cadela entrou em trabalho de busca e afastou-se. Chamei-a de novo: Inka, é aqui, anda cá! - ela veio, cheirou por ali mais um pouco e voltou a afastar-se, perdendo-se no meio do mato.
Largos minutos depois, prestes a desistirmos, preparávamo-nos para começar a descer quando ouvimos, a uns bons 50 metros dali, uma grande "restolhada" no mato e um cacarejar desenfreado. Olha, a Inka deu com ela e apanhou-a. Não demorou muito a aparecer-me com a perdiz na boca. A perdiz estava viva, tinha caído de asa e fugiu a patas. Nós, humanos, errámos redondamente ao procurar naquele local e quase obrigar a cadela a restringir a sua busca naquele lugar. Para ela, o animal, era claro que a perdiz já lá não estava e, sem hesitações, foi-lhe no encalço, pelo rasto, até a conseguir desalojar, quiçá de alguma pequena rocha ou carrasco onde se meteu. Com grande satisfação a cadela deixava-me cair a perdiz na mão e o companheiro não resistia e lançava o elogio: -bela cadela tem aí o meu amigo!
A Inka foi a minha grande companheira da época de caça 2013/2014. Começámos a 1 de Setembro, com o característico calor deste mês, a caçar à codorniz. No dia da abertura geral, caçámos nas margens do Guadiana à perdiz e à lebre. Fizémos jornadas inteiras, sábados e domingos, sobretudo em Serpa, Beja e Mértola, incessantemente, a palmilhar kilómetros uns atrás dos outros. Esperámos os patos à noite, nos açudes. Muita partilha. A Inka já é da família. Só vive para nós. A sua lealdade é algo que não consigo descrever por palavras, é uma recompensa muito forte, que eu tenho e guardo como um tesouro que Deus me deu, egoisticamente só para mim. Bem hajas companheira.
terça-feira, janeiro 14, 2014
Patos em Beja II e Perdizes em Mértola II
| 04h30 da madrugada. Mata-bicho em Beja. |
| Cupo da caçada: 5 patos |
| Ao almoço, na Adega 25 de Abril em Beja. Restaurante a não perder de vista. |
| No final do dia já em Mértola. A Inka descansa no quarto. |
11 de Janeiro 2014
Como tínhamos ficado fãs do fim-de-semana de 7 e 8 de Dezembro ( ver história atrás) resolvemos "repetir a dose" e fazer mais uma de espera aos patos na Herdade dos Namorados em Beja e, no dia seguinte, caçar de salto à perdiz agreste de Mértola.
Às 04h30 da madrugada, nem em Beja ( nem em lado nenhum), se pode esperar ter algo aberto para tomar o pequeno almoço.
Assim, como tínhamos jantado na véspera, na "Ilha do Peixe", a mulher do Gonçalo, que nos acompanhou no jantar ( valham-nos sempre as mulheres que muitas vezes estes pormenores nos falham) resolveu fazer-nos umas sandes e juntar uns pacotes de leite com chocolate, para comermos qualquer coisa àquela hora.
Como não tínhamos mesa, o capot do Corsa serviu perfeitamente e, caros amigos, só no excelente Alentejo é que se tem o privilégio de se poder deixar o carro no meio da via pública, tomar o pequeno almoço enquanto se conversa, arrumar as coisas e ir embora e não aparecer, entretanto, nenhum outro veículo que dali nos obrigasse a sair.
Depois de "rematarmos" com um café amargo, em copo de plástico, na Bomba da BP, lá nos dirigimos para o Monte da Herdade dos Namorados, ali perto da base aérea.
A expectativa era elevada atendendo aos resultados da caçada anterior, mas as contagens finais, no geral, foram um pouco mais fracas, dado que os patos falharam o regresso às barragens naquela manhã.
Ainda assim penso que se cobraram cerca de 90 patos. O gestor, amigo Luis F., estava algo desiludido mas, caro amigo Luís, a caça é mesmo assim. Uns dias é do caçador outros dias é da caça.
Por mim, atendendo à seriedade e simpatia dos organizadores, continuarei a ser "Cliente".
Caçada de 5 patos e 4 cobrados é mais do que suficiente. Para quê mais ?
Ao almoço, fomos ao Restaurante-adega 25 de Abril, em Beja, e, não só comemos muito bem, como também estivemos em óptima companhia, com 2 companheiros que nos patos caçaram connosco.
Como se pode ver na foto acima juventude não faltou, o que é sempre uma satisfação para quem anda nestas lides e verifica que continuam a haver "seguidores" deste tão nobre desporto.
Terminadas as sobremesas e bebidos os cafés, despedimo-nos, com amizade, e o Gonçalo S. guiou as nossas viaturas até às rotundas de saída de Beja .
Esta foi a melhor parte do dia ( não foi Luís?) , conduzimos rápida e atrevidamente para o couto em Mértola onde o Gestor Fernando P. nos ofereceu a oportunidade de ainda dar uma voltinha de 1 hora, com os cães, até ao por-do-sol.
Àquela hora já se ouviam as perdizes a cantar nos cabeços e, cedo, a Inka começou a dar-me sinais de perdizes.
Com o Luís pela minha esquerda ainda consegui pendurar um perdigão com 2 esporões, e o Luís mais um par de aves até ao anoitecer.
Depois de um reconfortante duche, seguimos de carro para Mértola e fomos jantar.
O dia seguinte, seria o cartaz principal do fim de semana.
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Processo DGF 1532
ZCT Giões - Alcoutim
| Organiza-se primeiro uma linha de caça pelo lado direito |
| Terminada a direita, altura de se organizar a que caçaria no lado esquerdo. |
| Discussão de pormenores de última hora, verificação de cartuchos etc |
| Já na fase final da jornada. O autor, com a Inka, e o seu cupo de perdizes. Ao fundo, a Ribeira do Vascão. |
| Quadro de caça: 9 companheiros/ 48 perdizes |
12 de Janeiro
Zona de caça integrada na Organização Moinho do Monte Novo, que abarca cerca de 5.000 hectares de zona caçável.
Às 07h25 da manhã acordei com o barulho do Luís M. no corredor do Monte.
Dei um salto da cama, olhei para o telemóvel e reparei que não tinha posto o despertador.
Abri rapidamente os cortinados, estava um nevoeiro q.b. mas apercebi-me que o resto da rapaziada ainda não tinha chegado. Melhor assim. Aliás, a chegada deles ao Monte estava prevista para as 08h00. Eu e o Luís é que pernoitámos lá na véspera, depois de termos ido a Mértola jantar no "Repuxo", um bom cozido de grão e mandarmos abrir uma garrafa com "pomada" da Vidigueira, de beber e chorar por mais.
Como era dia de futebol, Estoril - Sporting, ainda fomos ao Monte Novo ver a 2ª parte do jogo, para grande pena do meu amigo Luís M., adepto do Sporting mas que, por ter empatado, viu o seu clube atrasar-se no comando deste campeonato 2013/2014.
Bom, em 3 ou 4 minutos já estava vestido a rigor para uma jornada de caça que se adivinhava muito dura e difícil, dados os terrenos onde íamos caçar. Vim cá abaixo ao carro prender a Inka no pátio do Monte e, como o jejum já doía, subimos os dois para irmos primeiro comer qualquer coisa, ainda antes dos nossos companheiros chegarem.
Um bom par de torradas com manteiga e com sumo de laranja, mataram o bicho e resolvemos, entretanto, aguardar por eles, para tomarmos juntos o resto do pequeno almoço.
Não tardaram muito. Alguns minutos depois já estávamos todos sentados, em amena cavaqueira, a beber o café com leite, as boas fatias de presunto, fiambre e paio entre outros acepipes.
Por volta das 08h30 entrámos para os Jipes da Herdade, metemos os canitos em gaiolas de transporte apropriadas e fomos para a ponta sul da Zona de caça, a cerca de 10! quilómetros de distância.
Organizadas as 2 linhas de caça previstas para o dia ( o último de caça à perdiz esta época) começámos a avançar no terreno.
De referir que iniciámos a caçada por volta das 09h20 e, às 11 horas, cerca de 1 hora e meia depois, só tinha 1 perdiz pendurada (!).
Vimos muitas sim, mas sempre a escaparem ilesas, notáveis, em largos voos, pela nossa frente.
Só entre as 11 e as 14 horas é que a caçada, em geral, se começou a compor.
Os bandos, já com as perdizes dispersadas com 2 ou 3 voos nas asas, começaram então a oferecer boas oportunidades. As aves, em pânico, aguentavam mais e saltavam das giestas a cacarejar, ora oferecendo tiro a quem as levantava ora dando chances a quem seguia na linha e via-as em altos voos cruzados.
Foi a altura dos tiros espectaculares, 40 ou 50 metros de altura, caíam fulminadas com belos disparos.
Outras ( muitas falhadas) seguiam já para outras paragens, para trás da linha, o que significava que ficam por lá à espera que a Mãe Natureza as chame para procriarem e darem novos bandos que todos ansiamos sejam fartos e abundantes.
Os terrenos de caça ali são abundantes e tratados exclusivamente para este desporto. Perdizes, lebres e coelhos (já se consegue ver alguns, poucos) encontram ali as condições ideais e necessárias para viverem.
Cabeços e barrancos pronunciados, com arrifes de estevas e outros tipos de mato, restolhos altos de trigo velho não colhido, obrigam a um esforço fora do comum para os caçadores e apelam à necessidade de se ter "bom pulmão" para vencer a batalha.
Por mim, por volta da 1 hora da tarde já eu ia ligando para o Gonçalo a dizer que "estava satisfeito" com a jornada ( não sei se era eu que dizia isso ou as minhas cansadas pernas...)
Terminada a caçada ( no total, 48 perdizes capturadas ) cerca das 14horas, era altura de regressar nas viaturas para o Monte, onde, como é hábito, nos aguardavam uns saborosos camarões cozidos, um excelente guisado de borrego e, depois das sobremesas, aquelas filhoses regadas com mel, valha-me Deus! - rematadas com um belo café e um scotch oferecido pela casa.
Saímos directos para Lisboa ( o Luís M. ainda seguiu para a Régua ) , o Gonçalo ficou por Beja e eu cheguei a casa por volta das 21h30. Neste domingo, 12 de Janeiro de 2014, o Benfica tinha ganho o clássico ao FC Porto por 2-0 e isolava-se no comando do campeonato.
Até para a próxima época Moinho do Monte Novo. Grande dia de caça !!
segunda-feira, dezembro 23, 2013
Caçador solitário ou de "linha" ?
| Pela hora do almoço. Penetrando o horizonte com o olhar. |
| No final do dia. Lá diz o ditado: Quem porfia... |
21 de Dezembro 2013.
Jornada física e atrozmente esgotante mas recompensadora.
Comecei o dia com os tordos.
Ainda que havendo uns tordos, como não tinha ido preparado, nem com arma adequada nem com cartuchos próprios, nem sequer com aguardo, cedo arrumei a tralha e fui para aquilo que verdadeiramente me apaixona: a caça de salto, com o cão pela frente.
Quem vê estas fotos dirá: "pois, só vai à caça das lebres"
Não necessariamente. A orografia do terreno muitas vezes assim o determina, mas as perdizes, que nesta altura não se deixam chegar, estão sempre, sempre na minha mira. Caçá-las, sem ser em linha, torna-se muito difícil. Não impossível, mas difícil.
Ainda este sábado, já no final da manhã, numa iniciativa magnífica da minha Inka que culminou, nuns pastos altos, com uma maravilhosa paragem sobre 4 vermelhudas que já para lá tinham fugido algumas centenas de metros atrás, quando pela primeira vez me viram.
A esta cadelita por ter "crescido" comigo, já lhe percebo o andamento tão bem que não tenho a menor dúvida sobre o seu comportamento no terreno e de que tipo de caça se trata:
Codorniz: rabinho a abanar, busca muito minuciosa no terreno, sem se embalar, o que me permite estar praticamente sempre perto dela. No final, ou levanta a ave ou acaba por a parar, imóvel, oferecendo-ma.
Lebre: rabinho a abanar, embala muito rapidamente quando se trata de rasto de lebre, muitas vezes quase anda a galope com o nariz sempre no chão. Estas, geralmente...já lá não estão. A segunda hipótese é, dar-lhe os ventos e pará-las, assim, sem mais. Algumas aguentam bem, outras nem por isso. Já no campo da 3ª hipótese é quando está de volta de alguma codorniz em valas com água, a procura é menos intensa e, não raras vezes, a lebre sente-se descoberta e salta, foge para o campo aberto, onde se sente muito mais à vontade com a sua velocidade. É a altura de aproveitar a oportunidade.
Perdiz: rabinho a abanar. Baixa bastante mais a barriga. A busca no terreno não é tão minuciosa e embala um pouco mais. Mas é clara, a evidência é muito grande, vê-se imediatamente quando se trata de perdiz. Depois, há que ter algumas pernas para a seguir pois rapidamente se vai deparar com as aves. É aqui que está o problema. As minhas pernas já não são exactamente aquilo que eram há 20 anos atrás...!
No caso em apreço, quando encontrou as emanações deixadas pelas patas das perdizes, ela avançou, rápida, sobre o rasto deixado pelas 4 aves, eu acelerei o passo, o mais que pude, ainda a vi "marrada" por uns instantes, mas as perdizes já não deram - como se diz na gíria - "orelha". Fugiram, cada uma na sua direcção, e acabei por abandonar a perseguição. O suor escorria-me pela cara abaixo, em bica, camisa empapada e colada às costas, mas pelos motivos que gosto.
Nas lebres, é na caça a salto, solitária ou, no máximo, com mais um companheiro, com quem tenhamos um bom entendimento, que podemos aplicar com mais sucesso os conhecimentos que sobre elas temos, sobretudo em relação aos seus costumes.
A lebre está em sítios diferentes consoante o dia que faz, ou que fez, na véspera.
Assim, se na véspera choveu copiosamente , há que procurá-las, pausadamente, dentro dos olivais com algum pasto ou mato cortado ou solto. Em alternativa, procurar as bordas das linhas de água, onde elas gostam de se encostar e deitar.
Pela manhã, em dias frios e solarengos, aqui, enfim, não há que ter dúvidas. É levar o perdigueiro e procurá-las nas encostas bem soalheiras, de restolhos mais ou menos espessos ou de lavradas. Haja paciência e, mais cedo ou mais tarde, ela aí está, a saltar à nossa frente, linda, vistosa, em grande fuga.
Com vento muito frio, procurem-nas nos restolhos banhados pelo sol mas junto dos caminhos que "cortem" o vento ou nas chamadas "covas" do terreno. É aí que elas se deitam ainda de madrugada.
Não procurar lebres em sítios complicados para elas fugirem. Detestam mato entrelaçado e qualquer tipo de vegetação tão intensa que lhes impeça a fuga como elas tão bem querem e sabem fazer.
Gostam muito de estar na orla dos olivais, ao final da tarde, deitadas, ainda a apanhar os últimos raios de sol. Sabem que se forem descobertas, rapidamente se põem em fuga por entre as oliveiras. Reflexos rápidos e tiros muito certeiros são necessários nestas alturas para lhes impedir a fuga.
Diria que das espécies existentes no alentejo, a lebre será, talvez, aquela onde o caçador mais experiente, aplica com maior êxito todos conhecimentos que tem para a descobrir e capturar.
Numa linha da caçadores, será quase sempre por mero acaso que ela salta e é cobrada. Excepto se for uma linha constituída só para a caça à lebre.
Por isso, prefiro a caça de salto, isolada, permite-me aplicar os meus conhecimentos sem ter que responder como se estivesse no exército.
Ainda este fim-de-semana cacei em linha e em terrenos muito acidentados. Surge uma perdiz em grande velocidade, de asa aberta, da minha direita para a esquerda. Derrubei-a com tiro certeiro, mas, com a velocidade que levava, foi cair lá abaixo, a um barranco fundo, seguramente a mais de 70 metros. A Inka não a viu pela que tive de "baixar ao barranco" . Três ou quatro minutos depois, já estava com ela na boca, trazendo-ma. Quando voltei a subir o barranco... 7 ou 8 minutos depois? - já lá não estava a linha. Não esperam. Salvo honrosas excepções em que a linha é composta por amigos. Como não conhecia bem aquele terreno acidentado, tive que me aplicar a fundo para a retomar outra vez. O suor escorria-me pela cara abaixo, em bica, camisa empapada e colada às costas, mas pelos motivos que não gosto.
Abraço amigo.
quarta-feira, dezembro 18, 2013
3 horitas de brincadeira...
A "rapaziada" de Quintos.
Quintos
Beja - 15 Dezembro 2013
Combinei na véspera com o amigo António B., responsável pela
gestão desta Zona de Caça, ir dar uma voltinha às orelhudas.
No domingo, pelas 08h30 (não era preciso madrugar ) fomos ao Café do José T., a Quintos, comer qualquer coisa ao pequeno almoço e beber a indispensável bica matinal.
Ali, juntaram-se a nós alguns companheiros de Quintos.
Pelas 09h00 da manhã, parámos os carros, mesmo à saída da vila, preparámos as armas e cartucheiras, soltámos os cães e iniciámos a caçada.
Para mim, "calhou-me" em sorte fazer a ponta direita.
A missão, essa, era eu ir sempre junto a um barranco e acompanhar o parceiro da esquerda.
O dia, solarengo e com uma temperatura óptima para caçar, estava maravilhoso.
Meia dúzia de centenas de metros percorridos, logo a Inka desaloja uma lebre da borda do barranco. Dois tiros e aí vai ela, ferida com gravidade, mas com a cadela no seu encalce, a ladrar, desesperada para conseguir apanhá-la.
O Fernando gritava: "está ferida, não atirem...!
A Inka foi "rabiada" diversas vezes pela lebre mas, finalmente, depois de muita corrida e esforço, lá conseguiu capturá-la. Logo os outros cães se aproximaram rapidamente -lembrei-me das hienas! - tentando tirar-lhe a lebre da boca. Má sorte que ela não deixa. "É minha", parecia querer dizer, firme, cobrando a lebre alegremente e trazendo-a às minhas mãos. Enfiei-a no bolso do ladrão do colete, fiz-lhe a habitual festa, e prosseguimos.
Não tardou muito e saiu outra, desalmada, na frente da cadela. Um tiro certeiro e novo cobro.
É pá, 2 lebres e ainda por cima adultas, é peso a mais praticamente logo no inicio da caçada. Para evitar isso, pegámos nas ditas cujas e pendurámos, escondidas, nas ramadas de uma oliveira grande, ali existente. Quando viermos à volta, levamos - disse-me o meu companheiro "da esquerda".
O barranco, repleto de canavial, tinha, pontualmente, algumas charcas de água.
A Inka baixou a uma, na borda da água entrou aos juncos e parou, imóvel. Sem conseguir perceber o que era aproximo-me e vejo saltar uma galinha de água, a que, propositadamente, não atiro. Saltou a galinha e saltou a Inka logo atrás dela, estatelando-se totalmente dentro da água gelada. És jovem, não pensas - disse para comigo.
Noutra charca, mais à frente, a Inka entra aos juncos e aqui foi mais a sério: faz saltar 4 ou 5 patos reais. Encaro a Benelli, e com um B&P, Ch 6 - F2 classic, consigo atirar um pato cá para baixo. Para nosso grande azar, infelizmente não o conseguimos mesmo cobrar pois caiu dentro de um silvado enorme, intransponível, e, além disso, ainda me pareceu que estava "de asa" pois caiu aos trambolhões.
Nos pastos, as codornizes ainda são por ali frequentes mas, nesta altura, por lei, já não se podem caçar. Nunca vi nada de semelhante em toda a minha vida de caçador, mas a cadela parou-se com uma, a ave levantou e a Inka, rapidíssima apanha-a com a boca (sem tiro nenhum) e vem trazer-ma à mão.
Pelo caminho, vimos mais uma série delas, não sei se ficam por cá a nidificar ou se ainda emigram para o Norte de África. Sou mais apologista da emigração embora saiba que sempre ficam algumas.
A linha ia fazendo o seu "serviço" e, já na volta de regresso, levámos um bando de perdizes pela frente. Desse bando, só conseguimos 3 e foi deixando enrolar 2 das espingardas para o fim do olival, esperando que as outras 4 armas conseguissem colocá-las cá para fora. Curiosamente, foram as 4 espingardas que esperaram que as caçaram. As 2 de fora só as viram de asa aberta, em voos prolongados, para outras zonas.
De permeio, nas terras lavradas, saíram mais umas lebres e outras fugiram,longe das espingardas, para outras paragens.
Como disse o amigo António B., fomos fazer uma brincadeira de 3 horitas de caça.
Gosto mesmo destas "brincadeiras".
6 espingardas
10 lebres
3 perdizes
Abraço amigo
terça-feira, dezembro 17, 2013
Também por direito próprio...
Também por direito próprio, a INKA, em trabalho de cobro,
sobre 2 lebres capturadas na planície alentejana.
Salvada
Beja
Por direito próprio...
A fotografia pode não dizer nada a muitas pessoas.
A mim, pelo contrário, diz-me tudo.
Aqui, a lebre, já em troféu, com todo o esplendor
das belas cores da sua pelagem, tem como pano de fundo a
magnífica planície alentejana, onde, por direito próprio,
faz desse mesmo território o seu habitat natural.
Salvada
Beja
quarta-feira, dezembro 11, 2013
Patos em Beja, Perdizes em Mértola
Herdade das Namoradas
Beja
Foto 1: resultado da minha jornada.
Foto 2
O Grupo, constituído pelo Paulo L,, Luis M., eu e o Gonçalo S.
Rostos visivelmente bem dispostos após excelente manhã de caça
aos patos. Muitos tiros e divertimento.
A caçada no seu final.
69 patos para 10 espingardas.
Não é a Argentina, mas considerando o nº de patos existentes,
deu para distrair, e bastante.
Recomenda-se comparecer na próxima.
Em tempo: grande trabalho da INKA que, após a caçada,
levei-a ao local para me cobrar 2 patos não cobrados: um dentro
dos maciços dos juncos e outro em pasto da altura de meia perna.
2 cobrados dentro de água
Mais a Sul, no Concelho de Mértola na Herdade do Monte do Moinho Novo.
Excelente caçada às perdizes.
Grupo habitual anual de 9 espingardas.
Por especial favor deixaram-nos cobrar só 2 lebres.
Coelhos absolutamente proibidos.
Novamente grande trabalho da INKA.
8 de Dezembro de 2013
A atualizar brevemente com estória.
segunda-feira, novembro 25, 2013
De salto e de Espera.
Um excelente dia de caça.
Para quem gosta de caçar sozinho, com o cão pela frente.
Beja -Salvada
O espolio do final do dia
4 lebres e 8 codornizes.
No domingo, já deu para entreter aos tordos.
Boa entrada no Monte Branco-Serra da Adiça
3 dezenas de tordos e muitos falhados.
segunda-feira, novembro 11, 2013
À caça em Beja
Inicio da Jornada com cobro de 1 lebre.
O açude onde por vezes espero os patos que vêm do Guadiana, ao final do dia.
Desta vez cobrei um par deles.
Ao fundo as luzes de Serpa.
No meu quarto, à noite. O resultado do dia.
Ao final da manhã com o Paulo L.
Mais 2 lebres cobradas nos restolhos e pastos e um par de perdizes "de verdade" e
algumas codornizes. O Paulo ficou para a tarde e no
final do dia ainda conseguiu cobrar mais um par de perdizes
com 6 codornizes no total.
Resultado pessoal:
5 codornizes
3 lebres
2 patos
Salvada
Beja
Novembro de 2013
segunda-feira, outubro 28, 2013
Caça de salto - a minha paixão
Outubro 2013
Salvada - Beja
A possibilidade de podermos partilhar o tempo inteiro com o nosso companheiro de caça, o perdigueiro, é uma prerrogativa rara hoje em dia. Se em condições normais o cachorro já nutre por nós um amor incondicional e uma paixão inquebrável, imagine se o tempo que passamos com ele é partilhado na totalidade, quer no ato da caça durante o dia, quer nos momentos de lazer, seja durante as refeições deitado aos nossos pés ou quando dormimos profundamente com o cachorro a fazer-nos companhia, deitado no chão do nosso quarto. O estreitamento da relação de amizade entre animal e dono aqui é notório e exponencial e, verdade seja dita, a Organização permite-nos ( não a todos claro) este pequeno luxo.
Na sexta-feira, dia 25 de Outubro, tinham caído grandes "pancadas" de água no Concelho de Serpa e Beja. A minha chegada ao Monte da Gravia Grande foi feita, já de noite, não debaixo de chuva, que já tinha acabado, mas com o horizonte negro sobrecarregado de trovões e raios que se afastavam ao longe mas que iluminavam os céus da noite com as suas poderosas descargas.
Já no conforto do meu "quarto de caçador" como o demonstra a 1º foto, adormeci a sonhar com as codornizes que iria procurar, no dia seguinte.
Às 06h30 estava levantado, tomei um duche quente e rápido, preparei as cartucheiras com chumbo 8 da B&Pellagri e uma dúzia deles de chumbo 6, também da mesma marca, 32 e 34 gramas, respetivamente.
Claro que de manhã tive de calçar as botas de borracha pois adivinhava os campos completamente alagados com as chuvadas da véspera. A escolha do local para caçar foi estratégica. Tinha de ir para os terrenos inclinados, de restolho amarelo torrado, com chapadas viradas aos primeiros raios de sol da manhã, pois seria precisamente aí que elas estariam.
Duas paragens da Inka e duas capturas. Entretanto vejo um lebrão a fugir rápido pelas minhas costas e lembrei-me logo que também as lebres procurariam nesse dia aqueles locais. O dia estava bonito e rapidamente comecei a dedicar-me mais à lebre.
Subi a uns pastos bem altos, que já iam secando, e não demorou muito à Inka desalojar de lá uma lebre.Um tiro bastou para estendê-la no restolho a uns 25/30 metros. Enfiei-o ( era um macho) no bolso do ladrão do colete e continuei. Reparei numa pequena barreira no restolho, que estava abrigada do vento algo frio que ainda se fazia sentir, mas bem banhado ( o declive) pelo sol magnífico da manhã. Percorrri-o todo, de alto a baixo, e, algumas centenas de metros mais à frente, a Inka pára, completamente imóvel. Chego-me devagar e começo a olhar para o chão. Querem ver que é uma codorniz?" - pensei. Espreitei, mas não, não era. Lá estava ela deitada, com as orelhas juntas mas encostadas ao dorso, completamente camuflada. Arranca outra lebre que procura a fuga pela parte mais elevada do terreno. Beretta bem apontada e com um só disparo "seguro-a" no restolho. A Inka cobra e traz-ma à mão, com orgulho. "Linda canita, dá cá ao dono" - deixei-a caminhar atrás de mim alguns metros com a lebre na boca.
Pelas 11 horas passei na carrinha para um pequeno "taco" e aproveitei fotografei a caçada do momento, 2 lebres e 2 codornizes.
Arrumei tudo e voltámos à caça.
Desta vez dirigi-me para a orla de um olival bem longe, lá no alto, já pertença de uma outra ZCT, mas bem rodeado de pastos altos e já secos, com o sol do meio da manhã a bater-lhe. Salta uma lebre para dentro do olival que falho com 2 tiros. Quinze ou vinte minutos depois, salta outra que nem me deixou atirar pois esgueirou-se logo para dentro do olival.
Começo a regressar ao carro. Estava perto do meio dia. Ao longe apercebo-me de uma lebre a sair do mesmo olival e dirigir-se tranquilamente, a trote, para um campo de restolho de girassol já rapado, apanhado e amontoado pelas máquinas. Como não a vi a desaparecer no horizonte, decidi passar por lá com a Inka. Os terrenos estavam frescos e, no rasto, a cadela daria bem conta do recado. Bem dito bem feito. Minutos depois a Inka começa a abanar o rabo, acelero o passo e por trás dum amontoado de paus de girassol arranca a lebre. Dois tiros bem dados mas continua, com a cadela a correr e a ladrar atrás dela. Fiquei desapontado. Estava ( quase ) certo que lhe tinha acertado, enfim.
Qual o meu espanto quando após 200 ou 250 metros de corrida a lebre dá um salto no ar e cai ferida de morte e a Inka agarra-a, ofegante. Fantástico, uma manhã, 4 lebres e 2 codornizes.
Chegado ao Monte, deixei a caça no balcão de frio, e fui ao Toi, restaurante da Salvada/Beja que faz uns achigãs escalados e grelhados, de comer e chorar por mais. No entanto, desta feita optei pela carne grelhada, com um corrente "Margaça", de Pias, tinto, para "carregar as baterias" pois da parte da tarde ia ainda bater uns outros terrenos que me estavam na mira, na estrada de Quintos.
Passei "pelas brasas" durante uma hora, no quarto do Monte e, depois, meti a espingarda e a cartucheira no carro, a Inka saltou para a bagageira e fomos fazer o final da tarde à procura das "africanas".
Os terrenos são todos de restolho alto, bem espesso, com vegetação velha de cardos, e com uma linha de água a atravessá-los, direito ao Monte da ( agora não me lembro do nome), mas com uma fiada de eucaliptos ao longo da ribeira.
A primeira paragem da cadela não demorou e pendurei a 1ª codorniz da tarde. Alguns minutos depois, de novo a cadela imóvel. Desta vez salta um par delas. Seguro uma com um tiro, marco-lhe a pancada e ajudo a cadela a encontrá-la. A outra...deixá-la ir!
Alguns minutos depois, de novo a cadela "marrada" nos cardos. Deu-me tempo para tudo. Aproximei-me de lado, em "passo fantasma" para a cachorra me sentir e controlar-me a aproximação. A codorniz estava "perra", demorava a saltar. Esperei, esperei, mas o que saltou foi... uma outra lebre. E eu com chumbo 8 (!) na arma. Segurei-a, no chão, a uns 20 metros ( mais ou menos).
Com o sol esplenderoso já a por-se no horizonte ( tinha combinado com o Sr B. irmos esperar os patos no açude ao cair da noite ) voltei para a carrinha e ainda deu tempo para capturar mais 2 aves.
Claro está que a felicidade jorrava de certeza pelos meus olhos, mas enfim...!
Os patos foi um fracasso. Entrou já de noite escura um bando disperso, para aí de uns 10 mas ( escaldadíssimos) assim que tocaram na água arrancaram logo para outras paragens com 2 tiros atrás, para o monte, mas sem resultados.
Patos: 0
Após o jantar, a noite foi dormida, de forma profunda e recompensada,com a Inka deitada no chão do quarto, também completamente esgotada. No dia seguinte a brincadeira era outra: perdizes, de salto, em linha.
Domingo, 27 de Outubro. Mudou esta noite para a hora de inverno mas o telemóvel faz o acerto automático: 06h30. Duche rápido, a Inka olha de soslaio para mim, como que a querer dizer: o quê, mais "conversa"? - e lá se levantou, "sem discutir", prontinha para mais uma manhã atrás das perdizes.
Os terrenos onde começámos eram à volta da povoação de Quintos, nas margens do Guadiana. Cerros de montado, pasto, giestas, linhas de água sinuosas a caminhar para o Guadiana, sempre por ali fora cerca de 4 ou 5 de Km de terrenos bastante difíceis.
A Inka ( e eu ) à medida que o tempo avançava, fisicamente íamos dando sinais de puro cansaço, mas, ainda assim, deu-me "a matar" 3 perdizes, das quais só aproveitei uma.
Na volta de regresso aos carros ainda derrubei mais um par delas e uma lebre que vinha fugida dos outros caçadores.
A caçada acabou finalmente, já bastante tarde, cerca das 14h30, e, como queria vir ver o meu Benfica a jogar contra o Nacional, despachei-me rapidamente, fiz as despedidas e voltei,célere, para Lisboa, onde ainda jantei com o meu filho mais velho.
Parei em Santa Margarida do Sado para descansar as pernas e beber um café e acabei por ver só a 2ª parte onde o Benfica ganhou 2-0.
Saldo da Jornada:
6 codornizes
5 lebres
3 perdizes
Para mais tarde recordar.
Um abraço amigo.
sábado, outubro 19, 2013
Vidigueira 2013
Vidigueira
19 Outubro
Orientados para uma caçada às perdizes e lebres totalmente selvagens, em ZC com 1.800 hectares,
calhou-nos "em sorte" ir caçar o olival da Herdade e alguns pastos ao seu redor.
Quer-me parecer que "a volta" deveria ter sido feita pelo sentido inverso ao que fizemos.
Isto é, desalojar primeiro as perdizes e lebres que estavam dentro do olival ( e não eram poucas ) e
conseguir "colocá-las" nos pastos mais altos e densos, em redor.
Em vez disso, passámos primeiro pelos pastos, onde só o G. capturou uma lebre, e depois, dentro do olival, elas andaram toda a manhã a brincar connosco.
A caçada estava preparada pelo Dono da Herdade, para a existência de batedores da zona e colocação de Portas.
Porém, a nossa linha - composta por 8 espingardas - estava era preparada para caçar de salto, pelo que rapidamente desfizemos a confusão com o Dono e abrimos uma linha de caça de salto.
Obviamente que, num olival daquela dimensão, as perdizes e lebres "brincaram" literalmente connosco, ouvi-las e vê-las levantar voo ao longe foi a regra... e o melhor que conseguimos.
Nem uma caiu. As lebres fugiam de um lado para o outro, dentro de tiro e fora de tiro, pois havíamos recebido ordens rigorosas de não atirar às lebres ou coelhos dentro do olival, devido às mangueiras da rega gota a gota.
Aproveitamos, assim, depois de passarmos o olival, algumas dezenas de hectares de bons pastos, e derrubámos 9 bons exemplares.
De salientar o trabalho da Inka ( onde vai esta cadela parar?) que, após as grandes chuvadas da noite anterior, as ia procurando junto às valas das ribeiras. Onde vai a cadela buscar este instinto?
Desalojou duas, dos juncos das ribeiras, que, mesmo saindo que nem setas, caíram, certeiras, com B& Pellagri, 34 gr, Ch 6, F2 Classic.
O prazer de ver a cadela cobrar as 2 lebres e trazê-las, para mim, penduradas nos maxilares, é algo de indescritível no que se refere ao prazer que sinto nestas alturas.
As botas, essas, transportavam 1 kilo de lama em cada pé, o que dificultava sobremaneira a caçada.
Como nota de grande realce, um porco ( negríssimo javardo ) que se levantou por trás de mim numa vala, onde estava deitado, e levou logo com 2 cartuchos de 6. Parou algumas dezenas de metros à frente , sintomático, de que lhe fiz "cócegas" com os tiros. Ainda recarreguei a Beretta, mas o animal atirou-se para dentro de um barranco pequeno.
"Ó Gonçalo, ó Gonçalo" - anda cá depressa para ver se derrubamos este porco. Mal gritei e enquanto corria, o porco galgou o barranco para terreno limpo e atravessou as terras todas pela nossa frente, escapando, a galope, algures para bem longe. Ah, que falta fazia ali uma bala ou uma boa carabina.
No final acabámos todos sentados num Restaurante da Vidigueira, à volta de um bom ( bom não, óptimo) ensopado de borrego, bem regado com o excelente vinho tinto e branco da região.
PS.: Já se conseguiu observar uma bela entrada de tordos, isto é, terão entrado de noite enquanto chovia (?), pois no olival estavam seguramente... às dezenas.
Um abraço amigo.
Sérgio Vieira
segunda-feira, outubro 14, 2013
As paisagens
As paisagens por onde se caça e as diferentes orografias
e coberto vegetal dos terrenos.
Que mais se pode querer?
Salvada - Beja
Lindo dia de Caça
Logo pelo nascer do sol, lebre levantada, um par
de tiros e já está. Estendida no restolhal.
A Inka em perfeito trabalho de cobro.
Ao meio dia a satisfação do dever cumprido.
Cupo limite de 10 codornizes e uma lebre.
Para mim, o melhor dia de caça da Inka.
Das 10 abatidas, 8 foram paradas pela cadela e
2 foram trabalhadas no rasto até as levantar a tiro.
De permeio, alguns falhanços do marteleiro do dono.
Ao cair do dia, fomos esparar os patos ao açude.
No lado direito da foto, não se vê, mas é a dita represa .
4 machos abatidos e uma fêmea.
Outros tantos conseguiram escapar.
No pátio do Monte, à entrada do meu quarto, uma derradeira
homenagem.
Herdade da Gravia Grande
Salvada- Beja
quarta-feira, outubro 09, 2013
Abertura Geral da caça 2013
Final da tarde de sexta-feira. Uma voltinha às codornizes
rendeu 2 coelhotes levantados e cobrados nos pastos.
A seguir aos coelhotes, há que seguir para um
açude onde os patos do Guadiana vão estagiar de noite.
Boa caçada no final. 7 patos cobrados e 5 falhados.
A noite amena e o trabalho dos cães no cobro são dignos de registo.
O Páteo interior do Monte da Gravia Grande.
Um dos meus locais de eleição para os momentos de lazer.
No dia da abertura, muito calor e fracos resultados.
Da minha parte caiu uma perdiz e 2 lebres.
No domingo ainda fomos dar uma volta às codornizes
e cobrei mais 4. Na foto já com a vestimenta do regresso.
Resultado pessoal:
1 perdiz
2 lebres
2 coelhos
4 codornizes
7 patos
Outubro de 2013
Beja - Salvada.
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