quarta-feira, dezembro 22, 2010

Que m...de cartuchos !



















19/12/2010
Dia inesquecível de caça de salto.
Peripécias com cartuchos novos, lebres mortas que ressuscitam, lebres fantasmas, perdizes que escapam entre os pingos da chuva, de tudo houve um pouco.

Na foto, da esquerda para a direita, eu , o Zé G e o Vit. Os pointers são 2 manos, a "norma" e o"chiquinho".

Para mim esta jornada contava como a última caçada de salto à perdiz, deste ano de 2010.

Escusado será dizer que nos dias anteriores já alguma nostalgia me ia invadindo aos poucos, à medida que me apercebia que a minha caça predilecta, a perdiz, chegava ao fim.

Como não consigo resistir à mudança ( asneira, como sempre ) resolvi levar a P. Beretta Ultralight e, na semana anterior, à hora do almoço, saí do escritório e passei ali pela Espingardaria Diana, mesmo em frente à estação de comboios do Rossio, em Lisboa.

Pedi um conselho para levar uns bons cartuchos carregados com chumbo 6 e com carga de 32 gr pois o peso da espingarda assim o aconselhava e os donos da casa não tiveram dúvidas: " Só comercializamos o cartucho Winchester, mas o meu amigo leve 1 ou 2 caixas que é um cartucho a sério, extraordinário, não se vai arrepender de certeza!" , " o problema é que só temos chumbo 7 mas para o efeito que quer vai ver que não se arrepende nada". Perante tanta convicção, lá me decidi por comprar 2 caixas de cartuchos.

No dia seguinte, íamos caçar na ZCA Vendinha, em 2 linhas de salto, a percorrer as 2 metades da totalidade da reserva, de uma ponta à outra. Daí a razão da minha escolha pela P. Beretta mais leve.

Ás 04h30 da manhã saltei da cama com o barulho do despertador e às 05h00 saía de casa direito a Vila Nova de S Bento para apanhar o Zé G.

Na véspera tinham caído chuvas diluvianas em Serpa, obrigando mesmo à intervenção dos Bombeiros durante a noite em alguns locais. Como se previa uma manhã de sol ( que acabou por aparecer tímidamente já muito tarde) e uma longa caminhada durante várias horas, levei só as minhas Chiruca de meio cano, deixando em casa as de borracha de cano alto.

Quando chegávamos à reserva cruzámo-nos com o Zé S.. Nesse dia não caçava connosco, ia para uma batida junto às margens do Guadiana, na Herdade da Nata. "Sérgio, tens alguns cartuchos a mais?-perguntou-me. "É pá, trouxe 2 caixas de Winchester chumbo 7, posso ceder-te uma, pois ainda tenho umas sobras de B&P, queres ?" - "Dá-me então uma pois para o que vou tenho poucos cartuchos". Seguimos, assim, viagem.

Depois do pequeno almoço, no sorteio calhou-me a ponta esquerda da linha. "Não tem nada que enganar, o Sérgio percorra junto à estrada alcatroada, sempre à distancia regulamentar, mas vá-se guiando por mim que vou à sua direita" - disse-me o Bob.

Iniciámos a caçada em zonas de matos muito altos. O objectivo era empurrar os bandos de perdizes para fora daquelas zonas e depois caçá-las já em zonas mais limpas, com a ajuda dos preciosos auxiliares, os cães.

O ceú estava cinzento bem escuro, o que para mim se traduzia em dificuldades acrescidas nos tiros, pois é nestes dias que sempre tenho piores resultados a atirar à perdiz vermelha.

Atravessei com algum custo umas ribeiras onde a água corria profunda, abundantemente, com as chuvadas dos dias anteriores. As calças, essas, já seguiam completamente ensopadas, dificultavam-me gradualmente o passo, mas, por fim, e depois de ver meia dúzia de vermelhas a escapulirem-se para longe, comecei a entrar em zonas menos cerradas.

O Bob. tinha feito um disparo lá para trás, a uma, e mesmo assim a perdiz foi cair longe."Sérgio, espere aí um pouco que eu vou lá com os cães, aquela perdiz onde caiu ficou".

Enquanto esperava por ele, vejo um bando de meia dúzia, levantado largas, no meu lado direito da linha, a cruzar-se aí a uns 100 metros à minha frente, para o meu lado esquerdo. "Maganas, estas já se safaram" - pensava.

Os minutos iam passando e o Bob. teimava em não aparecer. Já não via sequer o companheiro que caminhava ao seu lado direito o que queria dizer que estávamos os 2 já muito para trás da linha. O ruído dos tiros assim o dizia.

Comecei a chamá-lo em alta voz, diversas vezes, mas nem sequer resposta ouvia. Insisti, voltei a insistir, os minutos passavam e ele nada. "Será que já passou, acompanhou a linha e eu não vi?" - a dúvida assaltava-me.

Acabei por concluir que provavelmente era eu que tinha ficado para trás e segui, rápido, em frente, para tentar recuperar a linha.

Dobrei um cabeço e "brrrrrr" , salta-me um par delas, a tiro, boas de derrubar. Dois disparos e nada, foram-se as duas. "Não gostei nada do barulho dos tiros" - pensei, parecendo-me fracos.

Algumas centenas de metros mais à frente, caçava, atento aos pequenos matos ali existentes, onde havia muitos rastos de coelhos daquela noite. Levantei a cabeça e deparei-me com um bando de perdizes, em fuga, a atravessar as terras, voando de asas abertas, mesmo por cima de mim. Faço o "swing", atrás delas mais 2 disparos mas ...nada. "Que diabo, isto não é nada habitual. Por norma, algumas destas, quando me entram assim, desta maneira, costumam ficar" - pensava.

Adianto mais o passo, pela direita do Monte do P. que é da Associação, e, alguns metros mais à frente, ao passar uma vedação, salta-me uma vermelhuda dentro dos matos, aí a uns 15, 20 metros. Novo encare, 2 disparos e...nada. "Das 2 uma, ou eu estou a ficar cada vez mais marteleiro ou então é da porcaria dos cartuchos"

Entretanto, à frente ia apanhando a linha e cruzei-me com o Luís da Vend. "Luís viu o Bob?" -"Não , respondeu. Começámos a ficar preocupados.

À medida que íamos andando grita-me " Sérgio, por cima !!! - olho e vejo uma perdiz a cruzar-se, linda, comigo, dentro de tiro.Mais 2 tiros e fico completamente embasbacado ao vê-la seguir sem tugir nem mugir. Raios, vou mudar para B&P, 34 gr, ch 6. Dos poucos que tinha na mochila carreguei a arma com 2 e segui.

Já estava desanimado e, depois de atravessar um caminho, encostei-me por momentos a uma vedação. Entretanto, o sol já nos acompanhava há largos minutos o que me deixava extremamente satisfeito. Larga, a uns bons 40 ou mesmo 50 m ( é sempre difícil avaliar estas distancias) vejo outra perdiz a fugir da direita para a minha esquerda. Encaro a arma e ao primeiro tiro cai redonda, "seca", sem hipótese. "Até que enfim" - já safei o chibato. Corri a apanhá-la e vi que se tratava de uma fêmea. Enfiei-lhe a cabeça pelo cinto das calças, pendurei-a e regressei atrás.

Para já, tudo o que é Winchester vai já para dentro da mochila e só caço com B&P. "M... de cartuchos que comprei" -pensei.

Entretanto vimos o Bob lá atrás a chegar-se à linha. Então o que aconteceu? perguntei, fartei-me de chamar por si, não ouvia nada e acabei por pensar que tinha vindo para cima - disse-lhe.

"È pá Sérgio, nem imagina o que aconteceu, fui lá atrás como combinado buscar a perdiz que tinha abatido, caiu longe mas ela lá estava e os meus cães encontraram-na. Mas quando vinha outra vez para a linha, a atravessar a ribeira, escorreguei e distendi a virilha. Tive de ficar ali imobilizado, aí uns bons 15 ou 20 minutos sem me conseguir mexer - dizia-me. Só depois é que lá consegui levantar-me e continuar.

Bom, de novo refeita a linha entrámos em zona de lebres. As perdizes, muitas, escaldadas, não nos davam mão. O Bob. disparava e fazia cair mais uma, bem cobrada pelo cão. Enquanto via, oiço um restolhar por trás de mim, volto-me para trás e vejo uma lebre perto, em fuga. Um tiro e deixo-a de imediato estendida no pasto. "À pois, isto era mesmo dos cartuchos, só pode ser, que m.... de cartuchos que na 2ª feira já lá lhes vou dizer" . Meto-a dentro da mochila e sigo caminho.

A 2ª perdiz veio fugida da linha em velocidade de TGV . Um só tiro, enrolo-a toda no ar, desfaz-se em penas e cai redonda no chão.

A 2ª lebre cobrada salta-me também aos pés, junto a uma linha de água. Com as chuvas as lebres têm muito o costume de se acamarem junto às ribeiras. Caiu redondinha, sem espinhas. E eu a pensar nos cartuchos que tinha comprado e a ver a diferença quando mudei para os B&P.

Junto a um açude, saltou-me outra perdiz, em linha recta a fugir de frente. Encaro calmamente a arma e disparo. O tiro passou-lhe todo á volta e não sei como aquela perdiz conseguiu fugir. Vi todos os chumbos a embaterem no cabeço para onde ela de se dirigia e posso assegurar que escapou por milagre. Escapou entre os pingos da chuva, pensei.

Entretanto a linha começou a virar para a minha esquerda e era tempo de criar ali uma pausa.

O Bo. levanta uma lebre e ao primeiro tiro derruba-a. Os 2 cães disputam o cobro da lebre e ele tem de intervir para "pôr ordem na coisa".

Longe vejo uma lebre fugida . Estive tentado a não atirar para não a ferir. Disparei e senti que o animal levou em cheio e retraiu imediatamente. Porém, continuou a descida do cabeço. Largo a mochila e faço uma corrida para o outro lado para lhe cortar o caminho. Vejo-a de novo, vai lenta, está ferida de morte. Corro mais uns metros mas ela vai-se distanciando aos poucos. As minhas pernas já não chegam. Tiro 2 cartuchos ao calhas, e faço 2 disparos. A lebre continua. Quando vejo os cartuchos eram Winchester. Merda para isto. Recarrego com B&P. Mais uma corrida e disparo de novo, mas a lebre era "fantasma" . Depois de tanto tiro desaparece no meio do matagal de um barranco.

O suor escorria-me pela cara e pelas costas e voltei atrás para pegar na mochila que já carregava 2 lebres.

Quando lhe peguei , salta-me logo ali outra. Linda, pensei. Encaro a arma e ao 2º tiro derrubo-a. Ficou no chão estendida, a uns 20 metros, a torcer-se, a fazer o que habitualmente chamamos de "esticar o pernil".
Já te apanho, voltei atrás para ir buscar a mochila e quando voltei e vou a deitar-lhe a mão, a lebre de súbito levanta-se e foge cabeço abaixo numa velocidade diabólica. Tinha a arma descarregada e nunca tinha visto tal coisa na minha já longa vida de caçador. Fugiu. Se não voltasse atrás para ter ido buscar a mochila tinha-a apanhado de certeza. Assim, dei-lhe alguns segundos, conseguiu ganhar forças e lucidez e fugiu, sem deixar hipótese, tanto mais que tinha a arma descarregada. Fantástico.

Eram 14 horas a caçada chegava ao fim e o meu saldo eram 3 perdizes, 2 lebres e 1 coelho.

Ao almoço, um belo de um cozido à portuguesa. Juntou-se a nós o Zé S. que tinha ido caçar para a Herdade da Nata. Matou uma mão cheia de perdizes mas disse-me que mal começou a atirar com os Winchester falhava tudo. Teve de mudar de cartuchos para começar a ter resultados ( tal como eu).

Na véspera tinha comprado um Bolo-Rei no El Corte Inglês da Beloura e acabámos o almoço a beber o café e a comer uma fatias deliciosas, já a pensar no Natal.

No regresso fomos ao Monte do Zé S. buscar 2 cabritos que eu tinha encomendado para o Natal e que tinham sido "arranjados" na véspera. Esquartejados e em sacos de plástico efectuei o regresso, depois de mais uma sensacional jornada de caça.

Dia 26 será a última caçada na Vendinha. Nesse dia não irei, ficarei com a família, em quadra de Natal, mas quem vai em meu lugar, o Vit., vai, seguramente, viver gloriosa jornada de caça. Ali...só pode!!! Mas o meu coração vai por lá andar.

Um abraço amigo.

sábado, dezembro 18, 2010

Outra boa caçada



















12/12/2010
Vendinha
Perdizes ou aviões ?
Estória em breve
Abraço amigo
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ZCT STA IRIA - Serpa




































11/12/2010
Uma bonita jornada de salto às Perdizes.

Já não sei muito bem porque caminhos e travessas chegámos ao lugar onda iríamos caçar naquela manhã. De facto, foram uma série de voltas que fizémos dentro da Herdade dos Peixotos até lá chegarmos.

A perspectiva era de uma jornada de salto, às perdizes, onde o amigo José S. sempre está por detrás destas jornadas e faz os convites aos seus amigos.

A Herdade dos Peixotos é uma das propriedades mais ricas em caça no Concelho de Serpa. A sua orografia e biodiversidade existentes, permite criar, com sucesso, praticamente todas as espécies caçáveis em Portugal.

Rica em coelhos, não faltam as perdizes e as lebres ( de tordos nem se fala) , galinholas, javalis etc, prova provada de que é possível conjugar conflitos de interesses na vivencia em comum das espécies.

Por volta das 08h30 estacionámos os carros dentro de um cercado com cerca de 600 hectares. O João R. , Guarda da ZCT, e profundo conhecedor da caça e de tudo o que a rodeia, incluindo o furtivismo e como o combater, chegou connosco e estabeleceu as regras do jogo: - "Pronto, para vocês é uma caçada vip, podem caçar de tudo mas não atirem a algum javardo que vos salte".

Soltámos os cães enquanto armávamos as espingardas e fornecíamos as cartucheiras com aqueles cartuchos que cada um entendia iam ser a melhor solução para a manhã de caça. Não sendo de todo importante, a percha sempre animava a alma e confortava ter 2 ou 3 peças penduradas a baterem-nos nas pernas enquanto caminhamos.

Da minha parte utilizei na semi-automática o B&P 34 gr Ch 6.

Entretanto, o Zé S. dava as primeiras instruções sobre a forma como íamos atacar aqueles 600 hectares, rodeados de cabeços pronunciados e, nos terrenos do meio, ligeiramente mais planos.

A estratégia era caçar um V , com pontas bastante adiantadas, como única forma de não "põr as perdizes em França", para fora do couto.

Do meu lado esquerdo, seguia na ponta esquerda o Zé S com a sua pointer "catia", ao seu lado direito o Zé G. com a sua cachorra pointer "norma" e do meu lado direito o Vit com o "chiquinho", todos da mesma família, isto é, produtos da barriga da "catia".

Mesmo com óculos apropriados, a caçar com o sol a bater forte nos olhos pensei logo que perdiz que saltasse em frente quase que nem a iria ver.

Nem era preciso perdiz. O 1º coelho que me saltou das estevas, levou 2 tiros atrás e já quase como descargo de consciência, atirando ao vulto, pois por vezes ficam estendidos no mato. Aquele não, fugiu e fugiu muito bem ocultando-se com o sol que ainda ia baixo.

O Zé S. caminhava em passo largo pela esquerda, os tiros iam-se sucedendo e ele gritava para o José G chegar-se mais, pois algumas perdizes estavam a saltar para trás e precisava ali de uma espingarda mais próxima.

Do meu lado direito, o Vit dava conta de uma galinhola que provavelmente se alimentava nos matos altos, daquela manhã fria. A ave salta para trás, para o seu lado esquerdo e com um tiro é derrubada alguns metros depois. O cachorro pointer, com a carga genética a ajudar, dava uma volta rápida ao arbusto onde momentos antes se ocultava a galinhola e marrava, lindo, no local onde a ave tinha estado. Era a sua primeira galinhola da vida e, com ninguém a ensinar-lhe que era ave de caça, ali estava ele, com todo o seu esplendor a querer "mostrá-la" aos seu dono.

Mais à frente novo levante de galinhola e o Vit grita-me" Sérgio vai para esse lado". Virei-me , fiz o swing e de um só tiro derrubo-a, indo cair nas margens da ribeira que por ali passava.

O Zé G., esse, saltaram-lhe um par de perdizes que por ali estariam em pânico, amagadas, mais próximas e dando a mão ao tiro, que foi certeiro. A Pointer, que eu considero também uma boa promessa, vai ao cobro mas deixa a perdiz no chão. Disse ao Zé G que o animal estaria provelmente stressado. "Deixa-a crescer que vais ver que as traz todas" - disse-lhe.

O Zé S. ia atirando. O Gonçalo também ia fazendo o gosto ao dedo. Num momento de reunião dos caçadores, dizia-lhe o S.: "É pá ó Gonçalo, trazes só uma perdiz pendurada. Devias de mudar de cartuchos. Isso do Sul Beja já deu o que tinha a dar" . "À é? - e metendo a mão à bolsa do colete, dizia, em tom jocoso: "então toma lá mais uma, e toma lá mais outra, e ainda toma lá mais outra." A gargalhada, claro, foi geral.

Depois daquele momento de boa disposição retomámos a caçada.

As minhas botas de borracha de cano alto não eram a melhor solução para tamanha caminhada e, no caminho, já iam deixando algumas marcas nos pés.

Um coelho atravessa da minha esquerda para a direita a subir em galope o cabeço. Um tiro certeiro deixa-o estendido no chão.Enfio-lha a cabeça pelo cinto, puxo-lhe pelas orelhas e penduro-o .

No caminho de regresso uma perdiz atravessa, da direita para a esquerda. Larga e alta , aí a uns 40 metros, de asa aberta, faço-lhe um tiro - em cheio, começa logo a cair redonda. Por instinto, remato-a ainda no ar com o 2º tiro.

"Bravo" . gritou-me o Zé S.

Quando fui procurá-la, o pasto cerrado e de ervas altas dava-me pelo joelho. Comecei com dificuldades em encontrá-a. Atirei da imediato o chapéu para o chão para não perder o sítio da pancada e comecei a procurar. Nada ! . Zé, traz aqui a cátia senão ainda me fica aqui a perdiz.
Deixa-te estar aí quieto- retorquiu o Zé, senão a cadela começa a misturar os cheiros e depois é mais difícil.

A pointer chegou ao local de depois de meia dúzia de voltas ali estava ela, imóvel, marrada com a perdiz morta no chão, que nem sequer se via. Mas a forma de parar da cadela dizia tudo, estava mesmo lá. "Cobra" -atira o Zé e a cadela, obedientemente, abocanha a perdiz e traz ao dono.
Era a chamada cereja em cima do bolo.

O campeão da jornada foi mesmo o Zé S. - abateu 7 perdizes mas também andou atrás delas ( passe a expressão) que nem um cavalo por aqueles cerros agrestes.

De volta ao monte, a C., mulher do Zé S., apareceu no Jeep transportando um tabuleiro de cabrito assado na altura, no forno. É isto o que a caça tem de bom. O vinho... uma maravilha, branco espumoso e tinto verde.

Ocupámos uma das salas do Monte dos Peixotos e ali estivémos algumas horas à conversa.Particular atenção para o Guarda João R. Ali nascido, conhece aquelas terras como ninguém. As suas histórias sobre as espécies, trabalho de Guarda, criação, combate a furtivos são intermináveis. A sua forma simples mas adjectivada de as contar constituem uma autêntica delícia para quem o ouve. Éramos capazes de estar ali horas a ouvi-lo.

Uma bela jornada de caça às perdizes, numa manhã de sol fantástica, com bons companheiros e, no final, um repasto de comer e chorar por mais.

Abraço amigo.
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domingo, dezembro 05, 2010

Mértola - Terra de coelhos
















Grande jornada de caça aos coelhos em terras de Mértola.

Podengos, mestiços e outras raças definidas ou indefinidas mas de grande qualidade, muitos tiros, muita gritaria e, no final, um belo quadro de caça.

Os planaltos de Mértola continuam em grande forma.

Na sexta-feira tínhamos saído de Lisboa após o trabalho, extenuados, sobretudo mentalmente, mas, depois de ultrapassado o interminável e angustiante transito antecedente à P25 Abril, lá conseguimos desembaraçar-nos e seguir viagem.

Curioso que aí a partir de Setúbal, o nosso estado de espírito, sobrecarregado de stress, acumulado ao longo de uma longa semana de trabalho, começa gradualmente a ficar mais leve, a desanuviar, isto porque, garantidamente, ele, o nosso estado de espírito, inicia todo um processo de deixar tudo para trás começando a concentrar-se no que realmente nos vai dar um prazer profundo e que mais não é do que a expectativa gerada de uma jornada de caça ou um fim de semana em grande no campo com os amigos.

Um pouco à pressa fizémos um desvio na A2 e parámos em Alcácer do Sal para jantarmos qualquer coisa. Restaurante desconhecido, um bocado "manhoso" , mal servidos e, por isso, rapidamente, procurámos meter-nos de novo ao caminho para Serpa, onde chegámos por volta das 10h30.

O importante seria dormir bem pois no dia seguinte esperava-nos uma jornada exigente de caça aos coelhos, de salto, onde sempre impera a necessidade de bons reflexos e olhos bem limpos, logo, com uma boa dose de horas dormidas.

O entusiasmo era tanto que pedi à D Teresa, da residencial Serpínia, para me acordar às 05h00 da manhã. No entanto, às 04h30 já estava debaixo de um duche bem quente e a preparar-me para arrumar a tralha na carrinha e tomar o pequeno almoço. Quando cheguei à sala de refeições ainda os tabuleiros estavam por colocar na mesa de buffet, pelo que prestei-me a dar uma ajuda à D Teresa e eu próprio também "armei" a mesa grande de pequenos almoços.

Um chá preto, um yogurt, umas bolachas, uma maça verde e uma banana dar-me-iam o suficiente para me aguentar umas boas horas. Embrulhei ainda uma sandes de mrtadela para comer a meio da manhã e guardei-a dentro da mochila.

Entretanto, chegava à sala o meu cunhado B. que não tinha passado lá muito bem com o jantar da véspera pelo que limitou-se a beber um chá, uma ou duas bolachas e pouco mais.

Às 06h00 da manhã, ainda escuro como breu, com passagem por 1,5º negativos, já estávamos nas cancelas do Monte do Zé S para meter os nossos heróis ( os cães) dentro do reboque e, sem grandes demoras , deixámos a minha carrinha no monte e fomos para Mértola no Jeep do Saldanha.

Em Mértola, no largo grande dos Cafés, já nos esperavam os outros caçadores, que tinham vindo de véspera, de Braga e Famalicão, dormindo na Estalagem do Rio, aprazível lugar para se passar uma noite em Mértola a olhar para o Guadiana à noite.

No café, voltámos a confortar os nossos estômagos com uns cafés bem quentinhos e, rapidamente, fizémos ainda uma dúzia de Km para lá de Mértola, pela estrada que vai dar ao Algarve.

Chegados ao encontro com o guarda do Couto e verificados os documentos de caça seguimos para a "zona de batalha": - cabeços pouco altos mas de grandes larguras, meio pronunciados mas acessíveis, com largas manchas de estevas e montes de pedras de xisto negro. Algumas linhas de água com vegetação espessa de juncos, onde os coelhos geralmente constroem as suas "moradias" subterrâneas, atravessam os locais onde caçamos.

A cortar esses grandes estevais, uns caminhos feitos com tractores de rastos permitem-nos colocar algumas portas em locais estratégicos, que o Guarda conhece como ninguém, sabendo exactamente por onde os coelhos podem sair quando apertados e em fuga dos cães.

Nos pastos, podemos observar os sinuosos carreiros desenhados pelas lebres quando deambulam pela noite em busca de comida ou de acasalamento.

As perdizes começam a cacarejar alegremente, saudando a nova manhã. Cedo ouvimos cantos em diversos cabeços daquelas terras de caça, denunciando ainda quantidades apreciáveis de bandos que ainda por ali sobrevivem.

Soltos os cães é, como de costume, a debandada geral, com os cheiros dos coelhos os cães correm primeiro seguramente alguns Km a laticar atrás dos orelhudos até que chegam a um ponto que se acalmam e chegam-se então aos seus donos como que a quererem dizer: - estamos prontos, vamos lá!.

É aqui que a verdadeira caçada começa. A surpresa daqueles que saltam ainda sem serem incomodados pelos cães e que acabam por se dirigirem às portas, até àqueles que só saem do encame quando levam verdadeiras focinhadas dos podengos e que, no meio de tiros , ladras e gritos procuram desesperadamente a fuga para longe ou para as covas. "Vai, vai" , "agarra, agaaarra" , é um verdadeiro festival extraordinaŕio de adrenalina.

No meio seguem as duas matilhas de cães, 2 ou 3 armas caminham um pouco à frente, pelos lados, na tentativa de "interceptar" os que para o lado fogem, na traseira das matilhas mais 1 ou 2 armas para os coelhos que resolvem fugir para trás e, finalmente, algumas centenas de metros mais à frente são colocadas com o maior cuidado, pelo Guarda, as 2 ou 3 portas para os que seguem mesmo em frente.

É assim que decorre, com sucesso, uma caçada aos coelhos em grupo aqui nestes planaltos de Mértola, terra de caça por excelência e que, quase me atrevo a dizer, que é do melhor que temos em Portugal.

No final, distribuídos no chão, uma centena de coelhos, algumas fotos para recordar mais tarde, os nossos agradecimentos ao Guarda ( extraordinário Guarda) e, com os estômagos a "tilintarem" de tão vazios, rumámos rapidamente para Mértola para almoçarmos.

No restaurante, fiz-me servir de umas plumas de porco preto, grelhadas exactamente "no ponto" e acompanhadas com umas migas de se lhe tirar o chapéu. A acompanhar , um branco ( estava a antibiótico) fresquinho e, à sobremesa, uma sericaia para rematar o repasto.

Em convívio saudável e alegre, um dos Grupos seguiu viagem para Bragança e o outro ainda seguiu connosco para a zona das Fábricas, aldeia situada algures entre Mértola e Serpa, pois estavam interessados em levar para o Norte 2 leitões vivos, de porco preto.

Já com a noite a invadir o horizonte eu eo Zé S pegámos em 2 sacos de serapilheira e fomos com o dono da Herdade apanhar 2 leitões ao redil da vara de porcos. Truque para os apanhar mais facilmente: - espalhar uma saca de trigo no chão, os porcos acorrem rapidamente à comida e, enquanto distraídos a comer, pais , mães e filhos, tudo junto, é só escolher e pegar nos pequenos pelas patas de trás. De seguida enfiámo-los nos sacos de sarapilheira, saltámos para dentro do Jeep e fomos levá-los ao outro Grupo amigo que, mais acima, aguardava por nós.

Para a despedida, ainda fomos todos beber um café bem quente ao café lá da aldeia, onde, cá fora, ardiam uns troncos de oliveira dentro de um tambor aquecendo a noite.

Ainda tivemos tempo de ir ao Monte do Zé S onde estripámos os 25 coelhos que eu e o meu cunhado levámos, os tradicionais abraços de despedida com amizade e a certeza de que rapidamente nos iremos ver de novo, pois no próximo domingo esperam-nos as ásperas perdizes da Vendinha.

Até lá


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Serpa - Terra de Perdizes
















28 de Novembro de 2010

Num dia em que se bateu record anual de captura de perdizes nesta Zona de Caça, ali algures entre Serpa e Vale dos Mortos.

Não tenho dúvida que nestas herdades estamos definitivamente em terras de perdizes.

À chegada consegui logo uma "captura" com a máquina fotográfica, de um bando que ainda estava na estrada debicando, e à saída nova "captura", já ao final da tarde, de novo bando que certamente "não teve tempo" de comer durante o dia e aproveitou os últimos raios de sol para o fazer, conforme podemos observar nas 2 fotos da colagem acima.

Durante o dia consegui o meu "cupo" somente numa porta, logo sem grande estória para vos contar.

Ficou a satisfação de um dia muito bem passado, com bons amigos e companheiros de caça.

Abraço







domingo, novembro 14, 2010

Chuva com Perdizes
















Domingo 14 de Novembro 2010 - Serpa
Caçada real na fotografia.
Só é pena não estar uma das principais protagonistas: - a cadela pointer do Zé S.
Do lado direito da foto, as principais artistas: -perdizes e lebres.


Com o tempo que se fazia sentir, muito mal começou o dia. Acabou, contudo , uma delícia de manhã.

Às 03h30 da madrugada , o despertador do telemóvel acordou-me. Trata-se do único dia da semana em que tenho prazer em ouvir semelhante mecanismo

Sem hesitações, saltei da cama, dirigi-me à cozinha onde tinha já preparado todo o "estendal" da roupa da caça, enfiei as calças, calcei logo as minhas inseparáveis botas de borracha da "Somlys" com revestimento a neoprene - penso que seja este material que não deixa suar os pés durante as caminhadas - tomei o pequeno almoço a ouvir a chuva a cair forte lá fora - umas torradas e um chá com uma maça verde enganaram o estômago, peguei na Beretta, saí para o jardim, coloquei rapidamente e à pressa a tralha na carrinha, abri o portão e fui-me embora... como soi dizer-se, já um pouco molhado mas, "de peito aberto".

De "peito aberto" porque a chuva era tanta, tanta, tanta, que só o mais fanático dos "Bin Laden" por este tão nobre desporto poderia encarar com o prazer que eu sentia, uma longa viagem para o Alentejo, debaixo daquele tempo, para ir caçar à perdiz.

Todo o santo caminho choveu copiosamente, em bátegas, muitas vezes a velocidade dos limpa pára-brisas seguia no máximo da potência, ao passo que a velocidade do carro era bem na ordem dos 60/70 Km /hora, tal o ímpeto com que a água caía.

Em Beja, para mal dos meus pecados, comecei a desanimar, pois já estava a 24 Km de Serpa e a chuva torrencial não havia forma de abrandar.

Ultrapassei Serpa para ir buscar o meu amigo Zé G que estava em V. Nova São Bento e - milagre dos milagres - precisamente naquela altura, deixou de chover, só uma chuva miúdinha. Fantástico! - pensei e rejubilei de alegria.

Arrumada a tralha fomos direitos à reserva mas, no caminho, de novo, e com grande desagrado nosso, começava a chover mais forte.

Já chegados ao Monte do P. abrigámo-nos dentro da casa da Associação onde , depois , dos habituais cumprimentos tomámos - para mim foi um segundo - pequeno-almoço.

Mais tarde, no sorteio, tocou-me a porta 10 na espera e com a 14 a caçar de salto.

A saída para o campo, já tardia pois esperámos bastante para ver se a chuva abrandava, nas carrinhas da caça, foi ainda debaixo de água, mais fraca é certo mas com chuva que ainda incomodova.

Na minha porta ainda consegui o resultado de 2 belas perdizes, deitadas abaixo com 2 subsequentes belos tiros, de novo Rotweill, 36 gr ch6. O terreno, como era limpo, os "depenadouros" ficaram bem à vista, bem marcados, e só as cobrei mesmo no final da batida.

Entretanto, tinha parado de chover e o sol já espreitava por entre as nuvens. Santo Huberto, decididamente, estava a vir ao nosso encontro.

Na batida, que é a parte que eu mais aprecio nestes dias, inúmeros lances, de entre muitos:

- um coelho saído aos pés do ZG que veio em corrida desenfreada, direito a mim, a "300 Km/hora" , 1 ou 2 tiros - não me recordo - só me lembro do chumbo a zunir raivosamente à minha volta e o Zé a pedir-me desculpa com plena consciência de que tinha sido de facto uma distracção grave. Felizmente nada de mal aconteceu.
- este coelho, ao passar por mim, direito ao barranco, no meio de giestas e tojo alto, levou atrás também 3 tiros meus, ao vulto, a ver se caía. Sem cartuchos na arma, vejo logo de seguida uma lebre a sair pela ponta da lá do mato, a cerca de 25 metros, ultrapassar a vedação de arame farpado e sair em fuga para o restolho limpo ( e eu sem cartuchos). Ainda mal refeito do que acabava de presenciar, salta-me, vigorosamente, também exactamente dentro do mesmo mato, uma perdiz a cacarejar, para o meu lado direito ( e eu continuava na mesma sem cartuchos pois tudo aquilo foi em meia dúzia de segundos).

-F0"#:::%&/# se!, ...só mesmo comigo é que acontece disto - pensei. Ainda fui lá abaixo ver se o coelho tinha ficado estendido no matagal, mas...nem isso. Foi-se tudo embora, quer o coelho, quer a lebre quer a perdiz.

Há que respirar fundo, manter a calma, concentrar-mo-nos que estas coisas na caça estão quase sempre a acontecer , e seguir, calmamente, caçando.

Mais uma centenas de metros à frente oiço o estoiro de 2 tiros, olho para a minha esquerda e vejo uma lebre a fugir do ZG, barreira abaixo, aponto cuidadosamente e derrubo-a logo ao 1º tiro. A "norma" a sua cadelita pointer branca e preta , que caçava pela 2ª vez, e que podemos ver acima na foto, já lhe ia no encalço e agarrou-a dentro do barranco pois para lá tinha caído.

O animal era lindo, castanho escuro, cor-de-mel, tipo raposa, como podem ver na foto acima.

Meti-a cuidadosamente dentro do bornal, coloquei-o de novo às costas e segui em frente, recarregando a P Beretta

Alguns minutos mais tarde, em voo de través, da esquerda para a direita, aparece-me uma perdiz larga, fugindo da linha. No voo, viu-me, virou-me imediatamente o peito, de asas abertas, dois tiros bem colocados e foi cair muito para lá do aramado que tinha no meu lado direito. O ZG pediu-me para não a cobrar, para deixar ir lá a cadela. Jáno local, lançou uma pedra para a zona onde a perdiz caiu e a cadelita, dando bons sinais da sua qualidade genética, deu-lhe rapidamente com o cheiro da pancada, agarrando-a com a boca.

A 4ª perdiz, essa, veio fugida já do entalanço entre as portas e os batedores. Passou-me, veloz, pelo meu lado esquerdo, entre mim e o ZG.

Desferi-lhe dois tiros e pendurou as pernas. Eu sabia que fosse onde fosse que aquela perdiz caísse, estaria ferida de morte. "Viste onde foi cair Zé? - perguntei. Foi cair lá para os lados da ribeira. Vamos lá buscá-la. Voltámos para trás e, quando chegados ao local, meia dúzia de voltas e ali estava a pointer a dar-lhe com o cheiro e a marrar a ave no chão. Curiosamente, ainda estava viva. Acabei-lhe com o sofrimento e pendurei-a de cabeça no cinto. Menção honrosa para esta cadelita, grande promessa e, se sair à mãe, pointer de 4 ou 5 anos do Ze S , cor café com leite, será seguramente uma grande auxiliar para o ZG.

Seriam aí por volta das 13h30 quando regressámos todos ao monte. Espingardas às costas, cães atrás, molhes de caça nas mãos, dirigimo-nos para as carrinhas, para o regresso. O céu estava naquela altura já aberto e, no final, o quadro de caça foi , uma vez mais, bem interessante.

Ao almoço, um manjar. Leitão assado no forno acompanhado com batata frita e salada e vinho verde tinto e verde branco gasoso.

Mais uma caçada às perdizes na Vendinha onde tudo decorreu de forma perfeita. Nem a chuva na primeira metade da manhã conseguiu estragar-nos o dia.

Tenho absoluta certeza que houve milhares de caçadores por esse País que, neste dia chuvoso, acabaram por ficar na cama, sem coragem suficiente para se meterem à estrada e à chuva.

Como diz o meu amigo ZS, "o dia faz-se é à porta do Patrão" e a chuva não impede os verdadeiros caçadores, aqueles que realmente se movem nos campos, por verdadeira paixão, e que, no fundo, não sabem sequer de onde lhes chega verdadeiramente o ânimo, o espírito de sacrifício e o empenho... que nos dá a coragem para "ir atrás delas".

No próximo fim de semana farei uma pausa.

Um abraço amigo.

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sábado, novembro 13, 2010

Uma de Coelhos ( e não só)
















ZCT Santa Iria - Serpa
Sábado 6 de Novembro 2010
Esta...tem estória mesmo.
Conto mais tarde.
Abraço amigo
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quinta-feira, novembro 04, 2010

Memorável Jornada de Caça às Perdizes
















31-10-2010
Data para não esquecer tão cedo.

Caçar bem não significa caçar muito.
Neste dia sucedeu precisamente o contrário. Caçámos bem e caçámos muito.

Na véspera tínhamos estado a caçar na Herdade da Lobata e o tempo não tinha ajudado a festa. Daí que, quando me levantei da cama, na Serpínia, a primeira coisa que fiz foi abrir as portadas da janela do quarto e espreitar lá para fora, para ver o tempo. Estava tudo estrelado. Perfeito! - pensei. Para uma manhã de caça à perdiz não podia estar melhor.

O Miguel ainda dormia profundamente, cansado do dia de caça anterior, pelo que resolvi deixá-lo continuar "no sono dos anjos".

Duche tomado e pequeno-almoço, água mineral, chá preto, 3 torradas com manteiga e doce de abóbora, uma maça verde e um iogurte natural, tudo rematado com um café forte bebido ali mesmo ao balcão da sala de pequeno-almoço. À entrada da sala de refeições, como habitualmente, deixo logo ali no chão a bagagem da caça e a espingarda escolhida para o dia pelo que, após deleitar-me tranquilamente com o pequeno almoço, foi só pegar na trouxa e meter tudo dentro da carrinha.

No Monte onde os caçadores se reúnem toma-se também o pequeno almoço mas, para mim, já de barriguinha cheia, limitei-me a beber mais uma xícara de café de cafeteira e pouco mais.

No sorteio, na fase de caça de espera fico com a porta 12 e na caçada de salto sai-me em sorte o nº 1, logo, ia fazer a ponta da linha de caçadores.

Transportados nas carrinhas da Associação de Caça, adaptadas para o efeito com bancos de madeira propositadamente feitos e bem assinaladas no que se refere ao que é Portas e ao que é Batedores ( caça de salto), a organização fica muito mais facilitada e agilizada.

A manhã estava linda e , tranquilamente, ocupei em silencio a minha Porta 12. Pela frente uma chapada de montado com sobreiros e pasto onde, no ano anterior, tinha visto as perdizes e lebres a entrarem generosamente àquelas portas. Daí o natural entusiasmo quando me recordei onde estava.

Mas como as caçadas, por mais que o desejemos, nunca são iguais, desta vez a coisa não correu assim tão bem. Ainda assim, deu para "colocar" 2 perdizes no chão, com 2 bonitos tiros com o Rotweill 36 gr ch6 ( que satisfação de cartucho).

Passado à fase da caçada de salto, esta para mim foi absolutamente memorável.

"Atacámos" uma extensa parte da Herdade. A paisagem era de montado com pouco relevo, com sobreiros, lavradas, e pastos.

Como missão tinha de fazer a ponta esquerda da linha e era fácil: - caçar sempre à distancia legal da estrada alcatroada, não havia que enganar.

Não demorou a ver as primeiras perdizes. Levantei e "atirei" um bando de 7 ou 8 , em voo largo, para a frente da linha de caçadores. Como não ouvi tiros, deduzi que foram pousar largas , mas seguramente à frente da linha.

Alguns minutos mais tarde, novo bando de mais ou menos 1/2 dúzia delas fugiu no mesmo sentido. Continuei a não ouvir tiros pelo que a conclusão a que cheguei foi exactamente a mesma. Pousaram muito à frente da linha mas "sem dar tiro" a ninguém.

Ao descer um barranco lavrado , "brrrrrrr" , levantou-se um macho, com aquele característico e terrível barulho de asas, que nos deixa invariavelmente especados de início mas que nos leva, naquela fracção de segundos, a reagir, encarar a semi-automática, disparar e, neste caso, vê-la cair para lá da pequena linha de água que tinha pela frente, do lado de lá do barranco. Ficou na lavrada a bater ainda as asas no chão pelo que o sítio da pancada era fácil.

Pendurado no cinto, cheguei-me um pouco para a direita para alinhar com o B. que vinha ao meu lado. As perdizes já começavam a "arrepiar" para trás e passavam-lhe ao lado mas por cima do Zé S. . Grito de aviso, levantou a de sobrepostos a 90 graus e despegou uma lá do alto, com um belo tiro. Daqueles de..."encher o olho" - como costuma dizer-se.

Encostei-me de novo à distancia regulamentar da estrada.

Desta feita calhou-me a mim. A uns 30 metros de altura passa-me uma para trás ,de voo planado. Um bom encare da nova automática , alguma calma e, sendo um tiro com elevado grau de dificuldade acabou por ficar muito bem colocado. A perdiz morreu, de certeza, logo lá nos 30 metros de altura pois caiu completamente redonda, feita numa bola de penas, com um enorme baque no chão.

Pendurei-a no cinto e continuei caminho para não perder a ponta da linha, sempre tão importante.

Do B. veio em corrida desenfreada uma lebre que procurava furtar-se ao exército. Passou-me de través, aí a uns 20-25 metros, no pasto. Tiro fácil e "estendi-a" de imediato não sem antes dar 2 cambalhotas tal a velocidade a que vinha.

Estes alguns dos melhores lances, aqueles que nos dão de facto grande satisfação e que nos ficam na memória, quando no exercício de um dia de caça.

Até ao final da manhã, no total conseguiu-se um bonito e colorido quadro de caça , com muita perdiz, lebres e coelhos e penso que deu para todos se divertirem e tirarem o máximo proveito e gozo daquelas terras tão ricas em fauna.

O almoço, onde reinou sempre a boa disposição à mesa, foi composto por um belo guizado de javali. Porque é que os almoços, nos dias de caça, sabem sempre tão bem ?

Para a semana temos uma de coelhos na ZCT Sta Iria , mais conhecida pelos Peixotos.

Abraço amigo
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quarta-feira, novembro 03, 2010

Herdade da Lobata
















Por especial convite do meu amigo Zé S. foi-me dada a oportunidade de ir fazer uma caçada aos coelhos à ZCT da Lobata, em Serpa.

Estamos a falar de sábado 30 de Outubro, dia em que se previa queda de chuvas torrenciais praticamente por todo o País.

Depois de acordar bem cedinho, na Serpínia, o Zé por lá passou e, depois de tomado o pequeno almoço, deu-nos uma boleia, a mim e ao mais novo, a acompanhar uma vez mais o Pai.

Decidi levar a A400, arma talvez pouco apropriada para este tipo de caçadas mas que quis testar neste ambiente pois nunca o tinha feito.

A caçada era de salto e batida e, chegados à Herdade, já outros veículos de caçadores e matilhas estavam no local, sendo o ambiente que se vivia, de boa disposição e camaradagem.

O tempo, muito ameaçador, com nuvens carregadas e baixas, coloridas de tons cinzento escuro, indiciando chuva constante, fazia-nos prever o pior para a caçada que se pretendia desenrolar.

Mas o nosso amigo S. Pedro ( ou Sto Huberto?) resolveu "dar uma mãozinha" e lá nos ofereceu uma manhã de caça só com cerca de 5 ou 10 minutos de chuva miúdinha.

Para cartuchos, como não gosto de cartuchos dispersores, levei no bolso uma caixa de MB light, 28 gr com chumbo 7,5 da B&Pellagri. Gosto muito deste cartucho, quer para os pratos, quer para os tordos, quer para este tipo de caça. Tanto dá para um tiro de mais perto como "segura" um "orelhudo" um pouco mais longe, aí para uns 25/30 metros.

Colocados os 2 na porta, cedo me apercebi de movimentos no meio do mato, face aos gritos de incitamento dos matilheiros que, de longe, se iam aproximando com as suas matilhas. "Fora com ele" , "agarra-o" , "vai, vai, vai, vai " , são alguns dos gritos usados para incitar os cães podengos e de raças indefinidas, tão bons e tão de características portuguesas, nesta arte.

Confesso que, nestas andanças dos coelhos, nunca fui grande fã de ver aquelas matilhas todas de uma só raça, geralmente podengos todos iguais e muito aprumados, cheios de consanguinidade. Gosto, isso sim, ainda da caça tal qual ainda se pratica em Portugal, com cães de todas as raças, de pequeno e médio porte. Há verdadeiros heróis dentro destas matilhas, cães sem raça que, no entanto, para aquilo, são autênticas máquinas de caçar, levantar e desalojar coelhos, cujos donos não os vendem por nenhum preço tal a sua valia.

Depois de derrubados o primeiro par de coelhos e outras duas lebres, resolvemos ir caçar lebres dentro de um extenso olival, cuja foto coloquei de propósito na colagem acima, onde se vêm 3 caçadores com alguns cães e, nas traseiras, o dito extenso olival, apetrechado com mangueiras de rega gota a gota.

As regras eram muito simples: - tiros para dentro do olival, para não estragar as mangueiras, não era permitido, só quando as lebres saíssem para fora do mesmo, o que equivalia a dizer que, ou eram abatidas no caminho que ladeava o olival ou podíamos dizer adeus às ditas cujas pois, para lá da estrada, a orografia do terreno era de tal ordem que não chegavam praticamente sequer "a dar tiro".

Enquanto os matilheiros calcorreavam o olival o festival de lebres que de lá se levantou foi espectáculo que só visto. Como não podíamos atirar para dentro da plantação, elas ( as lebres ) parece que o sabiam e vinham passar a correr... praticamente "nas nossas barbas".

O meu parceiro do lado devia ser cego e surdo pois ao lado dele, praticamente a uns 5 ou 10 metros, pararam 3 lebres no caminho e, só quando se apercebiam que ele por ali estava, é que arrancavam, desaparecendo rapidamente da vista. Ainda lhe assobiava a ver se ele se dava conta delas, mas provavelmente o dito Sr terá de fazer um teste de audição, pois nem assim.

Na 3ª porta, mato cerrado, algumas covas pela frente e muita dificuldade, mesmo muita dificuldade em abater ali um coelho, pois o terreno praticamente não se via devido ao mato denso que tudo cobria. Ainda assim, houve um que não quis ficar por aquelas covas e acabou por ficar mas foi estendido para lá de um aramado que ainda conseguiu passar.

A caçada não demorou muito mas foi MUITO divertida. Foi assim como que... "3 ganchos aos javalis, perdão, aos coelhos".

Como tudo nestas coisas, o almoço serve para as pessoas conviverem e conhecerem-se melhor e como tal, fomos todos para Serpa, para o Restaurante "Arrozinho de Feijão". Uns filetes de pescada bem fritos com uma tigela quente de arroz de feijão, e um tinto encorpado para beber, serviu para recuperar as calorias perdidas na manhã, colocar um bom sorriso e acompanhar as conversas animadas da mesa.

Despedidas feitas, fomos deixar os cães ao Monte do Zé S. , démos de comer a todos os animais, apanhámos 2 galos caseiros para matar no dia seguinte e fazer uma cabidela e fomo-nos embora debaixo de uma chuva de autentico diluvio que, rapidamente, ia ensopando as terras vermelhas de Serpa e que os Agricultores seguramente abençoavam.

Neste dia o Zé G e a R vinham a caminho de Lisboa pois no dia 31 tínhamos uma festa de anos, mas antes da celebração, uma grande caçada às perdizes. Assim o tempo nos permitisse.

À noite no "Pedra de Sal", comi umas plumas acompanhadas com tomatada, que dificilmente esquecerei, tão boas estavam.

Nessa noite adormeci rápida e serenamente, a rever ainda o tal coelho que, em corrida desenfreada, fugindo dos cães, veio passar por mim e que por ali ficou...

Abraço amigo

Amanhã há Perdizes.

Nunca tinha visto













Sem nenhum registo em especial, o dia 24 de Outubro foi passado em boa companhia, numa caçada aos coelhos e lebres que teimaram em não aparecer como desejaríamos.

Um bom dia para a caça. Engraçado o exemplar abatido e que coloquei no medley de fotografias.

Tinha uns dentes de baixo que lhe chegavam ao nariz...! - nunca tinha visto tal coisa

Abraço

segunda-feira, outubro 18, 2010

A 1ª Caçada às Perdizes













Em Serpa, claro ! -como não podia deixar de ser.

Quinze dias antes não tinha conseguido fazer a minha tão almejada abertura às perdizes pelas razões que apontei na história anterior.

Agora, a ansiedade, como é natural, estava mais do que exponenciada.

Sábado a seguir ao almoço saímos ( "com o mais novo" ) e fizémo-nos à estrada direitinhos à A2, com desvio para Beja pouco depois da área de serviço de Grândola.

Em Santa Margarida do Sado, depois de vermos as obras da nova ponte, parámos para esticar as pernas e para o "condutor " beber um cafézinho. No local, grande azáfama, como de costume, diversos veículos com reboques repletos de cães de caça de todos os géneros e feitios ali estavam estacionados enquanto os caçadores, dentro dos Cafés, refrescavam as gargantas, pois a tarde estendia-se bastante quente.

Parámos por ali a observar uns podengos absolutamente lindos que estavam dentro de um dos ditos reboques quando, de repente, olho para a direita e vejo na estrada o Zé G e a R. a chegarem de carro. Não tínhamos nada combinado pelo que a satisfação do encontro, claro, foi grande. Parece que tínhamos combinado mas não, era pura coincidência. Sabíamos, isso sim, que ambos estávamos no caminho para Serpa e para Vila Nova de São Bento para caçarmos juntos no domingo, mas encontrarmo-nos ali não estava previsto.

Seguimos viagem e perto de Beringel, prenúncio de sorte, saltam-me do lado direito da estrada 4 perdizes que, com um possante voo arqueado, atravessaram a via por cima dos carros e passaram para o lado oposto da estrada,planando, de asas abertas, para irem pousar dentro dos restolhos. Bom sinal - pensei, pois nestas coisas sou sempre supersticioso. Amanhã até vêm ter comigo...!

Chegados a Serpa, fomos sem demora para a "nossa" Residencial Serpínia, ali, logo à entrada da cidade, e ainda consegui assistir, no terraço do quarto, em perfeito relaxe espiritual, ao espectáculo de cor do pôr do sol, que deixa-me sempre completamente extasiado .

Nessa noite fomos jantar a Pias, com o Zé G. e a R. , ao Restaurante O Adro - recomendo vivamente - do melhor que há na zona. À refeição, serviram-nos uns deliciosos secretos, retalhados em pequenos golpes, para lhe retirar toda a gordura à medida que vão sendo grelhados. O Zé, esse, encheu-se de coragem e, embora não fosse muito recomendável àquela hora da noite, comeu uma gravanzada, típico prato alentejano. O vinho, claro, de Pias, tinto. As sobremesas, de chorar e berrar por mais - uma deliciosa tarte de coco e um bolo encharcado.
O mais novo, claro, deliciou-se com um corneto de morango que é aquilo que ele mais gosta. Depois dos cafés, as despedidas e, enquanto o Zé seguiu para V N S Bento, eu e o Miguel, debaixo de um céu estrondosamente estrelado, fomos para Serpa, dormir o sono dos justos.

Desta vez sim, a noite foi muito bem dormida e às 06h00 da manhã estava já a pé, a tomar um belo dum duche quente. Quando saí da casa de banho já o Miguel estava dentro do quarto todo equipado com a roupa de caça . Se fosse lá em casa demoraria pelo menos 1/2 hora para se vestir. Aqui...nem lhe preciso dizer nada.

Depois de um opíparo pequeno almoço na residencial, fomos para o Monte do P, na Vendinha, ponto de encontro dos caçadores, nesse dia 17 de Outubro. O nevoeiro, cerrado, fazia antever algumas dificuldades iniciais, mas sabíamos que rapidamente desapareceria com os primeiros raios de sol. E o tempo, também o sabíamos, ia estar completamente solarengo e quente.

Calhou-me "em sorte" uma porta logo no início da caçada e, de seguida, iria fazer metade da jornada a caçar de salto.

Já na Porta ( a 4) , desembainhei a minha Benelli e carreguei-a com 3 cartuchos Rotweill, 36 gr, ch 6.

Alguns minutos depois já se ouviam os tiros e os gritos da linha de caça que, ao longe, vinha caçando direito a nós.

Um bando de 4 passam-me rápidas, por cima, golpe de rins e ao primeiro disparo derrubo a 1ª perdiz da temporada. Ui, que sensação fantástica. O Miguel vai a correr e cobra-me a perdiz. no tombo. Fêmea nova, de criação deste ano. Que pena - pensei - a minha paixão são os perdigões velhos.

Alguns minutos mais tarde "entra" outro bando de cerca de 7, de asas abertas, voam encosta abaixo direitas ao Ti Manel. Ainda assobio mas ele não não conseguiu ver ou ouvir. Acontece. Ganharam o dia e foram-se todas embora

Acabada a fase da porta, o Miguel ajuda um companheiro e , satisfeito, leva na mão, pela estrada abaixo, até às carrinhas, uma lebre morta "à porta".

Já em cima das carrinhas de caça, dirigimo-nos para outra zona da reserva. Aí iríamos caçar de salto. Era o que eu mais queria. Infelizmente acabámos por ir caçar para uma zona de matos cerrados, com tojo, giestas e pinheiros, pouco agradável de andar ( o Miguel que o diga). As perdizes , essas, iam escapando à nossa frente, em voos largos, sem darem tiro. Uma lebre salta no pasto, à frente dos pés do Miguel "Pai olha, olha!! - encaro a Benelli , deixei-a esticar-se aí uns 15 ou 20 metros e, tiro fácil, cambalhota e estendida no pasto. O Miguel, radiante, pega na lebre e prontifica-se logo para a levar.

Algumas centenas de metros mais à frente, já as perdizes começavam a "espirrar" para trás, com longos voos para terrenos que elas conhecem melhor. É aí a oportunidade única. que temos de lhes causar algumas baixas. Com 2 tiros "despego" uma lá do alto, pendura as duas patas e segue. Baixo-me, sigo-a com o olhar mas já não consegui ver onde caíu. Perdiz com as patas penduradas, onde cai, morre. Eu sabia. Por isso, enchi-me de coragem e com o suor a escorrer-me copiosamente pelo rosto e a empapar-me a camisa fomos procurá-la. O Luís, à minha esquerda, dizia-me: " Vieira, olhe que via-a cair aí no meio dos pinheiros, espere aí que dou-lhe aí uma ajuda". A cadelita dele, uma bela perdigueira castanha escura, pouco precisou de procurar. Um ou dois minutos após, aparece com a perdiz na boca. Macho grande com esporão saliente, belo exemplar. "Obrigado Luís" - agradeci.

À frente, novo lance. Perdiz fugida da linha, passa-me por cima da esquerda para a direita, disparo a cerca de 20 metros de altura e cai redonda, "sem espinhas"-como se costuma dizer. O Miguel corre barranco acima e vai apanhá-la.

Ainda outro lance. Lebre fugida da linha, com 2 tiros falhados do Luís, passa por trás de mim a uns 40 metros. Benelli a funcionar, um disparo e a lebre dá um salto ficando estendida no mato. O Miguel corre. A lebre, macho grande, esperneia forte e vejo que o Miguel está com dificuldades para a segurar. Poiso a espingarda, corro, pego-lhe pelas patas de trás e ensino-lhe. "Miguel, na caça, aos animais devemos evitar que sofram desnecessariamente. O bom caçador, após a captura, termina imediatamente com o sofrimento de um animal que esteja ferido. "Vou explicar-te como se faz. Com um golpe fatal , com a mão em cutelo, por trás das orelhas , a lebre morre de imediato. "Vês, assim não sofre Miguel, podes levá-la".

Naqueles cerros desfrutei muito ainda e pude assistir à fuga de diversos bandos que por ali estavam encurralados. Talvez perto de 30 ou 40 perdizes conseguiram a fuga. Abatidas, pouco mais de meia dúzia, se tanto.

Regressados ao Monte, tirei ainda uma última foto com a caça pendurada e, de seguida, separou-se a caça em montes e procedeu-se à distribuição por todos os caçadores.

Da minha parte, abatidas, pendurei 2 lebres e 3 perdizes.

Depois, fomos todos almoçar.

O almoço, esse, uma iguaria meus caros. Achigâs grelhados, de bom tamanho, pescados na véspera, em Espanha, algures nos açudes, pelo presidente da associação, Zé T.

Logo de manhã , na cozinha do Monte, tinham sido estripados e temperados com sal. Para os comer, foi servido com um molho especial feito com ( francamente não sei o quê) mas com ervas e especiarias. Do outro mundo!

Depois do almoço, fui espreitar o Miguel. Estava a brincar com os cães. Fez um amigo, o João , filho do B. e, por isso, também para eles miúdos, o divertimento é grande e intenso. Fui dar com eles dentro da caixa aberta de uma carrinha, um a jogar psp e o outro a dar tiros com uma pistola de ar, de brincar. Os cães do Luís, cansados, claro, não lhes ligavam patavina, dormindo profundamente.

Estripadas as lebres e os coelhos que levámos, já na esplanada do café do Luís da Vendinha, ainda esperámos pelo Zé S. e pelo G. que tinham ido para Mértola, às perdizes.

Saí às 17h30 e cheguei às 20h15 a S João do Estoril. No caminho, o Miguel, dormiu profundamente ao meu lado, todo o caminho.

Às 09h30 eu e o Miguel já dormíamos profundamente nas nossas camas. Segunda-feira era dia de trabalho para mim, dia de escola para ele.

Que belo fim-de-semana!. Que belo dia de caça !

Abraço amigo.
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domingo, outubro 03, 2010

Aquele almoço de sábado ...

No fim de semana anterior todo o material e equipamento das lides da caça encontrava-se já religiosa e escrupulosamente guardado na garagem, preparado para a grande Abertura Geral , que se realizaria no fim de semana seguinte. Como todos nós caçadores sabemos, este é, sem excepção, o dia mais esperado e desejado pelos caçadores ao longo do ano, sobretudo enquanto atravessamos o "deserto" do defeso.

Nos dias que antecedem este acontecimento anual, a ansiedade é bastante grande e vai mesmo aumentando à medida que o famigerado dia se aproxima. Nestas noites, já nos vamos deitando a sonhar com perdizes a saltar de dentro das giestas , a derrubar lebres que nos saltam sem esperarmos, aos pés, quando atravessamos os pastos ainda acastanhados pelo sol do verão.

Este ano, neste fim de semana , resolvi combinar uma de pesca e de caça. A meteorologia apontava claramente para um dia de sol no sábado ( neste dia iríamos pescar um pouco tentando um ou dois achigãs ) e para um domingo chuvoso por todo o país, incluindo o concelho de Serpa, claro.

Saí no sábado de manhã, pelas 09h30, com o mais novo ( sempre pronto para acompanhar o Pai, onde já sabe que, nestes fins de semana, esperam-no as mais diversas peripécias no campo, que , na cidade, não consegue ter ao seu alcance).

Já pelo meio-dia, combinámos almoçar primeiro e, a seguir, iríamos, então, tentar as margens do alqueva , lá para os lados de Mourão.

Parámos, por isso, em Reguengos de Monsaraz e entrámos num restaurante que desconhecíamos, onde, no exterior, se grelhavam frangos na brasa. - é já aqui Miguel ! - disse, inspirado pelo magnífico cheirinho da carne de frango a grelhar. Para o Miguel serviram uns bifinhos com cogumelos que é o que ele mais aprecia. Um bom piri-piri e uma cerveja gelada deixaram-me, no final, radiante da vida.

Após o almoço ala que se faz tarde, seguimos para as margens do grande lago. Ali, montámos as canas do achigã, estivemos cerca de 1 hora a fazer lançamentos com amostras de todas as formas, feitios e cores, mas os peixes, esses, parece que andam com a barriguinha cheia, não lhes pegam de forma nenhuma. Vêm dos pequeninos, à dúzia, atrás das amostras mas só isso e pouco mais.

"Vamos para Serpa, para o Monte do Zé S. ?" - perguntei-lhe. A resposta, claro, não se fez esperar: " VAMOS!!!

Arrumadas as canas na carrinha, parámos em Safara e na bomba da gasolina à entrada comprei 2 gararfas de litro e meio de água geladinha, pois fazia bastante calor. Saciada a sede seguimos caminho.

Antes de Serpa, parámos no Monte das Oliveiras onde fui comprar 2 queijos da região - um curado e outro de meia cura. Quando os amigos confrades quiserem comprar queijo de Serpa, comprem-no aqui, pois é garantia de alta qualidade.Fica ali, entre Vila Nova de S Bento e Serpa, bem assinalado, no lado direito da estrada. Nesta Herdade, o Miguel entreteve-se a fotografar um par de coelhos à entrada das tocas e um bando de 8 perdizes que comiam tranquilamente ao final da tarde, encostadas a uma cerca, mal imaginando o que estava para suceder no dia seguinte.

Quando chegámos ao Monte o Zé apareceu poucos minutos depois e, claro, com o seu filho mais novo, começou logo a brincadeira. Primeiro brincaram com os cachorros, depois com as galinhas - debaixo do telheiro, de cócoras, procuraram pelos ovos caseiros- e, de seguida, foram ver os cavalos ( o Baunilha) e o pónei ( Lino). Demos o comer aos cães de coelhos e aos perdigueiros e , fazendo-se já tarde, fomos embora para Serpa, não sem antes combinarmos o encontro para o jantar, no restaurante " A Piscina" , às 20h30.

Em Serpa, na Residencial, tomámos um duche bem quente e, depois de mudarmos de roupa , fomos jantar . Antes disso, já ia sentido um enjoo persistente, com o sabor do frango do almoço a subir-me constantemente à boca, num gosto e travo amargos. Para a refeição, escolhi um bife da vazia, grelhado, bem passado, que, apesar do excelente aspecto que tinha, já só consegui engolir um pequeno naco... o resto foi para dentro, para a cozinha.

Escusado será dizer que durante a noite não preguei olho, com vómitos quase constantes, dores no corpo e , embora não a tenha medido, sentia mesmo uma ponta de febre. Às 04h30 da manhã tomei a decisão: não estava de todo em condições de ir à caça. Levantei-me, fui à recepção e disse à D Teresa para não me despertar à hora combinada. Quando entrei de novo no quarto o Miguel estava já sentado na cama, acordado, e tive de lhe dizer que não conseguia ir à caça. "Eu não acredito nisto" - dizia-me, profundamente desiludido.

Mas mais desiludido que eu não estava de certeza, pois afinal tinha esperado todo o ano por aquele dia.

Enviei os sms necessários aos meus amigos e companheiros de caça naquele dia, que ainda insistiram para eu ir, que me passava depois a má disposição, que podia ir para uma porta etc. Mas só quem se sente como eu sentia é que poderia saber que não conseguiria ter equilíbrio físico e mental para conseguir aguentar uma manhã de caça naquele estado.

A partir das 6h30 consegui, finalmente, adormecer um pouco, atè às 09 da manhã.

Às 09h30 estávamos a tomar o pequeno almoço -eu limitei-me a um chá, uma maçã e uma bolacha integral. O Miguel, claro, para meu grande prazer e regalo, comeu lindamente.

Arrumámos a bagagem na carrinha e saímos de Serpa pelas 10h30 direitos a Lisboa.

Nas planícies que atravessávamos os caçadores e seus perdigueiros batiam as grandes extensões de restolhos, com perdizes e lebres penduradas. O céu carregado de nuvens baixas e o vento, esse, soprava forte e ameaçador, de sul, fazendo antever o grande temporal que chegaria da parte da tarde.

Na zona de caça onde o Zé G e o Zé S caçavam naquela altura, iam dando bem conta delas. Ao final da manhã, apesar da zona escolhida não ser das melhores da herdade, salvo erro, o Zé S tinha no bornal 4 perdizes e 2 lebres e o Zé G. 2 de cada espécie.

Abertura para não recordar mais tarde. Do frango, esse, de certeza que não me esquecerei.

Abraço amigo






sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Tordos = convívio, amizade e natureza
















31-01-2010
Nova jornada de tordos ali para os lados da Serra da Adiça.

Os tordos apareceram em pouca quantidade, mas quando se preza acima de tudo a camaradagem, amizade e uns momentos muito bem passados entre amigos, tudo o resto podemos perfeitamente secundarizar.

Costumo dizer que se passar um fim-de-semana em que não me venha à mente quaisquer agruras da vida... vale sempre a pena!

E, indo à caça, é quase certo que quando damos por nós estamos já no regresso, a chegar de novo a casa, como se o tempo que passou durasse tanto como um simples estalar dos dedos.

Neste fim-de semana, decidimos desta feita ir dormir a Moura, à Residencial Alentejana. O Zé G. e o Zé S. iriam ter connosco na madrugada de domingo, beberíamos o café matinal no Café Santa Comba em frente ao Mercado de Moura e seguiríamos de imediato para aquela ZCT, ali mesmo no sopé da Serra da Adiça.

Mas, antes disso, devo dizer que, na véspera, houve festa, e da brava.

O convite para o jantar veio uma vez mais do Zé G. que tem casa em Vila Nova de São Bento. Dizia ele que faria um arroz de tordos de se lhe tirar o chapéu. Como na véspera tínhamos estado à tarde a apanhar um bom molho de espargos verdes nos barrancos de Serpa, resolvemos fazer, também, como entrada, uma omolete de espargos do campo.

E como também tínhamos passado no Zé Bule, em Serpa, a comprar uns queijos de meia cura, da região, acompanharíamos tudo com umas fatias desta iguaria.

O vinho, tinto, alentejano ( pois claro).

Foi de novo um jantar e peras. O Zé tinha comprado no El Corte Inglês umas trufas e uns miscaros para fazer o arroz de tordos e só posso dizer que aquilo afinal estava mesmo divinal. Já lhe pedi para me enviar a receita por mail mas o magano ( estou a ver-te) não quer desvendar o segredo pois ainda não me enviou a dita cuja.

No final, meus Deus, de novo aquele delicioso pudim de ovos que a R. faz. Desta vez abusei e comi um bom par de fatias daquele manjar. A glicémia e o colesterol agradecem.

Café bebido, acabámos de ver o Benfica-Guimarães ( 3-1) e, como no dia seguinte, havia tordos, às 10h30 fomos para Moura. Devo dizer que quando me deitei adormeci em menos de 5 minutos e dormi toda a noite que nem uma pedra.

Às 05h00 levantei-me de um salto, tomei um belo de um duche quente, e às 05h30 eu e o meu cunhado Belmiro estávamos sentados na residencial a tomar calmamente o pequeno almoço. Sumo de laranja, café com leite, torradas barradas com compota e uma peça de fruta chegaram para aconchegar os estomagos.

Às 6h30 chegaram os nossos amigos, bebemos o café em frente ao Mercado e rumámos direitinhos à Serra da Adiça.

Nesta manhã os tordos apareceram em pouca quantidade, entraram quase todos sempre muito altos ( penso que já andam muito "escaldados" ) , da minha parte fiz uma dúzia e o resto da malta também andou em regra por este números. Nada de especial. Esteve uma manhã escura, e só pelas 11h30 , 12h00 abriu o sol. A essa hora já praticamente não entravam.

De qualquer forma, aprecio de uma forma muito especial esta ZCT pois o tordo, ali, está quase sempre a entrar, o que nos permite estarmos sempre atentos, concentrados, e irmos dando uns tiros aqui e acolá, nunca ficando aborrecidos durante a caçada.

Almoçámos em Moura e dissémos adeus a mais um magnífico fim-de-semana de convívio.

Abraço amigo.
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domingo, janeiro 10, 2010

Já vão aparecendo....




















10 Jan 2010
Frio, muito frio
Chuva, muita chuva
Há muito, muito tempo, que não passava tanto frio !
O resultado, esse...valeu a pena.
33 torditos compensaram todo o desconforto.
Arma: semi-automática Benelli rafaello 121
Cartuchos: B&P carga 30 gr - chumbo 9
O local da caçada: Entre Santo Amador e o sopé da Serra da Adiça, junto à Herd dos Machados, mais propriamente no MB.
O almoço, foi no Monte do P.
Almoço: Bifes de Boi capado grelhados na brasa da lareira do Monte, somente com umas pedras de sal.
Já provaram ? Um autêntico manjar dos anjos meus amigos.
Um grande abraço
PS.: para a semana publico a última caçada deste ano, às perdizes, em Mértola.
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segunda-feira, dezembro 14, 2009

Do melhor....

















13-12-2009

Na véspera, sábado, depois de almoçarmos no restaurante eu e o Zé S. fomos até à margem do Guadiana testar os novos cartuchos dos tordos, que tínhamos comprado, da B&P , carga 28 gr Ch 7,5. Lá estivemos, até às 4 horas da tarde, fizemos 1/2 dúzia de tiros, estivemos a admirar o lindíssimo entardecer sobre o Rio ( a algaraviada dos patos lá em baixo na água é um espectáculo digno de registo) e regressámos então de novo a Serpa.

Entretanto,o Zé G. tinha-me telefonado e ia já a caminho de Vila Nova de São Bento, local onde tem casa e onde eu ia pernoitar, a seu convite.

Despedi-me do Zé S.,e fui para Vila Nova São Bento. No caminho, por volta das 05h30 da tarde ainda esventrei uma lebre e recheei-a com erva do campo, guardando-se num saco impermeável dentro da carrinha.

Nessa noite, fui muito bem recebido em casa de familiares do Zé G. . À mesa começámos com umas deliciosas azeitonas verdes da região, ainda recém retalhadas e a ganhar sabor, temperadas, na mesa, com sal grosso. Ao mesmo tempo, como entrada, o Zé tinha-se excedido a fazer um coelhinho bravo frio, desfiado, que acompanhava com grão, tudo temperado tal e qual como se tempera o bacalhau com grão. O vinho, uma pomada de 14,5º , o "100 Marias" , produzido pela família Canena, ali da região de Cuba, salvo erro na Quinta da Pigarça.
Ao jantar, chegou à mesa e provei pela primeira vez a famosa açorda de perdiz com poejos, tão apreciada ali naquela zona. Meus caros amigos...de chorar desalmadamente por mais!. Para rematar, no fim, um delicioso pudin de ovos feito pela R. Estava eu já quase que nem um abade, refastelado à mesa, de pernas abertas, tal era o peso da barriga.

Como o Benfica jogava nessa noite, tínhamos combinado com o Zé S. vermos o jogo juntos e demos um saltinho até Serpa, onde assistimos ao empate do nosso Clube do coração, com o Olhanense (2-2).

Regressámos a casa do Zé e, nessa noite, dormi profundamente, a ver as perdizes saltarem-me no dia seguinte, à frente, sim aquelas que estariam àquela hora também a dormir no mato, na Vendinha, e que era para onde íamos caçar no domingo.

Às 6h45 saltei literalmente da cama e alguns minutos depois, já ambos despachados, o Zé punha a cadela braco na carrinha e rumámos direitos ao Monte do P., onde já se encontrava grande parte dos caçadores. Nessa manhã, íamos fazer uma caçada à perdiz "en mano" , como dizem os nossos vizinhos espanhóis. Caçámos toda a manhã, pois era 1 da tarde quando chegámos aos carros. Como tal as cartucheiras saíram ao príncipio da caçada todas bem recheadas e ainda levámos alguns extra nos bolsos, não fossem faltar.

O dia nasceu com muito nevoeiro, algo cerrado, mas ainda dava para se ir vendo sem perigo de maior. Do meu lado esquerdo, a caçarem, o Jorge, e, do lado direito, o Ti D. com um perdigueiro de raça indefenida, côr de mel e branco, mas que cometeu a proeza de toda a manhã ir levantando lebres. Belo cão, pena que cace algo longe pois afastava-se bastante do dono e nao lhe dava a caça a matar.

Iniciada a caçada, algum tempo depois, já o companheiro do meu lado esquerdo fazia algo que já não via à algum tempo: um doble, às perdizes, ou por outra, meio doble, pois saltou uma ave de cada vez. Para ser um doble perfeito, as perdizes têm de se levantar ao mesmo tempo e os disparos atingirem as 2, no ar, uma de cada vez, caindo quase em simultâneo.

Da minha parte, aparecia-me uma da esquerda para a direita, em voo planado, a grande velocidade, fugida da ponta da linha. Encarei a Pietro Bereta e, com um tiro, vem cá parar abaixo, mas surpreendentemente levanta-se e começa a correr a pés. Para não a deixar fugir desato também a correr alguns 200 ou 300 metros atrás dela. Já com os "bofes" a saírem-me da boca, lá consigo aproximar-me um pouco mais dela, carrego a arma com 1 cartucho e remato-a no chão. Era um belo perdigão.

Mais à frente, em zona de pastos, oiço o característico brrrrrrr das asas a bater quando alguma se levanta de repente, encaro a espingarda e, com tiro certeiro, derrubo-a aí a uns 30/40 metros. Outro perdigão. Um par delas já cá cantava, penduradas no cinto. À medida que caminhava iam-me aquecendo a perna, com o bater.

No meu lado direito, o cão do Ti D. levantava outra lebre e empurrou-a para os meus lados.

Passou, cruzada, da direita para a esquerda, aí a uns 30 metros com o cão a latir atrás dela. Aponto, com calma e derrubo-a ao 1º tiro. Não é difícil o tiro à lebre. Mais difícil, isso sim, é o tiro ao coelho, pois algumas centenas de metros mais à frente, salta-me um debaixo das botas que estava a dormir encostado a uma oliveira velha, junto a um pequeno barranco. Aos ssss e ssss, ía-se escapando, o magano, mesmo com 2 tiros. Finalmente, ao 2º tiro lá deu a cambalhota tão característica.

Na parte final foi o meu melhor tiro da jornada, o meu "ex-libris" do tiro, aquele que arrancou vários "bravo" dos meus companheiros do lado. Um perdigão ( outro) veio passar por cima de mim, fugido das linhas, e consegui derrubá-lo exactamente na vertical quando cruzava por cima de mim, em irrepreensível "tiro del rei".

Saldo pessoal no final da manhã: 3 perdigões , uma lebre macho e um coelho. Para a fase adiantada da temporada, em que estamos, não foi mesmo nada má, a caçada.

No fim de semana anterior tinha-se morto um javardo ali na Herdade e o almoço, muito animado, foi servido com javali assado no forno com batatinhas pequenas. Hummmm, só vos digo, que maravilha. Eu que até não sou grande apreciador de javali, mas aquele estava efectivamente divinal. Para rematar, uma ou duas fatias de bolo-rei que o Zé G tinha trazido da "A Nacional" , da Praça da Figueira. Continua saboroso como sempre este bolo-rei.

Depois do habitual café, na esplanada do Café da Vendinha, ainda fomos dar uma volta ao final da tarde, onde tivémos tempo para fotografar as vermelhudas nos pastos que nesta altura já se vêm todos verdinhos, das chuvas que, abençoadamente, por ali têm caído.

O pôr-do-sol, em Serpa, é quase sempre de tirar a respiração, absolutamente lindo e não resisti, já em caminho de regresso, tirar uma foto ao céu vermelho fogo.

Um destaque também muito, muito especial para o trabalho dos cães. Sem estes auxiliares metade da caçada seguramente estaria comprometida.

Um abraço amigo.

Até breve

terça-feira, dezembro 01, 2009

Regresso a Mértola

















Um regresso ao Monte do Álamo - Mértola - 29/11/2009

O gosto da caçada aos coelhos no fim de semana anterior permaneceu teimosamente nos nosso espíritos e contagiou mesmo o entusiasmo do Zé G. que não tinha caçado naquele dia. Tanto o contagiou que acabou por se deixar cair na tentação e tudo combinámos durante a semana para lá regressar no sábado seguinte.

Na sexta-feira 27, depois de um árduo dia de trabalho para ambos- "se eu me vejo a caminho do Alentejo nem quero acreditar" - dizia-me no final do dia, combinámos o encontro , pelas 20h30, em frente ao Hotel Ibis na área de serviço de Oeiras.

Tudo mudado para a Renault do Zé G., nada de perder tempo e pusémo-nos de imediato ao caminho pela A2. A seguir à area de serviço de Grandola, faríamos o desvio para Ferreira /Beja/Serpa.

À conversa disse-me, a dada altura :
- Sérgio, se não te importas levas tu agora o carro. Tenho já os olhos a arder do cansaço do trabalho e de vir a conduzir.
- Tudo bem, encostas aí na área de serviço de Grandola e mudamos, levo eu o carro.

Quando parámos na área de serviço, abri a porta, saí, estranhei o local e adiantei:
- É pá fizeram obras aqui ou quê ?
Depois de algum silencio diz o Zé:
- Qual quê, estamos mas é na área de serviço de Aljustrel.

Só então vimos que, com a conversa, tínhamos passado Grandola e só parámos em Aljustrel., 40 km mais adiante. Ali saímos e acabámos por ir pela EN direitos a Beja , no meio de algum nevoeiro, e de seguida para Serpa, onde nos esperava o Zé S.

Já em Serpa, ainda fomos a um bar (àquela hora só Bar) comer uma tosta mista e um prego no pão, pois a fome já ia roendo.

Combinámos então encontrarmo-nos no dia seguinte, sábado, em casa do Zé S às 05h30 e fomos direitinhos para a Estalagem de S. Gens em Serpa ( antiga Pousada) que recomendo, desde já, a quem queira passar uma noite agradável em Serpa.

Com uma vista magnífica, quase sufocante, da vasta planície alentejana, ali se podem passar deliciosas e relaxantes tardes a ver o sol a cair lentamente no horizonte.Na base da estalagem, uma piscina de miradouro fará, com certeza, as delícias de quem lá passa as escaldantes tardes de verão.

Com pequeno almoço preparado em exclusivo para nós os dois, às 05h15 da manhã ( sumo de laranja natural, pão alentejano, presunto, manteiga, fiambre e diversas compotas caseiras - recomenda-se a de ameixa - compunham a mesa, não esquecendo o café com leite quentinho para confortar o estomago ).

Já em casa do Zé S, mudámos a artilharia toda para a carrinha Nissan e fomos buscar os cães ao Monte, na Vendinha. O Zé S. reside em Serpa, terra de caça e caçadores e, está constantemente à procura de conseguir melhorar os exemplares para a sua matilha. Não se preocupa muito com a pureza dos coelheiros, preocupa-se, isso sim, com a qualidade do que tem constantemente em mãos. E o que tem em mãos, permite-lhe receber ao longo da época de caça diversos convites, de diversas zonas de caça, cujos donos sabem que ele tem bons cães e que, contando com ele, quem cace nas suas herdades tem garantia de bons resultados.

Bom, já em Mértola, encontrámo-nos com outro grupo de amigos do Zé S. , também do Norte, que ali tinham pernoitado, na Estalagem do Rio Guadiana. Depois de mais um café reconfortante, fomos direitos à Zona de Caça.

Desta vez, fomos para uma outra zona. Assim que soltámos os cães, logo um javardo arrancou em tresloucada fuga, encosta acima, para outras paragens. Ninguém atirou, a ordem era só coelhos e lebres.

O nevoeiro apareceu e tapava teimosamente o sol, estragando-nos uma boa parte da manhã, não só pelo cuidado redobrado que tínhamos de conferir aos disparos, mas também porque não conseguíamos ( seguramente ) ver muitos coelhos a fugir aos cães, que laticavam constantemente por entre o terreno húmido, pedregoso e de muita giesta.

A meio da manhã, o sol finalmente lá abriu e, com a manhã ainda fresca, tudo mudou. Mais coelhos, melhores cães, muitos mais tiros, mais gritos e um belo saldo final de 80 orelhudos e 1 lebre compuseram o quadro de caça.

Depois do almoço num restaurante em Mértola ( servi-me de uns suculentos secretos de porco preto grelhados e um pudim de ovos) ainda fomos à procura de 2 cães que se tinham perdido de manhã e que, infelizmente, não conseguimos encontrar mas que, seguramente seriam recuperáveis mais tarde, pois iriam para algum Monte.

O entardecer convidou-nos a puxar da máquina fotográfica e registar o êxtase do final do dia naquela zona inóspita de Mértola, a perder de vista mas, sendo inóspita,é,definitivamente, uma terra farta, muito farta de caça. Enquanto procurávamos os cães ficámos ali, alguns minutos, a gozar o entardecer, a ouvir os bandos de perdizes a cacarejarem nos montados.

À noite havia jantar em casa do Zé. Os seus amigos do Norte tinham-lhe trazido uma lampreia na véspera e íamos, então, para uma de "cabidela de lampreia com arroz". Uma delícia, daquelas de comer e chorar por mais, e que acompanhámos com um tinto verde do Norte, bem espesso.

Após o jantar um inevitável derby "benfica-sporting". Que mais se pode querer ? Alentejo, coelhos, tiros, lampreia ao jantar e um clássico de futebol no final!. Valha-me Deus...!Por volta da meia noite , eu e o Zé G. voltámos para a Estalagem, dormimos profundamente pois no dia seguinte íamos caçar à Vendinha, às perdizes e lebres.

Com os despertadores para as 06h00 da manhã, levantei-me e vim espreitar o céu. Escuro, como breu, com nuvens baixas e carregadas não deixavam antever nada de bom quanto ao tempo. O dono da estalagem, para nos animar, lá nos ia dizendo que não ía chover nesse dia.

O certo é que, já na Associativa, quando seguíamos em cima das carrinhas da reserva para a zona que íamos caçar, começou a chover. Primeiro de forma tímida e, alguns minutos mais tarde, começou a cair copiosamente. Para os agricultores era "maná" a cair do céu, mas para nós caçadores sem terras, era do piorio. Mesmo com o oleado às costas a água da chuva teimava em entrar, ainda por cima o fecho do oleado tinha-se estragado. Enfim...!

No lado de lá, na outra encosta, vi o Zé falhar com dois tiros uma lebre parada pela sua pointer "catia", que veio morrer cá em baixo no barranco, atirada por outro caçador.

Uma raposa passa por mim, a trote, aí a uns 35-40 metros e tento acertar-lhe com as 34 gr de chumbo 6 que levava na Beneli. Deu um salto brusco para o ar, acusando claramente o impacto d0 tiro, mas foi-se embora a galope, barranco abaixo.

Carrego a espingarda. A chuva escorria-me em catadupa pelas mãos e pelo cano. Uma perdiz atravessa-se por cima de mim em grande velocidade. Corro a mão, disparo e vejo a perdiz a cair mais acima, a uns 20, 30 metros dentro do tojo e das giestas espessas. Como este ano não tenho cão, fui fazer as vezes dele. Subi até lá ( o declive era a uns bons 45 graus ) .Serviu para me encharcar ainda mais e acabei por não a encontrar. Fiquei marafado pois detesto deixar caça abatida no terreno. Ainda vejo mais meia dúzia de perdizes a fugirem à linha mas a chuva nestas alturas tudo dificulta. Vi ainda mais 1 ou 2 lebres a que fiz fogo mas que falhei. As condições de mato rasteiro não eram as melhores e as lebres ocultam-se rapidamente. Cheguei ao final da volta com o"chibato nas mãos".

Na segunda metade, fui para uma porta. Entretanto parou de chover. Os tordos, no céu, eram às dezenas. Será que vamos ter um ano de abundância ? A ver vamos. Na porta, entram-me de repente a tiro 3 ou 4 perdizes. Disparo rápido e faço cair uma. Vi que ia de asa, desceu ao terreno mas não "bateu". Entrou pelo mato adentro. Nem pensar em apanhá-la.

Entra novo bando e derrubo outra que vai cair perto da porta 6, onde estava o Sr João. Não me preocupei pois esta tinha caído "redonda".

Entram mais 2 ou 3. Outro tiro e cai uma a 20 metros, à vista. "Deixa-te estar" - penso.

Ainda uma outra permite-me o "tiro de rei". Desplumo-a lá no alto e cai direitinha a pique para uma zona de mato. Marco-lhe a "pancada" para não a perder.

Entretanto as linhas chegam mais tarde e a caçada vai-se ficando por ali. Vou ver da perdiz que tinha caído perto do Sr João. Ao chegar perto dele, confirmou-me que a perdiz, embora tivesse aparentado cair redonda, acabou por arrancar a pés pelo meio do mato e ele já não conseguiu rematá-la.

Resultado:de 5 perdizes abatidas, 3 foram-se embora de asa o que é sempre um resultado sofrível, não só pelos animais em si, mas também porque me deixa a pensar que estou a atirar mal. Nestas coisas, não há que culpar a qualidade dos cartuchos, geralmente o defeito é da pontaria do caçador. As 2 que pendurei, uma era um belo perdigão, robusto de 2 esporões nas patas. A outra era uma fêmea, certamente criação do ano.

Ao almoço , um excelente cozido à portuguesa no monte da herdade reconfortou os nossos estômagos. Antes disso, porém, o Zé G. durante a semana tinha passado na "A Conserveira" , na Rua da Madalena em Lisboa e tinha comprado mais meia dúzia de conservas de sardinha.Às deliciosas conservas, juntámos uns queijos de cabra, feitos pela queijaria Parreira, do Pulo do Lobo. Maravilha!!

O regresso a Lisboa, no Domingo, foi acompanhado de alguma nostalgia, pois já íamos pensando no quanto nos custaria ir trabalhar no dia seguinte. Mas a vida é isto e nada podemos fazer em contrário. O Zé G. amavelmente trouxe-me a casa, a S. João do Estoril.

Tinhamos passado mais um excelente fim-de-semana de caça, que, seguramente, perdurará nas nossas memórias.

Um abraço amigo.

domingo, novembro 22, 2009

50 coelhos e ....a estória de 1 lebre!




























































Mértola - Monte do Álamo
21 Novembro de 2009

Foto 1: Há que dar de beber aos cães. Eles são os verdadeiros heróis da Jornada. Na verdade, sem eles nada feito.
Foto 2: Passagem obrigatória pelos carros para aliviar a carga.
Foto 3: Resultado da Jornada
Foto 4: Celebrando uma bela manhã de caça. Na esplanada do restaurante, em Mértola

Local do encontro: Sexta-feira , 20 Nov, 23horas. Restaurante "A Piscina", nas piscinas municipais de Serpa. Um grupo de 4 amigos ( família Mesquita ) chegava propositadamente de Famalicão para caçar connosco no dia seguinte aos coelhos e, quando cheguei, já lá estavam a jantar com o Zé S.

Depois das necessárias apresentações e de, no meio de alguma conversa entusiasmada, bebi um descafeínado, pagaram a conta e fomos de imediato dormir para a Residencial. No dia seguinte, reflexos e pontaria era algo em que tínhamos de estar ao mais alto nível, muito bem afinados. Para isso, tornava-se necessário sobretudo descansar e dormir em paz durante algumas horas. Onde íamos caçar, os coelhos eram todos "licenciados" em matreirice.

Às 5h15 já estavámos a pé, a tomar o pequeno-almoço na sala de refeições da Residencial. O Zé, que mora em Serpa, apareceu alguns minutos mais tarde para tomarmos café juntos.

Depois de arrumadas a espingardas e mochilas na carrinha 4x4 , fomos ao monte do Zé buscar alguns dos heróis do dia: os cães. Autenticas preciosidades neste tipo de caça. Para dentro do reboque saltaram a "fina", a "bonita", a "formiga" e mais 7 ou 8 que não lhes sei os nomes ( ah! um chama-se "gervásio", que raio de nome ...). Por parte dos nossos amigos Mesquitas também a matilha era numerosa e com alguns bons exemplares.

De volta ao alcatroado, chegámos a Mértola, parámos uma vez mais para bebermos mais um café para o caminho e saímos, depois, direitos a Aljezur, pela estrada cuja ponte atravessa a Ribeira do Vascão.

Alguns Km percorridos, uma lebre atravessa-se por baixo da carrinha e o Zé diz que sentiu que levou uma pancada. Parámos a carrinha e de imediato andámos à procura do animal, ainda noite escura, mas, depois de muito procurar e porque o tempo escasseava, acabámos por entrar de novo na carrinha e seguir caminho.

Minutos mais tarde, encontro com o Guarda. Documentação necessária verificada e fomos directamente... "para a guerra".

Soltos os cães, começámos a bater numa pequena ribeira ( sem água) e, depois de saírem acossados pelos cães os primeiros 2 ou 3 coelhos, foi o caos total. Os coelhos fugiram direitos aos cabeços cheios de estevas e os cães foram atrás, atrás, atrás...!. Correram Kilómetros até regressarem de novo, estafados, pois à medida que corriam atrás daqueles, outros coelhos iam-se levantando. Esperámos cerca de 5 longos minutos para juntar de novo os cães todos.

Quando os finalmente conseguimos juntar, foi quando sentimos que se começou a caçar em boas condições. "

Um a um , os orelhudos saltavam dos juncos da ribeira e iam tombando fulminados com tiros certeiros.

A meio da manhã, embora esta estivesse fresca, tornou-se obrigatório dar de beber aos cães ( foto 1) onde o guarda puxa alguns baldes de água do poço para saciar os animais.

E a caçada continuou, divertida, com muitos tiros e muitas ladras e muitos ( mas mesmo muitos) coelhos a escaparem-se. Os cabeços de estevas eram muito largos e 5 espingardas faziam tudo menos dar conta deles. Ou fugiam para trás, ou para os lados, ou metiam-se nas tocas ( e havia muitas) dificultando a tarefa dos caçadores.

Teremos visto pelo menos o triplo dos coelhos que caçámos. O Monte do Álamo é uma herdade em Mértola, com excelentes condições para este tipo de caça, do coelho.

No final, "facturámos" meia centena de orelhudos .

No regresso, já em viagem no alcatrão, dizia-me o Zé: "É pá, eu ia jurar que a lebre que atropelámos de madrugada que ficou" , ele a dizer isto e eu a olhar circunstancialmente pelo vidro do lado direito e a gritar " ali está ela, ali está ela, tá ali!" A lebre estava efectivamente ali, morta, encostada a um eucalipto na beira da estrada. A coincidência foi extraordinária, só visto. Meio segundo depois, repito, meio segundo depois e ficaria lá para sempre. Invadiu-nos uma sensação muito forte que algo de sobrenatural, naquele momento, nos fez lembrar, falar e olhar, para levar a lebre para casa. Só podia. Exactamente no local onde passámos ainda de escuro, de madrugada.

O almoço, em amena cavaqueira, foi no largo principal de Mértola, na esplanada do Restaurante Regional. Come-se ali bem ( umas deliciosa espetadas de porco preto e um bacalhau grelhado com salada) e é servido por gente simpática. Recomendo.

Ficou-nos a imensa vontade de um regresso em breve.

Abraço amigo.
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segunda-feira, novembro 16, 2009

À antiga Portuguesa

Serpa 15-11-2009
Vento sul, bem forte, quase de rajada e a puxar as chuvas. Mesmo assim, não choveu.

A caçada de salto começou com o vento pelas costas, a ajudar-nos a percorrer os alqueives. As perdizes levantavam longe e as lebres, invejosas, não se ficavam atrás.

O caminho que percorremos, se estivesse sol e sem vento, teríamos feito... um "caçadão".

Mas com o vento que se fez sentir, as vermelhudas cruzavam as linhas e entravam às portas e às linhas como que a dizer-nos que aviões a jacto talvez não fizessem melhor. Fez-me relembrar velhos tempos, muito distantes, quando caçava no livre, com total liberdade, à antiga portuguesa, em que as mais bravias perdizes se punham nas asas lá ao longe e que, quando nos conseguíamos "cruzar" com elas obrigavam-nos sempre a reflexos muito rápidos no tiro e pontaria bem afinada, isto se queríamos ter algum êxito e pendurar meia dúzia delas.

Da minha parte, em mais um dia azarado, em que fui na qualidade de convidado, um autentico desastre, falhei diversas, bastantes mesmo, segundo o Zé S. com descontos muito adiantados.

Mas a manhã foi um verdadeiro divertimento. Como eu gosto, muitos tiros, muitos gritos, lebres paradas pelos cães, bem esticadas, a galope, algumas com 3 tiros atrás e iam-se embora, outras não evitando as fatais cambalhotas, algumas perdizes bem "despegadas" lá do alto, perdigueiros com bons cobros.

Um gosto de se ver.

Ao todo ( desta vez vou dizer ) 31 espingardas "renderam" , se a memória não me falha muito, 87 perdizes e 56 lebres.

Da minha parte o resultado foi o que se pode ver na foto.

Ao almoço, leitão bem assado no forno, tostadinho, acompanhado com vinho espumante branco trazido ( como sempre ) pelo Zé S. que arranja estas pingas fora de série lá para o Norte, salada de tomate e batata frita. Um aniversariante ajudou à festa ( que conte muitos ) com bolo e parabéns à mistura. A gente perde-se mesmo por ali....! Claro está que esta semana terá de ser inteiramente passada com dieta a rigor.

Local: Zona de Caça Associativa da Vendinha.

Para a semana que vem, no sábado, temos uma de coelhos em Mértola. A ver vamos. Fica o convite. Venham aqui ver.

Abraço amigo.