quarta-feira, outubro 01, 2014

Caça à Codorniz - uma escola para os nossos cães.



Última jornada às codornizes
















Salvada - Beja
Voacaça

Provavelmente enquanto escrevo, depois das chuvas e trovoadas da passada semana, muitas das "africanas" terão emigrado para terras do norte de África, mais apropriadas para se refugiarem dos rigores do inverno do continente Europeu.

Apesar da presente semana estar a ser de temperaturas elevadas, não acredito ir encontrar, em quantidade, o que encontrámos nestas jornadas de Setembro.

No próximo fim-de-semana inicia-se a caça à perdiz vermelha e, com ela, com a "rainha", muitos caçadores irão seguramente deixar de dedicar parte significativa do seu tempo à codorniz.

Neste cinzento mas abafado dia 27 de Setembro uma vez mais os nossos companheiros de 4 patas trabalharam bem, muito bem, bravos, descobrindo, parando, seguindo rastos e levantando, cobrando, no final,  exemplarmente.

Nada mais belo e excitante do que um braco, um pointer, ou qualquer outra raça, parados, imobilizados,  com uma, duas ou três codornizes. Quando saltam, arriscar o doble e ter pontaria certeira é arriscar perder as duas, pelo menos nos terrenos onde caçamos, pois o cobro depende de diversos fatores: a ansiedade, adrenalina e procura desenfreada do cão após o disparo, ele sabe logo que entra em trabalho de cobro, os muitas vezes densos pastos e restolhos muito altos, dificultam-lhes, sobremaneira, o seu trabalho,  e não é raro acabarem por cair dentro daquelas grandes valas cobertas, onde são mesmo quase impossíveis de cobrar.

Na maior parte dos lances prefiro disparar, derrubar uma ave, marcar-lhe bem a "pancada" e deixar a  cadela trabalhar na zona da queda da codorniz. Mais minuto, menos minuto, estará a segurá-la com os dentes e a cobrá-la. E, ainda assim, por vezes, acabam algumas por se tornarem incobráveis

Se compararmos o actual trabalho dos nossos companheiros, no início da época, com o que agora executam,  notamos uma significativa evolução, não só física, mas também "técnica" .

A codorniz é, verdadeiramente, a caça mais completa e espetacular para praticar com o nosso cão de parar. No final de Setembro, depois destas aulas na escola,  ele está pronto para se confrontar com a "rainha".

Mas poucos lances tão completos, que temos com as codornizes, iremos ver repetidos com as perdizes ( excepto se estas forem de cativeiro ).

Na foto acima, mais um formidável dia de caça.

- 2 perchas completas de10 codornizes no final da manhã , da minha parte ornei ainda o cinturão pois a Inka parou-me um coelho deitado ao sol dentro dos restolhos na orla do olival ( já não o deixei fugir lá para dentro) e o "Sado", cão do Paulo,  cobrou um pato real que se levantou dentro dum açude. Finalmente, o Paulo ainda "estendeu" nos pastos mais uma "orelhuda", um macho, criação deste ano mas já adulto.

No próximo fim-de-semana vamos dedicar-nos à perdiz. Espero resultados escassos pois para onde vamos elas são genuínamente selvagens, o tempo vai estar como está, quente e seco, os pastos vão secar e estar quebradiços e elas ouvem-nos ao longe. Não são mesmo estas codornizes. Estas preferem, com a nossa presença, fugirem a patas por dentro do mato. Só levantam em último recurso, paradas ou tocadas pelos cães. Aquelas, as perdizes, com a nossa presença, sendo selvagens, preferem dar uma corrida e pedirem logo ajuda às asas para nos < criarem distância>. A ver vamos.

Um abraço amigo, boas perchas.





segunda-feira, setembro 22, 2014

Caçar de salto com cão de parar - uma arte!

Assim vale a pena

Perca-Lúcio grelhada na brasa

QUINTOS - terras de girassol









































20-09-2014
Decidimos ir para os restolhos por baixo do olival do Espanhol.
Na véspera passei pela Altamira e comprei 2 caixas de B&P, MB Ch 9.
Os resultados foram abundantes e diversificados -codornizes uma vez mais no limite da lei para os dois, e 1 lebre e 1 coelho para dar mais cor à fotografia.
Enquanto, à conversa, regressávamos para os carros, saltou-nos um coelho da orla de um olival, em rápida fuga.
Foi instintivo, encarámos as espingardas e atirámos os dois. Ficámos com a ideia de termos acertado os 2 pois os tiros foram praticamente colados.
Afinal não. O coelho é seu amigo Paulo. Foi hoje esfolado e foi atingido na lateral esquerda .
Ora, pelo meu angulo de tiro, que caminhava à sua direita, era impossível atingir o "lagomorpho" daquele lado.
Fico, assim, a dever-lhe um orelhudo, pois este ( isto é, o da foto ) já está temperadinho em vinha de alhos dentro da panela.

Ao almoço, um dos meus momentos preferidos do dia. Ir almoçar à esplanada do Mercado da Salvada, onde o amigo Toi confecciona sempre uns achigâs ou uns perca-lúcio bem temperados, escalados e grelhados na brasa. Depois de uma manhã de caça às codornizes, com calor e ainda por cima acompanhados de um Antão Vaz branco da Vidigueira, bem gelado, podem crer, não há melhor.

21-09-2014

Depois de uma noite bem dormida na Gravia Grande, resolvemos atacar uns girassóis velhos, não colhidos, nuns cabeços pronunciados ali ao redor de Quintos. Tínhamos por lá passado na véspera, à tardinha, e tínhamos avistado uma lebre a passear-se, descansada. A decisão foi tomada ali mesmo. Amanhã de manhã caçamos aqui.
O êxito da caçada, a arte e a magia dos lances,  ficaram, uma vez mais, a dever-se ao magnífico trabalho da Inka e do Sado. Sem eles, seria garantido, nem metade fazíamos.
Dose repetida de uma dezena de codornizes para cada um neste segundo dia, bem suadas é certo, mas como diz o ditado que "quem porfia sempre alcança" eu o amigo Paulo não desistimos até atingirmos o pleno.
Perto das 11h30 estávamos de regresso ao Monte, onde, sentados tranquilamente à conversa com o Guarda, com os nossos cães deitados aos nosso pés,  refrescámos as gargantas secas com  1 ou 2 cervejas bem geladas,  tomámos um reconfortante duche e regressámos a Lisboa com a sensação do nosso dever de caçadores bem cumprido.

Até  próxima e um abraço amigo.





segunda-feira, setembro 15, 2014

Nova jornada em terras de Beja

Só possível graças aos nossos fiéis amigos.




13-09-2014

O defenido na lei como limites de abate parece-nos muito razoável.

Há que respeitar e, na zona de caça escolhida,  teremos diversas jornadas a atingir os plenos.

Com estas chuvas é provável que muitas aves iniciem agora os seus grandes voos de retorno para o Norte de África, em busca de climas mais amenos, comida e abrigo.

No entanto, aqui, pela morfologia da herdade, teremos sempre codornizes para caçar até 30 de Novembro.

Assim o foi na época passada, assim será na presente, se Deus quizer.

Abraço amigo


segunda-feira, setembro 08, 2014

Uma das mais belas caças



Caça à codorniz

















07-09-2014
Salvada-Beja

A caça da codorniz é, quanto a mim, de entre as que temos, uma das mais belas que podemos encontrar e praticar em Portugal.

Este ano, podemos concluir que foi um excelente ano de criações e, não sendo o mais importante, conseguir alcançar os limites estabelecidos por lei não acarreta dificuldades de maior, desde que, naturalmente, se tenha alguns conhecimentos desta espécie, pontaria razoável e um bom cão para as procurar e cobrar.

Este fim-de-semana, eu e o Paulo L., combinámos, como habitualmente, ir caçar à zona da Salvada, no sul de Beja.

É um dos nossos locais prediletos para a caça, dado o tipo de terrenos existentes. Ali podemos encontrar grandes extensões de cereal cortado, olivais com muito pasto no seu interior, plantações de girassol, 11 açudes e pequenas barragens dentro da herdade e diversas linhas de água que serpenteiam pelos seus quase 5.000 hectares.

Aqui, podemos ainda encontrar as criações deste ano da bela perdiz vermelha - na foto acima consegui juntar meia dúzia ( eram umas 12)  que, já ao cair da noite, procuravam certamente local para se enrolarem e dormirem.

Encontramos, também, as belas lebres, cor de mel e branco, que este ano também procriaram bem, aumentando, e bastante, os seus efetivos e, de igual forma, já não é raro, ver saltar, uma vez por outra, um ou outro coelhote dos mais variados sítios.

O que mais me apaixona neste mês de Setembro e de seguida no próximo, em Outubro,  já com a caça geral em pleno, são as amenas temperaturas que, à noite, nos proporcionam momentos de autêntico deleite, de prazer  e retiro espiritual.

Depois de um cansativo dia de caça, desfrutar de um duche reconfortante, jantar à noite numa esplanada de um dos poucos cafés/bares existente naquela região inóspita, com o cão deitado aos nossos pés,  e comer uns suculentos secretos acompanhados de uma saladinha de tomate e cebola, com uma boa cerveja gelada, é algo que dificilmente consigo descrever por palavras. Só vivendo mesmo aquele momento.

Partilhar todo o dia com o nosso fiel companheiro de caça, incluindo a noite, no Monte, cuja foto junto, onde, exaustos, dormem aos pés da nossa cama, é outro dos grandes atrativos.

O despertador, agora com os telemóveis, invariavelmente despertam-nos no dia seguinte por volta das 05h30.

Depois, é só aconchegar o estômago com o pequeno-almoço, beber um café bem forte no Monte, colocar uma roupa fresca e, por prevenção, bem colorida. O tiro da codorniz é um tiro de baixa altura, algo perigoso, e a cor da roupa ajuda-nos a não passarmos completamente despercebidos no campo.

Rechear bem as cartucheiras com chumbo de baixo calibre, 8, 9 ou mesmo 10, e sair com choques bem abertos nas armas.

Quando, às primeiras horas do dia, saímos para os campos, os bretons, os bracos, os pointers, perdigueiros ou outros, meio traçados,  caçam-nas ativamente, ainda frescos e cheios de força. É  a altura das paragens, das perseguições através dos rastos, dos muitos tiros certeiros ou falhados, dos gritos, dos cobros.

Pouco a pouco, as nossas pioleiras vão se compondo com o pendurar de algumas aves que, ao caminharmos durante a manhã, vão batendo suavemente nas nossas pernas e aquecendo os nossos corações.

É também a altura da lebre que salta repentinamente da cama, de dentro do girassol ou do restolho, ou do olival, perseguida desenfreadamente pelo nosso cão. Opcionalmente, cobramo-la, ou não. Se o cão a pára, devemos respeitar a sua paixão e, com um tiro certeiro, tentar proporcionar-lhe a recompensa de a trazer ao seu dono, pendurada na boca.

Por aquilo que tenho visto nos nossos campos, no próximo mês, já as vermelhudas estarão completamente criadas, adultas, e os nossos cães agora ao ficarem muito melhor preparados para lhes darem caça, ajudar-nos-ão em tão difícil tarefa.

Um abraço amigo










terça-feira, setembro 02, 2014

BEJA - Terras da Salvada - Abertura da caça à codorniz.



Gloriosa manhã de caça à codorniz.
Resultados nos limites

No quarto, ao meio-dia, a Inka completamente exausta.








































Sexta-feira, 20 de Junho 2014.

No escritório, em Lisboa, recebia uma chamada do meu filho mais novo: "Pai, a Inka foi agora atropelada aqui na rua".
Em pânico, saí do trabalho a correr, peguei no carro e "voei" para o local. De caminho ia acompanhando e falando com o meu filho, "que tinha saído para dar uma volta de bicicleta e a Inka, como habitualmente, ia a correr atrás dele". Desta vez, o azar bateu à porta e foi violentamente atropelada, sendo projectada para debaixo de outro veículo e não se conseguia ter de pé.
Meia-hora depois, cheguei, já lá estava, também, a minha mulher, e estavam, com a ajuda duns vizinhos, a segurar a Inka com uma toalha por baixo da barriga. Tinha a perna traseira, esquerda, partida e diversas escoriações por ter sido arrastada no alcatrão.
Rapidamente fomos para o Hospital veterinário e, depois, de alguns RX e um internamento para o dia seguinte, o diagnóstico: não iam operar pois o osso da bacia quebrou junto ao nervo ciático. Teria, assim, de ficar em repouso absoluto, para o osso danificado calcificar. Reymadil e Virbac foram os comprimidos anti-inflamatórios e tonificante muscular que lhe administrei durante os 60 dias seguintes.
A recuperação, só eu sei as horas, a angustia e os trabalhos por que passei até começar a ver algumas e nítidas melhoras.


Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014

Depois de muitos dias de passeios diários pelos campos circundantes à minha casa, a Inka, pouco mais de 2 meses após o atropelamento,  mostrou-se em condições de comparecer à chamada da caça à codorniz e , com alguma margem de conforto, resolvi levá-la.

O meu receio, no entanto,  era que a cadela fosse incapaz de resistir à dureza de tal prova, quando ainda, por mero receio instintivo, continuava a coxear para "defender" a sua pata.

No entanto, após uma última consulta no Veterinário e mais um Rx, fui autorizado e até recomendado a regressar à prática da caça.

Quando eu e o Paulo L. saímos do Monte para a caça, as codornizes, que este ano criaram abundantemente, depressa fizeram a Inka esquecer-se da pata.

Tudo o que eram pastos, linhas de água, restolhos e outros terrenos, foram literalmente varridos  por esta extraordinária cadelita que, deixando de vez de coxear,  não hesitou em "entrar" às valas para de lá desalojar as "africanas".

Com muito poucas horas dormidas, as aves iam saltando e eu... a falhar os tiros, a falhar, a falhar, a falhar como nunca falhei em todo o meu historial de caça. A Inka com nota 20 no seu trabalho. O dono, com nota claramente negativa, ainda por cima lhe dobrou os trabalhos até conseguir chegar ao limite imposto por lei nesta espécie.

O Paulo, gentilmente, ainda me emprestou alguns B&P , Ch. 9 para tentar chegar  aos carros com as armas carregadas.

Embora muito cansado dos 3 dias que tinha passado, a minha incontida alegria em ver a Inka curada de vez, tudo compensou. Para compor o ramalhete, ainda capturei uma lebre logo pela manhã, levantada e corrida pelo "Sado", cão valoroso do Paulo que também muito ajudou nesta jornada.

No quarto do Monte, preparando o regresso e após tomar um refrescante duche de água fria ao meio-dia, acabei por tirar a foto acima, com a cadela deitada, onde é evidente a violência do esforço que o animal fez, mas por paixão! Afinal, são as paixões que também movem as nossas vidas, certo?

Lá fora, as temperaturas rondavam implacáveis 36/37  graus.

De regresso a casa, dei-lhe um banho fresco, meti-lhe as patas em água morna com sal e, hoje, um dia depois, à hora a que escrevo, já está lá fora, prontinha, à minha espera, com o rabo a abanar,  para nova jornada.

Um abraço amigo e viva a abertura de 2014.





Ourique- Rolas e Torcazes ( ou tentativa de).



 
Só para recordação do dia, pouco mais.















Dia para esquecer.

As expectativas também não eram muitas mas as rolas e torcazes simplesmente não estavam lá.

Abraço amigo.



Abertura aos patos - Herdade da Namorada/Beja

40 patos ao meio dia


A Inka em cobro de pato





























Correndo muito bem para alguns correu menos bem para outros.

Ao meio dia havia cerca de 40 patos abatidos, para cerca de 11 armas.

Depois do agradável churrasco no Monte, em muito boa companhia, decidi rumar para Ourique para ir espreitar a caça geral.

No final do dia , recebi um SMS do gestor comunicando que o resultado final foi de 111 patos cobrados.

Houve, assim, um desequilíbrio muito forte nas colocações das portas. Provavelmente aspecto a corrigir no futuro.

Abraço amigo



segunda-feira, agosto 25, 2014

1ª Jornada da época 2014-2015





MATA DO DUQUE - SANTO ESTÊVÃO

















Poucos patos.
Muito boa companhia. Na foto, o Nuno C. que me efetuou o convite, e seu retriver.
As barragens são boas, perto de Lisboa, e prometem melhores caçadas. Só podem.
Abraço amigo




terça-feira, junho 24, 2014

Caça 2014-2015



2 meses mais tarde.


















O que se via tudo em tons de verde, nos primeiros dias de Maio, cedo começou a amadurecer e, agora, em meados de Junho, resolvi colocar algumas das paisagens anteriores, mas já com as suas cores alteradas, bem encostadas ao verão.

Aproveitámos 2 belos dias, bem quentes, e resolvemos ir ver o que a Mãe Natureza por ali nos tem andado a oferecer.

Assim que chegámos, ao final da tarde, entrámos com a viatura na Herdade e logo nos apercebemos de meia dúzia de perdigotos já bem encorpados, a sobrevoarem um muro encostado à estrada e a refugiarem-se para perto do Monte.

O ZM , nesse mesmo dia foi à zona de caça e, ao final da tarde,  contou, o melhor que conseguiu, a atravessar a carretera, de uma só assentada, cerca de 25 perdigotos e 4 ou 5 adultos, seguramente de 2 ou 3 bandos já nascidos e que casualmente  por ali se juntaram, pois, dizia-nos ele, não eram todos do mesmo tamanho. Nunca vira nada assim- dizia, entusiasmado, à mesa do almoço.

No dia seguinte, fomos dar uma volta a pé para observar os 2 cevadouros das rolas, quando meia dúzia de patos reais saltaram dos restolhos altos e espessos, de trigo amarelo torrado. A comida é com fartura e certamente ali estiveram a banquetear-se toda a noite para depois regressarem às barragens durante o dia.

As codornizes cantavam, alegremente, praticamente em cada cabeço, fazendo adivinhar também algumas criações.

Um orelhudo, escapava, em corrida, pela estrada fora, refugiando-se, algures nalgum buraco de um muro de pedra de xistos.

Nos aceiros, junto aos aramados, ainda vimos mais 2 proles de perdigotos, 5, 6 em cada bando, e respectivos pais.

Já dentro do carro, pela nossa frente, ainda uma outra mãe babada, com 7 perdigotos, atravessou a estrada em corrida, rápida e nervosa,  e refugiou-se nuns pastos altos, ainda verdes, não se deixando ver mais.

No final desta volta, fica-nos a sensação de não termos visto tudo e que, lá para final de Julho/Agosto teremos uma ideia muito mais acertada dos contingentes de vermelhudas. Parece-nos, contudo, um belo ano de criação.

Factor negativo: muitas cegonhas, com todos os seus efeitos nefastos nos ovos e pequenos e indefesos perdigotos. Para quando uma solução para estas aves de grande porte que, qualquer dia, serão praga?

Abraço amigo.





sábado, maio 31, 2014

Caça 2014-2015















Espécies predominantes na Zona de Caça do post abaixo.

Por ordem decrescente:
1. Torcazes de Inverno;
2. Perdizes
3. Lebres
4. Tordos. Sem olivais, mas com algumas zonas de zambujeiro, aparecem uns tordos para entreter.

Bons terrenos para caçar com cães de parar.

As fotos, claro, são retiradas da Net. Mais tarde, se Deus quiser, serão originais.

Abraço amigo.




Caça 2014-2015


















Novos terrenos de caça para 2014-2015
A Mãe Natureza está a trabalhar.
No próximo post direi o que por aqui existe e qual o forte da zona de caça.
Abraço amigo.



domingo, maio 11, 2014

Onde está a Lebre?






















Achei graça a esta pela dificuldade.

Mas que está lá, está.

Abraço amigo

Sérgio Vieira



domingo, fevereiro 02, 2014

A Inka já pode descansar por alguns meses.

















Ou melhor, arrumei o "ferro" na caça geral.

Os poucos tordos que por aí andam provavelmente já não me convencem para mais saídas.

O ano passado acabei com uma fotografia similar à de cima e com um "chorrilho" de elogios a esta braco alemão, nova companheira das minhas jornadas de caça.

Na próxima época, 2014/2015 irá completar , comigo, a sua 3ª época de caça.

Quando revejo tudo o que ela me ofereceu e a forma como evoluiu na 1ª e nesta grandiosa 2ª época, quase que me assusto com o que ainda pode vir a dar-me e a fazer em termos de progressão.

Toda a minha vida cacei com "pointers" , a quem muitos apelidam de... "O Rei". São cães de facto extraordinários, grandes batedores de terreno e possuídores de um olfacto apuradíssimo que lhes permite detectar a caça a distancias consideráveis. A sua beleza na paragem, o seu olfacto incontornável, fizeram-me, desde sempre, fã dos pointers , caçando, inclusive, em simultaneo, com um par deles,  que me deram, também, muitas alegrias.

Mas cães de caça, não é só estética e olfacto, bonitas paragens e grandes correrias. Descobri que um bom cão de caça tem de ser muito mais do que isso.

A inteligência na abordagem às peças de caça.

A inteligência no trabalho de busca no campo.

A capacidade de sacrifício em entrar ao mato na procura incessante da perdiz, codorniz, lebre ou mesmo coelho, que lá se meteu.

A capacidade de rastear as perdizes que caiem feridas e garantir uma percentagem de êxito perto dos cem por cento no cobro.

A inteligência e a capacidade de se unirem com o seu dono, e caçarem como se fossem um todo?

A docilidade de partilhar dias de caça em trabalho e, no descanso,  noites inteiras com o seu dono no mais profundo dos sonos, deitada no canto do quarto?

Um cão de caça, um verdadeiro e bom cão de caça tem de ser tudo isto. Se ainda juntarmos algumas das qualidades dos pointers, então sim, poderemos render-nos e chamar-lhes ( aos Bracos) de...Reis da caça!

Naturalmente que não pretendo entrar nesta polémica,  não há raças melhores do que outras para a caça. Todas as raças têm bons e maus cães de caça. Mas o Braco Alemão, se todos fossem iguais à Inka ( e eu sei que fui um afortunado, que tive mesmo muita sorte com a cadela) seria seguramente o Rei da Caça.

Inteligentes ( talvez das mais inteligentes raças do mundo - não sou eu que o digo - só corroboro -  mas sim os verdadeiros especialistas) , com autêntico espírito de sacrifício na caça, nas condições mais adversas, quer faça um calor abrasador, chuva, frio ou vento, com uma busca minuciosa e inteligente dos campos, não deixando ficar para trás locais por explorar nem  peças amagadas no terreno, com olfacto poderoso, com uma paragem firme e inquebrável, com um cobro extraordinário, alegre, depositando, intacta, a peça de caça nas mãos do dono, o Braco Alemão é, descobri-o agora, talvez o cão mais completo para a caça menor.

Relato aqui 3 ou 4 lances desta época que me marcaram e deixaram de boca aberta.

Beja
Outubro
Voacaça
Muito calor.Caçava sózinho à codorniz.
Caçando numa linha de água, quase totalmente tapada com vegetação densa, a Inka detecta um cheiro forte. Procura, nervosa e rápida,  uma entrada e, qual cão de coelhos, dobra-se toda e mete-se lá para dentro. Literalmente, deixei de a ver. Só a ouvia. As patas chapinhavam na água. O seu nariz "aspirava" todos os odores que a pudessem ajudar a tirar de lá para fora as codornizes. Percorro cerca de 20 ou 30 metros a acompanhar a cadela somente pelo barulho que lá dentro fazia. Subitamente, a 5 ou 6 metros á minha frente,  um par de codornizes saiem de lá de dentro, uma atrás da outra,  e entram outra vez para dentro, em corrida. Estava provado que a Inka andava no seu encalço. Mais uns metros e salta a primeira, em fuga, em pânico, em puro terror,  pois a cadela já não lhe estava a dar mais hipóteses, já não lhe dava descanso. Desfiro um tiro e derrubo-a, caindo  no restolho. Estranhamente, a cadela não sai de lá de dentro. Atravesso com alguma dificuldade a linha de água e vou apanhar a codorniz. A Inka, essa continuava lá dentro, a dar conta da outra.Recarrego a Beretta. Não demorou muito. Dois ou três minutos e a outra, sentindo-se desamparada, sai em fuga, voando, rápida. Novo tiro e a codorniz caiu a uns 20-25 metros, no restolho. Aqui já a Inka sai de dentro da vala e rápida, começa à procura da codorniz. Atiro um torrão para a zona onde ela tinha caído e rapidamente estava na minha mão, cobrada pela cadela.
O estado lastimoso em que a cadela estava, quando saiu da vala dizia-me tudo. Molhada, cheia de lama e com o corpo, cabeça e orelhas cheias daquelas irritantes pequenas bolas de picos que se nos agarram às calças e que tanto custam a tirar.
O brilho que tinha nos seus olhos e a cauda alegremente a abanar demonstrava a sua satisfação do dever cumprido, a sua satisfação de ter estado a trabalhar para o seu dono.

Serpa
Vendinha
ZCA
Dezembro
Tempo frio. Perdiz brava.
Caçada em linha, numa associativa.
Depois de ultrapassar, a muito custo, um barranco pronunciado, comecei a subir uma encosta íngreme, nas ordem dos 35/40º de inclinação. O sol banhava aquela encosta por onde algum trator teria andado a limpar o mato, remexendo a terra. A Inka, dá-lhe um cheiro,  desvia de repente para a direita e uma lebre levanta-se em fuga. Com a Beneli e com um tiro certeiro de chumbo 6 derrubo-a. Rápida, a cadela cobra a lebre e traz-ma à mão. Enquanto a arrumo no bornal, oiço 2 ou 3 tiros e fico atento. Uma perdiz ( ou era um avião ?) de asa aberta, escapa aos caçadores da linha, que seguiam já na minha frente. Encaro a espingarda, aponto, corro a mão e com um tiro em cheio ceifo-lhe a vida . Porém, o tiro foi largo, talvez a uns 40 metros e com a embalagem que já trazia, a perdiz foi cair muito longe, outra vez lá para o fundo, lá para baixo, para dentro do barranco. Exausto e a transpirar como estava,  de vir a subir, se me pedissem para voltar a descer lá abaixo e ir lá tentar apanhar a perdiz, estaria tentado a dizer que já lá não ia. Mas a Inka viu tudo. Viu o tiro, viu a direção, olhou e viu a perdiz a ir cair lá em baixo no vale. Rápida, desceu, desceu, desceu, entrou na ribeira, procurou, procurou ( dei-lhe 4 ou 5 minutos) e qual a minha grande alegria quando a vejo a subir outra vez o cabeço, de perdiz na boca, para me vir entregar. Ajoelhei-me, naquele momento em que ela me depositou a perdiz na mão, puxei a cadela pelo pescoço, dei-lhe um abraço e um beijo na sua linda cabeça. - Linda menina, dizia-lhe enquanto lhe fazia imensas festas.

Mértola
Janeiro
ZCT Giões
Tempo ameno. Perdiz semi-brava, mas muito agreste.
Uma linha de 7 caçadores.
Terreno com cabeços pronunciados, giestas, e largas faixas de cereal não colhido,  ali deixado propositadamente alimento e refúgio da caça.
A Inka começa a dar-me sinal de perdizes. Agitada, acelera no terreno. Como só tinha ainda 2 horas nas pernas, acelero o meu passo para a acompanhar. Mesmo assim não consigo totalmente. A cadela procura o cheiro da perdiz dentro do mato, faz um círculo largo sempre com o nariz a ventos e estaca, em grande paragem, de frente para mim, entalando a perdiz, como que a querer dizer: "Dono está ali, é toda tua". A perdiz não demora e, contrariamente ao que a cadela certamente esperaria,  a perdiz não arranca direito a mim. Arranca, sim, em voo poderoso, mas para o lado direito. Corro a mão e desfiro-lhe o tiro a uns 30/35 metros e ela vai cair por detrás de um muro antigo de pedra solta. Não lhe consigo sequer ver a "pancada" por causa do muro. Mas a cadela arranca, salta o muro para o outro lado e 3 ou 4 minutos depois, volta a saltar o muro para este lado, mas...com a perdiz na boca.

Beja
Salvada
Voacaça
Já de regresso aos carros, que havíamos deixado na margem do Rio Guadiana, caçava numa linha de 4.
O Paulo L. seguia pela minha direita mas bastante afastado, junto a um canavial, seguramente a uns bons 150-200 metros.
O meu companheiro da esquerda faz-me sinal em geito de desafio, se teria coragem para bater um cabeço enorme, cheio de mato e rochas que estava pela minha frente.
Ataquei o cabeço, habitado seguramente também por coelhos pelos rastos existentes. Iniciei a subida, íngreme, afastando por vezes o mato com os braços e até elevando a espingarda para não a riscar desnecessariamente.
Chegado a meia encosta, o suor escorria-me pelo nariz, desisti, endireitei a rota  e comecei a seguir em frente, sempre a meia encosta. Algumas dezenas de metros mais à frente , salta-me uma perdiz do mato. Tiro quase instintivo devido ao cansaço e vejo a perdiz a cair, a uns 20/25 metros. O mato era muito, a Inka estava mais acima, ja no topo do cabeço. Chamo-a.
O tal companheiro da esquerda indica-me a zona onde tinha caído a perdiz, pois tinha visto o local da pancada. Chegado lá, tirei o chapéu, depositei-o no chão a sinalizar a zona, mas não conseguia encontrar a ave. O outro caçador, vendo que eu não a encontrava resolveu "fazer-se" ao cabeço e foi, com algum custo até á minha beira. "A perdiz caiu aqui nesta zona, caiu redonda, tem de estar por perto. Procurámos, procurámos, até de cócoras estivémos pois o mato era enorme. A Inka entretanto chega. Cobra Inka, cobra.
A cadela entrou em trabalho de busca e afastou-se. Chamei-a de novo: Inka, é aqui, anda cá! - ela veio, cheirou por ali mais um pouco e voltou a afastar-se, perdendo-se no meio do mato.
Largos minutos depois, prestes a desistirmos, preparávamo-nos para começar a descer quando ouvimos, a uns bons 50 metros dali, uma grande "restolhada" no mato  e um cacarejar desenfreado. Olha, a Inka deu com ela e apanhou-a. Não demorou muito a aparecer-me com a perdiz na boca. A perdiz estava viva, tinha caído de asa e fugiu a patas. Nós, humanos, errámos redondamente ao procurar naquele local e quase obrigar a cadela a restringir a sua busca naquele lugar. Para ela, o animal, era claro que a perdiz já lá não estava e, sem hesitações, foi-lhe no encalço, pelo rasto, até a conseguir desalojar, quiçá de alguma pequena rocha ou carrasco onde se meteu. Com grande satisfação a cadela deixava-me cair a perdiz na mão e o companheiro não resistia e lançava o elogio: -bela cadela tem aí o meu amigo!


A Inka foi a minha grande companheira da época de caça 2013/2014. Começámos a 1 de Setembro, com o característico calor deste mês, a caçar à codorniz. No dia da abertura geral, caçámos nas margens do Guadiana à perdiz e à lebre. Fizémos jornadas inteiras, sábados e domingos, sobretudo em Serpa, Beja e Mértola, incessantemente, a palmilhar kilómetros uns atrás dos outros. Esperámos os patos à noite, nos açudes. Muita partilha. A Inka já é da família. Só vive para nós. A sua lealdade é algo que não consigo descrever por palavras, é uma recompensa muito forte, que eu tenho e guardo como um tesouro que Deus me deu, egoisticamente só para mim. Bem hajas companheira.




terça-feira, janeiro 14, 2014

Patos em Beja II e Perdizes em Mértola II

04h30 da madrugada. Mata-bicho em Beja.

Cupo da caçada: 5 patos

Ao almoço, na Adega 25 de Abril em Beja. Restaurante a não perder de vista.

No final do dia já em Mértola. A Inka descansa no quarto.




















































11 de Janeiro 2014

Como tínhamos ficado fãs do fim-de-semana de 7 e 8 de Dezembro ( ver história atrás) resolvemos "repetir a dose" e fazer mais uma de espera aos patos na Herdade dos Namorados em Beja e, no dia seguinte,  caçar de salto à perdiz agreste de Mértola.

Às 04h30 da madrugada, nem em Beja ( nem em lado nenhum), se pode esperar ter algo aberto para tomar o pequeno almoço.

Assim, como tínhamos jantado na véspera, na "Ilha do Peixe", a mulher do Gonçalo, que nos acompanhou no jantar ( valham-nos sempre as mulheres que muitas vezes estes pormenores nos falham) resolveu fazer-nos umas sandes e juntar uns pacotes de leite com chocolate, para comermos qualquer coisa àquela hora.

Como não tínhamos mesa, o capot do Corsa serviu perfeitamente e, caros amigos, só no excelente Alentejo é que se tem o privilégio de se poder deixar o carro no meio da via pública, tomar o pequeno almoço enquanto se conversa, arrumar as coisas e ir embora e não aparecer, entretanto, nenhum outro veículo que dali nos obrigasse a sair.

Depois de "rematarmos" com um café amargo, em copo de plástico,  na Bomba da BP, lá nos dirigimos para o Monte da Herdade dos Namorados, ali perto da base aérea.

A expectativa era elevada atendendo aos resultados da caçada anterior, mas as contagens finais, no geral,  foram um pouco mais fracas, dado que os patos falharam o regresso às barragens naquela manhã.

Ainda assim penso que se cobraram cerca de 90 patos. O gestor, amigo Luis F., estava algo desiludido mas, caro amigo Luís, a caça é mesmo assim. Uns dias é do caçador outros dias é da caça.

Por mim, atendendo à seriedade e simpatia dos organizadores, continuarei a ser "Cliente".

Caçada de 5 patos e 4 cobrados é mais do que suficiente. Para quê mais ?

Ao almoço, fomos ao Restaurante-adega 25 de Abril, em Beja, e, não só comemos muito bem, como também estivemos em óptima companhia, com 2 companheiros que nos patos caçaram connosco.

Como se pode ver na foto acima juventude não faltou, o que é sempre uma satisfação para quem anda nestas lides e verifica que continuam a haver "seguidores" deste tão nobre desporto.

Terminadas as sobremesas e bebidos os cafés, despedimo-nos, com amizade, e o Gonçalo S. guiou as nossas viaturas até às rotundas de saída de Beja  .

Esta foi a melhor parte do dia ( não foi Luís?) , conduzimos rápida e atrevidamente para o couto em Mértola onde o Gestor Fernando P. nos ofereceu a oportunidade de ainda dar uma voltinha de 1 hora, com os cães, até ao por-do-sol.

Àquela hora já se ouviam as perdizes a cantar nos cabeços e, cedo, a Inka começou a dar-me sinais de perdizes.

Com o Luís pela minha esquerda ainda consegui pendurar um perdigão com 2 esporões, e o Luís mais um par de aves até ao anoitecer.

Depois de um reconfortante duche, seguimos de carro para Mértola e fomos jantar.

O dia seguinte, seria o cartaz principal do fim de semana.



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Processo DGF 1532
ZCT Giões - Alcoutim

Organiza-se primeiro uma linha de caça pelo lado direito

Terminada a direita, altura de se organizar a que caçaria no lado esquerdo.

Discussão de pormenores de última hora, verificação de cartuchos etc

Já na fase final da jornada. O autor, com a Inka, e o seu cupo de perdizes.
Ao fundo, a Ribeira do Vascão.

Quadro de caça: 9 companheiros/ 48 perdizes















 12 de Janeiro


Zona de caça integrada na Organização Moinho do Monte Novo, que abarca cerca de 5.000 hectares de zona caçável.

Às 07h25 da manhã acordei com o barulho do Luís M. no corredor do Monte.

Dei um salto da cama, olhei para o telemóvel e reparei que não tinha posto o despertador.

Abri rapidamente os cortinados, estava um nevoeiro q.b. mas apercebi-me que o resto da rapaziada ainda não tinha chegado. Melhor assim. Aliás, a chegada deles ao Monte estava prevista para as 08h00. Eu e o Luís é que pernoitámos lá na véspera, depois de termos ido a Mértola jantar no  "Repuxo", um bom cozido de grão e mandarmos abrir uma garrafa com "pomada" da Vidigueira, de beber e chorar por mais.

Como era dia de futebol, Estoril -  Sporting,  ainda fomos ao Monte Novo ver a 2ª parte do jogo, para grande pena do meu amigo Luís M., adepto do Sporting mas que, por ter empatado, viu o seu clube atrasar-se no comando deste campeonato 2013/2014.

Bom, em 3 ou 4 minutos já estava vestido a rigor para uma jornada de caça que se adivinhava muito dura e difícil, dados os terrenos onde íamos caçar. Vim cá abaixo ao carro prender a Inka no pátio do Monte e, como o jejum já doía,  subimos os dois para irmos primeiro comer qualquer coisa, ainda antes dos nossos companheiros chegarem.

Um bom par de torradas com manteiga e com sumo de laranja, mataram o bicho e resolvemos, entretanto, aguardar por eles,  para tomarmos juntos o resto do pequeno almoço.
Não tardaram muito. Alguns minutos depois já estávamos todos sentados, em amena cavaqueira, a beber o café com leite, as boas fatias de presunto, fiambre e paio entre outros acepipes.

Por volta das 08h30 entrámos para os Jipes da Herdade, metemos os canitos em gaiolas de transporte apropriadas e fomos para a ponta sul da Zona de caça, a cerca de 10! quilómetros de distância.

Organizadas as 2 linhas de caça previstas para o dia ( o último de caça à perdiz esta época) começámos a avançar no terreno.

De referir que iniciámos a caçada por volta das 09h20 e, às 11 horas, cerca de 1 hora e meia depois, só tinha 1 perdiz pendurada (!).

Vimos muitas sim, mas sempre a escaparem ilesas, notáveis, em largos voos, pela nossa frente.

Só entre as 11 e as 14 horas é que a caçada, em geral, se começou a compor.

Os bandos, já com as perdizes  dispersadas com 2 ou 3 voos nas asas, começaram então a oferecer boas oportunidades. As aves, em pânico, aguentavam mais e saltavam das giestas a cacarejar, ora oferecendo tiro a quem as levantava ora dando chances a quem seguia na linha e via-as em altos voos cruzados.

Foi a altura dos tiros espectaculares,  40 ou 50 metros de altura, caíam fulminadas com belos disparos.

Outras ( muitas falhadas) seguiam já para outras paragens, para trás da linha,  o que significava que ficam por lá à espera que a Mãe Natureza as chame para procriarem e darem novos bandos que todos ansiamos sejam fartos e abundantes.

Os terrenos de caça ali são abundantes  e tratados exclusivamente para este desporto. Perdizes, lebres e coelhos (já se consegue ver alguns, poucos) encontram ali as condições ideais e necessárias para viverem.

Cabeços e barrancos pronunciados, com arrifes de estevas e outros tipos de mato, restolhos altos de trigo velho não colhido, obrigam a um esforço fora do comum para os caçadores e apelam à necessidade de se ter "bom pulmão" para vencer a batalha.

Por mim, por volta da 1 hora da tarde já eu ia ligando para o Gonçalo a dizer que "estava satisfeito" com a jornada ( não sei se era eu que dizia isso ou as minhas cansadas pernas...)

Terminada a caçada ( no total, 48 perdizes capturadas ) cerca das 14horas, era altura de regressar nas viaturas para o Monte, onde, como é hábito, nos aguardavam uns saborosos camarões cozidos,  um excelente guisado de borrego e, depois das sobremesas, aquelas filhoses regadas com mel, valha-me Deus! - rematadas com um belo café e um scotch oferecido pela casa.

Saímos directos para Lisboa ( o Luís M. ainda seguiu para a Régua ) , o Gonçalo ficou por Beja e eu cheguei a casa por volta das 21h30. Neste domingo, 12 de Janeiro de 2014, o Benfica tinha ganho o clássico ao FC Porto por 2-0 e isolava-se no comando do campeonato.

Até para a próxima época Moinho do Monte Novo. Grande dia de caça !!






segunda-feira, dezembro 23, 2013

Caçador solitário ou de "linha" ?

Pela hora do almoço. Penetrando o horizonte com o olhar.

No final do dia.
Lá diz o ditado: Quem porfia...



























21 de Dezembro 2013.
Jornada física e atrozmente esgotante mas recompensadora.

Comecei o dia com os tordos.
Ainda que havendo uns tordos, como não tinha ido preparado, nem com arma adequada nem com cartuchos próprios, nem sequer com aguardo, cedo arrumei a tralha e fui para aquilo que verdadeiramente me apaixona: a caça de salto, com o cão pela frente.

Quem vê estas fotos dirá: "pois, só vai à caça das lebres"

Não necessariamente. A orografia do terreno muitas vezes assim o determina, mas as perdizes, que nesta altura não se deixam chegar, estão sempre, sempre na minha mira. Caçá-las, sem ser em linha, torna-se muito difícil. Não impossível, mas difícil.

Ainda este sábado, já no final da manhã, numa iniciativa magnífica da minha Inka que culminou, nuns pastos altos, com uma maravilhosa paragem sobre 4 vermelhudas que já para lá tinham fugido algumas centenas de metros atrás, quando pela primeira vez me viram.

A esta cadelita por ter "crescido" comigo, já lhe percebo o andamento tão bem que não tenho a menor dúvida sobre o seu comportamento no terreno e de que tipo de caça se trata:

Codorniz: rabinho a abanar, busca muito minuciosa no terreno, sem se embalar, o que me permite estar praticamente sempre perto dela. No final, ou levanta a ave ou acaba por a parar, imóvel, oferecendo-ma.

Lebre: rabinho a abanar, embala muito rapidamente quando se trata de rasto de lebre, muitas vezes quase anda a galope com o nariz sempre no chão. Estas, geralmente...já lá não estão. A segunda hipótese é, dar-lhe os ventos e pará-las, assim, sem mais. Algumas aguentam bem, outras nem por isso. Já no campo da 3ª hipótese é quando está de volta de alguma codorniz em valas com água, a procura é menos intensa e, não raras vezes, a lebre sente-se descoberta e salta, foge para o campo aberto, onde se sente muito mais à vontade com a sua velocidade. É a altura de aproveitar a oportunidade.

Perdiz: rabinho a abanar. Baixa bastante mais a barriga. A busca no terreno não é tão minuciosa e embala um pouco mais. Mas é clara, a evidência é muito grande, vê-se imediatamente quando se trata de perdiz. Depois, há que ter algumas pernas para a seguir pois rapidamente se vai deparar com as aves. É aqui que está o problema. As minhas pernas já não são exactamente aquilo que eram há 20 anos atrás...!
No caso em apreço, quando encontrou as emanações deixadas pelas patas das perdizes, ela avançou, rápida, sobre o rasto deixado pelas 4 aves, eu acelerei o passo, o mais que pude, ainda a vi "marrada" por uns instantes, mas as perdizes já não deram - como se diz na gíria - "orelha". Fugiram, cada uma na sua direcção, e acabei por abandonar a perseguição. O suor escorria-me pela cara abaixo, em bica, camisa empapada e colada às costas, mas pelos motivos que gosto.

Nas lebres, é na caça a salto, solitária ou, no máximo, com mais um companheiro, com quem tenhamos um bom entendimento, que podemos aplicar com  mais sucesso os conhecimentos que sobre elas temos, sobretudo em relação aos seus costumes.

A lebre está em sítios diferentes consoante o dia que faz, ou que fez, na véspera.

Assim, se na véspera choveu copiosamente , há que procurá-las, pausadamente, dentro dos olivais com algum pasto ou mato cortado ou solto. Em alternativa, procurar as bordas das linhas de água, onde elas gostam de se encostar e deitar.

Pela manhã, em dias frios e solarengos, aqui, enfim,  não há que ter dúvidas. É levar o perdigueiro e procurá-las nas encostas bem soalheiras, de restolhos mais ou menos espessos ou de lavradas. Haja paciência e, mais cedo ou mais tarde, ela aí está, a saltar à nossa frente, linda, vistosa, em grande fuga.

Com vento muito frio, procurem-nas nos restolhos banhados pelo sol mas junto dos caminhos que "cortem" o vento ou nas chamadas "covas" do terreno. É aí que elas se deitam ainda de madrugada.

Não procurar lebres em sítios complicados para elas fugirem. Detestam mato entrelaçado e qualquer tipo de vegetação tão intensa que lhes impeça a fuga como elas tão bem querem e sabem fazer.

Gostam muito de estar na orla dos olivais, ao final da tarde, deitadas, ainda a apanhar os últimos raios de sol. Sabem que se forem descobertas, rapidamente se põem em fuga por entre as oliveiras. Reflexos rápidos e tiros muito certeiros são necessários nestas alturas para lhes impedir a fuga.

Diria que das espécies existentes no alentejo, a lebre será, talvez, aquela onde o caçador mais experiente, aplica com maior êxito todos conhecimentos que tem para a descobrir e capturar.

Numa linha da caçadores, será quase sempre por mero acaso que ela salta e é cobrada. Excepto se for uma linha constituída só para a caça à lebre.

Por isso, prefiro a caça de salto, isolada, permite-me aplicar os meus conhecimentos sem ter que responder como se estivesse no exército.

Ainda este fim-de-semana cacei em linha e em terrenos muito acidentados. Surge uma perdiz em grande velocidade, de asa aberta, da minha direita para a esquerda. Derrubei-a com tiro certeiro, mas, com a velocidade que levava, foi cair lá abaixo, a um barranco fundo, seguramente a mais de 70 metros. A Inka não  a viu pela que tive de "baixar ao barranco" . Três ou quatro minutos depois, já estava com ela na boca, trazendo-ma. Quando voltei a subir o barranco... 7 ou 8 minutos depois? - já lá não estava a linha. Não esperam. Salvo honrosas excepções em que a linha é composta por amigos. Como não conhecia bem aquele terreno acidentado, tive que me aplicar a fundo para a retomar outra vez. O suor escorria-me pela cara abaixo, em bica, camisa empapada e colada às costas, mas pelos motivos que não gosto.

Abraço amigo.





quarta-feira, dezembro 18, 2013

3 horitas de brincadeira...



A "rapaziada" de Quintos.




Quintos
Beja - 15 Dezembro 2013

Combinei na véspera com o amigo António B., responsável pela 
gestão desta Zona de Caça, ir dar uma voltinha às orelhudas.

No domingo, pelas 08h30 (não era preciso madrugar ) fomos ao Café do José T., a Quintos, comer qualquer coisa ao pequeno almoço e beber a indispensável bica matinal.

Ali, juntaram-se a nós alguns companheiros de Quintos.

Pelas 09h00 da manhã, parámos os carros, mesmo à saída da vila,  preparámos as armas e cartucheiras, soltámos os cães e  iniciámos a caçada.

Para mim,  "calhou-me" em sorte fazer a ponta direita. 

A missão, essa,  era eu ir sempre junto a um barranco e acompanhar o parceiro da esquerda.

O dia, solarengo e com uma temperatura óptima para caçar, estava maravilhoso.

Meia dúzia de centenas de metros percorridos, logo a Inka desaloja uma lebre da borda do barranco. Dois tiros e aí vai ela, ferida com gravidade, mas com a cadela no seu encalce,  a ladrar, desesperada para conseguir apanhá-la.

O Fernando gritava: "está ferida, não atirem...!

A Inka foi "rabiada" diversas vezes pela lebre mas, finalmente, depois de muita corrida e esforço, lá conseguiu capturá-la. Logo os outros cães se aproximaram rapidamente -lembrei-me das hienas! - tentando tirar-lhe a lebre da boca. Má sorte que ela não deixa. "É minha", parecia querer dizer, firme, cobrando a lebre alegremente e trazendo-a às minhas mãos. Enfiei-a no bolso do ladrão do colete, fiz-lhe a habitual festa,  e prosseguimos.

Não tardou muito e saiu outra, desalmada,  na frente da cadela. Um tiro certeiro e novo cobro.
É pá, 2 lebres e ainda por cima adultas, é peso a mais praticamente logo no inicio da caçada. Para evitar isso, pegámos nas ditas cujas e pendurámos, escondidas, nas ramadas de uma oliveira grande, ali existente. Quando viermos à volta, levamos - disse-me o meu companheiro "da esquerda".

O barranco, repleto de canavial, tinha, pontualmente, algumas charcas de água.

A Inka baixou a uma, na borda da água entrou aos juncos e parou, imóvel. Sem conseguir perceber o que era aproximo-me e vejo saltar uma galinha de água, a que, propositadamente, não atiro. Saltou a galinha e saltou a Inka logo atrás dela, estatelando-se totalmente dentro da água gelada. És jovem, não pensas - disse para comigo.

Noutra charca, mais à frente, a Inka entra aos juncos e aqui foi mais a sério: faz saltar 4 ou 5 patos reais. Encaro a Benelli, e com um B&P, Ch 6 - F2 classic, consigo atirar um pato cá para baixo. Para nosso grande azar, infelizmente não o conseguimos mesmo cobrar pois caiu dentro de um silvado enorme, intransponível,  e, além disso, ainda me pareceu que estava "de asa" pois caiu aos trambolhões.

Nos pastos, as codornizes ainda são por ali frequentes mas, nesta altura, por lei, já não se podem caçar. Nunca vi nada de semelhante em toda a minha vida de caçador, mas a cadela parou-se com uma, a ave levantou e a Inka, rapidíssima apanha-a com a boca (sem tiro nenhum)  e vem trazer-ma à mão.
Pelo caminho, vimos mais uma série delas, não sei se ficam por cá a nidificar ou se ainda emigram para o Norte de África. Sou mais apologista da emigração embora saiba que sempre ficam algumas.

A linha ia fazendo o seu "serviço" e, já na volta de regresso, levámos um bando de perdizes pela frente. Desse bando, só conseguimos 3 e foi deixando enrolar 2 das espingardas para o fim do olival, esperando que as outras 4 armas conseguissem colocá-las cá para fora. Curiosamente, foram as 4 espingardas que esperaram que as caçaram. As 2 de fora só as viram de asa aberta, em voos prolongados, para outras zonas.

De permeio, nas terras lavradas, saíram mais umas lebres e outras fugiram,longe das espingardas, para outras paragens.

Como disse o amigo António B., fomos fazer uma brincadeira de 3 horitas de caça.

Gosto mesmo destas "brincadeiras".

6 espingardas
10 lebres
3 perdizes

Abraço amigo








terça-feira, dezembro 17, 2013

Também por direito próprio...















 

















Também por direito próprio, a INKA, em trabalho de cobro,
sobre 2 lebres capturadas na planície alentejana.

Salvada
Beja 

 

Por direito próprio...

















A fotografia pode não dizer nada a muitas pessoas.
A mim, pelo contrário, diz-me tudo.
Aqui, a lebre, já em troféu, com todo o esplendor
das belas cores da sua pelagem, tem como pano de fundo a
magnífica planície alentejana, onde, por direito próprio,
faz desse mesmo território o seu habitat natural.

Salvada
Beja



quarta-feira, dezembro 11, 2013

Patos em Beja, Perdizes em Mértola



Herdade das Namoradas
Beja
Foto 1: resultado da minha jornada.
















Foto 2
O Grupo, constituído pelo Paulo L,, Luis M., eu e o Gonçalo S.
Rostos visivelmente bem dispostos após excelente manhã de caça
aos patos. Muitos tiros e divertimento.































A caçada no seu final.
69 patos para 10 espingardas.
Não é a Argentina, mas considerando o nº de patos existentes,
deu para distrair, e bastante.
Recomenda-se comparecer na próxima.
Em tempo: grande trabalho da INKA que, após a caçada,
levei-a ao local para me cobrar 2 patos não cobrados: um dentro
dos maciços dos juncos e outro em pasto da altura de meia perna.
2 cobrados dentro de água


















Mais a Sul, no Concelho de Mértola na Herdade do Monte do Moinho Novo.
Excelente caçada às perdizes.
Grupo habitual anual de 9 espingardas.
Por especial favor deixaram-nos cobrar só 2 lebres.
Coelhos absolutamente proibidos.
Novamente grande trabalho da INKA.







8 de Dezembro de 2013
A atualizar brevemente com estória.











segunda-feira, novembro 25, 2013

De salto e de Espera.


















Um excelente dia de caça.
Para quem gosta de caçar sozinho, com o cão pela frente.
Beja -Salvada





















O espolio do final do dia
4 lebres e 8 codornizes.

















No domingo, já deu para entreter aos tordos.
Boa entrada no Monte Branco-Serra da Adiça
3 dezenas de tordos e muitos falhados.