sábado, setembro 03, 2011

Abertura aos Coelhos em Sta Iria - Serpa













































2 de Junho 2011

Por amável convite do meu amigo Zé S. fui fazer a minha abertura aos coelhos em Serpa, mais propriamente à ZCT dos Peixotos em Santa Iria.

Só o Concelho de Serpa nos permite captar fotografias e landscapes tão bonitas como as que estão acima.

Como não tenho cães de coelhos, prontifiquei-me a fazer uma porta, isto para aqueles coelhos que vão fugindo pela frente das matilhas que, constantemente, vão no seu encalço. Sendo "porta" , e porque isso acarreta muito menos perigo com os tiros neste tipo de caça, resolvi levar o meu "mais novo".

Logo que chegámos à Serpínia onde já tínhamos um quarto duplo alugado, arrumámos a tralha e fomos ainda dar uns mergulhos à piscina pois o tempo estava abafado e fazia calor. Curiosamente, foi a primeira vez na vida que, enquanto estava a banhos numa piscina, começou entretanto a chover e trovejar. Apesar do engraçado da questão, comecei a pensar que tal combinação poderia não ser de facto a mais aconselhável ( água, com chuva e trovões ...) pelo que acabei por dizer ao Miguel para irmos para dentro, para o quarto.

Entretanto, liguei ao Zé S. que me disse estarem todos ( naquele dia também tinham ido aos coelhos ) no "Arrozinho de Feijão", restaurante em Serpa, e para seguir para lá para beber uma cervejola. Lá estavam todos, um dos "Grupos do Norte" , amigos do Zé, gente calorosa no seu acolhimento, gente que vê os valores da amizade talvez de uma forma diferente, com mais tradição. Lembro-me sempre que quando pela Páscoa ia ao norte a casa da família da minha mulher, as portas abriam-se totalmente para as pessoas da procissão habitual entrarem e comerem do que estivesse em cima da mesa. Enchiam a casa num instante, comia-se e bebia-se e seguiam depois para visitar nova casa da Aldeia. De facto, nós aqui na parte sul do País não temos esta tradição e os valores e referencias são algo diferentes.

Bom, mas deixadas estas divagações e bebidas mais algumas cervejolas, em bom convívio, encontrámo-nos mais tarde à mesa do jantar. Para mim, optei por uma boa posta de bacalhau à lagareiro, ficando-se o Miguel pela picanha grelhada, sim porque isto de bacalhau e peixe não é lá muito com ele. Ainda por cima no Alentejo e sózinho com o Pai onde não tem a Mãe a "deitar-lhe o olho". O vinho tinto de Pias foi o escolhido e uma boa mousse de chocolate e um café forte encerraram a refeição. Para tudo terminar em beleza, Portugal tinha acabado de derrotar o Chipre por 4-0 para a fase de apuramento do Europeu 2012.

Já na Residencial , bebi uma água das pedras natural, na esplanada, pedi à D Teresa para me acordar às 05h45 e eu e o Miguel fomos dormir o sono dos justos, não sem antes prepararmos minuciosamente, para o dia seguinte, todo o equipamento e apetrechos da caça:
cartuchos, roupa da caça, botas, polainas, cintos, águas etc.

Acho que demorei menos de 5 minutos a adormecer. Às 06h15, depois de um duche rápido, já estávamos na sala de refeições a tomar o pequeno almoço. O Miguel, só à parte dele foram 2 enormes croissants com manteiga e doce, um pão também com manteiga e doce e um copo de sumo de laranja.

Aparece o Zé S e combinámos encontrarmo-nos à entrada de um macdam, a seguir à lagoa, logo antes do Monte dos Peixotos. Passados alguns minutos aparece o Zé e o António que tinham ido buscar o "exército" ( os podengos) ao Monte. Os cães ladravam incessante e alegremente dentro dos reboques já prevendo a "guerra" que tanto adoram dar à coelhada.

Soltos os cães, fui para uma porta em cima de um morro alto, autentica cidade de coelhos, tal era o número de buracos e tocas que o circundavam. A ideia era tentar apanhar alguns que viessem fugidos dos cães para procurarem maior segurança dentro das tocas. De facto, assim foi. Passados alguns minutos de caça , disse-me, ansiosamente, o Miguel: "Ó pai, ó pai, olha ali, olha ali " e apontava com o dedo um coelho que corria directamente para as tocas. Só tive tempo de endireitar a semi-automática e "sequei-o" mesmo junto à cova. Mais 1/2 metro e tinha encovado.

Algum tempo depois aparece-nos outro a correr desalmadamente para as tocas com os cães a laticar lá dentro dos matos. Aqui precipitei-me e joguei-lhe um tiro bem longe, aí a uns 50/60 metros. Com munição 28 gr, 7 1/2 B&P o coelho "levou" mas conseguiu dar meia volta e por ali foi entocar. Que pena, ainda andámos alguns minutos literalmente de rabo para o ar à procura dele mas a existencia de muitas covas fez-nos rapidamente desistir.

O terceiro que apareceu ... nem soube o que lhe aconteceu. "Vai buscar filho" - o Miguel desatou a correr e, agarrando-o pelas patas, como já aprendeu a técnica do golpe de cutelo por trás das orelhas, terminou-lhe rapidamente com o sofrimento.

Entretanto, dentro dos matos a "guerra" era grande. Gritaria, tiros, ladras, lá se iam pendurando aqueles coelhos que tinham sido menos afoitos a esconder-se dos cães. Devo já referir que, ali, naquela Herdade, atendendo à existencia de tantas tocas, só se consegue caçar uma percentagem ínfima do que lá existe. Ainda assim, e à hora do almoço, o Guarda da Herdade, o João R. avançava que naqueles 3 dias de caça, desde o dia 1 de Setembro, já estariam apanhados perto de mil coelhos, pelo que , por aqui, podemos aferir da riqueza cinegética desta Herdade em "Oryctolagus cuniculus" - coelho-bravo.

Depois de pararmos alguns minutos nos Jeeps e comermos "a bucha", seguimos a caçar de salto. Nesta fase, quem vai mais à frente nas portas geralmente é quem "se safa melhor". Eu e o Miguel íamos em terceiro lugar a contar da frente e, entre mais 3 ou 4 coelhos deixados fugir por tiros errados, outros por serem tão rápidos que não nos deram tiro, apanhámos ainda mais dois. Um deles dei-lhe um tiro, deu uma cambalhota e foi refugiar-se debaixo de um zambujeiro o que me obrigou a um autentico mergulho debaixo do arbusto para, no meio do pó, conseguir lançar-lhe a mão antes de cair para dentro de alguma cova.

No final, o saldo, para 9 espingardas, "sem carregar no acelerador" - relembro que no dia anterior já tinha havido outra sessão de caça com os mesmos protagonistas - foram 61 coelhos, o que permitiu uma média na ordem dos 7 coelhos por arma.

Depois da já tradicional fotografia de grupo, com a caça estendida no chão, regressámos a Serpa para o almoço. Antes disso, porém, um dos confrades que tinha tido um problema com um podengo demasiado gordo para aquelas andanças, ainda foi à veterinária para ver do cachorro que tinha sofrido um golpe de calor e felizmente que se safou pois estava mesmo bastante mal. É preciso sempre muito cuidado com os nossos cães e com a caça de verão e aqui o nosso companheiro esteve muito bem. Primeiro recuperar imediatamente o cão, depois o almoço.

À mesa foram servidos uns suculentos filetes de pescada com o tradicional arrozinho de feijão e, desta feita, acompanhei com cerveja sem álcool, pois ia regressar para S. João do Estoril.

Depois de mais um café na esplanada e feitas as despedidas regressei a casa. À saída de Serpa dizia-me o Miguel, de mansinho : " Pai ficava agora aqui milhares de anos". Ouvi e calei, continuei a guiar em silencio, mas fiquei satisfeito pois aquelas palavras significavam ...que tinha gostado.

Já em Beringel tinha combinado e encontrei-me com o Zé G. onde bebemos um café, conversámos sobre a caçada. Ele, no dia seguinte, ia caçar à codorniz com a sua pointer, com o António e com o Zé S, todos eles com pointers, quanto a mim o cão de excelencia para a caça desta pequena ave.

Um abraço de amizade , até à próxima.


Já eram !





























20/08/2011
Todos os anos vivemos na ilusão de nos podermos divertir com uma boa abertura às rolas.

A caça, por si só, é apelativa e bonita, chamada de verão, com manhãs frescas e, de seguida, com temperaturas geralmente muito mais elevadas. Mas aquelas 2 ou 3 horas iniciais da manhã, mais frescas, levam muita gente a percorrer centenas de Km, durante a madrugada, para os campos deste nosso País, esperando sempre algum dia de sorte que lhe permita pendurar meia dúzia de exemplares.

Por mim, este ano, talvez tenha desistido de vez deste tipo de caça em Portugal.

E isto porquê ? - de ano para ano é visível que são cada menos os efectivos de rola comum que nos visitam e nidificam em Portugal.

Eu sou dos que acreditam incondicionalmente que a espécie não está em decréscimo, sobretudo pelas excelentes caçadas que todos podemos observar são feitas anualmente nos Países do Norte de África.

A minha opinião é que Portugal deixou de ser, como diziam antigamente ? - " O celeiro da Europa". Agora subsidiam-nos para não semearmos, para não produzirmos nada, e o nosso País, a pouco e pouco, cada vez mais, vai sendo um imenso deserto de cereal e de outros cultivos de verão, de que as rolas tanto gostam. Não havendo, é lógico que elas só têm de alterar as suas rotas migratórias e ir nidificar onde têm à disposição comida e água abundantes, isto é, norte de áfrica ! - pelo menos para já.

Por outro lado, penso que será altura de acabar de vez com os cevadouros. Já se mataram tantos e tantos milhares de rolas nestes locais que, agora, tudo quanto se preze ser "zona de caça" tem 1 ou cevadouros para chamariz dos caçadores. Sabendo-se que a rola volta aos locais de nidificação todos os anos e acrescendo-se as autenticas hecatombes que de há muitos anos a esta parte se fizeram nos cevadouros, os resultados só poderiam ser: poucas rolas!! Muitos cevadouros por tudo o que é turístia, associativa e municipal e... poucas rolas.

Tudo isto para referir que, uma vez mais, fui fazer a minha habitual abertura às rolas, desta feita ao Torrão. Não resisti e tirei as 2 fotos acima, uma do meu sorteado e pequeno mal feito abrigo e outra do cenário de caça que tinha pela frente: pasto e mais pasto, a perder de vista. Culturas? - nenhumas !

Nas minhas traseiras, à chamada distancia regulamentar, lá estava um cevadouro de trigo e girassol visitado por centenas de rolas turcas, aquilo que já vi, num forum de caça, chamar, por sinal com muita graça, de... "problemas no ar"...

A minha captura, nesta abertura, foi de 2 rolas comuns e assisti a um autentico desfilar de centenas e centenas de "problemas no ar" ( acho que nunca vi tantas) que me deixou de boca aberta e pensativo sobre qual, afinal, é que se deveria abrir a caça às rolas em Portugal: à comum ou à turca ?

Para Portugal penso que me chega. Marrocos será certamente o meu destino no próximo ano. Até lá tenho mais de 10 meses para tudo preparar cuidadosamente, pois a abertura por lá começa em Junho ( os feriados do mês são óptimos para isto)

Um abraço amigo

domingo, fevereiro 20, 2011

Tordos - Grande despedida.



















20/02/2011
ZCT Sta Iria - Serpa
Extraordinária manhã de caça aos tordos.

Sábado, de véspera, já eu passeava por Serpa, onde, após o almoço, optei por dormir uma reconfortante sesta na Residencial Serpínia.

O Zé G. estaria a caminho. Embora tenha casa em Vila Nova de São Bento, vinha pernoitar sozinho, pois a mulher, por questões profissionais, optara por ficar em Lisboa.

Por volta das 19h30 toca o telefone e combinamos o jantar. Na casa do Zé S. por convite do mesmo. Havia já um cabritinho a assar no forno, com batatinhas, e convites destes, minha gente, é coisa que jamais se pode recusar.

Antes de chegar ao jantar ainda fui comprar uns chocolatinhos da Mars para oferecer ao Zé M. filho do S.

Ao jantar, como sempre, umas entradas cuidadosamente preparadas pela C. , uns tortulhos apanhados no campo, cortados aos bocados e fritinhos em azeite e alho. Uma iguaria meus caros !

A acompanhar o cabrito assado no forno, umas migas de espargos verdes e um verde tinto de Monção com 10º e, ainda, um branco gasoso especialíssimo para Senhoras.

A meio do jantar o sinal de alarme: um telefonema a avisar que, nessa noite, a GNR cercaria Serpa quase por completo para realizar uma gigantesca operação auto-stop. Geralmente bebo pouco, um ou dois copos de vinho, e, como ando sempre bem documentado, tal não me apoquentava.

Ainda assim, perto das 11h da noite, quando regressei à Residencial, confirmava-se. Todas as Rotundas até lá estavam ocupadas com um ou 2 carros patrulha da GNR, a interceptar tudo o que era veículo. Por acaso passei, devagar, e não me incomodaram. Mas a operação era mesmo das grandes.

A noite, essa, passei-a a ver tordos, uns a entrarem bem às portas, outros a piarem e ainda outros a cairem bem lá do alto. Os que mais gosto são os que caiem que nem hélices. Bem difícil, por isso, foi a tarefa de adormecer nesta noite.

O João R. , Guarda da Zona de Caça, por outro lado, tinha dado na véspera umas informações abonatórias da ZC, que havia por lá uns pássaros bons e que daria para nos divertirmos no último dia. Claro que, com esta informação...quem é que consegue dormir em condições? Mas, por fim, lá consegui entrar no Reino dos Deuses e adormecer aí pela meia noite e meia.

Às 5 da manhã já eu estava a saltar da cama para tomar um duche quente. Depois de tomar o pequeno almoço, arrumei rapidamente a tralha na carrinha e fui ter a casa do Zé. Entretanto, chegava, também, de Vila Nova, o Zé G. Também de Beja aparecia, ao mesmo tempo, o Gonçalo. Todos juntos, saímos perto das 06h00 e fomos beber um café quentinho a um dos cafés de Serpa já abertos àquela hora.

Sem perdas de tempo , seguimos de imediato para os Peixotos. Aqui, não posso deixar de dar uma breve menção honrosa a esta Herdade, Zona de Caça Turística de referencia no Concelho/Distrito / País? , há quem lhe chame já a "mãe dos tordos", pois mesmo em anos fracos de tordos, sempre se fazem lá excelentes caçadas. Coelhos é com fartura, perdizes ariscas e lebres matreiras é o que não falta por ali. Caça de cativeiro nada lá existe, é proibidíssimo, até de falar nela. Não é uma ZCT barata, mas é - seguramente - uma garantia de qualidade. Daí a dificuldade em conseguir lá caçar pois a procura excede largamente a oferta.

Bom, de regresso aos tordos, era noite escura quando o Zé S. me deixou na minha porta. Colocada em olival, num sítio alto, enquanto descarregava o equipamento o Zé ia-me dizendo como colocar o abrigo e de onde entravam os tordos.

Um " até já " e fiquei ali, calmamente, a equipar o material da melhor maneira. Como munições, um cartucho que já não o largo para caçar ao tordo: JK8, do Patalouco, de Viana do Alentejo. Carregado com Chumbo 8, pólvora A2 é um magnifico cartucho para esta caça. Certeiro, rápido e de grande alcance, chega a "despegar" tordos de alturas que parece mentira.

Ainda a amanhecer, praticamente sem se ver ainda, aconcheguei a PBereta nos braços, suspirei fundo, olhei para o horizonte ainda escuro e pensei: "venham eles!"

Alguns minutos mais tarde, começou a clarear e veio o 1º par , um ou dois disparos e tordo no chão. Ali, caçar ao tordo era uma maravilha pois o terreno era limpo de ervas e podia-se, inclusive abater 4 ou 5 que não se perdia as "pancadas" e recolhiam-se depois, numa só volta.

Matei aí uma dezena quando o Zé S. começou a chamar-me : " Ó Séeeergio, anda cá para baixo, eles estão a entrar é aqui pelo barranco". Bom, lá muito tiro dava ele pelo que... comecei a hesitar.

Mas como não sabia onde ele estava, lá entrava outro tordo ali no sítio, mais 1 ou 2 tiros, novo abate e, por ali fui ficando , naquele engodo de um tordinho aqui, outro tordinho ali, sempre a pingar.

Mas de facto eles lá em baixo continuavam mesmo a dar muitos tiros, o Zé e o Gonçalo. Coloquei o aguardo às costas e peguei na espingarda e na caixa de cartuchos e dei 2 passos. Outro par de tordos a entrar. Tudo para o chão, mais 2 tiros e outro estendido no chão. Voltei a armar o abrigo: "que se lixe, vou ficar por aqui, sempre vão caindo uns torditos"

Mas o Zé voltava à carga e insistia, aos gritos: "Ó Séeeergio, anda cá para baixo...!"

Finalmente lá me decidi. Deixei metade do material e desci o olival, à procura deles. Até porque lá em baixo, com os tordos a entrarem bem às portas, aquilo estava uma paródia pegada com as bocas do Gonçalo.

Mais meia dúzia deles derrubados e chamei eu o Zé G, para se chegar. Fizémos ali um quadrado de posições no olival, que deu belos resultados. Tordo atirado e falhado, em geral levava sempre atrás toda uma série de impropérios ( filho da p., cab., ) mas em geral ia passar a outra das nossas portas onde dava nova oportunidade de tiro.

Ali ficámos toda a manhã, aos tiros, e os tordos a entrarem com generosidade.

Foi com alguma nostalgia que vi chegar as 13h. Era tempo de arrumar os equipamentos, o que fiz em silêncio, lamentando, no meu subconsciente, ter findado mais uma grandiosa época de caça.

Sabia que a partir dali voltaria a atravessar novo "deserto" de 6 meses até chegar a nova época venatória. Esta, rendeu-me bastante. Não propriamente pelo número de peças cobradas que foram variadas e muitas, mas sim pelo convívio que a caça arrasta atrás, pelas amizades que se vão cimentando, pelas conversas durante a semana de onde vamos caçar no fim de semana seguinte, se à Associativa, se à Turística, se aos coelhos, se às perdizes e lebres. Tudo isso me passava pelo pensamento e estava a entrar numa de nostalgia por tudo acabar.

Contudo, rapidamente a nostalgia passou. Era tempo era de regressarmos a Serpa, dar umas gargalhadas pelo caminho, irmos ao último almoço de caça do ano. Almoçámos com o Guarda da Reserva. Ouvi-lo falar do campo, das espécies e da caça é por vezes tão bom como estar à caça, tal a riqueza de conhecimentos e saber daquele homem.

No final, o regresso a Lisboa. Os abraços de despedida, a certeza de que temos por ali verdadeiros amigos e que nos vamos ver diversas vezes, seguramente, antes de chegar a abertura das rolas e pombos.

Agora por isso, este ano há uns patos prometidos ali por Beja...

Um abraço e até lá.

domingo, fevereiro 13, 2011

Grande Tordada !



















12/02/2011
Santa Iria - Serpa
ZCT Peixotos
Tordos nos limites e o regresso do Miguel às caçadas.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Tordos -afinal sempre vieram.
















5 e 6 de Fevereiro 2011
Monte Palhais - Serra da Adiça
Monte Branco - Moura / Santo Amador
Muito sol e 2 dias de divertimento puro.
Perto de 200 disparos e caça quase nos limites.

domingo, janeiro 30, 2011

2010 -Poucas historias para os nossos amigos tordos















Portalegre - 29/01/2011















Monte dos Palhais - Serra da Adiça
28/01/2011

Janeiro 2011 - Fecho das Perdizes


Pura vaidade !
Destas todas...
só 2 foram minhas !


























22/01/2011
Última caçada de salto da Época
ZCT Santa Iria
Herdade dos Peixotos - Serpa
Saldo: 19 Perdizes
Estória em breve

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Que m...de cartuchos !



















19/12/2010
Dia inesquecível de caça de salto.
Peripécias com cartuchos novos, lebres mortas que ressuscitam, lebres fantasmas, perdizes que escapam entre os pingos da chuva, de tudo houve um pouco.

Na foto, da esquerda para a direita, eu , o Zé G e o Vit. Os pointers são 2 manos, a "norma" e o"chiquinho".

Para mim esta jornada contava como a última caçada de salto à perdiz, deste ano de 2010.

Escusado será dizer que nos dias anteriores já alguma nostalgia me ia invadindo aos poucos, à medida que me apercebia que a minha caça predilecta, a perdiz, chegava ao fim.

Como não consigo resistir à mudança ( asneira, como sempre ) resolvi levar a P. Beretta Ultralight e, na semana anterior, à hora do almoço, saí do escritório e passei ali pela Espingardaria Diana, mesmo em frente à estação de comboios do Rossio, em Lisboa.

Pedi um conselho para levar uns bons cartuchos carregados com chumbo 6 e com carga de 32 gr pois o peso da espingarda assim o aconselhava e os donos da casa não tiveram dúvidas: " Só comercializamos o cartucho Winchester, mas o meu amigo leve 1 ou 2 caixas que é um cartucho a sério, extraordinário, não se vai arrepender de certeza!" , " o problema é que só temos chumbo 7 mas para o efeito que quer vai ver que não se arrepende nada". Perante tanta convicção, lá me decidi por comprar 2 caixas de cartuchos.

No dia seguinte, íamos caçar na ZCA Vendinha, em 2 linhas de salto, a percorrer as 2 metades da totalidade da reserva, de uma ponta à outra. Daí a razão da minha escolha pela P. Beretta mais leve.

Ás 04h30 da manhã saltei da cama com o barulho do despertador e às 05h00 saía de casa direito a Vila Nova de S Bento para apanhar o Zé G.

Na véspera tinham caído chuvas diluvianas em Serpa, obrigando mesmo à intervenção dos Bombeiros durante a noite em alguns locais. Como se previa uma manhã de sol ( que acabou por aparecer tímidamente já muito tarde) e uma longa caminhada durante várias horas, levei só as minhas Chiruca de meio cano, deixando em casa as de borracha de cano alto.

Quando chegávamos à reserva cruzámo-nos com o Zé S.. Nesse dia não caçava connosco, ia para uma batida junto às margens do Guadiana, na Herdade da Nata. "Sérgio, tens alguns cartuchos a mais?-perguntou-me. "É pá, trouxe 2 caixas de Winchester chumbo 7, posso ceder-te uma, pois ainda tenho umas sobras de B&P, queres ?" - "Dá-me então uma pois para o que vou tenho poucos cartuchos". Seguimos, assim, viagem.

Depois do pequeno almoço, no sorteio calhou-me a ponta esquerda da linha. "Não tem nada que enganar, o Sérgio percorra junto à estrada alcatroada, sempre à distancia regulamentar, mas vá-se guiando por mim que vou à sua direita" - disse-me o Bob.

Iniciámos a caçada em zonas de matos muito altos. O objectivo era empurrar os bandos de perdizes para fora daquelas zonas e depois caçá-las já em zonas mais limpas, com a ajuda dos preciosos auxiliares, os cães.

O ceú estava cinzento bem escuro, o que para mim se traduzia em dificuldades acrescidas nos tiros, pois é nestes dias que sempre tenho piores resultados a atirar à perdiz vermelha.

Atravessei com algum custo umas ribeiras onde a água corria profunda, abundantemente, com as chuvadas dos dias anteriores. As calças, essas, já seguiam completamente ensopadas, dificultavam-me gradualmente o passo, mas, por fim, e depois de ver meia dúzia de vermelhas a escapulirem-se para longe, comecei a entrar em zonas menos cerradas.

O Bob. tinha feito um disparo lá para trás, a uma, e mesmo assim a perdiz foi cair longe."Sérgio, espere aí um pouco que eu vou lá com os cães, aquela perdiz onde caiu ficou".

Enquanto esperava por ele, vejo um bando de meia dúzia, levantado largas, no meu lado direito da linha, a cruzar-se aí a uns 100 metros à minha frente, para o meu lado esquerdo. "Maganas, estas já se safaram" - pensava.

Os minutos iam passando e o Bob. teimava em não aparecer. Já não via sequer o companheiro que caminhava ao seu lado direito o que queria dizer que estávamos os 2 já muito para trás da linha. O ruído dos tiros assim o dizia.

Comecei a chamá-lo em alta voz, diversas vezes, mas nem sequer resposta ouvia. Insisti, voltei a insistir, os minutos passavam e ele nada. "Será que já passou, acompanhou a linha e eu não vi?" - a dúvida assaltava-me.

Acabei por concluir que provavelmente era eu que tinha ficado para trás e segui, rápido, em frente, para tentar recuperar a linha.

Dobrei um cabeço e "brrrrrr" , salta-me um par delas, a tiro, boas de derrubar. Dois disparos e nada, foram-se as duas. "Não gostei nada do barulho dos tiros" - pensei, parecendo-me fracos.

Algumas centenas de metros mais à frente, caçava, atento aos pequenos matos ali existentes, onde havia muitos rastos de coelhos daquela noite. Levantei a cabeça e deparei-me com um bando de perdizes, em fuga, a atravessar as terras, voando de asas abertas, mesmo por cima de mim. Faço o "swing", atrás delas mais 2 disparos mas ...nada. "Que diabo, isto não é nada habitual. Por norma, algumas destas, quando me entram assim, desta maneira, costumam ficar" - pensava.

Adianto mais o passo, pela direita do Monte do P. que é da Associação, e, alguns metros mais à frente, ao passar uma vedação, salta-me uma vermelhuda dentro dos matos, aí a uns 15, 20 metros. Novo encare, 2 disparos e...nada. "Das 2 uma, ou eu estou a ficar cada vez mais marteleiro ou então é da porcaria dos cartuchos"

Entretanto, à frente ia apanhando a linha e cruzei-me com o Luís da Vend. "Luís viu o Bob?" -"Não , respondeu. Começámos a ficar preocupados.

À medida que íamos andando grita-me " Sérgio, por cima !!! - olho e vejo uma perdiz a cruzar-se, linda, comigo, dentro de tiro.Mais 2 tiros e fico completamente embasbacado ao vê-la seguir sem tugir nem mugir. Raios, vou mudar para B&P, 34 gr, ch 6. Dos poucos que tinha na mochila carreguei a arma com 2 e segui.

Já estava desanimado e, depois de atravessar um caminho, encostei-me por momentos a uma vedação. Entretanto, o sol já nos acompanhava há largos minutos o que me deixava extremamente satisfeito. Larga, a uns bons 40 ou mesmo 50 m ( é sempre difícil avaliar estas distancias) vejo outra perdiz a fugir da direita para a minha esquerda. Encaro a arma e ao primeiro tiro cai redonda, "seca", sem hipótese. "Até que enfim" - já safei o chibato. Corri a apanhá-la e vi que se tratava de uma fêmea. Enfiei-lhe a cabeça pelo cinto das calças, pendurei-a e regressei atrás.

Para já, tudo o que é Winchester vai já para dentro da mochila e só caço com B&P. "M... de cartuchos que comprei" -pensei.

Entretanto vimos o Bob lá atrás a chegar-se à linha. Então o que aconteceu? perguntei, fartei-me de chamar por si, não ouvia nada e acabei por pensar que tinha vindo para cima - disse-lhe.

"È pá Sérgio, nem imagina o que aconteceu, fui lá atrás como combinado buscar a perdiz que tinha abatido, caiu longe mas ela lá estava e os meus cães encontraram-na. Mas quando vinha outra vez para a linha, a atravessar a ribeira, escorreguei e distendi a virilha. Tive de ficar ali imobilizado, aí uns bons 15 ou 20 minutos sem me conseguir mexer - dizia-me. Só depois é que lá consegui levantar-me e continuar.

Bom, de novo refeita a linha entrámos em zona de lebres. As perdizes, muitas, escaldadas, não nos davam mão. O Bob. disparava e fazia cair mais uma, bem cobrada pelo cão. Enquanto via, oiço um restolhar por trás de mim, volto-me para trás e vejo uma lebre perto, em fuga. Um tiro e deixo-a de imediato estendida no pasto. "À pois, isto era mesmo dos cartuchos, só pode ser, que m.... de cartuchos que na 2ª feira já lá lhes vou dizer" . Meto-a dentro da mochila e sigo caminho.

A 2ª perdiz veio fugida da linha em velocidade de TGV . Um só tiro, enrolo-a toda no ar, desfaz-se em penas e cai redonda no chão.

A 2ª lebre cobrada salta-me também aos pés, junto a uma linha de água. Com as chuvas as lebres têm muito o costume de se acamarem junto às ribeiras. Caiu redondinha, sem espinhas. E eu a pensar nos cartuchos que tinha comprado e a ver a diferença quando mudei para os B&P.

Junto a um açude, saltou-me outra perdiz, em linha recta a fugir de frente. Encaro calmamente a arma e disparo. O tiro passou-lhe todo á volta e não sei como aquela perdiz conseguiu fugir. Vi todos os chumbos a embaterem no cabeço para onde ela de se dirigia e posso assegurar que escapou por milagre. Escapou entre os pingos da chuva, pensei.

Entretanto a linha começou a virar para a minha esquerda e era tempo de criar ali uma pausa.

O Bo. levanta uma lebre e ao primeiro tiro derruba-a. Os 2 cães disputam o cobro da lebre e ele tem de intervir para "pôr ordem na coisa".

Longe vejo uma lebre fugida . Estive tentado a não atirar para não a ferir. Disparei e senti que o animal levou em cheio e retraiu imediatamente. Porém, continuou a descida do cabeço. Largo a mochila e faço uma corrida para o outro lado para lhe cortar o caminho. Vejo-a de novo, vai lenta, está ferida de morte. Corro mais uns metros mas ela vai-se distanciando aos poucos. As minhas pernas já não chegam. Tiro 2 cartuchos ao calhas, e faço 2 disparos. A lebre continua. Quando vejo os cartuchos eram Winchester. Merda para isto. Recarrego com B&P. Mais uma corrida e disparo de novo, mas a lebre era "fantasma" . Depois de tanto tiro desaparece no meio do matagal de um barranco.

O suor escorria-me pela cara e pelas costas e voltei atrás para pegar na mochila que já carregava 2 lebres.

Quando lhe peguei , salta-me logo ali outra. Linda, pensei. Encaro a arma e ao 2º tiro derrubo-a. Ficou no chão estendida, a uns 20 metros, a torcer-se, a fazer o que habitualmente chamamos de "esticar o pernil".
Já te apanho, voltei atrás para ir buscar a mochila e quando voltei e vou a deitar-lhe a mão, a lebre de súbito levanta-se e foge cabeço abaixo numa velocidade diabólica. Tinha a arma descarregada e nunca tinha visto tal coisa na minha já longa vida de caçador. Fugiu. Se não voltasse atrás para ter ido buscar a mochila tinha-a apanhado de certeza. Assim, dei-lhe alguns segundos, conseguiu ganhar forças e lucidez e fugiu, sem deixar hipótese, tanto mais que tinha a arma descarregada. Fantástico.

Eram 14 horas a caçada chegava ao fim e o meu saldo eram 3 perdizes, 2 lebres e 1 coelho.

Ao almoço, um belo de um cozido à portuguesa. Juntou-se a nós o Zé S. que tinha ido caçar para a Herdade da Nata. Matou uma mão cheia de perdizes mas disse-me que mal começou a atirar com os Winchester falhava tudo. Teve de mudar de cartuchos para começar a ter resultados ( tal como eu).

Na véspera tinha comprado um Bolo-Rei no El Corte Inglês da Beloura e acabámos o almoço a beber o café e a comer uma fatias deliciosas, já a pensar no Natal.

No regresso fomos ao Monte do Zé S. buscar 2 cabritos que eu tinha encomendado para o Natal e que tinham sido "arranjados" na véspera. Esquartejados e em sacos de plástico efectuei o regresso, depois de mais uma sensacional jornada de caça.

Dia 26 será a última caçada na Vendinha. Nesse dia não irei, ficarei com a família, em quadra de Natal, mas quem vai em meu lugar, o Vit., vai, seguramente, viver gloriosa jornada de caça. Ali...só pode!!! Mas o meu coração vai por lá andar.

Um abraço amigo.

sábado, dezembro 18, 2010

Outra boa caçada



















12/12/2010
Vendinha
Perdizes ou aviões ?
Estória em breve
Abraço amigo
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ZCT STA IRIA - Serpa




































11/12/2010
Uma bonita jornada de salto às Perdizes.

Já não sei muito bem porque caminhos e travessas chegámos ao lugar onda iríamos caçar naquela manhã. De facto, foram uma série de voltas que fizémos dentro da Herdade dos Peixotos até lá chegarmos.

A perspectiva era de uma jornada de salto, às perdizes, onde o amigo José S. sempre está por detrás destas jornadas e faz os convites aos seus amigos.

A Herdade dos Peixotos é uma das propriedades mais ricas em caça no Concelho de Serpa. A sua orografia e biodiversidade existentes, permite criar, com sucesso, praticamente todas as espécies caçáveis em Portugal.

Rica em coelhos, não faltam as perdizes e as lebres ( de tordos nem se fala) , galinholas, javalis etc, prova provada de que é possível conjugar conflitos de interesses na vivencia em comum das espécies.

Por volta das 08h30 estacionámos os carros dentro de um cercado com cerca de 600 hectares. O João R. , Guarda da ZCT, e profundo conhecedor da caça e de tudo o que a rodeia, incluindo o furtivismo e como o combater, chegou connosco e estabeleceu as regras do jogo: - "Pronto, para vocês é uma caçada vip, podem caçar de tudo mas não atirem a algum javardo que vos salte".

Soltámos os cães enquanto armávamos as espingardas e fornecíamos as cartucheiras com aqueles cartuchos que cada um entendia iam ser a melhor solução para a manhã de caça. Não sendo de todo importante, a percha sempre animava a alma e confortava ter 2 ou 3 peças penduradas a baterem-nos nas pernas enquanto caminhamos.

Da minha parte utilizei na semi-automática o B&P 34 gr Ch 6.

Entretanto, o Zé S. dava as primeiras instruções sobre a forma como íamos atacar aqueles 600 hectares, rodeados de cabeços pronunciados e, nos terrenos do meio, ligeiramente mais planos.

A estratégia era caçar um V , com pontas bastante adiantadas, como única forma de não "põr as perdizes em França", para fora do couto.

Do meu lado esquerdo, seguia na ponta esquerda o Zé S com a sua pointer "catia", ao seu lado direito o Zé G. com a sua cachorra pointer "norma" e do meu lado direito o Vit com o "chiquinho", todos da mesma família, isto é, produtos da barriga da "catia".

Mesmo com óculos apropriados, a caçar com o sol a bater forte nos olhos pensei logo que perdiz que saltasse em frente quase que nem a iria ver.

Nem era preciso perdiz. O 1º coelho que me saltou das estevas, levou 2 tiros atrás e já quase como descargo de consciência, atirando ao vulto, pois por vezes ficam estendidos no mato. Aquele não, fugiu e fugiu muito bem ocultando-se com o sol que ainda ia baixo.

O Zé S. caminhava em passo largo pela esquerda, os tiros iam-se sucedendo e ele gritava para o José G chegar-se mais, pois algumas perdizes estavam a saltar para trás e precisava ali de uma espingarda mais próxima.

Do meu lado direito, o Vit dava conta de uma galinhola que provavelmente se alimentava nos matos altos, daquela manhã fria. A ave salta para trás, para o seu lado esquerdo e com um tiro é derrubada alguns metros depois. O cachorro pointer, com a carga genética a ajudar, dava uma volta rápida ao arbusto onde momentos antes se ocultava a galinhola e marrava, lindo, no local onde a ave tinha estado. Era a sua primeira galinhola da vida e, com ninguém a ensinar-lhe que era ave de caça, ali estava ele, com todo o seu esplendor a querer "mostrá-la" aos seu dono.

Mais à frente novo levante de galinhola e o Vit grita-me" Sérgio vai para esse lado". Virei-me , fiz o swing e de um só tiro derrubo-a, indo cair nas margens da ribeira que por ali passava.

O Zé G., esse, saltaram-lhe um par de perdizes que por ali estariam em pânico, amagadas, mais próximas e dando a mão ao tiro, que foi certeiro. A Pointer, que eu considero também uma boa promessa, vai ao cobro mas deixa a perdiz no chão. Disse ao Zé G que o animal estaria provelmente stressado. "Deixa-a crescer que vais ver que as traz todas" - disse-lhe.

O Zé S. ia atirando. O Gonçalo também ia fazendo o gosto ao dedo. Num momento de reunião dos caçadores, dizia-lhe o S.: "É pá ó Gonçalo, trazes só uma perdiz pendurada. Devias de mudar de cartuchos. Isso do Sul Beja já deu o que tinha a dar" . "À é? - e metendo a mão à bolsa do colete, dizia, em tom jocoso: "então toma lá mais uma, e toma lá mais outra, e ainda toma lá mais outra." A gargalhada, claro, foi geral.

Depois daquele momento de boa disposição retomámos a caçada.

As minhas botas de borracha de cano alto não eram a melhor solução para tamanha caminhada e, no caminho, já iam deixando algumas marcas nos pés.

Um coelho atravessa da minha esquerda para a direita a subir em galope o cabeço. Um tiro certeiro deixa-o estendido no chão.Enfio-lha a cabeça pelo cinto, puxo-lhe pelas orelhas e penduro-o .

No caminho de regresso uma perdiz atravessa, da direita para a esquerda. Larga e alta , aí a uns 40 metros, de asa aberta, faço-lhe um tiro - em cheio, começa logo a cair redonda. Por instinto, remato-a ainda no ar com o 2º tiro.

"Bravo" . gritou-me o Zé S.

Quando fui procurá-la, o pasto cerrado e de ervas altas dava-me pelo joelho. Comecei com dificuldades em encontrá-a. Atirei da imediato o chapéu para o chão para não perder o sítio da pancada e comecei a procurar. Nada ! . Zé, traz aqui a cátia senão ainda me fica aqui a perdiz.
Deixa-te estar aí quieto- retorquiu o Zé, senão a cadela começa a misturar os cheiros e depois é mais difícil.

A pointer chegou ao local de depois de meia dúzia de voltas ali estava ela, imóvel, marrada com a perdiz morta no chão, que nem sequer se via. Mas a forma de parar da cadela dizia tudo, estava mesmo lá. "Cobra" -atira o Zé e a cadela, obedientemente, abocanha a perdiz e traz ao dono.
Era a chamada cereja em cima do bolo.

O campeão da jornada foi mesmo o Zé S. - abateu 7 perdizes mas também andou atrás delas ( passe a expressão) que nem um cavalo por aqueles cerros agrestes.

De volta ao monte, a C., mulher do Zé S., apareceu no Jeep transportando um tabuleiro de cabrito assado na altura, no forno. É isto o que a caça tem de bom. O vinho... uma maravilha, branco espumoso e tinto verde.

Ocupámos uma das salas do Monte dos Peixotos e ali estivémos algumas horas à conversa.Particular atenção para o Guarda João R. Ali nascido, conhece aquelas terras como ninguém. As suas histórias sobre as espécies, trabalho de Guarda, criação, combate a furtivos são intermináveis. A sua forma simples mas adjectivada de as contar constituem uma autêntica delícia para quem o ouve. Éramos capazes de estar ali horas a ouvi-lo.

Uma bela jornada de caça às perdizes, numa manhã de sol fantástica, com bons companheiros e, no final, um repasto de comer e chorar por mais.

Abraço amigo.
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domingo, dezembro 05, 2010

Mértola - Terra de coelhos
















Grande jornada de caça aos coelhos em terras de Mértola.

Podengos, mestiços e outras raças definidas ou indefinidas mas de grande qualidade, muitos tiros, muita gritaria e, no final, um belo quadro de caça.

Os planaltos de Mértola continuam em grande forma.

Na sexta-feira tínhamos saído de Lisboa após o trabalho, extenuados, sobretudo mentalmente, mas, depois de ultrapassado o interminável e angustiante transito antecedente à P25 Abril, lá conseguimos desembaraçar-nos e seguir viagem.

Curioso que aí a partir de Setúbal, o nosso estado de espírito, sobrecarregado de stress, acumulado ao longo de uma longa semana de trabalho, começa gradualmente a ficar mais leve, a desanuviar, isto porque, garantidamente, ele, o nosso estado de espírito, inicia todo um processo de deixar tudo para trás começando a concentrar-se no que realmente nos vai dar um prazer profundo e que mais não é do que a expectativa gerada de uma jornada de caça ou um fim de semana em grande no campo com os amigos.

Um pouco à pressa fizémos um desvio na A2 e parámos em Alcácer do Sal para jantarmos qualquer coisa. Restaurante desconhecido, um bocado "manhoso" , mal servidos e, por isso, rapidamente, procurámos meter-nos de novo ao caminho para Serpa, onde chegámos por volta das 10h30.

O importante seria dormir bem pois no dia seguinte esperava-nos uma jornada exigente de caça aos coelhos, de salto, onde sempre impera a necessidade de bons reflexos e olhos bem limpos, logo, com uma boa dose de horas dormidas.

O entusiasmo era tanto que pedi à D Teresa, da residencial Serpínia, para me acordar às 05h00 da manhã. No entanto, às 04h30 já estava debaixo de um duche bem quente e a preparar-me para arrumar a tralha na carrinha e tomar o pequeno almoço. Quando cheguei à sala de refeições ainda os tabuleiros estavam por colocar na mesa de buffet, pelo que prestei-me a dar uma ajuda à D Teresa e eu próprio também "armei" a mesa grande de pequenos almoços.

Um chá preto, um yogurt, umas bolachas, uma maça verde e uma banana dar-me-iam o suficiente para me aguentar umas boas horas. Embrulhei ainda uma sandes de mrtadela para comer a meio da manhã e guardei-a dentro da mochila.

Entretanto, chegava à sala o meu cunhado B. que não tinha passado lá muito bem com o jantar da véspera pelo que limitou-se a beber um chá, uma ou duas bolachas e pouco mais.

Às 06h00 da manhã, ainda escuro como breu, com passagem por 1,5º negativos, já estávamos nas cancelas do Monte do Zé S para meter os nossos heróis ( os cães) dentro do reboque e, sem grandes demoras , deixámos a minha carrinha no monte e fomos para Mértola no Jeep do Saldanha.

Em Mértola, no largo grande dos Cafés, já nos esperavam os outros caçadores, que tinham vindo de véspera, de Braga e Famalicão, dormindo na Estalagem do Rio, aprazível lugar para se passar uma noite em Mértola a olhar para o Guadiana à noite.

No café, voltámos a confortar os nossos estômagos com uns cafés bem quentinhos e, rapidamente, fizémos ainda uma dúzia de Km para lá de Mértola, pela estrada que vai dar ao Algarve.

Chegados ao encontro com o guarda do Couto e verificados os documentos de caça seguimos para a "zona de batalha": - cabeços pouco altos mas de grandes larguras, meio pronunciados mas acessíveis, com largas manchas de estevas e montes de pedras de xisto negro. Algumas linhas de água com vegetação espessa de juncos, onde os coelhos geralmente constroem as suas "moradias" subterrâneas, atravessam os locais onde caçamos.

A cortar esses grandes estevais, uns caminhos feitos com tractores de rastos permitem-nos colocar algumas portas em locais estratégicos, que o Guarda conhece como ninguém, sabendo exactamente por onde os coelhos podem sair quando apertados e em fuga dos cães.

Nos pastos, podemos observar os sinuosos carreiros desenhados pelas lebres quando deambulam pela noite em busca de comida ou de acasalamento.

As perdizes começam a cacarejar alegremente, saudando a nova manhã. Cedo ouvimos cantos em diversos cabeços daquelas terras de caça, denunciando ainda quantidades apreciáveis de bandos que ainda por ali sobrevivem.

Soltos os cães é, como de costume, a debandada geral, com os cheiros dos coelhos os cães correm primeiro seguramente alguns Km a laticar atrás dos orelhudos até que chegam a um ponto que se acalmam e chegam-se então aos seus donos como que a quererem dizer: - estamos prontos, vamos lá!.

É aqui que a verdadeira caçada começa. A surpresa daqueles que saltam ainda sem serem incomodados pelos cães e que acabam por se dirigirem às portas, até àqueles que só saem do encame quando levam verdadeiras focinhadas dos podengos e que, no meio de tiros , ladras e gritos procuram desesperadamente a fuga para longe ou para as covas. "Vai, vai" , "agarra, agaaarra" , é um verdadeiro festival extraordinaŕio de adrenalina.

No meio seguem as duas matilhas de cães, 2 ou 3 armas caminham um pouco à frente, pelos lados, na tentativa de "interceptar" os que para o lado fogem, na traseira das matilhas mais 1 ou 2 armas para os coelhos que resolvem fugir para trás e, finalmente, algumas centenas de metros mais à frente são colocadas com o maior cuidado, pelo Guarda, as 2 ou 3 portas para os que seguem mesmo em frente.

É assim que decorre, com sucesso, uma caçada aos coelhos em grupo aqui nestes planaltos de Mértola, terra de caça por excelência e que, quase me atrevo a dizer, que é do melhor que temos em Portugal.

No final, distribuídos no chão, uma centena de coelhos, algumas fotos para recordar mais tarde, os nossos agradecimentos ao Guarda ( extraordinário Guarda) e, com os estômagos a "tilintarem" de tão vazios, rumámos rapidamente para Mértola para almoçarmos.

No restaurante, fiz-me servir de umas plumas de porco preto, grelhadas exactamente "no ponto" e acompanhadas com umas migas de se lhe tirar o chapéu. A acompanhar , um branco ( estava a antibiótico) fresquinho e, à sobremesa, uma sericaia para rematar o repasto.

Em convívio saudável e alegre, um dos Grupos seguiu viagem para Bragança e o outro ainda seguiu connosco para a zona das Fábricas, aldeia situada algures entre Mértola e Serpa, pois estavam interessados em levar para o Norte 2 leitões vivos, de porco preto.

Já com a noite a invadir o horizonte eu eo Zé S pegámos em 2 sacos de serapilheira e fomos com o dono da Herdade apanhar 2 leitões ao redil da vara de porcos. Truque para os apanhar mais facilmente: - espalhar uma saca de trigo no chão, os porcos acorrem rapidamente à comida e, enquanto distraídos a comer, pais , mães e filhos, tudo junto, é só escolher e pegar nos pequenos pelas patas de trás. De seguida enfiámo-los nos sacos de sarapilheira, saltámos para dentro do Jeep e fomos levá-los ao outro Grupo amigo que, mais acima, aguardava por nós.

Para a despedida, ainda fomos todos beber um café bem quente ao café lá da aldeia, onde, cá fora, ardiam uns troncos de oliveira dentro de um tambor aquecendo a noite.

Ainda tivemos tempo de ir ao Monte do Zé S onde estripámos os 25 coelhos que eu e o meu cunhado levámos, os tradicionais abraços de despedida com amizade e a certeza de que rapidamente nos iremos ver de novo, pois no próximo domingo esperam-nos as ásperas perdizes da Vendinha.

Até lá


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Serpa - Terra de Perdizes
















28 de Novembro de 2010

Num dia em que se bateu record anual de captura de perdizes nesta Zona de Caça, ali algures entre Serpa e Vale dos Mortos.

Não tenho dúvida que nestas herdades estamos definitivamente em terras de perdizes.

À chegada consegui logo uma "captura" com a máquina fotográfica, de um bando que ainda estava na estrada debicando, e à saída nova "captura", já ao final da tarde, de novo bando que certamente "não teve tempo" de comer durante o dia e aproveitou os últimos raios de sol para o fazer, conforme podemos observar nas 2 fotos da colagem acima.

Durante o dia consegui o meu "cupo" somente numa porta, logo sem grande estória para vos contar.

Ficou a satisfação de um dia muito bem passado, com bons amigos e companheiros de caça.

Abraço







domingo, novembro 14, 2010

Chuva com Perdizes
















Domingo 14 de Novembro 2010 - Serpa
Caçada real na fotografia.
Só é pena não estar uma das principais protagonistas: - a cadela pointer do Zé S.
Do lado direito da foto, as principais artistas: -perdizes e lebres.


Com o tempo que se fazia sentir, muito mal começou o dia. Acabou, contudo , uma delícia de manhã.

Às 03h30 da madrugada , o despertador do telemóvel acordou-me. Trata-se do único dia da semana em que tenho prazer em ouvir semelhante mecanismo

Sem hesitações, saltei da cama, dirigi-me à cozinha onde tinha já preparado todo o "estendal" da roupa da caça, enfiei as calças, calcei logo as minhas inseparáveis botas de borracha da "Somlys" com revestimento a neoprene - penso que seja este material que não deixa suar os pés durante as caminhadas - tomei o pequeno almoço a ouvir a chuva a cair forte lá fora - umas torradas e um chá com uma maça verde enganaram o estômago, peguei na Beretta, saí para o jardim, coloquei rapidamente e à pressa a tralha na carrinha, abri o portão e fui-me embora... como soi dizer-se, já um pouco molhado mas, "de peito aberto".

De "peito aberto" porque a chuva era tanta, tanta, tanta, que só o mais fanático dos "Bin Laden" por este tão nobre desporto poderia encarar com o prazer que eu sentia, uma longa viagem para o Alentejo, debaixo daquele tempo, para ir caçar à perdiz.

Todo o santo caminho choveu copiosamente, em bátegas, muitas vezes a velocidade dos limpa pára-brisas seguia no máximo da potência, ao passo que a velocidade do carro era bem na ordem dos 60/70 Km /hora, tal o ímpeto com que a água caía.

Em Beja, para mal dos meus pecados, comecei a desanimar, pois já estava a 24 Km de Serpa e a chuva torrencial não havia forma de abrandar.

Ultrapassei Serpa para ir buscar o meu amigo Zé G que estava em V. Nova São Bento e - milagre dos milagres - precisamente naquela altura, deixou de chover, só uma chuva miúdinha. Fantástico! - pensei e rejubilei de alegria.

Arrumada a tralha fomos direitos à reserva mas, no caminho, de novo, e com grande desagrado nosso, começava a chover mais forte.

Já chegados ao Monte do P. abrigámo-nos dentro da casa da Associação onde , depois , dos habituais cumprimentos tomámos - para mim foi um segundo - pequeno-almoço.

Mais tarde, no sorteio, tocou-me a porta 10 na espera e com a 14 a caçar de salto.

A saída para o campo, já tardia pois esperámos bastante para ver se a chuva abrandava, nas carrinhas da caça, foi ainda debaixo de água, mais fraca é certo mas com chuva que ainda incomodova.

Na minha porta ainda consegui o resultado de 2 belas perdizes, deitadas abaixo com 2 subsequentes belos tiros, de novo Rotweill, 36 gr ch6. O terreno, como era limpo, os "depenadouros" ficaram bem à vista, bem marcados, e só as cobrei mesmo no final da batida.

Entretanto, tinha parado de chover e o sol já espreitava por entre as nuvens. Santo Huberto, decididamente, estava a vir ao nosso encontro.

Na batida, que é a parte que eu mais aprecio nestes dias, inúmeros lances, de entre muitos:

- um coelho saído aos pés do ZG que veio em corrida desenfreada, direito a mim, a "300 Km/hora" , 1 ou 2 tiros - não me recordo - só me lembro do chumbo a zunir raivosamente à minha volta e o Zé a pedir-me desculpa com plena consciência de que tinha sido de facto uma distracção grave. Felizmente nada de mal aconteceu.
- este coelho, ao passar por mim, direito ao barranco, no meio de giestas e tojo alto, levou atrás também 3 tiros meus, ao vulto, a ver se caía. Sem cartuchos na arma, vejo logo de seguida uma lebre a sair pela ponta da lá do mato, a cerca de 25 metros, ultrapassar a vedação de arame farpado e sair em fuga para o restolho limpo ( e eu sem cartuchos). Ainda mal refeito do que acabava de presenciar, salta-me, vigorosamente, também exactamente dentro do mesmo mato, uma perdiz a cacarejar, para o meu lado direito ( e eu continuava na mesma sem cartuchos pois tudo aquilo foi em meia dúzia de segundos).

-F0"#:::%&/# se!, ...só mesmo comigo é que acontece disto - pensei. Ainda fui lá abaixo ver se o coelho tinha ficado estendido no matagal, mas...nem isso. Foi-se tudo embora, quer o coelho, quer a lebre quer a perdiz.

Há que respirar fundo, manter a calma, concentrar-mo-nos que estas coisas na caça estão quase sempre a acontecer , e seguir, calmamente, caçando.

Mais uma centenas de metros à frente oiço o estoiro de 2 tiros, olho para a minha esquerda e vejo uma lebre a fugir do ZG, barreira abaixo, aponto cuidadosamente e derrubo-a logo ao 1º tiro. A "norma" a sua cadelita pointer branca e preta , que caçava pela 2ª vez, e que podemos ver acima na foto, já lhe ia no encalço e agarrou-a dentro do barranco pois para lá tinha caído.

O animal era lindo, castanho escuro, cor-de-mel, tipo raposa, como podem ver na foto acima.

Meti-a cuidadosamente dentro do bornal, coloquei-o de novo às costas e segui em frente, recarregando a P Beretta

Alguns minutos mais tarde, em voo de través, da esquerda para a direita, aparece-me uma perdiz larga, fugindo da linha. No voo, viu-me, virou-me imediatamente o peito, de asas abertas, dois tiros bem colocados e foi cair muito para lá do aramado que tinha no meu lado direito. O ZG pediu-me para não a cobrar, para deixar ir lá a cadela. Jáno local, lançou uma pedra para a zona onde a perdiz caiu e a cadelita, dando bons sinais da sua qualidade genética, deu-lhe rapidamente com o cheiro da pancada, agarrando-a com a boca.

A 4ª perdiz, essa, veio fugida já do entalanço entre as portas e os batedores. Passou-me, veloz, pelo meu lado esquerdo, entre mim e o ZG.

Desferi-lhe dois tiros e pendurou as pernas. Eu sabia que fosse onde fosse que aquela perdiz caísse, estaria ferida de morte. "Viste onde foi cair Zé? - perguntei. Foi cair lá para os lados da ribeira. Vamos lá buscá-la. Voltámos para trás e, quando chegados ao local, meia dúzia de voltas e ali estava a pointer a dar-lhe com o cheiro e a marrar a ave no chão. Curiosamente, ainda estava viva. Acabei-lhe com o sofrimento e pendurei-a de cabeça no cinto. Menção honrosa para esta cadelita, grande promessa e, se sair à mãe, pointer de 4 ou 5 anos do Ze S , cor café com leite, será seguramente uma grande auxiliar para o ZG.

Seriam aí por volta das 13h30 quando regressámos todos ao monte. Espingardas às costas, cães atrás, molhes de caça nas mãos, dirigimo-nos para as carrinhas, para o regresso. O céu estava naquela altura já aberto e, no final, o quadro de caça foi , uma vez mais, bem interessante.

Ao almoço, um manjar. Leitão assado no forno acompanhado com batata frita e salada e vinho verde tinto e verde branco gasoso.

Mais uma caçada às perdizes na Vendinha onde tudo decorreu de forma perfeita. Nem a chuva na primeira metade da manhã conseguiu estragar-nos o dia.

Tenho absoluta certeza que houve milhares de caçadores por esse País que, neste dia chuvoso, acabaram por ficar na cama, sem coragem suficiente para se meterem à estrada e à chuva.

Como diz o meu amigo ZS, "o dia faz-se é à porta do Patrão" e a chuva não impede os verdadeiros caçadores, aqueles que realmente se movem nos campos, por verdadeira paixão, e que, no fundo, não sabem sequer de onde lhes chega verdadeiramente o ânimo, o espírito de sacrifício e o empenho... que nos dá a coragem para "ir atrás delas".

No próximo fim de semana farei uma pausa.

Um abraço amigo.

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sábado, novembro 13, 2010

Uma de Coelhos ( e não só)
















ZCT Santa Iria - Serpa
Sábado 6 de Novembro 2010
Esta...tem estória mesmo.
Conto mais tarde.
Abraço amigo
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quinta-feira, novembro 04, 2010

Memorável Jornada de Caça às Perdizes
















31-10-2010
Data para não esquecer tão cedo.

Caçar bem não significa caçar muito.
Neste dia sucedeu precisamente o contrário. Caçámos bem e caçámos muito.

Na véspera tínhamos estado a caçar na Herdade da Lobata e o tempo não tinha ajudado a festa. Daí que, quando me levantei da cama, na Serpínia, a primeira coisa que fiz foi abrir as portadas da janela do quarto e espreitar lá para fora, para ver o tempo. Estava tudo estrelado. Perfeito! - pensei. Para uma manhã de caça à perdiz não podia estar melhor.

O Miguel ainda dormia profundamente, cansado do dia de caça anterior, pelo que resolvi deixá-lo continuar "no sono dos anjos".

Duche tomado e pequeno-almoço, água mineral, chá preto, 3 torradas com manteiga e doce de abóbora, uma maça verde e um iogurte natural, tudo rematado com um café forte bebido ali mesmo ao balcão da sala de pequeno-almoço. À entrada da sala de refeições, como habitualmente, deixo logo ali no chão a bagagem da caça e a espingarda escolhida para o dia pelo que, após deleitar-me tranquilamente com o pequeno almoço, foi só pegar na trouxa e meter tudo dentro da carrinha.

No Monte onde os caçadores se reúnem toma-se também o pequeno almoço mas, para mim, já de barriguinha cheia, limitei-me a beber mais uma xícara de café de cafeteira e pouco mais.

No sorteio, na fase de caça de espera fico com a porta 12 e na caçada de salto sai-me em sorte o nº 1, logo, ia fazer a ponta da linha de caçadores.

Transportados nas carrinhas da Associação de Caça, adaptadas para o efeito com bancos de madeira propositadamente feitos e bem assinaladas no que se refere ao que é Portas e ao que é Batedores ( caça de salto), a organização fica muito mais facilitada e agilizada.

A manhã estava linda e , tranquilamente, ocupei em silencio a minha Porta 12. Pela frente uma chapada de montado com sobreiros e pasto onde, no ano anterior, tinha visto as perdizes e lebres a entrarem generosamente àquelas portas. Daí o natural entusiasmo quando me recordei onde estava.

Mas como as caçadas, por mais que o desejemos, nunca são iguais, desta vez a coisa não correu assim tão bem. Ainda assim, deu para "colocar" 2 perdizes no chão, com 2 bonitos tiros com o Rotweill 36 gr ch6 ( que satisfação de cartucho).

Passado à fase da caçada de salto, esta para mim foi absolutamente memorável.

"Atacámos" uma extensa parte da Herdade. A paisagem era de montado com pouco relevo, com sobreiros, lavradas, e pastos.

Como missão tinha de fazer a ponta esquerda da linha e era fácil: - caçar sempre à distancia legal da estrada alcatroada, não havia que enganar.

Não demorou a ver as primeiras perdizes. Levantei e "atirei" um bando de 7 ou 8 , em voo largo, para a frente da linha de caçadores. Como não ouvi tiros, deduzi que foram pousar largas , mas seguramente à frente da linha.

Alguns minutos mais tarde, novo bando de mais ou menos 1/2 dúzia delas fugiu no mesmo sentido. Continuei a não ouvir tiros pelo que a conclusão a que cheguei foi exactamente a mesma. Pousaram muito à frente da linha mas "sem dar tiro" a ninguém.

Ao descer um barranco lavrado , "brrrrrrr" , levantou-se um macho, com aquele característico e terrível barulho de asas, que nos deixa invariavelmente especados de início mas que nos leva, naquela fracção de segundos, a reagir, encarar a semi-automática, disparar e, neste caso, vê-la cair para lá da pequena linha de água que tinha pela frente, do lado de lá do barranco. Ficou na lavrada a bater ainda as asas no chão pelo que o sítio da pancada era fácil.

Pendurado no cinto, cheguei-me um pouco para a direita para alinhar com o B. que vinha ao meu lado. As perdizes já começavam a "arrepiar" para trás e passavam-lhe ao lado mas por cima do Zé S. . Grito de aviso, levantou a de sobrepostos a 90 graus e despegou uma lá do alto, com um belo tiro. Daqueles de..."encher o olho" - como costuma dizer-se.

Encostei-me de novo à distancia regulamentar da estrada.

Desta feita calhou-me a mim. A uns 30 metros de altura passa-me uma para trás ,de voo planado. Um bom encare da nova automática , alguma calma e, sendo um tiro com elevado grau de dificuldade acabou por ficar muito bem colocado. A perdiz morreu, de certeza, logo lá nos 30 metros de altura pois caiu completamente redonda, feita numa bola de penas, com um enorme baque no chão.

Pendurei-a no cinto e continuei caminho para não perder a ponta da linha, sempre tão importante.

Do B. veio em corrida desenfreada uma lebre que procurava furtar-se ao exército. Passou-me de través, aí a uns 20-25 metros, no pasto. Tiro fácil e "estendi-a" de imediato não sem antes dar 2 cambalhotas tal a velocidade a que vinha.

Estes alguns dos melhores lances, aqueles que nos dão de facto grande satisfação e que nos ficam na memória, quando no exercício de um dia de caça.

Até ao final da manhã, no total conseguiu-se um bonito e colorido quadro de caça , com muita perdiz, lebres e coelhos e penso que deu para todos se divertirem e tirarem o máximo proveito e gozo daquelas terras tão ricas em fauna.

O almoço, onde reinou sempre a boa disposição à mesa, foi composto por um belo guizado de javali. Porque é que os almoços, nos dias de caça, sabem sempre tão bem ?

Para a semana temos uma de coelhos na ZCT Sta Iria , mais conhecida pelos Peixotos.

Abraço amigo
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quarta-feira, novembro 03, 2010

Herdade da Lobata
















Por especial convite do meu amigo Zé S. foi-me dada a oportunidade de ir fazer uma caçada aos coelhos à ZCT da Lobata, em Serpa.

Estamos a falar de sábado 30 de Outubro, dia em que se previa queda de chuvas torrenciais praticamente por todo o País.

Depois de acordar bem cedinho, na Serpínia, o Zé por lá passou e, depois de tomado o pequeno almoço, deu-nos uma boleia, a mim e ao mais novo, a acompanhar uma vez mais o Pai.

Decidi levar a A400, arma talvez pouco apropriada para este tipo de caçadas mas que quis testar neste ambiente pois nunca o tinha feito.

A caçada era de salto e batida e, chegados à Herdade, já outros veículos de caçadores e matilhas estavam no local, sendo o ambiente que se vivia, de boa disposição e camaradagem.

O tempo, muito ameaçador, com nuvens carregadas e baixas, coloridas de tons cinzento escuro, indiciando chuva constante, fazia-nos prever o pior para a caçada que se pretendia desenrolar.

Mas o nosso amigo S. Pedro ( ou Sto Huberto?) resolveu "dar uma mãozinha" e lá nos ofereceu uma manhã de caça só com cerca de 5 ou 10 minutos de chuva miúdinha.

Para cartuchos, como não gosto de cartuchos dispersores, levei no bolso uma caixa de MB light, 28 gr com chumbo 7,5 da B&Pellagri. Gosto muito deste cartucho, quer para os pratos, quer para os tordos, quer para este tipo de caça. Tanto dá para um tiro de mais perto como "segura" um "orelhudo" um pouco mais longe, aí para uns 25/30 metros.

Colocados os 2 na porta, cedo me apercebi de movimentos no meio do mato, face aos gritos de incitamento dos matilheiros que, de longe, se iam aproximando com as suas matilhas. "Fora com ele" , "agarra-o" , "vai, vai, vai, vai " , são alguns dos gritos usados para incitar os cães podengos e de raças indefinidas, tão bons e tão de características portuguesas, nesta arte.

Confesso que, nestas andanças dos coelhos, nunca fui grande fã de ver aquelas matilhas todas de uma só raça, geralmente podengos todos iguais e muito aprumados, cheios de consanguinidade. Gosto, isso sim, ainda da caça tal qual ainda se pratica em Portugal, com cães de todas as raças, de pequeno e médio porte. Há verdadeiros heróis dentro destas matilhas, cães sem raça que, no entanto, para aquilo, são autênticas máquinas de caçar, levantar e desalojar coelhos, cujos donos não os vendem por nenhum preço tal a sua valia.

Depois de derrubados o primeiro par de coelhos e outras duas lebres, resolvemos ir caçar lebres dentro de um extenso olival, cuja foto coloquei de propósito na colagem acima, onde se vêm 3 caçadores com alguns cães e, nas traseiras, o dito extenso olival, apetrechado com mangueiras de rega gota a gota.

As regras eram muito simples: - tiros para dentro do olival, para não estragar as mangueiras, não era permitido, só quando as lebres saíssem para fora do mesmo, o que equivalia a dizer que, ou eram abatidas no caminho que ladeava o olival ou podíamos dizer adeus às ditas cujas pois, para lá da estrada, a orografia do terreno era de tal ordem que não chegavam praticamente sequer "a dar tiro".

Enquanto os matilheiros calcorreavam o olival o festival de lebres que de lá se levantou foi espectáculo que só visto. Como não podíamos atirar para dentro da plantação, elas ( as lebres ) parece que o sabiam e vinham passar a correr... praticamente "nas nossas barbas".

O meu parceiro do lado devia ser cego e surdo pois ao lado dele, praticamente a uns 5 ou 10 metros, pararam 3 lebres no caminho e, só quando se apercebiam que ele por ali estava, é que arrancavam, desaparecendo rapidamente da vista. Ainda lhe assobiava a ver se ele se dava conta delas, mas provavelmente o dito Sr terá de fazer um teste de audição, pois nem assim.

Na 3ª porta, mato cerrado, algumas covas pela frente e muita dificuldade, mesmo muita dificuldade em abater ali um coelho, pois o terreno praticamente não se via devido ao mato denso que tudo cobria. Ainda assim, houve um que não quis ficar por aquelas covas e acabou por ficar mas foi estendido para lá de um aramado que ainda conseguiu passar.

A caçada não demorou muito mas foi MUITO divertida. Foi assim como que... "3 ganchos aos javalis, perdão, aos coelhos".

Como tudo nestas coisas, o almoço serve para as pessoas conviverem e conhecerem-se melhor e como tal, fomos todos para Serpa, para o Restaurante "Arrozinho de Feijão". Uns filetes de pescada bem fritos com uma tigela quente de arroz de feijão, e um tinto encorpado para beber, serviu para recuperar as calorias perdidas na manhã, colocar um bom sorriso e acompanhar as conversas animadas da mesa.

Despedidas feitas, fomos deixar os cães ao Monte do Zé S. , démos de comer a todos os animais, apanhámos 2 galos caseiros para matar no dia seguinte e fazer uma cabidela e fomo-nos embora debaixo de uma chuva de autentico diluvio que, rapidamente, ia ensopando as terras vermelhas de Serpa e que os Agricultores seguramente abençoavam.

Neste dia o Zé G e a R vinham a caminho de Lisboa pois no dia 31 tínhamos uma festa de anos, mas antes da celebração, uma grande caçada às perdizes. Assim o tempo nos permitisse.

À noite no "Pedra de Sal", comi umas plumas acompanhadas com tomatada, que dificilmente esquecerei, tão boas estavam.

Nessa noite adormeci rápida e serenamente, a rever ainda o tal coelho que, em corrida desenfreada, fugindo dos cães, veio passar por mim e que por ali ficou...

Abraço amigo

Amanhã há Perdizes.

Nunca tinha visto













Sem nenhum registo em especial, o dia 24 de Outubro foi passado em boa companhia, numa caçada aos coelhos e lebres que teimaram em não aparecer como desejaríamos.

Um bom dia para a caça. Engraçado o exemplar abatido e que coloquei no medley de fotografias.

Tinha uns dentes de baixo que lhe chegavam ao nariz...! - nunca tinha visto tal coisa

Abraço

segunda-feira, outubro 18, 2010

A 1ª Caçada às Perdizes













Em Serpa, claro ! -como não podia deixar de ser.

Quinze dias antes não tinha conseguido fazer a minha tão almejada abertura às perdizes pelas razões que apontei na história anterior.

Agora, a ansiedade, como é natural, estava mais do que exponenciada.

Sábado a seguir ao almoço saímos ( "com o mais novo" ) e fizémo-nos à estrada direitinhos à A2, com desvio para Beja pouco depois da área de serviço de Grândola.

Em Santa Margarida do Sado, depois de vermos as obras da nova ponte, parámos para esticar as pernas e para o "condutor " beber um cafézinho. No local, grande azáfama, como de costume, diversos veículos com reboques repletos de cães de caça de todos os géneros e feitios ali estavam estacionados enquanto os caçadores, dentro dos Cafés, refrescavam as gargantas, pois a tarde estendia-se bastante quente.

Parámos por ali a observar uns podengos absolutamente lindos que estavam dentro de um dos ditos reboques quando, de repente, olho para a direita e vejo na estrada o Zé G e a R. a chegarem de carro. Não tínhamos nada combinado pelo que a satisfação do encontro, claro, foi grande. Parece que tínhamos combinado mas não, era pura coincidência. Sabíamos, isso sim, que ambos estávamos no caminho para Serpa e para Vila Nova de São Bento para caçarmos juntos no domingo, mas encontrarmo-nos ali não estava previsto.

Seguimos viagem e perto de Beringel, prenúncio de sorte, saltam-me do lado direito da estrada 4 perdizes que, com um possante voo arqueado, atravessaram a via por cima dos carros e passaram para o lado oposto da estrada,planando, de asas abertas, para irem pousar dentro dos restolhos. Bom sinal - pensei, pois nestas coisas sou sempre supersticioso. Amanhã até vêm ter comigo...!

Chegados a Serpa, fomos sem demora para a "nossa" Residencial Serpínia, ali, logo à entrada da cidade, e ainda consegui assistir, no terraço do quarto, em perfeito relaxe espiritual, ao espectáculo de cor do pôr do sol, que deixa-me sempre completamente extasiado .

Nessa noite fomos jantar a Pias, com o Zé G. e a R. , ao Restaurante O Adro - recomendo vivamente - do melhor que há na zona. À refeição, serviram-nos uns deliciosos secretos, retalhados em pequenos golpes, para lhe retirar toda a gordura à medida que vão sendo grelhados. O Zé, esse, encheu-se de coragem e, embora não fosse muito recomendável àquela hora da noite, comeu uma gravanzada, típico prato alentejano. O vinho, claro, de Pias, tinto. As sobremesas, de chorar e berrar por mais - uma deliciosa tarte de coco e um bolo encharcado.
O mais novo, claro, deliciou-se com um corneto de morango que é aquilo que ele mais gosta. Depois dos cafés, as despedidas e, enquanto o Zé seguiu para V N S Bento, eu e o Miguel, debaixo de um céu estrondosamente estrelado, fomos para Serpa, dormir o sono dos justos.

Desta vez sim, a noite foi muito bem dormida e às 06h00 da manhã estava já a pé, a tomar um belo dum duche quente. Quando saí da casa de banho já o Miguel estava dentro do quarto todo equipado com a roupa de caça . Se fosse lá em casa demoraria pelo menos 1/2 hora para se vestir. Aqui...nem lhe preciso dizer nada.

Depois de um opíparo pequeno almoço na residencial, fomos para o Monte do P, na Vendinha, ponto de encontro dos caçadores, nesse dia 17 de Outubro. O nevoeiro, cerrado, fazia antever algumas dificuldades iniciais, mas sabíamos que rapidamente desapareceria com os primeiros raios de sol. E o tempo, também o sabíamos, ia estar completamente solarengo e quente.

Calhou-me "em sorte" uma porta logo no início da caçada e, de seguida, iria fazer metade da jornada a caçar de salto.

Já na Porta ( a 4) , desembainhei a minha Benelli e carreguei-a com 3 cartuchos Rotweill, 36 gr, ch 6.

Alguns minutos depois já se ouviam os tiros e os gritos da linha de caça que, ao longe, vinha caçando direito a nós.

Um bando de 4 passam-me rápidas, por cima, golpe de rins e ao primeiro disparo derrubo a 1ª perdiz da temporada. Ui, que sensação fantástica. O Miguel vai a correr e cobra-me a perdiz. no tombo. Fêmea nova, de criação deste ano. Que pena - pensei - a minha paixão são os perdigões velhos.

Alguns minutos mais tarde "entra" outro bando de cerca de 7, de asas abertas, voam encosta abaixo direitas ao Ti Manel. Ainda assobio mas ele não não conseguiu ver ou ouvir. Acontece. Ganharam o dia e foram-se todas embora

Acabada a fase da porta, o Miguel ajuda um companheiro e , satisfeito, leva na mão, pela estrada abaixo, até às carrinhas, uma lebre morta "à porta".

Já em cima das carrinhas de caça, dirigimo-nos para outra zona da reserva. Aí iríamos caçar de salto. Era o que eu mais queria. Infelizmente acabámos por ir caçar para uma zona de matos cerrados, com tojo, giestas e pinheiros, pouco agradável de andar ( o Miguel que o diga). As perdizes , essas, iam escapando à nossa frente, em voos largos, sem darem tiro. Uma lebre salta no pasto, à frente dos pés do Miguel "Pai olha, olha!! - encaro a Benelli , deixei-a esticar-se aí uns 15 ou 20 metros e, tiro fácil, cambalhota e estendida no pasto. O Miguel, radiante, pega na lebre e prontifica-se logo para a levar.

Algumas centenas de metros mais à frente, já as perdizes começavam a "espirrar" para trás, com longos voos para terrenos que elas conhecem melhor. É aí a oportunidade única. que temos de lhes causar algumas baixas. Com 2 tiros "despego" uma lá do alto, pendura as duas patas e segue. Baixo-me, sigo-a com o olhar mas já não consegui ver onde caíu. Perdiz com as patas penduradas, onde cai, morre. Eu sabia. Por isso, enchi-me de coragem e com o suor a escorrer-me copiosamente pelo rosto e a empapar-me a camisa fomos procurá-la. O Luís, à minha esquerda, dizia-me: " Vieira, olhe que via-a cair aí no meio dos pinheiros, espere aí que dou-lhe aí uma ajuda". A cadelita dele, uma bela perdigueira castanha escura, pouco precisou de procurar. Um ou dois minutos após, aparece com a perdiz na boca. Macho grande com esporão saliente, belo exemplar. "Obrigado Luís" - agradeci.

À frente, novo lance. Perdiz fugida da linha, passa-me por cima da esquerda para a direita, disparo a cerca de 20 metros de altura e cai redonda, "sem espinhas"-como se costuma dizer. O Miguel corre barranco acima e vai apanhá-la.

Ainda outro lance. Lebre fugida da linha, com 2 tiros falhados do Luís, passa por trás de mim a uns 40 metros. Benelli a funcionar, um disparo e a lebre dá um salto ficando estendida no mato. O Miguel corre. A lebre, macho grande, esperneia forte e vejo que o Miguel está com dificuldades para a segurar. Poiso a espingarda, corro, pego-lhe pelas patas de trás e ensino-lhe. "Miguel, na caça, aos animais devemos evitar que sofram desnecessariamente. O bom caçador, após a captura, termina imediatamente com o sofrimento de um animal que esteja ferido. "Vou explicar-te como se faz. Com um golpe fatal , com a mão em cutelo, por trás das orelhas , a lebre morre de imediato. "Vês, assim não sofre Miguel, podes levá-la".

Naqueles cerros desfrutei muito ainda e pude assistir à fuga de diversos bandos que por ali estavam encurralados. Talvez perto de 30 ou 40 perdizes conseguiram a fuga. Abatidas, pouco mais de meia dúzia, se tanto.

Regressados ao Monte, tirei ainda uma última foto com a caça pendurada e, de seguida, separou-se a caça em montes e procedeu-se à distribuição por todos os caçadores.

Da minha parte, abatidas, pendurei 2 lebres e 3 perdizes.

Depois, fomos todos almoçar.

O almoço, esse, uma iguaria meus caros. Achigâs grelhados, de bom tamanho, pescados na véspera, em Espanha, algures nos açudes, pelo presidente da associação, Zé T.

Logo de manhã , na cozinha do Monte, tinham sido estripados e temperados com sal. Para os comer, foi servido com um molho especial feito com ( francamente não sei o quê) mas com ervas e especiarias. Do outro mundo!

Depois do almoço, fui espreitar o Miguel. Estava a brincar com os cães. Fez um amigo, o João , filho do B. e, por isso, também para eles miúdos, o divertimento é grande e intenso. Fui dar com eles dentro da caixa aberta de uma carrinha, um a jogar psp e o outro a dar tiros com uma pistola de ar, de brincar. Os cães do Luís, cansados, claro, não lhes ligavam patavina, dormindo profundamente.

Estripadas as lebres e os coelhos que levámos, já na esplanada do café do Luís da Vendinha, ainda esperámos pelo Zé S. e pelo G. que tinham ido para Mértola, às perdizes.

Saí às 17h30 e cheguei às 20h15 a S João do Estoril. No caminho, o Miguel, dormiu profundamente ao meu lado, todo o caminho.

Às 09h30 eu e o Miguel já dormíamos profundamente nas nossas camas. Segunda-feira era dia de trabalho para mim, dia de escola para ele.

Que belo fim-de-semana!. Que belo dia de caça !

Abraço amigo.
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domingo, outubro 03, 2010

Aquele almoço de sábado ...

No fim de semana anterior todo o material e equipamento das lides da caça encontrava-se já religiosa e escrupulosamente guardado na garagem, preparado para a grande Abertura Geral , que se realizaria no fim de semana seguinte. Como todos nós caçadores sabemos, este é, sem excepção, o dia mais esperado e desejado pelos caçadores ao longo do ano, sobretudo enquanto atravessamos o "deserto" do defeso.

Nos dias que antecedem este acontecimento anual, a ansiedade é bastante grande e vai mesmo aumentando à medida que o famigerado dia se aproxima. Nestas noites, já nos vamos deitando a sonhar com perdizes a saltar de dentro das giestas , a derrubar lebres que nos saltam sem esperarmos, aos pés, quando atravessamos os pastos ainda acastanhados pelo sol do verão.

Este ano, neste fim de semana , resolvi combinar uma de pesca e de caça. A meteorologia apontava claramente para um dia de sol no sábado ( neste dia iríamos pescar um pouco tentando um ou dois achigãs ) e para um domingo chuvoso por todo o país, incluindo o concelho de Serpa, claro.

Saí no sábado de manhã, pelas 09h30, com o mais novo ( sempre pronto para acompanhar o Pai, onde já sabe que, nestes fins de semana, esperam-no as mais diversas peripécias no campo, que , na cidade, não consegue ter ao seu alcance).

Já pelo meio-dia, combinámos almoçar primeiro e, a seguir, iríamos, então, tentar as margens do alqueva , lá para os lados de Mourão.

Parámos, por isso, em Reguengos de Monsaraz e entrámos num restaurante que desconhecíamos, onde, no exterior, se grelhavam frangos na brasa. - é já aqui Miguel ! - disse, inspirado pelo magnífico cheirinho da carne de frango a grelhar. Para o Miguel serviram uns bifinhos com cogumelos que é o que ele mais aprecia. Um bom piri-piri e uma cerveja gelada deixaram-me, no final, radiante da vida.

Após o almoço ala que se faz tarde, seguimos para as margens do grande lago. Ali, montámos as canas do achigã, estivemos cerca de 1 hora a fazer lançamentos com amostras de todas as formas, feitios e cores, mas os peixes, esses, parece que andam com a barriguinha cheia, não lhes pegam de forma nenhuma. Vêm dos pequeninos, à dúzia, atrás das amostras mas só isso e pouco mais.

"Vamos para Serpa, para o Monte do Zé S. ?" - perguntei-lhe. A resposta, claro, não se fez esperar: " VAMOS!!!

Arrumadas as canas na carrinha, parámos em Safara e na bomba da gasolina à entrada comprei 2 gararfas de litro e meio de água geladinha, pois fazia bastante calor. Saciada a sede seguimos caminho.

Antes de Serpa, parámos no Monte das Oliveiras onde fui comprar 2 queijos da região - um curado e outro de meia cura. Quando os amigos confrades quiserem comprar queijo de Serpa, comprem-no aqui, pois é garantia de alta qualidade.Fica ali, entre Vila Nova de S Bento e Serpa, bem assinalado, no lado direito da estrada. Nesta Herdade, o Miguel entreteve-se a fotografar um par de coelhos à entrada das tocas e um bando de 8 perdizes que comiam tranquilamente ao final da tarde, encostadas a uma cerca, mal imaginando o que estava para suceder no dia seguinte.

Quando chegámos ao Monte o Zé apareceu poucos minutos depois e, claro, com o seu filho mais novo, começou logo a brincadeira. Primeiro brincaram com os cachorros, depois com as galinhas - debaixo do telheiro, de cócoras, procuraram pelos ovos caseiros- e, de seguida, foram ver os cavalos ( o Baunilha) e o pónei ( Lino). Demos o comer aos cães de coelhos e aos perdigueiros e , fazendo-se já tarde, fomos embora para Serpa, não sem antes combinarmos o encontro para o jantar, no restaurante " A Piscina" , às 20h30.

Em Serpa, na Residencial, tomámos um duche bem quente e, depois de mudarmos de roupa , fomos jantar . Antes disso, já ia sentido um enjoo persistente, com o sabor do frango do almoço a subir-me constantemente à boca, num gosto e travo amargos. Para a refeição, escolhi um bife da vazia, grelhado, bem passado, que, apesar do excelente aspecto que tinha, já só consegui engolir um pequeno naco... o resto foi para dentro, para a cozinha.

Escusado será dizer que durante a noite não preguei olho, com vómitos quase constantes, dores no corpo e , embora não a tenha medido, sentia mesmo uma ponta de febre. Às 04h30 da manhã tomei a decisão: não estava de todo em condições de ir à caça. Levantei-me, fui à recepção e disse à D Teresa para não me despertar à hora combinada. Quando entrei de novo no quarto o Miguel estava já sentado na cama, acordado, e tive de lhe dizer que não conseguia ir à caça. "Eu não acredito nisto" - dizia-me, profundamente desiludido.

Mas mais desiludido que eu não estava de certeza, pois afinal tinha esperado todo o ano por aquele dia.

Enviei os sms necessários aos meus amigos e companheiros de caça naquele dia, que ainda insistiram para eu ir, que me passava depois a má disposição, que podia ir para uma porta etc. Mas só quem se sente como eu sentia é que poderia saber que não conseguiria ter equilíbrio físico e mental para conseguir aguentar uma manhã de caça naquele estado.

A partir das 6h30 consegui, finalmente, adormecer um pouco, atè às 09 da manhã.

Às 09h30 estávamos a tomar o pequeno almoço -eu limitei-me a um chá, uma maçã e uma bolacha integral. O Miguel, claro, para meu grande prazer e regalo, comeu lindamente.

Arrumámos a bagagem na carrinha e saímos de Serpa pelas 10h30 direitos a Lisboa.

Nas planícies que atravessávamos os caçadores e seus perdigueiros batiam as grandes extensões de restolhos, com perdizes e lebres penduradas. O céu carregado de nuvens baixas e o vento, esse, soprava forte e ameaçador, de sul, fazendo antever o grande temporal que chegaria da parte da tarde.

Na zona de caça onde o Zé G e o Zé S caçavam naquela altura, iam dando bem conta delas. Ao final da manhã, apesar da zona escolhida não ser das melhores da herdade, salvo erro, o Zé S tinha no bornal 4 perdizes e 2 lebres e o Zé G. 2 de cada espécie.

Abertura para não recordar mais tarde. Do frango, esse, de certeza que não me esquecerei.

Abraço amigo