quinta-feira, novembro 13, 2014

Coutada de São Miguel



A meio da caçada, numa pausa.
A distribuição das peças
Já na despedida, após o almoço





08-11-2014

São Miguel dos Pinheiros - Mértola

Bem no coração do Concelho de Mértola, disfrutámos de uma bela caçada às perdizes, lebres e coelhos.

A manhã tornou-se bonita, os cães  trabalharam muito bem.

Terrenos ásperos, com projectos de pinheiros e sobreiros, terras de xisto e pedra solta, pastos finos e densos, albergam belas perdizes selvagens que por ali criaram este ano.

A população de coelhos também aumentou, para gáudio e satisfação do Gestor, embora esteja imposto um limite estabelecido de capturas por caçador.

Recordo um coelho levantado e corrido pelo "Sado" que, na sua fuga para o barranco, passou-me ao alcance de tiro. Um tiro certeiro obrigou-o a uma cambalhota, ficando inerte,  já perto das tocas que por ali existem.

Experimentei os novos B&P - Nike - Ch6 com 34 gramas. Apreciei os resultados. Para distancias até aos 40-45 metros estarão talvez no topo da eficácia. A comprovar noutra caçada às vermelhudas.

Ao almoço, uma óptima cabidela de galinha com um tinto robusto, com rótulo da Herdade.

Gente simpática, acolhedora.

Para revisitar. É que fugiu muita perdiz daqueles caçadores...!

Abraço amigo


domingo, novembro 02, 2014

As bravias perdizes de Ourique





















02-11-2014

Uma jornada de caça muito difícil de esquecer.

Difícil de esquecer porque razão?

Porque correu tudo na perfeição.

Começámos a caçar, sem pressas , às horas que escolhemos.

Defenimos, logo no início, em pé,  ainda encostados ao balcão do café de Ourique, em cima de um guardanapo, uma estratégia de ataque aos bandos, face à configuração da Herdade e aos poucos recursos que dispunhamos.
3 espingardas, a Inka e uma espingarda de porta do Tio H.

A estratégia é de sucesso.Retirar as perdizes do montado e dos arrifes no meio das semeadas, tentar 1 ou 2 abates e dispersar as perdizes para os pastos altos.

As querenças de fuga já as vamos adivinhando.

Muitas escapam-se para fora do couto.

O Tio H. hoje, por meia-hora, 45 minutos resolveu ir dar uma volta de salto, devagarinho.
Fugiu-lhe uma lebre aos pés. Deixou-a ir com 3 tiros atrás. Acontece aos melhores, certo?


O G. fazia a extrema. Atirou-me literalmente um bando cá para baixo, de asas abertas. Mão corrida e perdiz derrubada, "sem espinhas". As outras passaram por cima do O.que não lhes perdoou. Tiro e queda como soi dizer-se.

A Inka teima em dar-me caça. Atirei, mais tarde,  a uma outra perdiz que caiu de asa e desata a correr para a ribeira. Desta vez, a cadela fez um trabalho de mestre. Nariz  no chão, por vezes no ar, vento de feição, cobra-me uma perdiz seguramente a uns 100 metros de distância só com trabalho de nariz.
A minha alma rejubilou quando a vejo sair, altiva, de dentro dos juncos da ribeira, cabeça ao alto com a perdiz viva na boca.

Mais tarde , dentro da ribeira, num andamento vivo, super-rápido, nariz no chão e coelho a escapulir-se com 2 tiros atrás.
Das abatidas, no final da manhã, um ou dois perdigões reais.

Manhã perfeita.

Ao almoço uns lombinhos de porco preto e uma açorda à alentejana na D Amália em Aldeia de Palheiros, tudo acompanhado com um encorpado " .com" que nos aqueceu a alma para o regresso.

Obrigado companheiros, pela excelente companhia e empenho em cobrar meia dúzia de "patirojas", como dizem ali ao lado os nuestros hermanos.

No meio disto tudo notou-se 1 ausencia. O excelente coonpanheiro de caça e amigo P.

Combinamos agora, voltar a Ourique, desta feita numa caçada com mais espingardas e mais cães.

Há por lá ainda muita perdiz e lebre que tem de ser "entalada".

Abraço amigo.






segunda-feira, outubro 27, 2014

Moinhos de Vento - Mértola






















A nossa visita anual às "Perdizes do Fernando".

Muita adrenalina, tiros, ladras atrás das lebres e coelhos, cobros bonitos e tiros ainda mais bonitos.

Camaradagem excelente.

Desta vez o Paulo juntou-se a nós e o "sado", na foto,  já refeito da intervenção a que foi submetido,  aparece "como novo".

Bela manhã de caça, com excelentes terrenos de pastos, cabeços com arrifes de giestas.

Abraço amigo.


De novo às perdizes em Ourique

Reinou a boa disposição.

















Bela jornada de caça em Ourique.
Manhã divertida, com boa safra.
Brisa forte, terrenos húmidos, adequados para caçar com cães de parar.
8 perdizes, 1 lebre, 3 espingardas.
Muitos tiros
Abraço amigo

domingo, outubro 19, 2014

Caça de salto em Ourique

DIA 1 - 3 perdizes, 2 lebres, 1 codorniz.


DIA 2 - 2 perdizes, 5 lebres, 1 pato.




























2 caçadores, um cão, dois dias.

Dia 1
Como facilmente se pode reparar,  a foto primeira foi tirada já com a luz do dia a sumir no horizonte, logo, ficou um pouco mais escurecida, dado que não quisémos usar de efeitos que alterassem a sua originalidade. Seriam por aí quase umas 19 horas quando a máquina foi usada.

Este dia nasceu claro, frio para a época e rapidamente se foi tornando cinzento, soprando com uma brisa mais ou menos gelada vinda do lado este.

Começámos na ribeira que ladeia o monte para tentar ver se encontravámos algumas peças naquelas pastagens .

Cedo abandonámos a ideia e, depois de passar algumas cercas de arame farpado, virámos de forma a termos o vento de frente e fomos para o lado dos terrenos de pasto, junto à ribeira da aguentinha, que atravessa a herdade de uma ponta à outra.

O "sado" -companheiro  de 4 patas do Paulo,  continua em período de convalescença,  pelo que sabíamos que a jornada ia ser difícil, 2 espingardas, 1 cadela e um punhado de perdizes selvagens e lebres para encontrar e tentar algumas capturas, de todo nunca seria tarefa fácil.

Procurávamos as lebres quando, por trás de um cabeço, foge-nos um bando de umas 7 ou 8 perdizes.

Uma vira inesperadamente para a direita e "dá orelha" ao Paulo que lhe desferiu 2 tiros. Escapou impune, para outros terrenos. Como nos competia fazer, tentámos ir atrás das outras. Dobrámos novo cabeço e vimo-las, muito à frente,  a entrarem na ZCA que limita o couto.

O Paulo toma a liderança do percurso e encosta-se a bater do lado da extrema. Alguma caça que por ali se encontrasse seria empurrada para o centro do couto.

A dada altura a Inka gira à volta de um rasto e pára. Aproximo-me pela direita, arma preparada nas mãos, encosto-me um pouco mais e... salta uma codorniz. Bom, não se pode deixar fugir, sobretudo depois daquele trabalho da cachorra. Um tiro, cai redonda e a cadela cobra-a, sem reparos.

A uns 100 metros, grande trabalho da Inka. Curiosamente, o vento estava a virar a sul e, de frente, a cadelita estanca, pára, cabeça no ar, faz uma guia de uns 5/10 metros e estanca de novo. Cabeça no ar, a aspirar os ventos. Nova guia de mais 5/10 metros e nova paragem. A perdiz saltou sim, mas saltou lá do fundo da ribeira, a uns 80 ou 90 metros. Sem hipótese. Nem encarei a arma. Com uma festa e algumas palavras de alento, encorajei a cadelita. Grande trabalho mesmo, dos melhores  que lhe tenho visto, tendo em conta trabalhar aquela perdiz àquela distância.

Algumas centenas de metros depois, nova viragem à direita, ao vento, cabeça no ar e uma guia rápida. Tento acompanhar e salta uma perdiz por trás do cabeço. Um tiro de chumbo 6 e a perdiz tomba. Tomba mas mal tombada. Quando reparou que o Paulo vinha pela minha direita, arranca de novo para a esquerda, ferida,  mas com fortes ganas de escapar. Obriga-me a novo tiro, da direita para a esquerda, a uns 40 metros,  e cai redonda. A Inka vai ao cobro, a perdiz ainda teve força para dar um pequeno salto mas a cadela, rápida prende-a com a boca ainda no ar.

Algum tempo depois outra paragem da Inka nos pastos. Deu tempo para tudo. Aproximei-me e a lebre salta, veloz. Passou a linha de água e, já do outro lado, seguro-a com um tiro. A Inka vai ao cobro e faz o cobro, radiante.

A subir mais umas dezenas de metros e 2 perdizes são surpreendidas por mim. O Paulo pela direita. Corro a mão da esquerda para a direita e carrego no gatilho. Certeiro. Cai com estrondo e continua a saltar sem sair do mesmo local. - Está segura, ferida de morte - pensei. Deixei a Inka trabalhar e trazer-me a perdiz à mão.

Abordámos um açude mas não acreditámos que àquela hora tivesse lá patos. Foi o nosso erro. Estavam 7 ou 8. Levantam e o Paulo consegue ainda um tiro e eu outro. Cai um pato, abatido pelo paulo, fora do açude. Os outros escapam todos. No cobro, o pato foge novamente para dentro de água e a Inka foi ao cobro. Pato ferido e a mergulhar constantemente fora do alcance. Foi uma festa até a Inka o conseguir apanhar.

O almoço, em Ourique passou por uma deliciosa carne de porco à portuguesa com umas cervejas bem geladinhas. O calor era forte, na ordem dos 30 graus.

Ainda passámos pelas brasas no Romba e, à tardinha, fomos dar a volta pelo lado contrário do couto.

Sabíamos que íamos encontrar as perdizes naquela zona. Mal começamos, enxoto um bando dumas 10 para fora do couto. 

Mais à frente na ribeira, não esperando nada daquilo, arranca um javardo, enorme, que por ali estava deitado numa charca de água toda lamaçenta. Corro e ainda desfiro 2 tiros de ch 6. Pelos menos cócegas devo ter-lhe feito. Fugiu que nem um doido pelo montado acima.

Adiante, as perdizes iam brincando connosco. Mas eu sabia que tínhamos chance de abater uma ou duas. O Paulo derruba uma.

Do monte do Biló salta outro bando. Eu, pelo lado esquerdo, atiro a uma que vai cair a uns 70 metros, em plena estrada de terra. Embateu no chão, tal qual uma bola, saltou com o impacto e desata a correr a patas para a ribeira. Foi a perda do dia. Se a Inka a tivesse visto, a perdiz não teria hipótese. Mas não viu. Tive de a chamar depois e já não conseguiu nada dela. Evaporou-se.

O sol encobria-se rapidamente  no horizonte, o calor continuava, o cansaço invadia-nos as pernas e a roupa colava-se, irritante,  ao corpo. No topo de um cabeço, com um pequena brisa, a Inka vira-se de repente e estanca, absolutamente imóvel. Aproximo-me lentamente e tento ver o que ali estava escondido no pasto. Finalmente lá vi. Uma lebre. Foi para mim o lance do dia. Estava já a escurecer e provavelmente pensou que iria passar despercebida. Quase, quase que a consegui pisar com a bota. Mas não, arranca, potente, faço-lhe um tiro, continua em corrida, segundo tiro e dá uma cambalhota. A Inka agarrou-a de imediato.

À noite, nas ruas de Ourique continuava calor e, depois de um reconfortante duche, jantámos e cedo nos deitámos.

O dia havia sido longo e, pessoalmente, estava extenuado.

Aliás basta ver a cor da minha camisa na foto 1. A parte escura é suor.

Dormi toda a santa noite. O dia, esse, dediquei-o aos profetas da desgraça e aos velhos do restelo que quando vêm os outros fazer qualquer coisa onde não intervêem, logo despejam defeitos e desgraças sobre tudo e todos. Enfie a carapuça quem queira.

Dia 2
(continua)

segunda-feira, outubro 13, 2014

As perdizes de Mértola -Herdade de Santa Maria


Paisagem da Herdade. Obviamente nem tudo é assim.

Ensopado até aos ossos. O autor, num estado "deplorável".

Caça selvagem. Qualidade em vez de quantidade.

















































11-10-2014
Herdade de Santa Maria - Águas Santas
Mértola


Não fora o mau tempo que se fez sentir a meio da jornada e teria sido uma inesquecível manhã de caça.

Às 07h00 da madrugada chegava ao Hotel A Esteva , em Castro Verde, para me encontrar com o grupo com quem iria caçar.

Feitas as habituais apresentações, metemo-nos à estrada, em 4 carros,  e andámos cerca de meia hora, até chegarmos  à Herdade de Santa Maria, na estrada entre São João dos Caldeireiros e Almodôvar.

A premissa, ou promessa, como queiram,  era a de passar uma manhã de caça de salto à perdiz selvagem.

Como foi a primeira visita, reservei-me no direito de manter as minhas dúvidas, sobre este aspecto,  até verificar o seu comportamento.

No monte, montei a Pietro Bereta, recheei uma cartucheira com cartuchos de de 34 gramas de chumbo 6, guardei um impermeável no bolso traseiro do colete de caça e, calmamente, os caçadores começaram a desenrolar-se, em linha indiana, pela beira de uma ribeira.

O dono da Herdade faria a ponta esquerda da linha e eu caçaria, ao seu lado, com a minha Inka.

Pelo meu lado direito, mais 6 armas. Portas, não haveria.

Entrámos num projecto de pinheiros e de perdizes só ouvia era o barulho do bater das asas. Andei um bom bocado sem lhes conseguir pôr a vista em cima. A Inka ia-me dando sinais evidentes de que por ali teriam andado, mas só isso.

"Ó Sérgio, por cima de si" - gritou-me o dono da Herdade. Virei a cabeça para o ar e passou-me uma, por cima da copa dos pinheiros. A tiro,  mas nem 2 segundos seguidos a consegui ver, tal a rapidez com que se esgueirou. Mesmo assim, foi um tiro atrás, que bateu na copa do pinheiro e nada mais.

Os coelhos e as lebres( poucas) iam dando alguns sinais. Viam-se, a fugir, da frente da linha para outras paragens,  sem tiros. Comecei a gostar do que via. Para caçar selvagem, tem que haver dificuldade.

Minutos mais tarde, a Inka vira-se de repente para a esquerda e o coelho, sentindo-se descoberto, arrancou louco. Ficou estendido no caminho, com tiro certeiro,  e a cadela cobrou-o, com alegria.

O céu, ia ficando cada vez mais escuro e o vento de sul dobrava de intensidade. Vamos ter conversa com a chuva - pensava para com os meus botões. Entretanto, iam caindo uns pingos, nada que me obrigasse a vestir o impermeável. Mas quando começamos a vê-los a cair da aba do chapéu, já sabemos que vai haver molha e da forte.

Ainda dentro do projecto de pinheiros, arrancou-me, sem esperar, uma perdiz em linha recta, pela minha frente. Não podia deixar escapar a oportunidade. Encarei a arma e, ao 2º tiro, foi embater na rama dum pinheiro, caindo no solo. A Inka viu tudo e arrancou, cobrando a ave num ápice. Quando ma entregou, para a mão, observei-a bem. Não tinha penas soltas. Era selvagem, por ali tinha nascido. Se fosse de cativeiro a cadela ficava com a boca toda cheia de penas. Belo exemplar, sendo fêmea.
Guardei-a, com carinho, no bolso traseiro.

A segunda perdiz não a quero esquecer. Arrancou, já nos pastos, da esquerda para direita e em descida. 2 tiros desferidos e vejo-a seguir caminho. Persigo-a, desapontado,  com o olhar. A cerca de 250/300 metros de distância, quando pensava que já a tinha perdido, encastelou, começo a vê-la a subir na vertical, a bater as asas e a continuar a subir, a bater as asas e a subir,  como que procurando a salvação lá nas alturas. Mais ou menos a 30/40 metros de altura, deixou de as bater , morreu e caiu, a pique, embatendo estrondosamente no chão. Deixei a mochila no chão e fui lá buscá-la, em passo de corrida.

De regresso, volto a colocar a mochila às costas e, com chuva e suor misturados, a cair-me pela testa abaixo,  algumas centenas de metros adiante, arrancou-me outra, estridente, com um potente bater de asas. Encaro a espingarda, aponto com calma e consigo derrubá-la ao primeiro tiro. Caiu perto do Dono da Herdade que recuou algumas dezenas de metros para a apanhar e guardar. Quando me aproximei dele, pedi-lhe a perdiz para a ver. Era um macho, corpulento, lindo. Guardei-o.

A chuva já caía havia alguns minutos, a fustigar o rosto e os olhos.A violência da chuva era de tal ordem que não havia impermeável que me valesse. Até nas costas sentia a água a escorrer.

Um orelhudo arranca em corrida desenfreada, pela minha frente, numa zona de matos rasteiros de giestas e xistos.

Um tiro a uns 20 metros e deu uma cambalhota. Apanhei-o eu ( já só queria chegar ao monte) e guardei-o no bolso da caça - único sítio que, inexplicavelmente, ainda mantinha seco.

O Dono da herdade passou por mim no Jeep, já apinhado de caçadores e cães molhados, tudo à mistura e apanhou-me. A Inka já não cabia mesmo. Não faz mal, ela vem atrás de nós - avancei e disse.

"Inka anda" - gritava-lhe pelo vidro da janela. Pelo espelho ia confirmando que a cadela corria atrás do Jeep. Parecia mais um rato todo molhado a sacudir-se constantemente.

Chegados ao monte, fui buscar a minha carrinha, esfreguei vigorosamente e sequei rapidamente ( ainda debaixo de chuva ) a Inka e guardei-a dentro da caixa de transporte em cima da manta seca, onde estaria muito mais quentinha e seca.

Antes  de mudar de roupa ( sabe tão bem nestas alturas ) num quarto do Monte, ainda tive tempo para tirar uma foto, todo encharcado, mas muito, muito satisfeito com a manhã de caça.

8 espingardas abateram 23 perdizes, 12 coelhos e 3 lebres. Curiosa a relação coelho/lebre, não sei se foi casual mas - talvez por causa do mau tempo que se tem feito sentir no Alentejo - vimos mais coelhos do que lebres. E basta olhar para a foto para ver que não são daqueles coelhos janotas, todos limpinhos, que nem sabem para onde fugir.

O almoço, um guizado bem quente de borrego com batatas aqueceu-me a alma e finalizei com uma taça almoçadeira de arroz doce. Valha-me Deus que na caça tudo nos sabe tão bem.

A viagem de regresso foi a pensar nas fartas terras do Concelho de Mértola que, quer queiramos quer não, pelo menos para mim,  continua a ser a capital da caça sedentária, em Portugal.

Um abraço amigo.





segunda-feira, outubro 06, 2014

Abertura Geral 2014



Abertura Geral na ZCT Ourique

Prazer muito particular pois vimo-las crescer

No dia seguinte, nas planícies de Beja









































04 e 05 de Outubro de 2014

Apesar do calor que se fez sentir no dia 04, com reflexos notórios na bravura das perdizes, fizémos uma volta de caça que, para primeira vez, naqueles terrenos, entendo ter sido muito bem planeada.

O comportamento das perdizes que ali nasceram e que os alentejanos chamam "do campo" mas que eu chamo "das antigas",  dignificou bem a nossa caçada. Com somente 3 espingardas e contando só com a ajuda isolada da braco Inka,  enfrentámo-las, como soi dizer-se: de "peito aberto".

Infelizmente,  o Sado, do amigo Paulo L., que muita falta fez, foi atacado e mordido, praticamente na véspera, por 2 pastores alemães, estando, no entanto, apesar de todo "cozido", já livre de perigo, mas, ainda assim, a necessitar de repouso absoluto seguramente por uma ou duas semanas.

É certo que a grande maioria das perdizes esgueirou-se do alcance dos nossos tiros, em voos furtivos, rápidos e planados. Mas mesmo assim, neste contexto, só com 3 armas e um perdigueiro a ajudar-nos, o amigo Paulo e o Gonçalo conseguiram, sempre em circunstancias difíceis mas com certeira pontaria, derrubar um par delas cada um. Da minha parte tomei conta das lebres e cobrei também um par delas, ambas muito bem paradas nos pastos, pela Inka.

Capturámos, assim, 4 perdizes e 2 lebres.

Estando na terra do porco preto, o taco foi composto,  para além de um ou 2 queijinhos laminados e pão alentejano, por um paio delicioso e um vinho que o Gonçalo levou, da Vidigueira, que não esqueço,  pois é um autêntico nectar dos deuses: marca Vinho dos Sócios. Quem for enólogo ou bom entendedor nestas matérias certamente que o reconhecerá e saberá bem das suas qualidades e que não se comercializa.

Voltámos, para Beja, ao fim da manhã, dentro do meu peito um forte desejo de desforra a dar em breve àquelas perdizes de Ourique e, à noite, ainda fomos esperar os patos a um açude. Entraram somente 3 reais, já com a lua a revelar todo o seu esplendor e... fugiram 2.

No dia seguinte, depois de uma noite muito bem dormida, surgiu-nos um dia muito mais fresco que o anterior. A Inka, nesta manhã,  conseguiu levantar mais 4 lebres... e fugiu uma.

Ainda tivémos o arrojo de, com 2 armas, irmos tentar o confronto com 1 bando de perdizes que sabíamos terem nascido ali dentro de um olival bem perto, do nosso conhecimento.
Fugiram todas mas o amigo Paulo ainda enganou uma e conseguiu-a pendurar à cintura.

Com o acréscimo de mais 3 ou 4 codornizes, acabámos por tirar uma "selfie" com as 3 lebres capturadas de manhã, a perdiz e as "codornas" em mais uma jornada que, de imediato, logo ali nos deixa saudades de voltar.

No regresso, já depois de Figueira de Cavaleiros uma grande operação stop, da GNR, verificou-me minuciosamente todos os documentos, armas, caça, licenças, guias de transporte etc. Estando tudo em ordem, ainda cheguei a casa para ver o meu Benfica ganhar por 4-0 e jantar, à noite,  com o meu filho mais velho.

Saldo final: 5 perdizes, 5 lebres, 1 pato e 4 codornizes.

Abraço amigo.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Caça à Codorniz - uma escola para os nossos cães.



Última jornada às codornizes
















Salvada - Beja
Voacaça

Provavelmente enquanto escrevo, depois das chuvas e trovoadas da passada semana, muitas das "africanas" terão emigrado para terras do norte de África, mais apropriadas para se refugiarem dos rigores do inverno do continente Europeu.

Apesar da presente semana estar a ser de temperaturas elevadas, não acredito ir encontrar, em quantidade, o que encontrámos nestas jornadas de Setembro.

No próximo fim-de-semana inicia-se a caça à perdiz vermelha e, com ela, com a "rainha", muitos caçadores irão seguramente deixar de dedicar parte significativa do seu tempo à codorniz.

Neste cinzento mas abafado dia 27 de Setembro uma vez mais os nossos companheiros de 4 patas trabalharam bem, muito bem, bravos, descobrindo, parando, seguindo rastos e levantando, cobrando, no final,  exemplarmente.

Nada mais belo e excitante do que um braco, um pointer, ou qualquer outra raça, parados, imobilizados,  com uma, duas ou três codornizes. Quando saltam, arriscar o doble e ter pontaria certeira é arriscar perder as duas, pelo menos nos terrenos onde caçamos, pois o cobro depende de diversos fatores: a ansiedade, adrenalina e procura desenfreada do cão após o disparo, ele sabe logo que entra em trabalho de cobro, os muitas vezes densos pastos e restolhos muito altos, dificultam-lhes, sobremaneira, o seu trabalho,  e não é raro acabarem por cair dentro daquelas grandes valas cobertas, onde são mesmo quase impossíveis de cobrar.

Na maior parte dos lances prefiro disparar, derrubar uma ave, marcar-lhe bem a "pancada" e deixar a  cadela trabalhar na zona da queda da codorniz. Mais minuto, menos minuto, estará a segurá-la com os dentes e a cobrá-la. E, ainda assim, por vezes, acabam algumas por se tornarem incobráveis

Se compararmos o actual trabalho dos nossos companheiros, no início da época, com o que agora executam,  notamos uma significativa evolução, não só física, mas também "técnica" .

A codorniz é, verdadeiramente, a caça mais completa e espetacular para praticar com o nosso cão de parar. No final de Setembro, depois destas aulas na escola,  ele está pronto para se confrontar com a "rainha".

Mas poucos lances tão completos, que temos com as codornizes, iremos ver repetidos com as perdizes ( excepto se estas forem de cativeiro ).

Na foto acima, mais um formidável dia de caça.

- 2 perchas completas de10 codornizes no final da manhã , da minha parte ornei ainda o cinturão pois a Inka parou-me um coelho deitado ao sol dentro dos restolhos na orla do olival ( já não o deixei fugir lá para dentro) e o "Sado", cão do Paulo,  cobrou um pato real que se levantou dentro dum açude. Finalmente, o Paulo ainda "estendeu" nos pastos mais uma "orelhuda", um macho, criação deste ano mas já adulto.

No próximo fim-de-semana vamos dedicar-nos à perdiz. Espero resultados escassos pois para onde vamos elas são genuínamente selvagens, o tempo vai estar como está, quente e seco, os pastos vão secar e estar quebradiços e elas ouvem-nos ao longe. Não são mesmo estas codornizes. Estas preferem, com a nossa presença, fugirem a patas por dentro do mato. Só levantam em último recurso, paradas ou tocadas pelos cães. Aquelas, as perdizes, com a nossa presença, sendo selvagens, preferem dar uma corrida e pedirem logo ajuda às asas para nos < criarem distância>. A ver vamos.

Um abraço amigo, boas perchas.





segunda-feira, setembro 22, 2014

Caçar de salto com cão de parar - uma arte!

Assim vale a pena

Perca-Lúcio grelhada na brasa

QUINTOS - terras de girassol









































20-09-2014
Decidimos ir para os restolhos por baixo do olival do Espanhol.
Na véspera passei pela Altamira e comprei 2 caixas de B&P, MB Ch 9.
Os resultados foram abundantes e diversificados -codornizes uma vez mais no limite da lei para os dois, e 1 lebre e 1 coelho para dar mais cor à fotografia.
Enquanto, à conversa, regressávamos para os carros, saltou-nos um coelho da orla de um olival, em rápida fuga.
Foi instintivo, encarámos as espingardas e atirámos os dois. Ficámos com a ideia de termos acertado os 2 pois os tiros foram praticamente colados.
Afinal não. O coelho é seu amigo Paulo. Foi hoje esfolado e foi atingido na lateral esquerda .
Ora, pelo meu angulo de tiro, que caminhava à sua direita, era impossível atingir o "lagomorpho" daquele lado.
Fico, assim, a dever-lhe um orelhudo, pois este ( isto é, o da foto ) já está temperadinho em vinha de alhos dentro da panela.

Ao almoço, um dos meus momentos preferidos do dia. Ir almoçar à esplanada do Mercado da Salvada, onde o amigo Toi confecciona sempre uns achigâs ou uns perca-lúcio bem temperados, escalados e grelhados na brasa. Depois de uma manhã de caça às codornizes, com calor e ainda por cima acompanhados de um Antão Vaz branco da Vidigueira, bem gelado, podem crer, não há melhor.

21-09-2014

Depois de uma noite bem dormida na Gravia Grande, resolvemos atacar uns girassóis velhos, não colhidos, nuns cabeços pronunciados ali ao redor de Quintos. Tínhamos por lá passado na véspera, à tardinha, e tínhamos avistado uma lebre a passear-se, descansada. A decisão foi tomada ali mesmo. Amanhã de manhã caçamos aqui.
O êxito da caçada, a arte e a magia dos lances,  ficaram, uma vez mais, a dever-se ao magnífico trabalho da Inka e do Sado. Sem eles, seria garantido, nem metade fazíamos.
Dose repetida de uma dezena de codornizes para cada um neste segundo dia, bem suadas é certo, mas como diz o ditado que "quem porfia sempre alcança" eu o amigo Paulo não desistimos até atingirmos o pleno.
Perto das 11h30 estávamos de regresso ao Monte, onde, sentados tranquilamente à conversa com o Guarda, com os nossos cães deitados aos nosso pés,  refrescámos as gargantas secas com  1 ou 2 cervejas bem geladas,  tomámos um reconfortante duche e regressámos a Lisboa com a sensação do nosso dever de caçadores bem cumprido.

Até  próxima e um abraço amigo.





segunda-feira, setembro 15, 2014

Nova jornada em terras de Beja

Só possível graças aos nossos fiéis amigos.




13-09-2014

O defenido na lei como limites de abate parece-nos muito razoável.

Há que respeitar e, na zona de caça escolhida,  teremos diversas jornadas a atingir os plenos.

Com estas chuvas é provável que muitas aves iniciem agora os seus grandes voos de retorno para o Norte de África, em busca de climas mais amenos, comida e abrigo.

No entanto, aqui, pela morfologia da herdade, teremos sempre codornizes para caçar até 30 de Novembro.

Assim o foi na época passada, assim será na presente, se Deus quizer.

Abraço amigo


segunda-feira, setembro 08, 2014

Uma das mais belas caças



Caça à codorniz

















07-09-2014
Salvada-Beja

A caça da codorniz é, quanto a mim, de entre as que temos, uma das mais belas que podemos encontrar e praticar em Portugal.

Este ano, podemos concluir que foi um excelente ano de criações e, não sendo o mais importante, conseguir alcançar os limites estabelecidos por lei não acarreta dificuldades de maior, desde que, naturalmente, se tenha alguns conhecimentos desta espécie, pontaria razoável e um bom cão para as procurar e cobrar.

Este fim-de-semana, eu e o Paulo L., combinámos, como habitualmente, ir caçar à zona da Salvada, no sul de Beja.

É um dos nossos locais prediletos para a caça, dado o tipo de terrenos existentes. Ali podemos encontrar grandes extensões de cereal cortado, olivais com muito pasto no seu interior, plantações de girassol, 11 açudes e pequenas barragens dentro da herdade e diversas linhas de água que serpenteiam pelos seus quase 5.000 hectares.

Aqui, podemos ainda encontrar as criações deste ano da bela perdiz vermelha - na foto acima consegui juntar meia dúzia ( eram umas 12)  que, já ao cair da noite, procuravam certamente local para se enrolarem e dormirem.

Encontramos, também, as belas lebres, cor de mel e branco, que este ano também procriaram bem, aumentando, e bastante, os seus efetivos e, de igual forma, já não é raro, ver saltar, uma vez por outra, um ou outro coelhote dos mais variados sítios.

O que mais me apaixona neste mês de Setembro e de seguida no próximo, em Outubro,  já com a caça geral em pleno, são as amenas temperaturas que, à noite, nos proporcionam momentos de autêntico deleite, de prazer  e retiro espiritual.

Depois de um cansativo dia de caça, desfrutar de um duche reconfortante, jantar à noite numa esplanada de um dos poucos cafés/bares existente naquela região inóspita, com o cão deitado aos nossos pés,  e comer uns suculentos secretos acompanhados de uma saladinha de tomate e cebola, com uma boa cerveja gelada, é algo que dificilmente consigo descrever por palavras. Só vivendo mesmo aquele momento.

Partilhar todo o dia com o nosso fiel companheiro de caça, incluindo a noite, no Monte, cuja foto junto, onde, exaustos, dormem aos pés da nossa cama, é outro dos grandes atrativos.

O despertador, agora com os telemóveis, invariavelmente despertam-nos no dia seguinte por volta das 05h30.

Depois, é só aconchegar o estômago com o pequeno-almoço, beber um café bem forte no Monte, colocar uma roupa fresca e, por prevenção, bem colorida. O tiro da codorniz é um tiro de baixa altura, algo perigoso, e a cor da roupa ajuda-nos a não passarmos completamente despercebidos no campo.

Rechear bem as cartucheiras com chumbo de baixo calibre, 8, 9 ou mesmo 10, e sair com choques bem abertos nas armas.

Quando, às primeiras horas do dia, saímos para os campos, os bretons, os bracos, os pointers, perdigueiros ou outros, meio traçados,  caçam-nas ativamente, ainda frescos e cheios de força. É  a altura das paragens, das perseguições através dos rastos, dos muitos tiros certeiros ou falhados, dos gritos, dos cobros.

Pouco a pouco, as nossas pioleiras vão se compondo com o pendurar de algumas aves que, ao caminharmos durante a manhã, vão batendo suavemente nas nossas pernas e aquecendo os nossos corações.

É também a altura da lebre que salta repentinamente da cama, de dentro do girassol ou do restolho, ou do olival, perseguida desenfreadamente pelo nosso cão. Opcionalmente, cobramo-la, ou não. Se o cão a pára, devemos respeitar a sua paixão e, com um tiro certeiro, tentar proporcionar-lhe a recompensa de a trazer ao seu dono, pendurada na boca.

Por aquilo que tenho visto nos nossos campos, no próximo mês, já as vermelhudas estarão completamente criadas, adultas, e os nossos cães agora ao ficarem muito melhor preparados para lhes darem caça, ajudar-nos-ão em tão difícil tarefa.

Um abraço amigo










terça-feira, setembro 02, 2014

BEJA - Terras da Salvada - Abertura da caça à codorniz.



Gloriosa manhã de caça à codorniz.
Resultados nos limites

No quarto, ao meio-dia, a Inka completamente exausta.








































Sexta-feira, 20 de Junho 2014.

No escritório, em Lisboa, recebia uma chamada do meu filho mais novo: "Pai, a Inka foi agora atropelada aqui na rua".
Em pânico, saí do trabalho a correr, peguei no carro e "voei" para o local. De caminho ia acompanhando e falando com o meu filho, "que tinha saído para dar uma volta de bicicleta e a Inka, como habitualmente, ia a correr atrás dele". Desta vez, o azar bateu à porta e foi violentamente atropelada, sendo projectada para debaixo de outro veículo e não se conseguia ter de pé.
Meia-hora depois, cheguei, já lá estava, também, a minha mulher, e estavam, com a ajuda duns vizinhos, a segurar a Inka com uma toalha por baixo da barriga. Tinha a perna traseira, esquerda, partida e diversas escoriações por ter sido arrastada no alcatrão.
Rapidamente fomos para o Hospital veterinário e, depois, de alguns RX e um internamento para o dia seguinte, o diagnóstico: não iam operar pois o osso da bacia quebrou junto ao nervo ciático. Teria, assim, de ficar em repouso absoluto, para o osso danificado calcificar. Reymadil e Virbac foram os comprimidos anti-inflamatórios e tonificante muscular que lhe administrei durante os 60 dias seguintes.
A recuperação, só eu sei as horas, a angustia e os trabalhos por que passei até começar a ver algumas e nítidas melhoras.


Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014

Depois de muitos dias de passeios diários pelos campos circundantes à minha casa, a Inka, pouco mais de 2 meses após o atropelamento,  mostrou-se em condições de comparecer à chamada da caça à codorniz e , com alguma margem de conforto, resolvi levá-la.

O meu receio, no entanto,  era que a cadela fosse incapaz de resistir à dureza de tal prova, quando ainda, por mero receio instintivo, continuava a coxear para "defender" a sua pata.

No entanto, após uma última consulta no Veterinário e mais um Rx, fui autorizado e até recomendado a regressar à prática da caça.

Quando eu e o Paulo L. saímos do Monte para a caça, as codornizes, que este ano criaram abundantemente, depressa fizeram a Inka esquecer-se da pata.

Tudo o que eram pastos, linhas de água, restolhos e outros terrenos, foram literalmente varridos  por esta extraordinária cadelita que, deixando de vez de coxear,  não hesitou em "entrar" às valas para de lá desalojar as "africanas".

Com muito poucas horas dormidas, as aves iam saltando e eu... a falhar os tiros, a falhar, a falhar, a falhar como nunca falhei em todo o meu historial de caça. A Inka com nota 20 no seu trabalho. O dono, com nota claramente negativa, ainda por cima lhe dobrou os trabalhos até conseguir chegar ao limite imposto por lei nesta espécie.

O Paulo, gentilmente, ainda me emprestou alguns B&P , Ch. 9 para tentar chegar  aos carros com as armas carregadas.

Embora muito cansado dos 3 dias que tinha passado, a minha incontida alegria em ver a Inka curada de vez, tudo compensou. Para compor o ramalhete, ainda capturei uma lebre logo pela manhã, levantada e corrida pelo "Sado", cão valoroso do Paulo que também muito ajudou nesta jornada.

No quarto do Monte, preparando o regresso e após tomar um refrescante duche de água fria ao meio-dia, acabei por tirar a foto acima, com a cadela deitada, onde é evidente a violência do esforço que o animal fez, mas por paixão! Afinal, são as paixões que também movem as nossas vidas, certo?

Lá fora, as temperaturas rondavam implacáveis 36/37  graus.

De regresso a casa, dei-lhe um banho fresco, meti-lhe as patas em água morna com sal e, hoje, um dia depois, à hora a que escrevo, já está lá fora, prontinha, à minha espera, com o rabo a abanar,  para nova jornada.

Um abraço amigo e viva a abertura de 2014.





Ourique- Rolas e Torcazes ( ou tentativa de).



 
Só para recordação do dia, pouco mais.















Dia para esquecer.

As expectativas também não eram muitas mas as rolas e torcazes simplesmente não estavam lá.

Abraço amigo.



Abertura aos patos - Herdade da Namorada/Beja

40 patos ao meio dia


A Inka em cobro de pato





























Correndo muito bem para alguns correu menos bem para outros.

Ao meio dia havia cerca de 40 patos abatidos, para cerca de 11 armas.

Depois do agradável churrasco no Monte, em muito boa companhia, decidi rumar para Ourique para ir espreitar a caça geral.

No final do dia , recebi um SMS do gestor comunicando que o resultado final foi de 111 patos cobrados.

Houve, assim, um desequilíbrio muito forte nas colocações das portas. Provavelmente aspecto a corrigir no futuro.

Abraço amigo



segunda-feira, agosto 25, 2014

1ª Jornada da época 2014-2015





MATA DO DUQUE - SANTO ESTÊVÃO

















Poucos patos.
Muito boa companhia. Na foto, o Nuno C. que me efetuou o convite, e seu retriver.
As barragens são boas, perto de Lisboa, e prometem melhores caçadas. Só podem.
Abraço amigo




terça-feira, junho 24, 2014

Caça 2014-2015



2 meses mais tarde.


















O que se via tudo em tons de verde, nos primeiros dias de Maio, cedo começou a amadurecer e, agora, em meados de Junho, resolvi colocar algumas das paisagens anteriores, mas já com as suas cores alteradas, bem encostadas ao verão.

Aproveitámos 2 belos dias, bem quentes, e resolvemos ir ver o que a Mãe Natureza por ali nos tem andado a oferecer.

Assim que chegámos, ao final da tarde, entrámos com a viatura na Herdade e logo nos apercebemos de meia dúzia de perdigotos já bem encorpados, a sobrevoarem um muro encostado à estrada e a refugiarem-se para perto do Monte.

O ZM , nesse mesmo dia foi à zona de caça e, ao final da tarde,  contou, o melhor que conseguiu, a atravessar a carretera, de uma só assentada, cerca de 25 perdigotos e 4 ou 5 adultos, seguramente de 2 ou 3 bandos já nascidos e que casualmente  por ali se juntaram, pois, dizia-nos ele, não eram todos do mesmo tamanho. Nunca vira nada assim- dizia, entusiasmado, à mesa do almoço.

No dia seguinte, fomos dar uma volta a pé para observar os 2 cevadouros das rolas, quando meia dúzia de patos reais saltaram dos restolhos altos e espessos, de trigo amarelo torrado. A comida é com fartura e certamente ali estiveram a banquetear-se toda a noite para depois regressarem às barragens durante o dia.

As codornizes cantavam, alegremente, praticamente em cada cabeço, fazendo adivinhar também algumas criações.

Um orelhudo, escapava, em corrida, pela estrada fora, refugiando-se, algures nalgum buraco de um muro de pedra de xistos.

Nos aceiros, junto aos aramados, ainda vimos mais 2 proles de perdigotos, 5, 6 em cada bando, e respectivos pais.

Já dentro do carro, pela nossa frente, ainda uma outra mãe babada, com 7 perdigotos, atravessou a estrada em corrida, rápida e nervosa,  e refugiou-se nuns pastos altos, ainda verdes, não se deixando ver mais.

No final desta volta, fica-nos a sensação de não termos visto tudo e que, lá para final de Julho/Agosto teremos uma ideia muito mais acertada dos contingentes de vermelhudas. Parece-nos, contudo, um belo ano de criação.

Factor negativo: muitas cegonhas, com todos os seus efeitos nefastos nos ovos e pequenos e indefesos perdigotos. Para quando uma solução para estas aves de grande porte que, qualquer dia, serão praga?

Abraço amigo.





sábado, maio 31, 2014

Caça 2014-2015















Espécies predominantes na Zona de Caça do post abaixo.

Por ordem decrescente:
1. Torcazes de Inverno;
2. Perdizes
3. Lebres
4. Tordos. Sem olivais, mas com algumas zonas de zambujeiro, aparecem uns tordos para entreter.

Bons terrenos para caçar com cães de parar.

As fotos, claro, são retiradas da Net. Mais tarde, se Deus quiser, serão originais.

Abraço amigo.




Caça 2014-2015


















Novos terrenos de caça para 2014-2015
A Mãe Natureza está a trabalhar.
No próximo post direi o que por aqui existe e qual o forte da zona de caça.
Abraço amigo.



domingo, maio 11, 2014

Onde está a Lebre?






















Achei graça a esta pela dificuldade.

Mas que está lá, está.

Abraço amigo

Sérgio Vieira



domingo, fevereiro 02, 2014

A Inka já pode descansar por alguns meses.

















Ou melhor, arrumei o "ferro" na caça geral.

Os poucos tordos que por aí andam provavelmente já não me convencem para mais saídas.

O ano passado acabei com uma fotografia similar à de cima e com um "chorrilho" de elogios a esta braco alemão, nova companheira das minhas jornadas de caça.

Na próxima época, 2014/2015 irá completar , comigo, a sua 3ª época de caça.

Quando revejo tudo o que ela me ofereceu e a forma como evoluiu na 1ª e nesta grandiosa 2ª época, quase que me assusto com o que ainda pode vir a dar-me e a fazer em termos de progressão.

Toda a minha vida cacei com "pointers" , a quem muitos apelidam de... "O Rei". São cães de facto extraordinários, grandes batedores de terreno e possuídores de um olfacto apuradíssimo que lhes permite detectar a caça a distancias consideráveis. A sua beleza na paragem, o seu olfacto incontornável, fizeram-me, desde sempre, fã dos pointers , caçando, inclusive, em simultaneo, com um par deles,  que me deram, também, muitas alegrias.

Mas cães de caça, não é só estética e olfacto, bonitas paragens e grandes correrias. Descobri que um bom cão de caça tem de ser muito mais do que isso.

A inteligência na abordagem às peças de caça.

A inteligência no trabalho de busca no campo.

A capacidade de sacrifício em entrar ao mato na procura incessante da perdiz, codorniz, lebre ou mesmo coelho, que lá se meteu.

A capacidade de rastear as perdizes que caiem feridas e garantir uma percentagem de êxito perto dos cem por cento no cobro.

A inteligência e a capacidade de se unirem com o seu dono, e caçarem como se fossem um todo?

A docilidade de partilhar dias de caça em trabalho e, no descanso,  noites inteiras com o seu dono no mais profundo dos sonos, deitada no canto do quarto?

Um cão de caça, um verdadeiro e bom cão de caça tem de ser tudo isto. Se ainda juntarmos algumas das qualidades dos pointers, então sim, poderemos render-nos e chamar-lhes ( aos Bracos) de...Reis da caça!

Naturalmente que não pretendo entrar nesta polémica,  não há raças melhores do que outras para a caça. Todas as raças têm bons e maus cães de caça. Mas o Braco Alemão, se todos fossem iguais à Inka ( e eu sei que fui um afortunado, que tive mesmo muita sorte com a cadela) seria seguramente o Rei da Caça.

Inteligentes ( talvez das mais inteligentes raças do mundo - não sou eu que o digo - só corroboro -  mas sim os verdadeiros especialistas) , com autêntico espírito de sacrifício na caça, nas condições mais adversas, quer faça um calor abrasador, chuva, frio ou vento, com uma busca minuciosa e inteligente dos campos, não deixando ficar para trás locais por explorar nem  peças amagadas no terreno, com olfacto poderoso, com uma paragem firme e inquebrável, com um cobro extraordinário, alegre, depositando, intacta, a peça de caça nas mãos do dono, o Braco Alemão é, descobri-o agora, talvez o cão mais completo para a caça menor.

Relato aqui 3 ou 4 lances desta época que me marcaram e deixaram de boca aberta.

Beja
Outubro
Voacaça
Muito calor.Caçava sózinho à codorniz.
Caçando numa linha de água, quase totalmente tapada com vegetação densa, a Inka detecta um cheiro forte. Procura, nervosa e rápida,  uma entrada e, qual cão de coelhos, dobra-se toda e mete-se lá para dentro. Literalmente, deixei de a ver. Só a ouvia. As patas chapinhavam na água. O seu nariz "aspirava" todos os odores que a pudessem ajudar a tirar de lá para fora as codornizes. Percorro cerca de 20 ou 30 metros a acompanhar a cadela somente pelo barulho que lá dentro fazia. Subitamente, a 5 ou 6 metros á minha frente,  um par de codornizes saiem de lá de dentro, uma atrás da outra,  e entram outra vez para dentro, em corrida. Estava provado que a Inka andava no seu encalço. Mais uns metros e salta a primeira, em fuga, em pânico, em puro terror,  pois a cadela já não lhe estava a dar mais hipóteses, já não lhe dava descanso. Desfiro um tiro e derrubo-a, caindo  no restolho. Estranhamente, a cadela não sai de lá de dentro. Atravesso com alguma dificuldade a linha de água e vou apanhar a codorniz. A Inka, essa continuava lá dentro, a dar conta da outra.Recarrego a Beretta. Não demorou muito. Dois ou três minutos e a outra, sentindo-se desamparada, sai em fuga, voando, rápida. Novo tiro e a codorniz caiu a uns 20-25 metros, no restolho. Aqui já a Inka sai de dentro da vala e rápida, começa à procura da codorniz. Atiro um torrão para a zona onde ela tinha caído e rapidamente estava na minha mão, cobrada pela cadela.
O estado lastimoso em que a cadela estava, quando saiu da vala dizia-me tudo. Molhada, cheia de lama e com o corpo, cabeça e orelhas cheias daquelas irritantes pequenas bolas de picos que se nos agarram às calças e que tanto custam a tirar.
O brilho que tinha nos seus olhos e a cauda alegremente a abanar demonstrava a sua satisfação do dever cumprido, a sua satisfação de ter estado a trabalhar para o seu dono.

Serpa
Vendinha
ZCA
Dezembro
Tempo frio. Perdiz brava.
Caçada em linha, numa associativa.
Depois de ultrapassar, a muito custo, um barranco pronunciado, comecei a subir uma encosta íngreme, nas ordem dos 35/40º de inclinação. O sol banhava aquela encosta por onde algum trator teria andado a limpar o mato, remexendo a terra. A Inka, dá-lhe um cheiro,  desvia de repente para a direita e uma lebre levanta-se em fuga. Com a Beneli e com um tiro certeiro de chumbo 6 derrubo-a. Rápida, a cadela cobra a lebre e traz-ma à mão. Enquanto a arrumo no bornal, oiço 2 ou 3 tiros e fico atento. Uma perdiz ( ou era um avião ?) de asa aberta, escapa aos caçadores da linha, que seguiam já na minha frente. Encaro a espingarda, aponto, corro a mão e com um tiro em cheio ceifo-lhe a vida . Porém, o tiro foi largo, talvez a uns 40 metros e com a embalagem que já trazia, a perdiz foi cair muito longe, outra vez lá para o fundo, lá para baixo, para dentro do barranco. Exausto e a transpirar como estava,  de vir a subir, se me pedissem para voltar a descer lá abaixo e ir lá tentar apanhar a perdiz, estaria tentado a dizer que já lá não ia. Mas a Inka viu tudo. Viu o tiro, viu a direção, olhou e viu a perdiz a ir cair lá em baixo no vale. Rápida, desceu, desceu, desceu, entrou na ribeira, procurou, procurou ( dei-lhe 4 ou 5 minutos) e qual a minha grande alegria quando a vejo a subir outra vez o cabeço, de perdiz na boca, para me vir entregar. Ajoelhei-me, naquele momento em que ela me depositou a perdiz na mão, puxei a cadela pelo pescoço, dei-lhe um abraço e um beijo na sua linda cabeça. - Linda menina, dizia-lhe enquanto lhe fazia imensas festas.

Mértola
Janeiro
ZCT Giões
Tempo ameno. Perdiz semi-brava, mas muito agreste.
Uma linha de 7 caçadores.
Terreno com cabeços pronunciados, giestas, e largas faixas de cereal não colhido,  ali deixado propositadamente alimento e refúgio da caça.
A Inka começa a dar-me sinal de perdizes. Agitada, acelera no terreno. Como só tinha ainda 2 horas nas pernas, acelero o meu passo para a acompanhar. Mesmo assim não consigo totalmente. A cadela procura o cheiro da perdiz dentro do mato, faz um círculo largo sempre com o nariz a ventos e estaca, em grande paragem, de frente para mim, entalando a perdiz, como que a querer dizer: "Dono está ali, é toda tua". A perdiz não demora e, contrariamente ao que a cadela certamente esperaria,  a perdiz não arranca direito a mim. Arranca, sim, em voo poderoso, mas para o lado direito. Corro a mão e desfiro-lhe o tiro a uns 30/35 metros e ela vai cair por detrás de um muro antigo de pedra solta. Não lhe consigo sequer ver a "pancada" por causa do muro. Mas a cadela arranca, salta o muro para o outro lado e 3 ou 4 minutos depois, volta a saltar o muro para este lado, mas...com a perdiz na boca.

Beja
Salvada
Voacaça
Já de regresso aos carros, que havíamos deixado na margem do Rio Guadiana, caçava numa linha de 4.
O Paulo L. seguia pela minha direita mas bastante afastado, junto a um canavial, seguramente a uns bons 150-200 metros.
O meu companheiro da esquerda faz-me sinal em geito de desafio, se teria coragem para bater um cabeço enorme, cheio de mato e rochas que estava pela minha frente.
Ataquei o cabeço, habitado seguramente também por coelhos pelos rastos existentes. Iniciei a subida, íngreme, afastando por vezes o mato com os braços e até elevando a espingarda para não a riscar desnecessariamente.
Chegado a meia encosta, o suor escorria-me pelo nariz, desisti, endireitei a rota  e comecei a seguir em frente, sempre a meia encosta. Algumas dezenas de metros mais à frente , salta-me uma perdiz do mato. Tiro quase instintivo devido ao cansaço e vejo a perdiz a cair, a uns 20/25 metros. O mato era muito, a Inka estava mais acima, ja no topo do cabeço. Chamo-a.
O tal companheiro da esquerda indica-me a zona onde tinha caído a perdiz, pois tinha visto o local da pancada. Chegado lá, tirei o chapéu, depositei-o no chão a sinalizar a zona, mas não conseguia encontrar a ave. O outro caçador, vendo que eu não a encontrava resolveu "fazer-se" ao cabeço e foi, com algum custo até á minha beira. "A perdiz caiu aqui nesta zona, caiu redonda, tem de estar por perto. Procurámos, procurámos, até de cócoras estivémos pois o mato era enorme. A Inka entretanto chega. Cobra Inka, cobra.
A cadela entrou em trabalho de busca e afastou-se. Chamei-a de novo: Inka, é aqui, anda cá! - ela veio, cheirou por ali mais um pouco e voltou a afastar-se, perdendo-se no meio do mato.
Largos minutos depois, prestes a desistirmos, preparávamo-nos para começar a descer quando ouvimos, a uns bons 50 metros dali, uma grande "restolhada" no mato  e um cacarejar desenfreado. Olha, a Inka deu com ela e apanhou-a. Não demorou muito a aparecer-me com a perdiz na boca. A perdiz estava viva, tinha caído de asa e fugiu a patas. Nós, humanos, errámos redondamente ao procurar naquele local e quase obrigar a cadela a restringir a sua busca naquele lugar. Para ela, o animal, era claro que a perdiz já lá não estava e, sem hesitações, foi-lhe no encalço, pelo rasto, até a conseguir desalojar, quiçá de alguma pequena rocha ou carrasco onde se meteu. Com grande satisfação a cadela deixava-me cair a perdiz na mão e o companheiro não resistia e lançava o elogio: -bela cadela tem aí o meu amigo!


A Inka foi a minha grande companheira da época de caça 2013/2014. Começámos a 1 de Setembro, com o característico calor deste mês, a caçar à codorniz. No dia da abertura geral, caçámos nas margens do Guadiana à perdiz e à lebre. Fizémos jornadas inteiras, sábados e domingos, sobretudo em Serpa, Beja e Mértola, incessantemente, a palmilhar kilómetros uns atrás dos outros. Esperámos os patos à noite, nos açudes. Muita partilha. A Inka já é da família. Só vive para nós. A sua lealdade é algo que não consigo descrever por palavras, é uma recompensa muito forte, que eu tenho e guardo como um tesouro que Deus me deu, egoisticamente só para mim. Bem hajas companheira.