segunda-feira, setembro 21, 2015

O fabuloso mundo da caça à codorniz





















Setembro de 2015


De uma forma perfeitamente natural vai chegando ao seu termo o fabuloso mês de Setembro, na Salvada, em Beja, nosso local de eleição para a caça à codorniz.

As extensas planícies desta zona de caça, ricas em comida e refugio para a codorniz, fazem dela o nosso destino predilecto para a modalidade.

Contudo, com a lenta passagem dos dias, alguns contingentes destas aves, com o arrefecer das temperaturas nocturnas, vão regressando às suas terras de origem, em África, para, um dia mais tarde,no ano seguinte, retornarem a esta região. Há que aproveitar.

Destas jornadas, recordamos, sobretudo, os pormenores e a envolvência destes dias fantásticos que nos atraem para aquelas terras sem fim do sul de Beja.

Capturar as aves é sem dúvida um objectivo nosso, mas são os grandes pormenores e a partilha com os companheiros e amigos que nos rodeiam,  que nos deixam ficar verdadeiramente extasiados por esta caça.

  • É uma caça de verão, sempre com temperaturas agradáveis, pelo menos do meu agrado. Não sou avesso ao calor mas sim à chuva,vento e frio. Tenho tempo para estes últimos. Vivamos o verão.
  • Dias inteiros ou até, mesmo,  fins de semana, sem ter acesso a qualquer écran de televisão. E, francamente, o telemóvel também já vai ficando a mais, mas deste somos hoje em dia muito mais dependentes. Temos, nestas alturas de lhes dar um uso o mais limitado possível.
  • O meio rural, as gentes e costumes do Alentejo, as cores e intensos cheiros matinais dos pastos e restolhos ainda pouco orvalhados , os rebanhos de cabras e ovelhas que pela madrugada regressam em fila ao pastoreio, aquelas noites estreladas inesquecíveis, observadas directamente do pátio do Monte da Gravia, onde, por vezes, sozinho, me sento e sinto bem comigo próprio, deixando a cabeça da cadela repousar, apoiada nas minhas pernas.
  • A gastronomia alentejana, os bons e apaladados queijos de cabra e ovelha, o bom e maduro melão de sequeiro, as saladas tomate maduro, os vinhos brancos gelados que sempre nos caem  tão bem em almoços e jantares.
  • O propositado regresso aos campos ainda no mesmo dia de caça, pela tardinha, deixando cair o sol no horizonte e caminhando de espingarda nos braços até mesmo ao cair da noite. A magia desse por-do-sol, dos restolhos amarelados prontos a serem de novo lavrados, das queimadas de fim de Setembro, enfim de toda aquela paz que nos inunda os corações e a alma.

A  caça à codorniz em si, constitui uma autêntica, verdadeira escola para os nossos cães.

O limite legal de captura são de 10 aves por jornada mas, destas 10,  cerca de 2 ou 3 lances ficam quase sempre marcados na nossa memória. Ou pela positiva ou pela negativa.

Neste dia, recordo, com muita alegria, um lance em que a Inka perseguiu pelos pastos uma codorniz cerca de 20 ou 30 metros, com diversas paragens, difícil mas sempre segura, até uma última paragem ao de leve e o arranque forte da ave. Tiro e cobro imediato, suave de boca. Basta-me estender-lhe a mão que ela deposita-me a ave,  quase intacta.

Um segundo lance, viragem repentina e, quase em ângulo recto mas de cabeça bem levantada, a cadela pára. Preparo a arma e, sem pressas, dou a volta por forma a que a ave saia a jeito de ser atirada ou por mim ou pelo PL,  a quem faço sinal da paragem para que fique atento. Depois de desfrutar algum tempo da paragem resolvo mostrar-me à ave. Saltou, sim, veloz, não uma codorniz mas sim uma lebre que por ali certamente havia-se deitado pela manhã para aquecer-se com o sol nascente. Encoberta, quase sem a ver, tiro de vulto e deixo de a sentir a correr nos pastos altos. Sinal de que tinha ficado. A Inka prosseguiu em correria, sem se ter apercebido, devido ao tamanho dos pastos, que a lebre tinha ficada para trás, estendida. Mas cedo se apercebeu e instantes depois regressa, trabalha a ventos por mim incentivada e, radiante. traz-me a lebre pendurada na boca. Nada há de mais bonito e belo do que um perdigueiro a cobrar uma lebre.

Até à próxima caçada.

Abraço amigo.













quarta-feira, setembro 16, 2015

Dupla jornada


1º dia: Logo bem cedo, cupo no limite.


2º dia: limite legal alcançado pelas 11 horas da manhã.

Uma volta à tarde pelo NC.
Evitar os golpes de  calor. Obrigatório dar de beber ao
nosso companheiro de 4 patas













































Aqui, só pode haver codornizes.

Ao cair da noite espera aos patos.








































Dupla jornada em Beja e arredores.

De salto, às codornizes e uma espera no final do dia aos patos.

Bons momentos.

A Inka esteve irrepreensível, sobretudo nos cobros.

Abraço amigo




terça-feira, setembro 08, 2015

De novo ao encontro das 'africanas'.



Recolher as lembranças dos primeiros lances

A Inka a demonstrar clara fadiga logo no 1º dia.

Excluindo o branco da barriga que está sempre virada para
baixo, a capacidade mimética destas espécies  é fabulosa.

A vastidão do Baixo Alentejo. Impossível escrutinar tudo.


























































Setembro de 2015

Duas espingardas.

Dois dias e meio de caça.

Perto de 50 aves cobradas.

5 lebres capturadas. Muitas a serem deixadas fugir propositadamente, mas não conseguindo evitar as maratonas dos cães que as levantam e correm no seu impossível encalço.

A generosidade das planícies alentejanas de Beja.

Ao pôr do sol, o cantar desenfreado dos bandos de perdizes.

As noites quentes, os vinhos brancos gelados da Vidigueira às refeições , o céu à noite , infinito, inundado e enfeitiçado com milhões de estrelas.

O sono profundo e ininterrupto, com os cães a dormirem no chão aos nossos pés.

De espingardas abertas, os tacos a meio da manhã com umas cervejas geladinhas. É preciso dar também algum descanso às pernas.

O estrondoso trabalho dos cães em meios completamente adversos, a desalojar as aves das valas.

Jornadas eternas.

Abraço amigo.









quarta-feira, setembro 02, 2015

Codornizes 2015














01-09-2015
Abertura na Salvada

Menos codornizes avistadas quando comparadas com a passada época.

Mais coelhos e lebres, avistados, parados e atirados.

Muito bom trabalho dos cães,  mas em grandes dificuldades, com terrenos muito secos e gretados.Enquanto almoçávamos, estiveram presentes, aos nossos pés, na Salvada, no alpendre exterior do Café dos Palmas. Cervejinha gelada, salada de tomate maduro com cebola, calamares e arrozinho de tomate.

O tempo tem de arrefecer.

Chuva: precisa-se, urgentemente!

Abraço amigo.




terça-feira, setembro 01, 2015

Patos no Roncanito



















22-08-2015
Herdade do Roncanito

Expectativas numa espiral decepcionante.
Sem estória. Para recordar.
Nem sempre corre bem.
Abraço amigo



segunda-feira, agosto 17, 2015

Abertura aos Patos - Beja.

Manhã "manhosa". 8 patos cobrados.


Preparativos para...











...ir de salto, nas valas de juncos.



Final. 6 portas, 32 patos abatidos, 3 não cobrados.



























Abertura aos patos.
16/08/2015


Após uma manhã decepcionante face às expectativas que todos tínhamos, o cair da noite, neste açude, trouxe-nos doses maciças de divertimento.

Os patos entravam francos, de peito e asas abertas à agua, em bandos de 3 e 4, por vezes mais.

Infelizmente deixámos lá 3, nos pastos altíssimos, circundantes à lagoa, depois de muitas buscas em plena noite.

Nota mais extraordinária do dia: o trabalho dos cães, após o almoço, a desalojarem os patos de uma vala de 200/300 metros de comprimento, com água e juncos da altura de um homem.

O Labrador do N.C. fez justiça à raça e demonstrou grandes qualidades. Parabéns ao dono!

Encontramo-nos, de novo, em Setembro.

Abraço amigo.





domingo, julho 12, 2015

Codornizes - vamos a elas?





























Salvada - Beja

BOM:
Condições para a caça: à nossa vista, excelentes!
As linhas de água continuam. Este ano há muita comida, sobretudo girassol,
mas também muito trigo, ainda muito por colher.
Pastos altos. Aqui, as codornizes dão baile aos cães.
Refúgio e comida não faltam.

MAU:
Temperatura: 38º
Terrenos: secos, gretados, extremamente agrestes.
Esperemos que chova qualquer coisa.
Muito, mas mesmo muito trabalho para os nossos companheiros de 4 patas.
Até me dói o coração de saber que a Inka não olha a meios e vai por ali adentro.


Abertura 2015:em contagem decrescente.





sábado, julho 11, 2015

Tem nome de Santa.


























Tem nome de Santa e habita lá para os lados de Beja.

Trata-se da nossa última "aquisição" e promete  ser um "martírio" de guerra entre nós e os patos.

Seis "guerreiros" irão dominar este açude em 2015/2016.

Assim tenhamos "habilidade" para os puxar cá para baixo.

Fotos com resultados...só a partir de 16 de Agosto

Um abraço amigo






quinta-feira, maio 21, 2015

Esta época vai passar por aqui...
















Monte do Cabido
Arraiolos - Igrejinha - Divor

Área: 1937 hectares.

Perdizes: Forte
Lebres: Bom
Coelhos: saltam
Patos: Forte
Codornizes: Forte
Narcejas: Bom
Javalis: aparecem

Ao almoço, no monte dos caçadores, um repasto fora do comum: Salada de lagartos de javali, maçãs albardadas, tinto a condizer.

Aguardemos ( pacientemente)

Um abraço








domingo, janeiro 11, 2015

Herdade de Santa Maria - O regresso.



Aguas Santas - São João dos Caldeireiros


















Uma das mais belas jornadas de caça à perdiz nesta época.

Ainda com um contingente de perdizes muito elevado, o dono da Herdade, JEP, decidiu encerrar a época, com uma jornada mista de salto e de portas.

No fundo, para quem procurou as portas tratou-se quase de uma batida à perdiz e quem procurou as posições de caça de salto em linha,optou pelo que geralmente costuma fazer. De salto, com o cão pela frente, procurando e levantando as perdizes, empurrando-as em voos largos para a frente e tentando, de permeio,  capturar sempre que possível.

Um dia lindíssimo, fresquinho, na ordem dos 14 graus de temperatura, com um sol maravilhoso para a prática desta caça.

Foram avistados diversos coelhos e 4 ou 5 lebres, deixando adivinhar e desejar um bom ano de criação para estas espécies.

Pelo meu lado, por volta das 14 horas, consegui o cupo máximo, de 4 perdizes.

Naturalmente que quem abateu mais perdizes foram as portas, mas a caçada, com um ligeiro taco no campo pelo meio, durou das 09h00 até próximo das 16h00 da tarde, e a todos os caçadores de salto deixou extenuados mas extremamente felizes com o dia.

No final, já ao cair da tarde, para recompensar o esforço, um magnífico almoço com umas deliciosas entradas de peitos de perdiz de escabeche e um suculento cozido de couves .

A organização esteve, uma vez mais, irrepreensível.

Depois das despedidas, abandonámos Herdade já de noite, rumámos para os nossos lares, mas ficou logo a saudade e o desejo de voltar a calcorrear aquelas espetaculares terras de caça, a quem vivamente recomendo .

Um abraço amigo.





sábado, dezembro 27, 2014

Fecho da Caça Geral em Ourique



Impossível resistir a um amanhecer destes

Belas galinhas estas de Ourique





























27-12-2014

Entusiasmou-me  ir fazer o fecho da caça geral ( perdiz, lebre e coelho) a Ourique.

O dia supostamente estava previsto nascer com uma bela promessa de sol aberto, mas muito cedo se encobriu com um manto espesso de nuvens, tornando-se numa manhã feia, cinzenta, fria, ameaçadora. Neste aspeto, foi uma desilusão,  pois esperava um dia cheio de sol, que secasse rapidamente o forte orvalho da vegetação rasteira.

Ao contrário. Andei toda a santa manhã com os pés "pesados", encharcados e gelados.

Lebres, nem vê-las. Coelhos, idem.

Quanto às perdizes, mantêm a mesma qualidade ímpar, mas nota-se claramente que os bandos estão a desmembrar-se. Muita perdiz solta, aos pares,  e pequenos bandos, no máximo de 3 ou 4.

Caçar sózinho à perdiz selvagem não é tarefa fácil, como todos sabem reconhecer. Sobretudo já no final da época. O resultado acima, recompensador mas extremamente enganador, reflete uma eficácia tremenda. Praticamente as 3 perdizes que se vêm penduradas, foram as que "me deram tiro" e foram mesmo as que caíram. Tanto deu para esta bela caçada como podia ter dado para um belo "chibato".

Tudo o resto levantava longe, sem dar hipótese. E o que levantou a tiro e foi-se embora, revelam já uma esperteza invejável. Levantam voo e ocultam-se imediatamente com as azinheiras, nem sequer  tenho a veleidade de conseguir encarar a espingarda. Que diferença abismal daquelas inocentes de início de época.

Uma levantou-se em voo poderoso. Só consegui encarar a benelli e disparar instantaneamente. Uma ramada de azinheira ficou, por isso, bastante maltratada e, quando vejo o resultado do disparo, fico com a noção de que nem lhe acertei. Desço a encosta mais 2 ou 3 passos e vejo uma cabeça a correr no meio do pasto encharcado do orvalho. Corro. A Inka corre. Páro, encaro e arma e consigo "segurar" a perdiz, que tinha caído, ferida com o tiro anterior. Deixo a Inka trabalhar à vontade até a descobrir. Não foi difícil. 3 ou 4 minutos e o trabalho estava feito.

A segunda, imagine-se, salta-me com mais 2 ou 3 e engana-se, cruza-se, isolada, na minha frente, da esquerda para a direita. Foi o melhor tiro da manhã. O B&P MB Extra enrolou-a bem no ar e caiu redonda dentro do mato rasteiro.

A terceira e última foi nos restolhos do lado oeste do couto. Já de regresso para o carro, saltou larga, a cacarejar, imaginem, de cima de uma azinheira. Aponto o melhor possível e certamente com um ou dois bagos acerto-lhe na cabeça pois encastelou o voo talvez 30 ou 40 metros, e caiu a pique.

A seguir ao almoço ainda fui dar uma volta a tentar a lebre. Bem procurei, nos pastos, junto às ribeiras, mas a tarde continuava cinzenta, fria e ventosa ( nunca pensei ) e já com o segundo par de botas encharcado resolvi regressar ao carro, arrumar "a tralha" e regressar a Lisboa, ao quentinho do lar.

Por mim, e pelo que vi, não caçava mais à perdiz. Vi poucas e penso que a Mãe Natureza começa já a fazer o seu trabalho. Não sei para onde elas foram. O prazer de ver os bandos a levantarem ruidosos e voarem juntos, de asas abertas, a descer as encostas, acabou. Agora, só isoladas e com os sentidos completamente alerta.

Penso que mais uma caçada em linha deve ser o limite, para termos tantas ou mais, para a próxima época.

A ver vamos.

Um abraço amigo.







quinta-feira, dezembro 11, 2014

À ANTIGA !




















Novembro 2014

Ainda antes de sair de Ourique, "cozinhei" a ideia de, no dia seguinte, fazer uma jornada de caça à "antiga".

Assim, entrei no Pingo Doce e comprei uma  garrafinha pequena de vinho tinto, alentejano, 4 pequenos pães de frutos secos com passas, um pequeno paio de porco preto, meio frango assado, 3 pastéis de bacalhau e 2 laranjas.

Meti tudo num saco, entrei na carrinha e fui direitinho para a Salvada, em Beja.

A noite caiu rápida e, antes mesmo de chegar à Salvada,  não resisti em encostar a carrinha, sair e, por alguns momentos, tentar conseguir uma boa foto da magnífica lua amarela que se ia levantando naqueles céus abertos do sul de Beja.

Nessa noite, após o jantar, no Toi, tão ou mais extenuada que eu, por termos andado diversas horas atrás das perdizes em Ourique, a Inka dormiu em cima do tapete, aos pés da minha cama, em profundo sono. Nem dei por ela.

De manhã, levantei-me, pernas doridas, soltei a cadela para ir para fora do monte fazer as necessidades e fui tomar um pequeno almoço que me desse força para o que pretendia: comi 3 ovos estrelados, uma chávena almoçadeira de café com leite, uma fatia de pão alentejano com doce de laranja, outras duas com fiambre e queijo e rematei, com um (dois) cafés bem fortes.

Meti-me dentro da carrinha, entusiasmado,  e fui para a ponta do couto, junto à Associativa de Quintos, nos terrenos da Engenheira. Deixei a carrinha perto de um pinheiro, junto à estrada, enchi um cinturão de cartuchos, meti mais meia dúzia nos bolsos e pendurei o bornal às costas com o que tinha comprado no Pingo Doce, na véspera.

Eram 08h30 da manhã. A missão estava definida: caçar todo o dia por aquelas extensas planícies e olivais, pousar o bornal e almoçar quando a fome o ditasse, tranquilamente encostado a um sobreiro ou a uma oliveira, com a Inka deitada ou sentada perto de  mim, e regressar ao carro quando a noite estivesse quase a cair, isto é, cerca das 17 horas da tarde.

Os meus genes de caçador solitário estavam totalmente despertos neste fim-de-semana e esta era uma experiência única que, no meu íntimo,  há muito desejava.

Recordo-me dos meus tempos de rapaz em que, sozinho, saía de madrugada de casa dos meus pais, com uma Ford Transit 'pão de forma' , com cortinas ( atente-se) e ia caçar lá para os lados de Mourão/Granja. Enfiava os cães lá para dentro, levava pombos correio para soltar e, sozinho, caçava todo o dia sem parar, fizesse sol, chuva, vento ou frio. Tal era o vício. a Ford Transit era tão antiga que para virar para a direita tinha que voltar o volante para a esquerda e vice-versa. Puro divertimento conduzir aquela máquina.

Regressando a Beja, a percha foi curta, um coelho, uma lebre e um perdigão velho.

Mas o divertimento foi grande. As codornizes continuam por ali e contentei-me em ir "amaciando o pelo à Inka", com festas e palavras de grande incentivo, sempre que ela as parava e eu as deixava ir, pois terminou a época da sua caça.

Ao meio-dia passei pelo Monte da Gravia, espingarda às costas e cadela atrás, e a mulher do Guarda, a Dona J. perguntava, admirada: então o carro? -lá o irei buscar mais tarde, agora vou dar uma volta para os lados do Guadiana.

Para aquela zona ainda não tinha ido caçar este ano. Num projecto de pinheiros, falhei, logo à entrada, com 2 tiros, um coelho que se escapuliu sem dar hipótese. Entretanto a Inka desapareceu e, já preocupado, comecei a chamá-la. A preocupação aumentou de grau ao não ver a cadela. Alguns minutos passam e oiço uma ladra dentro dos pinheiros - lá está ela- e pensei que corria atrás de algum coelho. Para minha admiração, vejo uma lebre a correr a sair do 'projecto' e, não fora a semi-automática com 3 tiros, àquela distancia não a teria segurado.

Finalmente! -disse. De manhã havia visto outras 2 e tinha falhado mais outra, com 3 tiros. Já pensava que terminaria o dia sem cobrar nenhuma.

Entretanto, vi o que me levou àquele lado. Um bando de perdizes selvagens. Ariscas, não deram "orelha" e fizeram um voo enorme. O sol começava a sua curva descendente. O suor, com o apressar do passo para as encontrar de novo, escorria pela testa e pescoço, em bica.

Cabeço após cabeço lá fui avançando, o vento pela frente, o sol pelas costas. Condições ideais para fazer um ataque ao bando. A Inka começa a dar-me sinais de rastos, desinquieta. Com o apito do colar, chamo-a, em silencio, para o pé de mim. "Ao pé" - disse-lhe, baixinho. A cadela com a cabeça alta, não me enganava, as perdizes estvam do outro lado do morro.

Com a cadela ao lado, chego ao topo do cabeço. "Brrrrrrrrrrr" -saltam 2 ou 3. Um tiro, dois tiros, nada. O cansaço pesava e o sol cavalgava já a esconder-se no horizonte. Subitamente, uma terceira levanta voo, possante,encaro a semi-automática e, quase sem apontar, disparo. A perdiz enrolou-se toda no ar e veio cair cá abaixo dentro da vala. Como a Inka tinha visto o lance, fiquei descansado. Alguns momentos depois estava na minha  mão, o perdigão da foto.

Tempo suficiente para uma foto com o telemóvel e regresso apressado ao carro.

Depois de voltar a sair do projecto de pinheiros, um coelho levanta-se do pasto e, já com alguma dificuldade, disparei, certeiro. Este já não ficou na foto. Foi pendurado, na cartucheira.

Por volta das 18 horas, noitinha, cheguei à carrinha. Arrumei a tralha toda, passei pelo Monte e, por volta das 21h00 já estava em casa, para jantar.

Percha: perdiz + lebre + coelho
Espécies vistas: 5 lebres, 3 coelhos, diversas codornizes, 2 ou 3 bandos de perdizes.
Kilómetros percorridos: não sei, muitos.
Tempo durante o dia: maravilhoso, céu limpo e um sol radioso.

Abraço amigo.




À Perdiz brava em Ourique



Poucas, mas boas e bastante suadas.

























Novembro 2014

Pese embora os terrenos ainda estivessem bastante alagados, em consequencia das fortes chuvadas e intempéries que, segundo os meteorologistas, tornaram o mês de Novembro o mês mais chuvoso dos últimos 17 anos, adivinhávamos um dia cheio de sol, com as condições necessárias e boas para a prática da caça de salto em linha, à perdiz vermelha.


As perdizes nesta herdade são filhas do campo,  completamente bravias, pelo que, nunca a tarefa que tínhamos pela frente seria fácil.


Costumo dizer que se reparo numa ou duas perdizes levantarem voo e se vejo onde elas vão poisar, começo a "torcer o nariz" quanto à sua qualidade. Aqui, quando levantam voo, vemos a direção que tomam, mas é muito raro vermos onde vão poisar, sendo isso sinónimo dos seus voos poderosos e musculados, filhas da terra como acima disse.


Como em qualquer batalha, definimos uma estratégia e um plano de ataque e, na minha opinião, só cometemos um erro. Colocar uma porta exatamente no Biló. Aquela porta não pode estar ali, sobretudo à vista desarmada, pois a 'querença do Biló' é tão grande que as perdizes de certeza que repararam que as ruínas do Biló estavam ocupadas e evitaram para lá ir. Se tivéssemos tirado aquela porta dali, diria que poderíamos cobrar mais um ou dois pares delas. Fica  a lição e, por isso, na próxima vez, há que retificar.


Foram difíceis, deram muita luta, com belos lances de cobro nos limites, mas o prazer de cobrar uma ou duas destas perdizes não se assemelha em nada a alguns coutos por onde tenho passado.


Aqui, todos sabemos que é verdadeira qualidade em vez da quantidade. Por isso, tenho a certeza que quando o G. capturou, redonda, aquela perdiz ao final da manhã, a diversidade de sentimentos e sensações que de imediato o invadiram quando desatou a correr para ir apanhá-la, deve ter sido algo de maravilhoso que preenche a alma de um verdadeiro caçador. Pelo menos, comigo, teria  sido assim.


O almoço na D. Amália em Aldeia de Palheiros, foi de muitas estrelas ( adoro aqueles lombinhos magros de porco preto) e, com grande satisfação, terminámos a jornada, não sem antes passarmos pelo "canto do pássaro" para beber mais um cafézinho antes do regresso a casa.


Da minha parte, como ia para Beja no dia seguinte, "cozinhei" ainda ali uma ideia e fiquei mais um pouco e entrei no Pingo Doce, para comprar meia dúzia de coisitas, conforme estória que conto de seguida.


Abraço amigo e até à próxima.







quinta-feira, dezembro 04, 2014

Giões - Moinho do Monte Novo - Mértola












 














Novembro 2014
Moinho do Monte Novo


Logo após o almoço em São Miguel do Pinheiro, estávamos "mortinhos" por ir ainda dar uma "bicada" às "perdizes do Fernando" no Moinho do Monte Novo.

Bem pensado, bem dito e  bem feito, eu, o Paulo e o Luís 'voámos' nos carros cerca de 10 km e quando lá chegámos foi só tirar as espingardas das fundas, abastecer as cartucheiras com alguns cartuchos, soltar os cães e ir dar uma volta de +/- uma hora ainda antes de cair o sol.

A Inka, a atravessar o período do cio, de volta de uns arrifes, desinquieta-me um coelho que virou para trás mas para o lado errado: para o meu. Cobrado, meto-o dentro do bolso do ladrão do colete e sigo a caçar. O sol cai rapidamente no horizonte. As perdizes já só se ouvem o voo, em fuga. O Luís embrenha-se no projecto de pinheiros e desfere alguns tiros.

Era já quase noite escura quando regressámos os 3 ao Monte, espingardas abertas e passo apressado. O Luís tinha cobrado um coelho. O meu, quando meti a mão no bolso de trás para o retirar...encontrei-lhe o sítio. Tinha-me esquecido de puxar para cima o fecho do bolso e, lamentavelmente, o coelho acabou por cair algures durante a caminhada.

Duche tomado e fomos jantar ao Brasileiro a Mértola. Que melhor combinação do que uma açorda de bacalhau à alentejana, acompanhada com um vinho espumante bem gelado, do norte ?

Esperávamos um sol radioso no dia seguinte. Após noite bem dormida, abrimos as portadas das janelas e verificámos que tinha chovido quase toda a noite e o céu apresentava-se cinzento, ameaçador de chuva, desagradável. Que desalento!

A manhã, devido ao estado dos terrenos, lamacentos, estremamente difíceis de caminhar, foi de grande esforço para as pernas e corações. Fomos para os Giões, terras de estevas e barrancos e, mesmo assim, recordo-me de ter lama até aos joelhos. Só no topo dos cabeços é que ainda se conseguia andar em condições razoáveis.

As perdizes a que nos habituámos, desta vez vimos muito menos, certamente escondidas nos barrancos intransponíveis, falhámos muito mais,  devido ao cansaço, mas,  ainda assim,  conseguimos excelentes  tiros, a grandes alturas,  e acabámos por fazer uma bonita percha.

Aos meus pés, não me esquecerei do par de lebres que se escondiam perto de um regato e que arrancaram em grande velocidade.
Ficou uma. O macho.

Já perto do almoço abriu o dia, até ao final da tarde, com um sol maravilhoso, como que a zombar de nós.

Abraço amigo.




terça-feira, dezembro 02, 2014

Coutada de São Miguel do Pinheiro





Pois é, chama-se cozido de couve e é uma delícia alentejana.

































Novembro 2014
São Miguel do Pinheiro


Belas as perdizes que vivem naqueles majestosos cerros desta linda terra do Concelho de Mértola.

Por ali nascidas, fazem dos caçadores gato-sapato e que ninguém pense em grandes cintos, porque elas , pura e simplesmente, não se deixam chegar.

Capturam-se sim, na sua maioria, mas quando fogem e atravessam os ditos cerros indo direitas a algumas portas que, estrategicamente se colocam. Outras, em muito menor número, caiem, sim, mas quando se deixam surpreender pela linha de caçadores.

Na foto ( pena não ter levado a minha máquina que conferia, talvez, mais qualidade) um quadro de 28 perdizes, 6 coelhos e 2 lebres.

Os donos da Zona de Caça recebem os caçadores da melhor maneira possível e é sempre um prazer enorme ir ali caçar.

Pena temos nós de termos descoberto esta zona de caça já tão adiantado na época.

Abraço amigo.


PS: Esta foi uma caçada algo nostálgica para mim, pois tive de prescindir da minha inseparável companheira de 4 patas, a Inka, pois está a atravessar o perído em que a Mãe Natureza a chama para tentar procriar, isto é, está a decorrer o período do cio.
Em Maio de 2015 se Deus quiser, terá cachorros e o pai está escolhido.


segunda-feira, novembro 24, 2014

São João dos Caldeireiros



Uma manhã divertida nas Romeiras

Contraste de cores sempre bonito

Almodôvar. Dose para 3, de cozido de grão. Valha-me Deus!!












































Novembro 2014

Manhã de Caça em São João dos Caldeireiros, nas Romeiras.

Falando por mim, registo uma grande paragem da Inka a uma perdiz amagada no lavrado, com levante poderoso,  tiro certeiro e cobro na perfeição.

O resto... também por ali há zonas de caça muito boas.

Depois do cozido de grão, na imagem, em restaurante de Almodôvar, decidimos ir ainda destruir todas aquelas calorias atrás das perdizes em Ourique até ao final do dia, cair da noite. Teríamos cerca de hora e meia para se caçar até o sol se pôr no horizonte.

Ainda conseguimos reduzir o efetivo em mais 2 aves.  Ali, são mesmo, mesmo muito vermelhas!

A grandiosa sensação de estarmos isolados do resto do mundo e a liberdade de ver a tarde cair aos poucos.

Reparar na silhueta, já em escuro,  do Paulo, arma aperrada,  a caçar com o cão pela frente pela crista dos montados da herdade, só isso, valeu-me o dia.

Pena não ter uma máquina fotográfica à altura, comigo.

Bela imagem do que é a caça praticamente isolada, com cão de parar.

Abraço amigo

domingo, novembro 16, 2014

Atrás das codornizes, claro!



Vista parcial do Monte da Gravia












O que se conseguiu



Novembro 2014
5 codornizes
2 lebres.

Menos codornizes nos campos.

As fortes intempéries estarão por trás. Os terrenos, quase todos lavrados, deixam cada vez menos espaços para a sua caça.

5 codornizes e 2 lebres muito sofridas .

Abraço amigo.

Acreditem se quiserem

Uma das diversas penínsulas do couto na Estrela - Alqueva.













Resguardados da chuva.





























15-11-2014

Por gentil convite do Gonçalo S. fomos este sábado a uma jornada de caça num couto familiar para lá da Aldeia da Estrela.

Combinámos o encontro no café das bombas de gasolina antes de chegar à barragem, no Alqueva.

Como linha de caça tínhamos cerca de 8 espingardas.Pretendia-se, tão somente,  passar uns momentos agradáveis dado que a Herdade em causa, sendo banhada em cerca de 50 % pelas águas do Alqueva, é muito bonita de se caçar. Acresce que tem diversas penínsulas, que, segundo estudamos na geografia do liceu, tratam-se de extensões de terra cercadas de água por todos os lados, excepto por um, o lado que a liga à terra.

Com terrenos ondulados e pastos na sua grande maioria, o forte, ou por outra, talvez seja mais acertado dizer, o mais forte da caça são as lebres que por ali vivem, algo desassossegadas pelo gado bovino a que a herdade de dedica.

Aliás, os donos, mesmo sendo uma turística, segundo soube nem se dedicam à caça.

Fazem uma brincadeira por ano e por aí se ficam.

Enquanto que em anos anteriores a caçada se realizava sempre mais cedo na época de caça, com resultados interessantes, este ano, sendo feita em meados de Novembro, foi do consenso geral que saíu prejudicada nos seus resultados,  sobretudo pelas fortes chuvadas torrenciais durante a semana que, seguramente obrigou muitas a de lá saírem e procurarem terrenos mais abrigados de tais intempéries.

Com um ou dois bandos de perdizes, que não se deixam de maneira nenhuma chegar, abrimos a linha de caça e, no final, já debaixo de forte chuvada que o vento sul trouxe nesta manhã, terminámos no armazém do Monte, com um score de meia dúzia de lebres e um coelho muito bem arrancado pela minha Inka. O senhor João, o feitor da herdade, que o diga.

De resto, tivémos os chamados lances normais, nesta modalidade de caça.

Até que nos aconteceu um lance de excepção, que me vai acompanhar a memória até ao final dos meus dias.

O Gonçalo contornava uma peninsula e a Inka ia constantemente dando sinais de lebre por ali existente a deixar rastos. Não tardou muito que a "ruça" tenha fugido e, ao vê-la, gritei a plenos pulmões, "lá vai ela".

Foi, correu, correu,  e refugiou-se noutra península mais adiante. Aí o Gonçalo e eu não perdoámos. Decidimos dar-lhe caça.

Dificilmente fugiria. Deixámos, estratégicamente, um caçador de espera no único sítio por onde ela poderia passar para trás, de fugida. Eu e o Gonçalo arrancámos, um pela esquerda e outro pela direita e, desacredite-se quem pense que seria um palmo de terra. Não, ele ia num lado, eu ia pelo outro e praticamente não nos víamos. Andámos, um bom bocado, a Inka ia entusiasmada, teimosamente dando sinais da lebre. Já no final, praticamente por instinto olho para trás e já só lhe vejo o dorso. Um tiro e o mais que consigo foi acertar no chão. Gritámos: aí vai ela, aí vai ela...!!

Ficámos à escuta. Um tiro, dois, três tiros. F##**d*se! -diz-me o Gonçalo., " já se foi". Um quarto tiro. O Tio H., que por lá perto estava,  tinha-lhe barrado definitivamente o caminho,  de forma certeira.

Regressávamos quando salta outra fora de tiro. "Aí vai outra, aí vai outra" - gritámos.

Nem um tiro. Acelerámos o passo para ver o porquê e quando lá chegámos ficámos a saber.

Esta, sentindo que por ali teria o destino traçado, fez-se à água e, corajosamente, deu um salto e começou a nadar para alcançar terra firme, para a outra margem. Logo nos indicaram onde ela ia a nadar. Olhámos atentamente e lá longe, já, só lhe víamos as patas da frente a chapinhar na água e a nadar bravamente. Terá percorrrido cerca de 250/300 metros a nadar. Nunca tal tinha visto na minha vida de 40 anos de caçador.

Gritámos para o Orlando S. - corra, corra que ela vai sair lá á frente. O Orlando, de arma aperrada acelerou o passo e escondeu-se atrás de uns arbustos. 'Orlando, olhe que ela vai sair mais à frente'.

'Estou  a vê-la muito bem' -retorquiu.

A corajosa lebre, ao fim de aproximadamente de 10 minutos (!)  de natação, num meio hostil que era de todos menos o dela, alcançou finalmente a margem e arrancou a correr, já estafada. O Orlando, nada fez.

Aproximámo-nos do Orlando e questionámos:  "Então? - porque não 'segurou' a lebre quando ela subiu a margem ?

"Não quiz! Deixei-a ir. Estive a ver a batalha que ela travou contra a água. Esteve 10 minutos a lutar. Esta lebre merecia tudo menos morrer." - finalizou, com firmeza na voz e olhar penetrante.

Nessa altura, caímos em nós e olhámos uns para os outros. Eu, confesso que fiquei envergonhado e embaraçado. O Orlando fez muito bem. Aquela lebre merecia a salvação. Para além de esperta, desafiou a morte ao aventurar-se e atirar-se para as águas do Alqueva. Lutou, lutou, até à exaustão e conseguiu a fuga. O Orlando, depois de observar toda aquela grande luta...decidiu, sozinho, fazer-lhe a vontade!

Amigo Orlando, que grande lição de fair play, de lucidez e serenidade nos deu. Um grande bem haja!


No final, as fotos, de fraca qualidade, foi o melhor que se pode arranjar pois no final da manhã
chovia a cântaros. Ainda aguardo uma ou duas fotos que o Orlando terá conseguido tirar à lebre dentro de água a nadar.

Um abraço  amigo, muito especial para o Orlando.