sexta-feira, novembro 29, 2019

A nossa paixão em terras de Mértola: a Perdiz Vermelha !


















Mértola


Terceira caçada na Herdade de Santa Maria, São João dos Caldeireiros.

Como em tudo na vida, tudo o que é acossado com alguma frequência, adquire novos e aperfeiçoa os seus habituais  instintos e mecanismos de defesa.

Imagino nestas terras os ainda existentes e sobreviventes bandos de perdizes, avançada a época de caça já em finais de Novembro, a verem ao de longe uma linha de caçadores e diversos cães pela frente a esquadrinharem os terrenos e a aproximarem-se dos seus locais.

Inquietas e já sabedoras de que se trata da caça à sua própria espécie e da possibilidade de serem capturadas pois viram diversas irmãs a caírem ao sabor dos tiros, já saltam longe, largas,  e fazem grandes voos a perder de vista, defendendo-se o mais eficazmente possível do troar das espingardas.

É a luta entre caçador e as perdizes, onde, nesta altura,  já  estas últimas ganham grande vantagem sobre nós , pois não se deixam iludir. E apesar de continuarem a haver quadros de caça no final, vejo claramente que as que escapam são claramente muitas mais do que as que caiem.

Onde elas por vezes se enganam é nas trajectórias de voo.

Algumas,  que acabam por ser mais retardadas "a sair", enganam-se e cruzam  a linha de caçadores que vai em marcha, dando sobretudo possibilidade aos pontas de enrolo e contra-pontas e permitindo belos tiros de passagem.

Já há menos perdizes, isso é certo e normal, mas aqui,  as suas qualidades de genética e de bravura leva-nos a fazer nestas jornadas entre 10 a 20 km de arma em riste, por dia, na perspectiva de conseguir pelo menos um ou dois exemplares destes.

Na foto acima, já não sendo o quadro final de caça, a linha esteve (muito) bem no seu desempenho e conseguimos 30 belos exemplares, sendo que 14 eram perdigões e 2 deles eram "reis do bando" ou ditos  "reais".

Abraço amigo.









terça-feira, novembro 19, 2019

Há uns anos que não os caçava !






















17-11-2019
Os tordos estão de volta!


Perto de 130 disparos, 33 pássaros abatidos.Há que aprimorar a pontaria.

O meu amigo e companheiro de caça PL fez igual média.

Os tordos estão de volta !

Promessa de mais pormenores em breve.

Abraço amigo.




Em Mértola, de novo, de salto.



















16-11-2019
Moreanes, Mértola


Terras de Perdiz Vermelha e Lebres, por excelência, apesar da inclemência da seca que se faz sentir no Alentejo, como se pode observar.

Dezoito quilómetros percorridos e lidos em pedómetro digital.

Grande esforço nas primeiras 2 horas de caça. Sem hipóteses de tiro e , sobretudo, sem avistar caça, as pernas já pesavam na transposição daqueles cabeços e daquelas aramadas destinadas a conter o gado.

Reunido o grupo por volta das 11h30, tomou-se a decisão de ir percorrer outra zona da herdade.

Nesta segunda volta fui (bastante) mais feliz.

Abrigada do vento forte que se fazia sentir, em chapada virada ao sol , realço uma lebre a sair da cama à frente do Jeep ( encantador o desabrochar das cores branco e marron de uma lebre a saír à nossa frente ) . Deixo-a estender-se durante uma vintena de metros e um B&P Ch 6 encarregou-se de lhe travar a fuga. Cobrada com alegria pelo braco.

De perdizes, consegui as 3 da foto. Duas fugidas da linha em tiros atravessados, não avistadas as quedas pelo cão, mas cobradas calmamente de espingarda aberta e deixando o Jeep trabalhar.

Uma levantada pelo Jeep, dentro de olival murado e com tiro certeiro já a cair para lá dos muros, em terreno incerto. Desta feita o Jeep viu-a e prontamente saltou os ditos muros, no seu encalço.

Instantes depois ( bela imagem) aparece de cobro, cabeça alta, com a ave na boca.

Abraço amigo







De novo em Santa Maria, à Perdiz !

Quem não gostará de caçar à perdiz em terras destas?

Quadro de Caça

Foto de Grupo












































09-11-2019
Mértola


Uma das minhas Herdades preferidas para a caça da perdiz vermelha.

História muito em breve.

Abraço amigo




Coelhos na Amareleja



Terras de coelhos por excelência
Encontro dos matilheiros, para avaliar a situação da jornada.
Matilheiro em trabalho













Quadro final de caça
































Amareleja
06-11-2019


Por especial convite de amigo meu, Matilheiro por paixão, sem arma, quer em caça menor quer em caça maior, participámos nesta caçada,  realizada em reserva da Amareleja, que confina com o Rio Ardila, sendo provavelmente uma das melhores do País neste género de caça, o coelho bravo.

No final, o número de coelhos abatidos,  já por mim era esperado, atendendo à quantidade ali existente.

O que me leva a aceitar caçar ao coelho de forma tão entusiasmante é precisamente ver o trabalho sério e apaixonado dos matilheiros e dos seus intrépidos cães, a maioria de raça indefinida mas sempre com traços muito fortes do nosso podengo português, ouvir as gritarias dos homens sempre que há levantes, as fugas desenfreadas dos orelhudos em busca de abrigo rápido, o som dos tiros, muitas das vezes sempre difíceis e a requererem especial cuidado por causa dos cães.

É sempre uma manhã de caça muito muito bonita e divertida.

No final, quer em actos de espera em cima dos morouços onde estão as tocas e para onde eles fogem, quer andando atrás dos matilheiros aguardando a fuga fortuita destes pequenos roedores, lá consegui abater 4 ou 5.

Considero que uma época inteira de caça deve merecer, sempre que haja oportunidade, pelo menos uma caçada destas aos coelhos.

Abraço amigo.






segunda-feira, novembro 04, 2019

Teste de esforço, de salto, à perdiz.






























Mértola


Após tomarmos o pequeno almoço na lindíssima vila de Mértola, com o habitual galão e sandes mista de pão fresco já do dia, dirigimo-nos rumoa sul, a cerca de 15 Km , onde num café local nos encontraríamos com o guarda desta reserva, a que chamaremos de Sr C.

Feitas as apresentações seguimos o Jipe em marcha moderada e fomos direitos ao que supomos ser um dos Montes da Herdade.

A orografia desta Herdade tanto é:

  •  "mais macia", isto é, menos acentuada com grandes línguas de estevas e pedras  xistosas que albergam não só perdizes mas também coelhotes, como é:
  •  "mais agreste", com barrancos bem pronunciados, geralmente a ladearem linhas de água, ondem existem inúmeros bandos de perdiz selvagem , muito difíceis de conseguir para quem não conheça o terreno.
Este foi o desafio que anterior e deliberadamente decidimos assumir, sem medos, caçar nestes terrenos elevando a fasquia do esforço e ver o que conseguíamos. Impossíveis não há e na caça, também não!

Foi, sobretudo, neste aspecto que, sem a ajuda do Sr C, estou convencido, depois de vermos todos aqueles barrancos, que pouco teríamos conseguido, visto sermos só 2 espingardas a caçar.

Mas profundo conhecedor dos locais onde até estão os bandos e melhor forma de os abordar por forma a conseguir reunir algumas chances de abater uma ou duas, o Sr C foi-nos dando alguns conselhos ( que prazer ouvir este Sr falar sobre caça )  essencialmente sobre o terreno a bater e, ele, ao longe, foi acompanhando a evolução dos acontecimentos.

À medida que nos aproximávamos da primeira zona a fazer, confirmávamos sobre a quantidade de caça que já nos haviam dito, as perdizes, nos recônditos caminhos a apanhar o primeiro sol da manhã, fugiam do jipe do guarda, a patas, barrancos acima, em tal velocidade que mais pareciam lebres e os coelhos acompanhavam-nas num mesmo efeito.

Armámos as espingardas, soltámos os bracos e entrámos por um barranco exposto ao sol, com mato qb, pedras soltas e inclinação de 35/40 graus nas partes mais altas. O PL seguiu mais pelo topo e, logo ali, ouvimos um bando a cantar. O PL lá no alto fazia os primeiros disparos e cerca de de 7 a 8 aves lançavam-se de asa aberta para o barranco oposto. Mas voaram quase todas por cima de mim, mais ou menos a 30 metros de altura. Que sorte a minha , e que adrenalina. Aponto a Beretta a uma, desfiro um, dois tiros e vejo a perdiz a perder altura e, já na outra encosta, caiu estrondosamente no chão. Desço tudo outra vez e com o coração aos saltos acho que acabei por "perder o azimute" ao tombo. Quando lá cheguei já não sabia onde a perdiz tinha caído. Pedi ao Jeep meu BA, para procurar e cobrar mas, desalentado, vejo que o cão não me dá nenhum sinal da queda da ave. Continuo a procurar. Havia tempo. Mais alguns minutos e nada. Já não sabia mesmo onde ela tinha caído. Oiço o barulho do Jipe do guarda a proximar-se lentamente. " A perdiz como caiu está morta mas está muito mais acima" - dizia.

Subi mais 15 ou 20 metros e, logo ali, mesmo ao caminho lá estava ela, peito virado para baixo e asas abertas, inerte. Difícil explicar a alegria de a encontrar. Um macho, 1 esporão largo e outro mais pequeno. Peito bojudo, cores vivas. Boa cabeça. Cheiro a perdiz, cheirava a mato, maravilhoso aquele cheiro.

Agradecendo ao Sr C, segui, apressado,  para apanhar o PL. Durante o caminho, vi diversos espojeiros de perdiz, e mais algumas fugiram, largas, possantes,  sem "dar gatilho".

No fim do barranco lá me encontrei com o PL. Mostrei-lha a minha perdiz, vaidoso. Ele, com um sorriso, meteu a mão à parte de trás do colete e retirou duas. Uma delas, um macho soberbo, de grande cabeça, e com 2 pintas na cauda, 1 em cada pena. Perdigão real, o dito Rei do bando! Três esporões visíveis. Ali estivémos, a observá-las e a comentar os lances, ao mesmo tempo aliviando do esforço despendido. Entretanto, aproximava-se o Sr C.

"Com este vento, vamos ter de ir para outro lado. Aí nas limpas, há muita perdiz mas 2 espingardas não conseguem nada delas " - retorquiu.

Entrámos no Jipe e seguimos para novo local, também bastante acidentado, conforme se pode observar no video acima.

Ao chegar ao segundo local, pelas 10h30, da manhã, logo ali voa um bando encosta acima.

"Comecem já a atacar naquelas, sempre contra o vento, senão não conseguem nada delas. Mas, desta vez, vai um de cada lado, em barrancos separados. As que saltem de um lado vão logo para o outro e têm de aproveitar"

Eu teria que ir no barranco oposto, mas sempre a meia encosta e o PL idem, do outro lado, mas mais em cima.

Começo a ver as perdizes a saltarem-lhe à frente, às 5 e às 6 de cada vez. Bem que disparava mas saltavam largas e seguiam em frente e não vinham ter comigo. Desta feita a sorte não estava do nosso lado.

Pelas 11h30, juntámo-nos todos, de novo. " Vamos passar a estrada de alcatrão e fazer aquele bico de projecto de azinheiras. Costuma lá estar um bando. Um tem de ir 60 ou 70 metros mais à frente".

Lá entrámos e o Jeep começa a dar-me sinais de rastos de perdiz. O vento, forte, estava de frente.

Salta uma lebre ao cão do PL mas ele grita para parar. Logo de início nos tinham dito que nesta herdade proibiu-se este ano a caça à lebre.

Oiço o grito mas vejo o PL a correr. Mais à frente o meu cão, o Jeep, estava em belíssima paragem, nariz alto, a sinalizar caça a alguma distancia. O PL faz-me sinal e eu faço, rápido, a abordagem. pouco tempo tive para admirar o que qualquer caçador adora mais ver, a paragem do seu cão. A perdiz arranca, da direita para a esquerda, direita às limpas, para fora do projecto. Primeiro tiro e toco-lhe, segundo tiro e atiro-a logo abaixo, já nos pastos. Ultrapasso, lentamente, um aramado e mando o Jeep cobrar, sem esforço. Uma fêmea, linda.

Convidámos o Sr C a ir até ao monte , para um pequeno taco que tínhamos no nosso carro, queijo curado da serra de serpa e um cachaço de porco preto, fumado, com um vinho tinto de garrafa que tínhamos aberto na véspera e pão de Rio Maior.

O tempo passava e o Sr C dizia-nos que o melhor era ir a uma horta ( não vi lá couves ou vegetais nenhuns - estava tudo seco, mas bem abrigado, algures para lá do monte ). Este Sr sabe mesmo de caça, não sendo em vão que há 20 anos é guarda desta reserva.

Lá fomos e fizemos a abordagem ao que me pareceu mais um redil, murado e cheio de oliveiras velhas.

O PL pela direita e eu começo a ver o tal dito bando a fugir, longe,  para trás dos muros. Apoquentadas, levantam, tocadas a vento e uma passa alta, bem vermelhinha, por cima do PL que, com tiro certeiro, enrola-a no ar e manda-a cá para baixo.

Do meu lado, a sorte veio ter comigo,  e vejo uma a levantar. Corrida a espingarda "jogo-lhe" um primeiro tiro mas a perdiz cai de asa, em grande correria. Desato também a correr pois sabia que, se não a rematasse no chão, a perderia. Com as pernas já em fim de linha, exausto, mais um tiro, longe, mas ela continua a correr. Corro também, enquanto, nervoso, mudo de cartuchos. Ao terceiro tiro, depois de muito correr e tropeçar ( ia-me esbardalhando todo pelo chão) lá a consigo segurar. Um macho lindo.

Hora de acabar e saldo de 3 perdizes ( aquilo é mais do tipo galos) para cada um. Desafio vencido pois o cupo era de 3 aves para cada. Não podia ter corrido melhor.

Logo ali tentámos combinar uma nova visita, mas deita feita com um grupo de caça. Aquelas "limpas" que se vêm na primeira foto e que confinam lá muito para baixo com as margens do Guadiana, têm muita caça. A Herdade é difícil, toda a descer para o Guadiana mas, bem caçada, e com os conselhos do Sr C, estou convencido que dará uma jornada ao mais alto nível.

Um abraço amigo.













Por terras de Aljustrel, à perdiz, com patos à noite.

Percha ao final da manhã.










 









 
 
















Aljustrel

Compromisso assumido com o dono desta reserva, e às 07h15, religiosamente,  estávamos no ponto de encontro, na vila de Messejana, Aljustrel, de onde então partimos para uma reserva, não muito distante dali, para tentar a sorte com as perdizes e uma ou outra lebre que encontrássemos pelo caminho.

Todavia, previamente,  procurámos as codornizes em extensas zonas de pasto , mas a busca revelou-se infrutífera ao final de muitas centenas de metros. Resolvemos, então,  mudar para a zona onde se sabia existirem um ou dois bandos de perdizes.

Tratava-se de uma vasta zona de pinheiros e,  bem cedo,  o Jeep, meu BA, começou a dar-me fortes sinais da sua existência por aqueles lugares.

Com o cão, já muito entusiasmado, a rastear cheiros deixados pelas vermelhudas, cedo me  apercebi de que as tínhamos pela frente, nas patas, e  muito em breve as teríamos ou a fugir fora do nosso alcance ou... a dar "gatilho".

De espingarda bem aperrada nas minhas mãos, vejo que, na minha esquerda o PL fazia encastelar uma, que, infelizmente, dada a longa distância em que caíu no  meio do projecto de pinheiros, acabou posteriormente por não ser encontrada.

Da minha parte, chego-me a uma estrada de terra batida, o Jeep dá-me sinal forte de perdiz por perto e tenta passar pelos arames farpados, sem o conseguir. Com a noção de que poderia perder o jogo e a perdiz lançar-se em fuga, lá peguei no cão, encostei a espingarda  e, por duas vezes, transpusemos as vedações das margens da estrada.

Já do outro lado da estrada, reparo então que o Jeep  mantinha o seu trabalho por vários metros, sinal de que a perdiz ainda por ali estaria. A adrenalina subia. Estava certo!. A cerca de 25, 30 metros, levanta-se, estridente e consigo, ao segundo tiro, derrubá-la, redonda . Mando o cão cobrar e,  depois de alguns momentos,  tinha-o pela frente, radiante, com a perdiz bem levantada, na boca.

A minha segunda ocorre numa ribeira (seca! - para quando umas chuvadas a sério neste Alentejo?) com muito juncal nas margens. Estávamos a atravessar para o outro lado quando reparo que o Jeep não apareceu. Estranho, não o chamo com o apito e  volto para trás à sua procura e reparo, dentro da ribeira, que alugures estaria em ponto com aquele pequeno bando de perdizes que dali saltou em fuga e onde bem poderia ter feito um doble mas só consegui uma,  que foi cair no outro lado da encosta. Também bem cobrada, com muita alegria por parte do cão.

Saímos, então, para uma zona propícia para a caça da lebre. Encostas solarengas de pastos e cardo, bem resguardadas ao vento frio e forte que se fazia sentir de oeste.

Log ali num  baixio, salta uma lebre à frente do PL que, certeiro, deixa-a correr e estende-a nos pastos com um tiro, sendo cobrada pelo seu BA.

Vamos ver se consigo uma - pensava eu!

Lá mais nos altos mas acamada ao sol e abrigada dos ventos salta-me uma. Deixo-a alongar-se com o Jeep já a arrrancar no seu encalço. Difícil segurar um cão nestas circunstancias. Aponto, seguro, e ao primeiro tiro derrubo-a, com uma cambalhota, sendo logo prontamente agarrada e cobrada pelo cão.

Já mesmo no regresso para os carros, arranca outra, de uma linha de água ( seca, claro!) . Ao primeiro tiro, sinto que lhe dou, ao segundo o mesmo efeito mas a a lebre continua em fuga e o Jeep em louca correria. Só lá muito para a frente é que já mal conseguindo ver o que se estava a passar, vejo a lebre a reduzir a velocidade e o cão a agarrá-la, segurando-a no chão por uns momentos, ofegante, e logo levantando-a com a boca e trazendo-a prontamente.

Ao almoço, reunimo-nos em  aldeia próxima para comer um delicioso guisado de javali, abatido há pouco tempo, acompanhado de uma salada de tomate bem maduro com muita cebola, e batata frita aos quadrados.

Feitas as despedidas, rumámos, céleres,  para a zona de Mértola, onde íamos desfrutar do sempre misterioso cair da noite no campo, e  esperar os patos reais ao entardecer,  em açude com 2 abrigos artificiais já ali existentes. À nossa chegada levantaram-se logo meia dúzia deles. Estes já não voltariam.

Com vento sudoeste a soprar com muita força, sabíamos que viriam em sentido contrário,  e com vontade de se fazerem logo ao açude. Contudo, havíamos combinado o tiro sem os deixar poisar, pois o risco de fugirem "sem poisarem na água" era muito elevado.

Assim foi. Entraram 2 que já não chegaram ao meu alcance. Dois tiros, e um doble do meu amigo PL .
Minutos mais tarde vem um terceiro a entrar,  também com tiro certeiro cai para as costas do posto do PL que saíu a correr para o cobrar.

Ia anoitecendo e vigorosamente entram mais 2, desta feita com doble meu. Ficaram ambos dentro de água, um ainda a chapinhar.  Entra-me um terceiro. Disparo e vai cair lá por trás do talude do açude. Pouso a espingarda, saio do posto e corro, para ainda o conseguir ver a tentar fugir à pata. Seguro-o.

No seu lugar, o PL compensava a minha saída do posto e consegue mais 2 ou 3, certeiros.

No total, abatemos 9, mais ou menos em meia hora,  sendo que, atendendo a que já andam muito atirados e desconfiados, ficámos satisfeitos com o resultado da espera.

Neste longo dia de caça, deitámo-nos propositadamente cedo para tentar dormir algumas horas pois no dia seguinte, o esforço e as dificuldades haveriam de triplicar ou mais.

Abraço amigo.












segunda-feira, outubro 28, 2019

Um regresso em grande

O maravilhoso final do entardecer  em terras de Mértola.

Herdade onde decorreu a caçada.


Grupo de caçadores

Quadro final das peças cobradas.















Em terras de Mértola
Uma boa caçada à perdiz


Durante o período do defeso fui, aos poucos,  sendo amavelmente informado acerca da evolução das criações de perdiz vermelha nesta Herdade que tem o condão especial de albergar belíssimas aves em termos de porte e bravura, quando atingem o seu estado de adultas.

Não sei explicar bem o porquê mas Santa Maria, nos termos atrás  indicados sobre as suas perdizes, destaca-se, na minha humilde opinião, pelo menos no que conheço de algumas outras reservas.

O dia lindo que se fez sentir, a abordagem ao terreno, a disciplina no cumprimento das instruções dadas à linha  que se montou e a colocação cirúrgica de 2 ou 3 portas durante a caçada, com a mestria de quem muito bem conhece aquelas terras, permitiu obter o quadro final da foto acima.

Pessoalmente, por razões que se prendem com os meus fieis amigos de 4 patas, estive numa dessas portas, pelo que assisti a espectaculares voos de bandos em fuga pelas encostas abaixo e fabulosos tiros em que, uma a uma , se desprendiam lá do alto e caíam estrondosamente terras e matos adentro.

No final, a satisfação era evidente por parte do nosso grupo e culminámos a comentar as peripécias da manhã, à volta de uma mesa, em Almodôvar,  num saboroso ensopado de borrego, regado com os bons tintos da região.

Um abraço amigo e até breve, na certeza porém de que, na próxima, seguramente irei " de salto" com os cães pela frente.








Bom tiro. É sua !!

Terras de Caça.



















Messejana
Conceição
Atrás da Perdiz Vermelha


Único mas belíssimo troféu. Um dos meus melhores cobrados este ano.

Mantêm-se as altas temperaturas e as consequentes dificuldades nos campos, com os cães e... nos resultados das caçadas.

Sobretudo quando nesta reserva sendo a caça nascida e criada no campo,   logo pressente, desde muito longe,  quem são os intrusos nos seus territórios habituais.

Agreste e desconfiada, pôem-se nas asas a grandes distancias e só mesmo quando  sol vai alto e as temperaturas insuportáveis e depois de alguns voos tresmalhados, dão mão,  e até saltam escandalosamente aos nossos pés.

Não há caça ou tiro mais bonito do que a de salto, isolado, ou em linha, à nossa perdiz.

No caso em apreço, por volta das 13horas, um belíssimo exemplar abatido, a saltar, poderosa, em olival velho e sujo, da direita para esquerda. Dois tiros simultâneos, cobro de um breton, e o CS a dizer-me; Sérgio, bom tiro, esta é sua !

Estimado amigo, um abraço.





segunda-feira, outubro 21, 2019

Feita à maneira ! Uma caçada de salto à perdiz.




























Conceição
Messejana
17-10-2019




Decisão muito acertada, esta que eu tomei relativamente a esta Reserva.

Não só pela qualidade da caça ali existente mas também pelos experientes companheiros que integraram a linha e que muito bem demonstraram saberem o que ali tinham ido fazer, no que se refere às técnicas e arte de caçar à perdiz em linha.

Belíssimo!.

Embora com o dia algo cinzento, e,  falo por mim, acho estes dias sempre pouco propícios  no que se refere ao tiro a estas rainhas dos nossos campos.

Ainda sem nascer o dia, dentro do monte,   sobre carta topográfica dos terrenos, foi desenhada e explicada a volta, sendo então escolhida a ponta de enrolo.

No terreno, a maioria com orografia similar ao que identifico na primeira foto acima,  7 caçadores deram muito boa conta de como se faz estas coisas e, aos poucos e poucos, as perdizes iam ficando tresmalhadas,  desorientadas e, dando " orelha".

Quanto às lebres, penso que aqui neste tema foi mais ou menos fácil a captura de uma por caçador, imposição acertada do gestor da caça.

Os cães, esses, pelo que me foi dado observar, também eram, na sua maioria, cães bons e experientes pelo que auxiliaram e muito aos números.

O Jeep, o meu novo  BA, evolui nestas lides a olhos vistos e, para além da resistência ( aguenta manhãs inteiras de caça sem aparentar grandes sinais de cansaço ) adquire experiência a olhos vistos na busca,  no rasto e nos cobros, é um cão cheio de alegria que, como é costume dizer-se, enche-me as medidas !

Recordo detecção de rasto  de perdiz, trabalho detalhado sobre o mesmo, ponto/ mostra e, cerca de 20 metros mais à frente, levantamento vibrante da ave que, bem apontada, caiu imediatamente, tendo o cão cobrado a peça, rápida e alegremente.

Quando as caçadas assim correm, é sempre com alguma  nostalgia que regressamos a nossas casas, mas, desde logo,  sempre a pensar já numa seguinte, se possível.

Abraço amigo








terça-feira, outubro 15, 2019

Em linha, à perdiz vermelha.





















Em terras de Mértola
Sábado, 12-10-2019


Entre perdizes, coelhos, lebres,  e patos à noite.

Chegamos ao Monte cerca das 10h30 da noite, e juntámo-nos a outro grupo de confrades que há muitos anos habitualmente por aqui caçam, embora eles façam algumas consideráveis centenas de quilómetros a mais do que nós.

Depois de meia dúzia de horas bem dormidas, acordei na manhã seguinte , atravessei o pátio interior e juntei-me ao pequeno-almoço, onde o bom humor cedo começou a imperar.

Adivinhava-se, desde logo, uma boa manhã de caça e o nervoso miudinho já reinava saudavelmente nas nossas mentes.

A volta às perdizes, essa, começou logo ali, à saída das traseiras do Monte.

De espingardas às costas e cães pela frente, bracos, um ou 2 setters e perdigueiros português , a linha começou a desenrolar-se com ligeireza, e algum tempo depois - muita caça a fugir fora de tiro na primeira meia hora- as oportunidades iam aparecendo.

Os bandos de perdizes , já fora dos seus territórios habituais, o que nada apreciam, começaram, como se previa,  a fazer as revoadas para trás, em altos voos por cima dos caçadores e em que, uns melhor que outros, aproveitavam tais oportunidades.

Recordo tiro meu, que mereceu mais tarde largos elogios, a perdiz revoada a sensivelmente 15 ou 20 metros de altura,  mas atingida mortal e seguramente a uns bons 50 metros de distancia pela minha Beretta, choque 3* e com a ajuda do meu habitual cartucho B&P - F2 Classic , 34gr de chumbo 6. Atingida em cheio, despencou lá do alto e foi cair, larga, atrás do talude de um açude ali existente. Insisti no cobro com o meu novo BA, o Jeep, e, surpreendentemente, não obstante o belíssimo olfacto do cão, passou 2 ou 3 vezes por cima da perdiz, até que, finalmente, lá a agarrou e cobrou alegre e rapidamente, como é seu apanágio.

Algum tempo depois cobrava a minha segunda. Levante poderoso, da direita para a minha esquerda, espingarda corrida, tiro e enrolo no ar com queda aparatosa para lá de um aramado. Rápido, levantei a parte de baixo dos arames e ordenei o cobro ao Jeep que se esgueirou e foi a correr cobrar a perdiz, mais uma vez impecavelmente. "O cão faz-se" - pensei, radiante.

Muitos mais lances envolveram posteriormente a caçada, tiros muito bonitos, belíssimas paragens dos cães a lebres e coelhos, raras vezes a perdizes, mesmo sendo novas, já alguns torcazes a entrarem ao montado e a permitirem também bons tiros, gritarias a duas zorras que fugiram com muitos tiros a tentar derrubá-las, este bicho é deveras o inimigo numero um para quem cuidadosamente trata da fauna de um couto de caça menor, ela destrói diariamente ninhos, mata láparos, lebres,  entra e pilha nos galinheiros dos montes ali existentes tal como nos narraram, basicamente tudo quanto é vivo e apanham pela frente matam. Daí o ódio que os locais têm às raposas. Desde sempre assim foi e assim será no mundo rural, não tem nada de extraordinário.

Grande satisfação, também por parte dos proprietários,  por verificar que das perdizes avistadas nesta jornada, só uma percentagem mínima caiu ao som das espingardas. Muita perdiz fugiu e os bandos mantêm-se, assim, praticamente intactos.

No final da nossa caçada, celebrámos, degustando um bom bacalhau gratinado com espinafres, garrafas de branco bem gelado das terras de Mértola, e um gelado no prato como sobremesa, tudo misturado com boa disposição e comentários dos melhores e também dos mais divertidos lances.

Os donos da herdade, também naturalmente satisfeitos com o resultado da caçada, comentavam, já durante o ritual do café,  o esforço aqui desenvolvido pelas gentes rurais, logo desde Janeiro onde iniciam o lavrar das terras, de manhã à noite em cima dos tractores, as colheitas do cereal já nos meses mais quentes, o tratamento diário do gado ovino e bovino,  e outras tantas actividades transversais aos produtos da terra, deixam-nos forçosamente a pensar como não pensar e lutar atrás das secretarias em Lisboa, em prol desta nossa gente, verdadeiros heróis do trabalho e labuta diários.

Aqui não há reivindicações de semanas de 40 horas de trabalho, é o que for necessário para extrair o que de melhor a terra nos pode dar.

Para o final do dia, guardámos a beleza misteriosa do cair da tarde, numa espera  aos patos selvagens, desde as 18h30 até às 20h, com entradas pontuais de 2 ou e 3 patos de cada vez,  já muito escaldados, desconfiados, mas que permitiram ainda disparos suficientes para a captura de 3 reais e uma fêmea.

Até breve e um

Abraço amigo.









Leziria de Vila Franca - de novo em modo de treino!!

















10-10-2019
ZCM

Aproveitando a manhã de quinta-feira e mais para dar algum trabalho físico aos cães, nova deslocação à Lezíria.

Continuam as terras completamente intragáveis devido às nuvens de pó levantado dos caminhos pelas máquinas, tractores, alfaias e camiões de carga.

Uma investida numa área de pimento já apanhado e 2 codornizes cobradas e 2 falhadas.

Assinalável paragem do Jeep, digna de foto que não foi possível, em codorniz que pouco aguentou e fugiu não sem antes ser perseguida por 2 tiros.

Para esta caça, continuo a ser fiel ao B&P , 30 gramas, chumbo 9 ( para quê inventar? ) e conto relatar 2 ou 3 caçadas à codorniz noutra zona, mas quando começarem a cair as primeiras chuvas, o que, na altura em que escrevo, já se vai verificando.

Um abraço amigo.








domingo, outubro 06, 2019

Serra de Serpa


























 05-10-2019
Uma Caçada à Perdiz


Caçar à perdiz vermelha na Serra de Serpa, em Outubro, com 28 graus de temperatura, convenhamos que , para mim, já é obra!.

Do alto dos meus graças a Deus bem vividos 64 anos, prestes a contabilizar já os 65, pela primeira vez na minha vida de caçador admito que estive quase, mas mesmo quase, quase,  a desistir de caçar de salto e ir para uma porta,  nesta bonita e relativamente pequena Zona de Caça, com cerca de 330 hectares, mas que alberga enorme qualidade na caça que ali nasce e cria.

Os efeitos físicos dos pronunciados barrancos, profundos,  e muitos carregados de mato, e o calor atroz das 11 horas da manhã, após trepar  e descer barrancos uns atrás dos outros, quase me obrigou a atirar o tapete ao chão. Foi por um triz. Não fora logo ali uma milagrosa pequena pausa dos caçadores em juntarem-se para refrescar com abundante água ingerida e teria mesmo desistido.

As perdizes, essas, como já esperava,  não deram "orelha" , atirei ainda a 2,  já com os "bofes" a sair da boca,  largas, e acabei por resumir as minhas capturas somente a um coelhote, bem entrincheirado em fileira de juncos, mas que a Inka, habilmente, desalojou e deitou-o a correr na minha frente, da direita para a esquerda, em jeito de: toma lá! Tiro certeiro, fácil, e cobro irrepreensível da cadela.

A perdiz na Serra de Serpa  é completamente selvagem e muito difícil de fazer saltar ao alcance de tiro. Ouvem-nos bem ao longe, põem-se a patas, e com os terrenos como estão em Outubro e este ano, só mesmo as portas conseguem algo mais, e pouco!

Não consigo descrever quaisquer lances de tiro, primeiro porque não consegui capturar nenhuma, e,  segundo,  porque das abatidas nenhuma vi a cair, devido ao acidentado do terreno, só mesmo as consegui examinar já penduradas nas piorneiras dos caçadores.

No final da manhã, 11 perdizes capturadas, todos belos exemplares, e 2 coelhos, não mais.

Lebres, algo habituais também por aqui, vimos uma morta , mas não com mixomatose, e outra escapando ao longe.

Salvou-nos um divinal ensopado de borrego, feito com hortelã da ribeira e bem regado com Pianitos, tinto box dos Arrochais.

Aqui sim, alegrámos então as almas e findámos com alegria e boa disposição,  numa manhã de caça muito dura, daquelas mesmo... "à antiga".

Ficou prevista nova jornada, mas só quando chover. Nas condições deste dia, por aqui, não dá mesmo. É só sofrer.

Um abraço amigo e até breve.





quinta-feira, outubro 03, 2019

2019 - Abertura da Caça à Perdiz

















Mértola, 02 Outubro 2019



À primeira impressão as criações de perdiz terão sido este ano  menos favoráveis quando   comparados os efectivos , com a época passada.

Atendendo à grande dimensão desta reserva, não podemos , desde já, comprovar este facto. Deveremos, assim,  aguardar por mais algumas jornadas para termos melhores certezas.

Todavia, nas populações de lebres, vítimas, como é do conhecimento geral, do fenómeno da  mixomatose, foram avistadas claramente em muito menor número.

Ainda assim, arriscou-se a Abertura neste dia 2 de Outubro e, com uma linha bem articulada de 5  caçadores e 3  portas sempre bem colocadas no terreno, conseguimos no todo resultados interessantes, apesar das temperaturas ainda muito elevadas, e, sobretudo,  a secura e dureza extremas das terras alentejanas, onde, pelo ruído que as nossas próprias passadas causam,  não só os bandos de perdizes levantavam muito fora de tiro, como também deu-nos cabo das pernas e tornozelos, levando-nos a  cansaço extremo.

A comprová-lo, o facto de terem sido as portas, as mais eficazes no que se refere aos abates.

Nesta abertura, estando a minha BA Inka em pleno cio, decidi levar o novo reforço, o JEEP, na foto,  e pô-lo à prova com perdiz do campo pela frente.

As minhas expectativas, quanto ao cão, foram superadas nas 3 vertentes que quis analisar mais em detalhe:
  • a resistência ao calor;
  • a performance do nariz;
  • a eficácia do cobro.
Faltar-lhe-á ainda a matreirice da busca, o que é perfeitamente normal,  mas os indícios foram deveras muito positivos. Quero vê-lo mais tarde, no adiantado da época de caça,  para melhor me poder pronunciar.

Abraço amigo




sexta-feira, setembro 27, 2019

Ainda em modo de treino.




















26-09-2019



Dia de treino de adaptação para o novo Braco.

Criando empatias.

Aguardando, pacientemente, pela Abertura Geral da Caça.


Abraço amigo




quinta-feira, setembro 12, 2019

Na Lezíria de Vila Franca de Xira- em modo de treino.

















ZCM da Leziria Grande do Norte
12 -Setembro -2019
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Nesta época de caça, infelizmente,  vimo-nos privados da nossa zona de caça à codorniz em Serpa e, na falta de solução alternativa, nada melhor do que andar em modo de treino, por aqui,  perto de Lisboa.

Optei , assim, por visitar hoje esta ZCM e às 06h30 marcava o ponto para a concentração de caçadores.

Antes, já dali haviam saído os confrades para a caça à rola e pombo torcaz. Pelo que me apercebi, bem têm visitado estas terras, proporcionando muito boas jornadas. Daí as 70 portas existentes, de novo integralmente preenchidas, originando uma autentica romaria de veículos a sair da sede da Zona de Caça.

Quanto à codorniz, habitualmente estes milhares de hectares costumam albergar e criar muitas centenas destas pequenas e belas aves, que por ali se refugiam e alimentam nas mais variadas culturas veranescas, tomate, meloal, pimento, girassol, milho, entre outras.

No entanto, ainda é muito cedo para aqui se caçar e obter resultados satisfatórios, mais de acordo com os limites impostos por lei. As temperaturas continuam demasiado elevadas, acima do que é considerado normal para o mês de Setembro e, por consequência,  temos muitas codornizes metidas logo de manhã  onde não se podem caçar.

Talvez lá para o final do mês, ou mesmo já em Outubro, comecem a haver boas chances por aqui

Hoje, no entanto,  foi dia de pôr em acção o reforço do plantel para 2019/2020, um BA de 5 anos, que irá fazer companhia à minha Inka, já com 8 anos e a braços com uma artrose crónica numa das pernas. Há, por isso, que lhe dar, justamente,  mais repouso,  e o JEEP, nome do Braco, irá, pouco a pouco, espero, assumindo a liderança.

Até às 10 horas da manhã, altura em que deixei de caçar devido às terríveis condições do terreno, desalojaram  meia dúzia de codornizes, tendo aproveitado 3 e perdendo uma abatida que caiu do lado oposto de uma das diversas e intransponíveis valas de água de  rega , ali existentes.

Como treino foi interessante ver a evolução do JEEP a arriscar-se a entrar mais destemido dentro das valas, e a confirmar a habitual valentia da Inka em desaparecer debaixo daquela vegetação escaldante e expulsar de lá as codornizes.

Na foto é visível o esforço e cansaço dos animais mas, como todos nós sabemos, os cães de caça é assim, em liberdade,  que eles são felizes, a dar tudo para agradar aos seus donos.

Um abraço amigo.







Coelhos - Um regresso à Caiada
















Almodôvar
Herdade da Caiada
09 Setembro 2019
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À semelhança do ano anterior, decidimos regressar a esta Herdade, pródiga  na existência de condições naturais para a criação, entre outras espécies, de coelho bravo.

Já agora, por aquilo que observámos enquanto nos deslocávamos pelo seu interior,  nos veículos , será também fabulosa em  perdizes, isto a avaliar pelo número de bandos que vimos.

Aqui, é notório existir especial cuidado dos proprietários em semear e colher,  deixando propositadamente palha e  restolhos bastante altos, propiciando, assim, refugio e alimentação farta para as espécies cinegéticas.

Tudo conjugado, naquelas zonas mais elevadas de mato, pequenas estevas e carrascos e rochas xistosas, circundadas destes ditos restolhos - e também nos barrancos -  abunda o que nos trouxe de volta, o coelho.

Abertos os reboques e soltos os cães, podengos e outros mais de raças indefinidas, foram, durante cerca de 3 ou 4 horas, um fartote de corridas, ladras, tiros e gritos, quer dos matilheiros quer dos caçadores.

Fugiram, escaparam muitos mais coelhos do que os que foram caçados , o que nos deixa sobejamente satisfeitos, numa altura em que tanto se diz e se fala dos caçadores, quando são exactamente estes, que garantem o equilíbrio das espécies dentro das zonas de caça ordenadas.

No final de uma simpática captura de 3 coelhos por espingarda ( será demasiado ? - claro que não ), deslocámo-nos a snack-bar / restaurante em modesta povoação nas redondezas, onde, em amena e acesa cavaqueira, com uma feijoada bem regada a tinto maduro, discutimos os lances e peripécias mais divertidas da nossa jornada.

Para o ano lá estaremos, se assim nos permitirem.

Um bem haja.






segunda-feira, dezembro 31, 2018

Caça em fim de época.




















29-12-2018
Moreanes - Mértola


A amável convite dos proprietários da Herdade, já numa caçada de família e amigos, fomos ali realizar a última caçada da época à perdiz.

A qualidade continua a mesma, ficaram muitas para criar, mais que na passada época segundo nos referiu o dono das terras, mas as capturas, agora,  são naturalmente bem menores.  Nestes dias matam-se poucas mas os peitos bem encorpados e as patas e bicos são de cor vermelho sangue, processo natural de crescimento e amadurecimento das aves.

Os lances, esses,  nem por isso deixam de ser espectaculares, como só mesmo a caça nos pode proporcionar.

Recordo a lebre acima, bem levantada e corrida pela Inka, a cerca de 35/40 metros. Primeiro disparo e sinto que a lebre acusou o tiro. Ambas atravessam uma ligeira ribeira e correria do outro lado até desaparecerem da vista. Estranhei a Inka não regressar e começo a chamá-la , já preocupado.

O meu companheiro de linha, na  direita , avisava-me alguns minutos depois: "não se preocupe que a cadela vem com a lebre na boca". 

Mais tarde soube, ainda,  que outro confrade terá ajudado a inka a desembaraçar-se de uma aramada. Em cobro e com a lebre pendurada na boca, tentou saltar a vedação e ficou presa pelas pernas traseiras. Rapidamente, aquele amigo pousou a espingarda no solo e ajudou o animal a superar a dificuldade, soltando-a dos arames. Grande perigo estas situações. Os nossos fiéis companheiros de quatro patas são nobres e não se apercebem destes perigos.

Assim, mais uma grande alegria .

Pergunto-me: que sentido fará a caça  sem um cão de parar, se possível um bom cão pela frente?

No final, 14 espingardas, com resultado de 21 perdizes e 12 lebres.

Depois de um bom cozido de couve, um tinto do Douro, e um bom arroz doce, regressámos a Lisboa, com alguma nostalgia nas almas dado ter sido a última  nesta zona de caça, mas já a pensar na Mãe Natureza que, se Deus assim o quiser, a há-de repovoar generosamente,  naqueles mais de 3.000 hectares de terras, novamente com bons e muitos bandos de perdizes.

Perdiz vermelha é sinónimo de amor de perdição para nós os que, humildemente,  entendemos estar na classe dos verdadeiros caçadores.

Abraço amigo.





domingo, dezembro 30, 2018

Um chibato às perdizes


Terra fértil em caça.






























22-12-2018
Concelho de Mértola


A época avança inexoravelmente para o seu final e , neste dia , apanhei o primeiro chibato às perdizes.

Embora tenha visto diversas ( ao longe),  as perdizes, desta feita e para minha arrelia,  hoje nada quiseram comigo.

Valeu-me uma lebre adulta,  levantada aos meus pés, que deixei alargar e,  com  tiro certeiro, enfiada com os canos da espingarda, ficou-se estendida no esteval.

Mais tarde e já de regresso ao monte da Herdade, houve quem quisesse divertir-se um pouco numa zona com coelhos e para lá levaram alguns cães adequados a esta caça, podengos, indefinidos e outros. Limitei-me a ir atrás deles, sem nenhum intuito menos claro e a inka fez o resto.

Numa zona de estevas com semeada de centeio ao lado, a cadela deu um toque a ventos, virou-se finamente, o coelho pressentiu e rapidamente saiu em correria para dentro do "sujo". Não chegou lá.

O segundo, só conseguia ver as pernas dianteiras da inka, imobilizada, dentro do mato. O coelho, assustado, arranca, a cadela dá a estocada habitual e corre em sua perseguição. Com tiro de instinto, à zona, só me apercebi que tinha morto o coelho quando descobri que a inka levantava a cabeça, por cima das estevas, com o coelho pendurado na boca, procurando saber onde me encontrava.

Um bom e quentinho cozido de grão, com um tinto maduro da região, lá minimizaram a ferida do chibato às perdizes.

Um bom dia de caça.

Abraço amigo







quinta-feira, dezembro 06, 2018

Dia da independência



















Mértola, 01-12-2018

A celebrar o dia da Restauração da Independência de Portugal, estivemos foi por terras de Mértola, em belíssima jornada de caça de salto à perdiz vermelha.

Já com a manhã a nascer, na foto acima, inundando o céu de ricos tons de alaranjado, prenúncio do melhor tempo possível para este dia, tomámos o pequeno almoço e saímos directamente do Monte, estrada fora, 7 ou 8 caçadores, de espingardas  ao ombro e com os cães perdigueiros a correrem e a saltitarem pela frente.

Ultrapassado um olival velho ali existente que alberga sempre um bando de perdizes, mas que não deram tiro, curioso foi que, as primeiras peças de caça a serem por mim avistadas foram... 3 grandes javalis, enxotados pela linha de caça e em corrida desenfreada pelo monte abaixo, passando-me a cerca de 30 metros, bem destacados. Em Montaria seriam, decerto, belos alvos aproveitados pelos monteiros. No entanto, abstive-me de atirar, claro, com chumbo 6 na espingarda nada faria, limitando-me a observar a sua longa corrida pelo montado, que culminou em rebentarem estrondosamente com os arames farpados junto a uma estrada, esgueirando-se então para o lado oposto.

Minutos mais tarde, realço lance com perdiz fugida da linha de caçadores, voando de través, da minha direita para a esquerda,  a uns bons 40 metros de distância. Pareceu-me ter sido um tiro certeiro da minha parte, pois a ave enrolou-se toda no ar e caiu, "redonda",  baqueando no solo. Chamei a Inka que não tinha visto o lance, e dirigi-me com o V.B., na foto,  para o local, para apanharmos a perdiz. No sítio, 3 ou 4 penas avistadas , mas, da perdiz, nada. Tinha, seguramente, escapado, a patas,  aproveitando a vegetação rasteira. Voltei a chamar a Inka, que tinha desaparecido do local, pois seria a nossa única hipótese de ajuda já que, depois de voltas e mais voltas,  não havia meio de encontrarmos a ave. Mas a cadela não voltava e já desesperávamos dando a perdiz como perdida, quando, subitamente, saindo por entre umas pedras e a uns bons 100 metros, aparecia a Inka,  com a perdiz na boca!. Grande alegria e grande trabalho da braco alemão. Siga!

O resto da manhã decorreu, alegremente,  entre lebres paradas e corridas pelos cães, tiros certeiros e bons cobros, perdizes a fugirem e a caírem das alturas, derrubadas também por tiros certeiros, oferecendo belíssimos lances de caça.

Recordo, dentro de um amendoal, 3 ou 4 perdizes a surgirem, fugidas da linha, de asa aberta, altas, para passarem por cima de uns eucaliptos junto à estrada e refugiarem-se na reserva ao lado. Na ponta de enrolo, na direita da linha, o P.L. aponta e,  em "tiro de rei", acerta numa que, desamparadamente, cai, com estrondo, de certeza sem nunca ter sabido o que lhe aconteceu, tal o irrepreensível impacto do tiro.

Construídas as belas perchas da manhã, esta zona de caça continua a provar, para nós,  ser uma das melhores do concelho, quer em rolas no verão, também muito pato e torcazes no inverno, e caça geral nos meses de outubro, novembro e dezembro.

Abraço amigo.