sexta-feira, outubro 09, 2020

Bom ano de criação de perdizes = Abertura Geral em cheio!!

 












Abertura Geral - Baixo Alentejo


Grande dia de Caça !

Companheiros de 4 patas: Jeep e Kali, ambos raça braco alemão.

Na estreia da minha nova companheira de 4 patas, prestes a completar 6 meses , foi, pela primeira vez, à caça, e logo da perdiz vermelha. Assim, levei comigo o meu braco alemão, o Jeep, destinado à "segunda parte", sendo que a cachorra, a "Kali", faria as primeiras duas horas de trabalho, pela fresquinha.


Segundo informação do dono da herdade, já sabíamos que as criações de perdiz nesta zona tinham sido fora do normal, muito melhores que na época anterior , pois, para além do maior número de bandos existentes, o número de efectivos em cada bando era francamente generoso.


Com isto a ansiedade imperava ainda mais e, no caminho para a parte da herdade que iríamos caçar, reinava como é habitual a boa disposição no nosso grupo de 8 caçadores, misturada e notada também com algum nervoso miudinho. Da minha parte algum receio com a Kali pois, sem qualquer tipo de treino, inclusive de tiro, não gostaria mesmo nada de a ver a esconder-se ou a correr desalmadamente pelo campo e aborrecer os restantes confrades num dia tão importante como este. Nas semanas anteriores em minha casa, algum treino de trela e cobro e respondia de vez em quando ao apito mas, num dia como este de tiros, gritos e ladras, receava que a cadelita ganhasse medo e perdesse o seu próprio controle. Foi por isso uma grande aventura e risco da minha parte.


O primeiro erro da volta foi começar com o vento ( mais uma brisa forte ) pelas costas. Enervante ver os bandos de perdizes a levantar fora de tiro e os cães sem poderem caçar de ventas ao ar e, por isso, a esticarem-se mais. Poucos tiros, quase nenhuns abates e muita perdiz fugida. Resolvemos por isso alterar a estratégia e, na carrinha 4x4, fomos todos, alguns kms mais à frente fazer a volta inversa, desta feita contra o vento.


Ora, aqui e agora, foi tudo mesmo muito diferente. As perdizes começaram a dar tiro e a atravessar a linha proporcionando alguns abates verdadeiramente espectaculares. Alguns bandos, de 9, 10 ou mais aves, conseguiram escapar completamente ilesas, sem tiro. Finas. Não faz mal que ficam lá, não fogem e voltaremos o mais breve possível para lhes dar caça.


Quanto à Kali, braco alemão de pelo liso, filha de Voss deAlmansur  e da Lança das Meiguices, foi uma autêntica surpresa. Não revelou nenhum medo aos tiros, caçou sempre perto de mim ( surpreendente) em zig-zag como mandam as regras e sem que ninguém a tivesse ensinado, tomava ventos sempre de cabeça levantada e não se fazia rogada em meter o ( belíssimo) nariz no chão sempre que sentia o rasto das perdizes. A cauda constantemente a abanar revelava grande satisfação da sua parte. À primeira perdiz abatida tive a grande sorte da cadelita a ter visto logo a tombar 30 ou 40 metros lá para a frente no meio dos pastos altos, esqueceu o estrondo do tiro e desatou a correr direita à ave abatida. No local, a perdiz ainda desatou a fugir o que ajudou mais pois a cachorra em grande frenesim correu atrás dela até a conseguir capturar. O PL gritava-me animado, "está feita, já não é preciso mais, já ganhou vício"  Deixei-a saborear e mordiscar a ave ali por alguns bons momentos e depois comecei a chamá-la. Que alegria vê-la tomar a perdiz na boca e vir trazê-la ao dono. Boca doce, tudo perfeito. Seria bom se assim sempre continuar. Após 3 ou 4 lances similares de tiro e cobro, já estava com 2 horas de caça e, extenuada,  a última perdiz cobrada, não o esquecerei, trouxe-a na boca e quando chegou ao pé de mim, deitou-se no chão de lado mas não largou a perdiz da boca. Altura de de trocar de montada e fui buscar o Jeep que continuou por mais 3 horas comigo.


Uma manhã perfeita de caça, não fora um lamentável episódio de briga entre dois cães machos, durante o habitual taco matinal. O dono, irreflectidamente,  foi tentar separar os animais com as mãos e sofreu duas ou trés dentadas numa das mãos, tendo sido suturado com diversos pontos do Centro de Saúde mais próximo e ministrado antibiótico adequado. As rápidas melhoras para o P. 

 

Em caso de briga nunca tentar separar 2 cães com as mãos. Existe este risco pois os animais estão tresloucados e não reparam onde mordem, querem é morder.


Um abraço amigo e continuemos, todos, com saúde, as nossas jornadas.







domingo, setembro 27, 2020

Aos Patos, a sorte grande em Beja

 

 
Aspecto geral do açude
 

 
 
 Trindade, Beja, em 17/09/2020


A caçada havia sido cancelada neste dia por desistência de alguns caçadores, atendendo ao mau tempo que estava previsto

De surpreender,  pois é sabido que muitas vezes as melhores caçadas aos patos são feitas com tempo adverso.

Pela anterior desistência e por entrada de novos confrades, fiquei impedido de levar comigo um familiar que previamente tinha convidado. Ainda assim, não deixei fugir a oportunidade, pois outras haverá.

Às 17 horas encontrávamo-nos,  entre trovoada e raios a cair ao longe, na rotunda de Beja com meu antigo conhecido e local amigo e organizador da mesma, o L.F., pelo que a caçada revestia-se, desde logo, para mim, de seriedade e expectativa.

A caminho da Trindade, na rota para Mértola, entramos em Herdade já minha conhecida e , no caminho, com bandos de perdizes em fuga e que mais tarde lá irei acertar contas com elas, com ligeireza, foi feito o sorteio dos 3 açudes que iam ser caçados. 

Calhou-me em sorte ( e que sorte) o açude com aspecto de acordo com vídeo acima.

Neste açude fiquei eu e um outro confrade, pelo que, caso entrassem,  adivinha alguma dificuldade em segurar os patos só com duas armas.

Às 18h30, bem escondidos e camuflados nas "atabuas", armei a minha benelli crio,  com 3 Bornaghi CH6, chumbo 5.

O primeiro pato, um belo real, entrou isolado, logo alguns minutos depois, aterrando a 5 ou 6 metros à minha frente. Ergui-me de espingarda aperrada, o pato levantou, poderoso, apontei e , quando já o dava como "certo", tinha a espingarda ainda na segurança. De tal forma carreguei no gatilho que me desequilibrei e ia caindo para dentro de água. Maçarico, pensei furioso, ainda tentei destravar mas o pato já ia bastante largo.

Começa mal isto, pensei. Escondi-me de novo, coração aos saltos.

O vento soprava moderado de sul pelo que os patos, a entrarem, sabia que seria sempre pela zona mais desprotegida do açude, pela "praia",  conforme se pode ver no pequeno filme.

Surpreendido, ainda bem dia, oiço o sibilar de muitas asas por cima de mim. Quieto, aguardei e só mexendo os olhos vejo de um bando de uns 10 ou 12 a irem dar a volta e tomar o vento pelos bicos.

Deixei aterrar alguns, para permitir ao outro Senhor o tiro, levantei-me e outros em voo, consegui um doble do ar, cai um dentro de água, cai outro já na margem. Perfeito. Virão mais?

Não querendo ser extenso vieram mesmo, e com fartura. Até uma hora após o por do sol , foi um fartar vilanagem de tiros e patos a entrar. Aos poucos íam caindo, mais um doble no ar, tiros espectaculares de outros que, já em fuga, iam cair para trás do talude do açude. 

Peripécias diversas, lanterna led na cabeça e fomos cobrar alguns.

No total, 16 patos cobrados, 12 à minha conta. Estive bem, seguro, certeiro, Sto Huberto esteve comigo, pois, dos 3 açudes ( e os outros 2 estavam previstos como melhores que este ) o nosso foi, de longe o mais visitado.

Bela jornada, a recordar e a revisitar.




 

domingo, setembro 13, 2020

Aos Patos, em Mértola

 





 
 
 
04-09-2020 
Zona de Caça em Alcaria Ruiva - Mértola


O meu amigo S. tinha-me falado neste açude, que o Guarda lhe tinha dito que havia uns bons patos a ir todos os dias lá dormir pela calada da noite, que merecia a pena marcar presença com uma caçada, para tentar derrubar alguns.

Com o "bichinho" a morder saímos de Lisboa com 34 graus, pelas 15h00 , com hora marcada às 17h30, para o encontro com o Guarda,  Sr F.,  à entrada do Monte da Reserva.

Prometido para o final da jornada e para o jantar lá no Monte estavam duas galinhas caseiras, feitas de tomatada, em tacho, com batata frita cortada à mão, e arroz branco, com vinho tinto da região. Só isto já quase merecia a pena a viagem.

Colocados no açude, no meio das atabuas, aguardámos, com ansiedade, os ditos "adens".
 
Já não se via o sol e ainda não tinha visto nada de caçável. Alguns minutos depois, dois tiros à minha direita, olho, e esteiro pela frente um bando de reais, 10 ou 12, a entrarem à água  em grande velocidade. Quase que me assustei. Lindo.
Agachado, vejo dois que se entrecruzam com o tradicional CUÁA...CUÁ_CUÁ de pânico. Precipito-mo e faço fogo. O primeiro cai com estrondo dentro de água. O segundo assustado, sobe quase na vertical. Tento a carambola mas erro-o muito por trás.

O tiroteio prossegue, apercebo.me que há quem atire larguíssimo, pior para eles.

Mais uns largos minutos de espera. Aí vêm mais,  direitos à água, parecem F16 a descer. Dois poisam na água. O meu coração bate mais forte e...gatilhada. Ficam 2. Levantam outros 3 ou 4 e passam pela minha direita. Estava inspirado nesta noite. Corro-lhes a mão e disparo, cai um, seco, na margem, já fora de água. Com o terceiro tiro, "zás", começou logo a descer atingido numa asa. Salto do lugar e corro na direcção onde o vi cair, procuro a uns cinquenta metros, espero ali um pouco que se mexa, e ei-lo a correr atrapalhadamente entre a vegetação rasteira à volta do açude. Apanho-o, rápido. É lindo, mesmo, pescoço verde azulado, com um colar branco, as asas cinzentas, brancas e pretas, aliás como o resto do corpo fazem contrastar ainda mais o espelho azulado. Tenho uma pena enorme de o matar mas não queria que sofresse mais.

No final, entre mais 2 ou 3 cobrados, uma dúzia entre mim e o S. 

As galinhas de tomatada, essas, estavam simplesmente divinais, que sabor de carne,  e a simpatia do guarda e sua esposa são por demais. O vento suão, com temperaturas ainda imagino na ordem dos 30 graus, entrava pela modesta casa de janelas e portas todas abertas. Belo jantar.

Arrumada a tralha, regressámos a  casa onde cheguei por volta das 2 da manhã, cansado mas satisfeitíssimo . Tudo correu bem e há que aguardar, agora, por nova (boa) oportunidade.

Um abraço amigo.

 
 

quarta-feira, setembro 02, 2020

A Porta 9





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornada de 29 Agosto

 

No calendário destas caçadas às rolas e torcazes, eu estaria , no período da manhã, entre outras, numa das melhores portas desta Herdade, a já muito falada Porta 9. 

Mais 2 ou 3 Portas são consideradas ainda melhores do que esta, mas esta, a 9,  é sempre muito ambicionada.

É uma Porta localizada num local privilegiado, algo elevado, e que abrange a entrada dos torcazes pela zona mais baixa do vale ( primeira foto acima )  e entrada, pelas costas do abrigo, das "africanas". 

Assim, tiros relativamente menos difíceis aos torcazes e muito mais tortuosos às rolas,  a necessitar de muitos golpes de rins.

Boas pernas também são necessárias para cobrar a caça abatida dado que, amiúde,  é necessário descer muito lá abaixo, procurar a caça e com ela regressar à porta. Bom exercício físico para uma manhã de muito calor.

Tanto nos pombos como nas rolas, a caça entrou, de uma forma geral, generosamente, quer isolada, quer em grupos de 3 ou 4,  quer em bandos e,  tanto nos pombos como nas rolas, esta forma de entrar aconteceu, obrigando a estar sempre a municiar as caçadeiras.

No final , no patio do Monte, um quadro de caça muito bonito, que escuso de mostrar mas que satisfez todos os 10 caçadores de rostos bem satisfeitos com o número e dificuldade dos tiros, alguns de rara beleza e eficácia.

Um abraço amigo.


 

 

segunda-feira, agosto 24, 2020

Caça de Verão

 

 













 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  22/23 Agosto 2020

 

Um esplenderoso amanhecer que, com muita ansiedade à mistura,  fazia antever uma belíssima jornada de caça às rolas e aos pombos torcazes.

Cevadouros extensos e bem tratados,  observados ao longo de semanas a fio, por quem os mandou fazer e por quem, sobretudo, os foi tratando dia a dia, presentearam-nos nestes dois dias ,generosamente, com muitas,  mas muitas centenas de disparos.

Um grupo de Confrades bem dispostos e muito habituados a estas lides, a quem com muito gosto nos juntámos este ano.

Mais pombos e menos rolas nas nossas expectativas, mas, com estes resultados, e com a satisfação de podermos caçar mais vezes, vamos,  seguramente,  realizar com sucesso novas caçadas ainda durante Agosto e próximo mês de Setembro.

Um abraço amigo.





domingo, maio 03, 2020

Bom ano de tordos.



























 Época de tordos em 2020


Como é do conhecimento de todos nós caçadores, que temos verdadeira paixão pela caça desta linda espécie, na época transacta, ao contrário de muitas outras anteriores, que foram paupérrimas,  desta vez a visita dos tordos foi muito generosa para o nosso país

De norte a sul de Portugal estas migradoras espalharam-se, este ano, gradualmente e em boas quantidades, fugindo  uma vez mais do clima gélido dos países nórdicos do continente europeu, em busca de comida, voando, assim,  para as nossas terras do sul da Europa.

Por cá, os tordos buscam numa primeira fase refúgio nos matagais espessos dos montados, sendo então a sua alimentação constituída essencialmente à base de  pequenas lagartas, minhocas e larvas, que tanto apreciam. Com o tempo gradualmente a arrefecer e a ficar muito mais frio nas semanas seguintes estes invertebrados recolhem-se debaixo da terra para invernar e, então, não lhes resta outra solução senão voarem direito aos olivais procurando a tão saborosa azeitona lusitana.

Poderia talvez postar caçada a caçada mas, sabendo que tal iria tornar-se deveras fastidioso para quem lê estes relatos, optei por uma colagem de muitas ( não todas ) as caçadas que eu, o PL e o MS fizemos por terras alentejanas.

O meu novo BA,  JEEP, foi uma autênticas surpresa para mim, e revelou-se um extraordinário e obediente cão de cobro dos tordos ( nunca pensei) e acompanhou-me sempre na caça a esta espécie, sendo um companheirão super obediente que, nesta modalidade, só cobra à ordem.

O animal mantêm-se horas e horas a fio sentado por trás da "parrocha", junto aos meus pés, e já aprendeu muito em, por exemplo, quando ergo a espingarda  ao disparo, já ele está a olhar na mesma direcção, para o céu,  esperando ver cair o tordo. Quando cai e ele sai em cobro rápido, sabe-me  sempre muito bem ouvir os elogios dos confrades que se encontram nas portas vizinhas.

Espero que todos os caçadores a esta espécie se tenham divertido com as jornadas da época, e espero, também, que a nova época abra sem que este vírus continue a nos apoquentar ,  com saúde para todos e deixando.nos praticar o nosso desporto favorito.

Um abraço amigo






quinta-feira, janeiro 09, 2020

Uma bonita caçada de final de época.





















Trindade - Beja
Herdade da Mingorra
04-01-2020


Primeira vez que nesta herdade cacei, respondendo a amável convite de amigo caçador.

Dois mil hectares de terras de vinhas ( bons vinhos e bons espumantes aqui se produzem, já que tive a oportunidade de os provar ao almoço ) de olival e pousios, fazem destes terrenos , bem cuidados, o local ideal para desfrutar de uma bela caçada de final de época, à perdiz vermelha.

Com um dia de sol e temperatura magníficos,  e companheiros de linha bem entendidos nesta matérias de caçar à vermelha, a jornada foi sobejamente pródiga em lances que nos ficarão por muito tempo na memória, quer no que respeita aos tiros quer no que se refere aos nossos prodigiosos companheiros de 4 patas que tantas alegrias nos dão.

A caçada foi bastante longa ( almoçámos por volta das 16 horas )  , andámos seguramente muitos quilómetros de espingarda aperrada, mas, no final, certo que cansados, sentimos na alma o prazer imenso de ter a oportunidade de um dia muito muito bem passado.

Não me alongarei em detalhes de lances, somente refiro sem hesitações que foi um dos melhores dias de caça à perdiz, que tive até hoje, nos meus já quase 40 anos de caça.

Por isto se vê a sorte que tenho tido ao meu lado neste tempo todo.

Ponto!.

Um abraço amigo e até breve.








segunda-feira, dezembro 30, 2019

Caçar em Cortegafo

A meio da manhã





















No final da jornada

















Cortegafo
Mértola - 22/12/2019


Como combinado na véspera, às 08h30 todos chegávamos britanicamente ao ponto de encontro, para, logo ali, após os habituais cumprimentos mas sem delongas, se iniciarem as trocas de impressões sobre qual a melhor estratégia de abordagem à extensa herdade de cerca de 2.000 ha, por forma a reunir as melhores condições possíveis para tornar num êxito, esta última caçada de 2019.

Identificados pelo dono da herdade os melhores locais com mais abundância de bandos de perdizes e a melhor forma de os "atacar" desenrolámos harmoniosamente a linha de caçadores através de projectos de pinheiros e (penso que eram sobreiros ). Cães pela frente, espingardas aperradas, cedo começámos os levantes e, nada fáceis ( neste local as perdizes nascem todas no campo ) ,chegámos a meio da jornada algo desapontados dado o escasso número de capturas.

Da minha parte estive com sorte, uma vez mais ( obrigado Sto. Huberto) e consegui, até àquela hora,  2 belos exemplares, sendo um deles um perdigão real com 2 pintas nas penas na cauda.

Aqui não há "taco", só uma águas são rapidamente distribuídas e as espingardas têm de subir de novo para as costas para retomar a caçada.

Para mim é mito dizer que a perdiz do campo, a selvagem,  não se deixa parar. Errado. Deixa-se parar  sempre que se encontre aterrorizada, seja porque circunstancia for. O meu braco alemão, em paragem de grande estética ( sempre é um field trialer) segurou uma perdiz a cerca de 20/25 metros, com os ventos pela frente. A ave estada deitada no solo, dentro do pasto, esperando não ser encontrada e deixando o perigo passar. Mas o Jeep numa guia muito bonita e excitante, galgou mais ou menos uma dezena de metros e a perdiz já não resistiu. Sentindo-se descoberta arrancou, possante, em voo rasante. Esta foi-se embora, de frente, e com dois tiros por mim escandalosamente falhados.

A segunda volta correu bastante melhor. O dia solarengo mas com uma brisa q.b. trouxe bons resultados. As perdizes , já muito tresmalhadas ao final da manhã, começaram a ter medo e a levantarem  para trás, em altos voos,  proporcionando à linha belos tiros de passagem. Dificilmente esquecerei alguns desses tiros e cobros dos cães, pela beleza que aportaram aos lances de caça.

Ainda tive a sorte de capturar um coelhote que se levantou em fuga atrás de mim. Não chegou às inúmeras covas que por ali existem.

No final, uma percha de de 3 aves , 1 coelho e 1 lebre.

Mataram-se muitos perdigões e ainda ficou o ensejo de voltar para tentar capturar mais alguns e equilibrar o racio machos/fêmeas.

Será? A ver vamos.

Um abraço amigo









sexta-feira, dezembro 13, 2019

A evoluir na caça





















Mértola

Com uma vaga aberta nesta ZCT, não hesitámos e assumimos desde logo o compromisso da nossa presença.

Como o grupo bem sabe a qualidade das perdizes nesta zona é muito elevada pelo que a ansiedade reinou na mal dormida noite do dia anterior.

Porém, às 07h45 comparecíamos britanicamente e, depois dos preparativos usuais, retirada e montagem de armas e cartucheiras ( aqui sempre bem recheadas )  e soltos o cães, saltámos para cima de carrinha de caixa aberta e fomos transportados para a zona nascente da herdade onde começámos a caçar com o sol bem nas costas e com a brisa pela frente, como bem mandam as regras neste desporto.

O Jeep, meu braco alemão esteve muito bem nesta nova faceta um pouco antagónica à da sua vida anterior de grande  field trialer, e tem evoluído de forma fantástica na adaptação à caça.

Esteve envolvido e, a bem dizer, foi ele que, com muita distinção,  me deu a matar as 4 perdizes que consegui nesta jornada.

Já caça quase sempre dentro de tiro e denota uma obediência e carácter ímpares.

Realço a sua bivalência quer colocando o nariz ao vento quer apanhando distintamente os rastos das perdizes. O comportamento muda radicalmente em rasto e obriga-me a acelerar o passo,  para vários metros depois, sentir  e ver a perdiz a levantar ( sempre em pontos altos) permitindo o tiro certeiro, a queda da ave e o seu cobro fantasticamente alegre.

Precisa de trabalhar com mais afinco o "tirar de ferido" a aves feridas ou "de asa", mas também isso estou convencido que lá vai.

Quem o viu o quem o vê, direi, deste meu braco alemão, agora adaptado à caça verdadeira, sempre com perdiz selvagem.

A linha esteve sempre irrepreensível na sua colocação e fez levantar alguns bandos que, pouco a pouco, foram dando oportunidades a quem não as tinha tido e a quem já pendurava uma ou duas.

Um dia 5 estrelas que terminou por volta das 15horas à volta de uma mesa no monte, em almoço partilhado, com bom vinho, bons petiscos e muito boa disposição à mistura.

Abraço amigo










quinta-feira, dezembro 05, 2019

NO PAIN NO GAIN !!




























01-12-2019
Mértola - Vascão


No pain , no gain é expressão inglesa que, como bem se sabe,  significa que sem dor, sem esforço não há ganho.

Nada melhor do que esta expressão para esta caçada.

Para caçar estas perdizes, nas vertentes do Vascão, é necessário, efectivamente, dor, esforço e coragem para enfrentar aquelas íngremes ribanceiras e penhascos, barrancos profundos onde, lá em baixo, para seguir em frente, por vezes é necessário espingarda ao alto e empurrar o mato com as pernas. Depois, subir de novo, a 45 graus, sempre em condições difíceis. O suor no rosto, escorre em bica. Penoso sim, mas recompensador, quando consegues um disparo que faça tombar uma destas aves. Seja lá para onde for que ela caia.

Quando a procuras, com a ajuda do teu cão, a adrenalina sobe. Por vezes,  quando tens de descer uma ou duas centenas de metros, escondido pelos matos e demoras 10 ou 15 minutos para cobrar a ave, quando a vês na boca do teu ajudante ou quando a vês, cheia de colorido,  escondida mas morta  no chão, dentro do mato, não há descrição possível para esta fabulosa sensação.

Grupo valoroso, com um atirador de  porta para quem já não tem condição física para estas andanças, atacámos estes terrenos com 3 valiosos mochileiros, conhecedores daqueles barrancos desde praticamente crianças. Não fossem estes "jovens" e a caçada estaria comprometida. Mas,  garantiram-nos os melhores!.

Nestes terrenos, a fuga das perdizes faz-se na maioria das vezes para os vales ou para a frente.

Para a frente raras vezes dão tiro, mas quando fogem lá para baixo por vezes cruzam uma ou duas espingardas da linha.

É quando se vêm e desfrutam aqueles tiros fabulosos, perfeitos, abater estas aves selvagens  em alta velocidade, muitas vezes com o caçador em desequilíbrio no terreno e dificultando o tiro, resulta em lances inolvidáveis, jamais nos sairão da nossa memória.

No meu lado esquerdo ( ponta da linha ) o JF e do meu lado direito o PL.

O JF lá ia, com a sua habitual e tremenda pontaria,  sempre lá pelos vales, fazendo o gosto ao dedo, cobrando, no final, 4 lindas aves. Mas também falhou 3!!

Do lado do PL tiro certeiro a perdiz fugida do confrade da sua direita , enrolou-se toda no ar e foi cair a uns bons 50 metros. Na busca, o meu Jeep deu uma ajuda e foi "desenterrar" a perdiz dentro e na base de um arbusto velho que mais parecia uma árvore. Não tenho uma G-Pro mas aqui seria fantástico usar uma instalada na testa para filmar tais lances.

Da minha parte, a primeira foi logo um  perdigão real com 4 pintas na cauda, 2 esporões e o terceiro já a emergir das patas. Atirada, fugida e lançada ribeira abaixo,  da minha direita para a esquerda, o F2 Classic funcionou e, logo morta no ar, foi enfiar-se dentro dumas estevas enormes a 50 metros mais abaixo. Só com a ajuda do mochileiro consegui o cobro. Estava de tal modo metida dentro do mato e de uma rocha de xisto que o cão pouco ajudou.

Ainda consegui mais duas bonitas fêmeas e, com enorme pena minha,  perdi uma F16 que "sequei" no ar em velocidade vertiginosa, mesmo por cima de mim,  e foi tombar lá em baixo nos confins dos infernos, i.e.,  dos matos. Nem com cães e ajuda dos mochileiros conseguimos encontrá-la.

No final, um taco no campo,  "à Porto" , febras de porco de cebolada, enchidos do norte, pão escuro  vinho e cerveja fresquinha.

A caçada fez-se durante a manhã, na sua maioria debaixo de chuva miudinha que teimosamente a todos encharcou, pelo que, quando o sol finalmente abriu, fomos enxugar as roupas em mais uma volta final, desta feita em terrenos muito mais direitos, fora dos barrancos.

A certeza, porém, é de que voltaremos aos barrancos, já com elas mais espertas e desconfiadas, mas ficaram lá (mesmo) muitas.

Deixo aqui, de igual forma, o meu respeito e admiração pelos nosso confrades que, nas montanhas do norte, caçam,  em solitário, a estas meninas. Fantástico.

Abraço amigo







quarta-feira, dezembro 04, 2019

Sempre na senda das perdizes.


























30-11-2019
Mértola
Cortegafo de Cima e Cortegafo de Baixo


Em vasta herdade que engloba estas 2 pitorescas aldeias do Concelho, abrimos neste dia uma linha de 7 caçadores e,  perseguindo a genuína perdiz vermelha, calcorreámos aproximadamente 18 quilómetros , em belíssimos terrenos para a caça de salto à nossa perdiz vermelha

No final, segundo os donos da herdade, que também participaram,  os resultados, não por falta delas mas por imprecisões da linha,  não foram o que tanto esperavam, mas as perdizes coabitam por ali alegremente com os muitos coelhos avistados e algumas lebres também.

Os terrenos, cuidadosamente guardados e preparados quase em exclusivo para a prática da caça, (sempre há algum gado ou pastoreio mas pelo que vi muito pouco) são belíssimos para esta actividade.

Vastos projectos de pinheiros e sobreiros, muitas zonas de montado característico destas zonas de Mértola, isto é, com pastos e estevas onde as perdizes e os coelhos se escondem, tornam a herdade um paraíso para o desenvolvimento da caça.

Da minha parte, estive sortudo, com cobrança de 3 aves, uma sendo um perdigão real, e 3 coelhotes "al salto".

O F2 Classic continua a ser o meu predilecto . Grande eficácia.

Abraço amigo







sexta-feira, novembro 29, 2019

A nossa paixão em terras de Mértola: a Perdiz Vermelha !


















Mértola


Terceira caçada na Herdade de Santa Maria, São João dos Caldeireiros.

Como em tudo na vida, tudo o que é acossado com alguma frequência, adquire novos e aperfeiçoa os seus habituais  instintos e mecanismos de defesa.

Imagino nestas terras os ainda existentes e sobreviventes bandos de perdizes, avançada a época de caça já em finais de Novembro, a verem ao de longe uma linha de caçadores e diversos cães pela frente a esquadrinharem os terrenos e a aproximarem-se dos seus locais.

Inquietas e já sabedoras de que se trata da caça à sua própria espécie e da possibilidade de serem capturadas pois viram diversas irmãs a caírem ao sabor dos tiros, já saltam longe, largas,  e fazem grandes voos a perder de vista, defendendo-se o mais eficazmente possível do troar das espingardas.

É a luta entre caçador e as perdizes, onde, nesta altura,  já  estas últimas ganham grande vantagem sobre nós , pois não se deixam iludir. E apesar de continuarem a haver quadros de caça no final, vejo claramente que as que escapam são claramente muitas mais do que as que caiem.

Onde elas por vezes se enganam é nas trajectórias de voo.

Algumas,  que acabam por ser mais retardadas "a sair", enganam-se e cruzam  a linha de caçadores que vai em marcha, dando sobretudo possibilidade aos pontas de enrolo e contra-pontas e permitindo belos tiros de passagem.

Já há menos perdizes, isso é certo e normal, mas aqui,  as suas qualidades de genética e de bravura leva-nos a fazer nestas jornadas entre 10 a 20 km de arma em riste, por dia, na perspectiva de conseguir pelo menos um ou dois exemplares destes.

Na foto acima, já não sendo o quadro final de caça, a linha esteve (muito) bem no seu desempenho e conseguimos 30 belos exemplares, sendo que 14 eram perdigões e 2 deles eram "reis do bando" ou ditos  "reais".

Abraço amigo.









terça-feira, novembro 19, 2019

Há uns anos que não os caçava !






















17-11-2019
Os tordos estão de volta!


Perto de 130 disparos, 33 pássaros abatidos.Há que aprimorar a pontaria.

O meu amigo e companheiro de caça PL fez igual média.

Os tordos estão de volta !

Promessa de mais pormenores em breve.

Abraço amigo.




Em Mértola, de novo, de salto.



















16-11-2019
Moreanes, Mértola


Terras de Perdiz Vermelha e Lebres, por excelência, apesar da inclemência da seca que se faz sentir no Alentejo, como se pode observar.

Dezoito quilómetros percorridos e lidos em pedómetro digital.

Grande esforço nas primeiras 2 horas de caça. Sem hipóteses de tiro e , sobretudo, sem avistar caça, as pernas já pesavam na transposição daqueles cabeços e daquelas aramadas destinadas a conter o gado.

Reunido o grupo por volta das 11h30, tomou-se a decisão de ir percorrer outra zona da herdade.

Nesta segunda volta fui (bastante) mais feliz.

Abrigada do vento forte que se fazia sentir, em chapada virada ao sol , realço uma lebre a sair da cama à frente do Jeep ( encantador o desabrochar das cores branco e marron de uma lebre a saír à nossa frente ) . Deixo-a estender-se durante uma vintena de metros e um B&P Ch 6 encarregou-se de lhe travar a fuga. Cobrada com alegria pelo braco.

De perdizes, consegui as 3 da foto. Duas fugidas da linha em tiros atravessados, não avistadas as quedas pelo cão, mas cobradas calmamente de espingarda aberta e deixando o Jeep trabalhar.

Uma levantada pelo Jeep, dentro de olival murado e com tiro certeiro já a cair para lá dos muros, em terreno incerto. Desta feita o Jeep viu-a e prontamente saltou os ditos muros, no seu encalço.

Instantes depois ( bela imagem) aparece de cobro, cabeça alta, com a ave na boca.

Abraço amigo







De novo em Santa Maria, à Perdiz !

Quem não gostará de caçar à perdiz em terras destas?

Quadro de Caça

Foto de Grupo












































09-11-2019
Mértola


Uma das minhas Herdades preferidas para a caça da perdiz vermelha.

História muito em breve.

Abraço amigo




Coelhos na Amareleja



Terras de coelhos por excelência
Encontro dos matilheiros, para avaliar a situação da jornada.
Matilheiro em trabalho













Quadro final de caça
































Amareleja
06-11-2019


Por especial convite de amigo meu, Matilheiro por paixão, sem arma, quer em caça menor quer em caça maior, participámos nesta caçada,  realizada em reserva da Amareleja, que confina com o Rio Ardila, sendo provavelmente uma das melhores do País neste género de caça, o coelho bravo.

No final, o número de coelhos abatidos,  já por mim era esperado, atendendo à quantidade ali existente.

O que me leva a aceitar caçar ao coelho de forma tão entusiasmante é precisamente ver o trabalho sério e apaixonado dos matilheiros e dos seus intrépidos cães, a maioria de raça indefinida mas sempre com traços muito fortes do nosso podengo português, ouvir as gritarias dos homens sempre que há levantes, as fugas desenfreadas dos orelhudos em busca de abrigo rápido, o som dos tiros, muitas das vezes sempre difíceis e a requererem especial cuidado por causa dos cães.

É sempre uma manhã de caça muito muito bonita e divertida.

No final, quer em actos de espera em cima dos morouços onde estão as tocas e para onde eles fogem, quer andando atrás dos matilheiros aguardando a fuga fortuita destes pequenos roedores, lá consegui abater 4 ou 5.

Considero que uma época inteira de caça deve merecer, sempre que haja oportunidade, pelo menos uma caçada destas aos coelhos.

Abraço amigo.






segunda-feira, novembro 04, 2019

Teste de esforço, de salto, à perdiz.






























Mértola


Após tomarmos o pequeno almoço na lindíssima vila de Mértola, com o habitual galão e sandes mista de pão fresco já do dia, dirigimo-nos rumo a sul, a cerca de 15 Km , onde num café local nos encontraríamos com o guarda desta reserva, a que chamaremos de Sr C.

Feitas as apresentações seguimos o Jipe em marcha moderada e fomos direitos ao que supomos ser um dos Montes da Herdade.

A orografia desta Herdade tanto é:

  •  "mais macia", isto é, menos acentuada com grandes línguas de estevas e pedras  xistosas que albergam não só perdizes mas também coelhotes, como é:
  •  "mais agreste", com barrancos bem pronunciados, geralmente a ladearem linhas de água, ondem existem inúmeros bandos de perdiz selvagem , muito difíceis de conseguir para quem não conheça o terreno.
Este foi o desafio que anterior e deliberadamente decidimos assumir, sem medos, caçar nestes terrenos elevando a fasquia do esforço e ver o que conseguíamos. Impossíveis não há e na caça, também não!

Foi, sobretudo, neste aspecto que, sem a ajuda do Sr C, estou convencido, depois de vermos todos aqueles barrancos, que pouco teríamos conseguido, visto sermos só 2 espingardas a caçar.

Mas profundo conhecedor dos locais onde até estão os bandos e melhor forma de os abordar por forma a conseguir reunir algumas chances de abater uma ou duas, o Sr C foi-nos dando alguns conselhos ( que prazer ouvir este Sr falar sobre caça )  essencialmente sobre o terreno a bater e, ele, ao longe, foi acompanhando a evolução dos acontecimentos.

À medida que nos aproximávamos da primeira zona a fazer, confirmávamos sobre a quantidade de caça que já nos haviam dito, as perdizes, nos recônditos caminhos a apanhar o primeiro sol da manhã, fugiam do jipe do guarda, a patas, barrancos acima, em tal velocidade que mais pareciam lebres e os coelhos acompanhavam-nas num mesmo efeito.

Armámos as espingardas, soltámos os bracos e entrámos por um barranco exposto ao sol, com mato qb, pedras soltas e inclinação de 35/40 graus nas partes mais altas. O PL seguiu mais pelo topo e, logo ali, ouvimos um bando a cantar. O PL lá no alto fazia os primeiros disparos e cerca de de 7 a 8 aves lançavam-se de asa aberta para o barranco oposto. Mas voaram quase todas por cima de mim, mais ou menos a 30 metros de altura. Que sorte a minha , e que adrenalina. Aponto a Beretta a uma, desfiro um, dois tiros e vejo a perdiz a perder altura e, já na outra encosta, caiu estrondosamente no chão. Desço tudo outra vez e com o coração aos saltos acho que acabei por "perder o azimute" ao tombo. Quando lá cheguei já não sabia onde a perdiz tinha caído. Pedi ao Jeep meu BA, para procurar e cobrar mas, desalentado, vejo que o cão não me dá nenhum sinal da queda da ave. Continuo a procurar. Havia tempo. Mais alguns minutos e nada. Já não sabia mesmo onde ela tinha caído. Oiço o barulho do Jipe do guarda a proximar-se lentamente. " A perdiz como caiu está morta mas está muito mais acima" - dizia.

Subi mais 15 ou 20 metros e, logo ali, mesmo ao caminho lá estava ela, peito virado para baixo e asas abertas, inerte. Difícil explicar a alegria de a encontrar. Um macho, 1 esporão largo e outro mais pequeno. Peito bojudo, cores vivas. Boa cabeça. Cheiro a perdiz, cheirava a mato, maravilhoso aquele cheiro.

Agradecendo ao Sr C, segui, apressado,  para apanhar o PL. Durante o caminho, vi diversos espojeiros de perdiz, e mais algumas fugiram, largas, possantes,  sem "dar gatilho".

No fim do barranco lá me encontrei com o PL. Mostrei-lha a minha perdiz, vaidoso. Ele, com um sorriso, meteu a mão à parte de trás do colete e retirou duas. Uma delas, um macho soberbo, de grande cabeça, e com 2 pintas na cauda, 1 em cada pena. Perdigão real, o dito Rei do bando! Três esporões visíveis. Ali estivémos, a observá-las e a comentar os lances, ao mesmo tempo aliviando do esforço despendido. Entretanto, aproximava-se o Sr C.

"Com este vento, vamos ter de ir para outro lado. Aí nas limpas, há muita perdiz mas 2 espingardas não conseguem nada delas " - retorquiu.

Entrámos no Jipe e seguimos para novo local, também bastante acidentado, conforme se pode observar no video acima.

Ao chegar ao segundo local, pelas 10h30, da manhã, logo ali voa um bando encosta acima.

"Comecem já a atacar naquelas, sempre contra o vento, senão não conseguem nada delas. Mas, desta vez, vai um de cada lado, em barrancos separados. As que saltem de um lado vão logo para o outro e têm de aproveitar"

Eu teria que ir no barranco oposto, mas sempre a meia encosta e o PL idem, do outro lado, mas mais em cima.

Começo a ver as perdizes a saltarem-lhe à frente, às 5 e às 6 de cada vez. Bem que disparava mas saltavam largas e seguiam em frente e não vinham ter comigo. Desta feita a sorte não estava do nosso lado.

Pelas 11h30, juntámo-nos todos, de novo. " Vamos passar a estrada de alcatrão e fazer aquele bico de projecto de azinheiras. Costuma lá estar um bando. Um tem de ir 60 ou 70 metros mais à frente".

Lá entrámos e o Jeep começa a dar-me sinais de rastos de perdiz. O vento, forte, estava de frente.

Salta uma lebre ao cão do PL mas ele grita para parar. Logo de início nos tinham dito que nesta herdade proibiu-se este ano a caça à lebre.

Oiço o grito mas vejo o PL a correr. Mais à frente o meu cão, o Jeep, estava em belíssima paragem, nariz alto, a sinalizar caça a alguma distancia. O PL faz-me sinal e eu faço, rápido, a abordagem. pouco tempo tive para admirar o que qualquer caçador adora mais ver, a paragem do seu cão. A perdiz arranca, da direita para a esquerda, direita às limpas, para fora do projecto. Primeiro tiro e toco-lhe, segundo tiro e atiro-a logo abaixo, já nos pastos. Ultrapasso, lentamente, um aramado e mando o Jeep cobrar, sem esforço. Uma fêmea, linda.

Convidámos o Sr C a ir até ao monte , para um pequeno taco que tínhamos no nosso carro, queijo curado da serra de serpa e um cachaço de porco preto, fumado, com um vinho tinto de garrafa que tínhamos aberto na véspera e pão de Rio Maior.

O tempo passava e o Sr C dizia-nos que o melhor era ir a uma horta ( não vi lá couves ou vegetais nenhuns - estava tudo seco, mas bem abrigado, algures para lá do monte ). Este Sr sabe mesmo de caça, não sendo em vão que há 20 anos é guarda desta reserva.

Lá fomos e fizemos a abordagem ao que me pareceu mais um redil, murado e cheio de oliveiras velhas.

O PL pela direita e eu começo a ver o tal dito bando a fugir, longe,  para trás dos muros. Apoquentadas, levantam, tocadas a vento e uma passa alta, bem vermelhinha, por cima do PL que, com tiro certeiro, enrola-a no ar e manda-a cá para baixo.

Do meu lado, a sorte veio ter comigo,  e vejo uma a levantar. Corrida a espingarda "jogo-lhe" um primeiro tiro mas a perdiz cai de asa, em grande correria. Desato também a correr pois sabia que, se não a rematasse no chão, a perderia. Com as pernas já em fim de linha, exausto, mais um tiro, longe, mas ela continua a correr. Corro também, enquanto, nervoso, mudo de cartuchos. Ao terceiro tiro, depois de muito correr e tropeçar ( ia-me esbardalhando todo pelo chão) lá a consigo segurar. Um macho lindo.

Hora de acabar e saldo de 3 perdizes ( aquilo é mais do tipo galos) para cada um. Desafio vencido pois o cupo era de 3 aves para cada. Não podia ter corrido melhor.

Logo ali tentámos combinar uma nova visita, mas deita feita com um grupo de caça. Aquelas "limpas" que se vêm na primeira foto e que confinam lá muito para baixo com as margens do Guadiana, têm muita caça. A Herdade é difícil, toda a descer para o Guadiana mas, bem caçada, e com os conselhos do Sr C, estou convencido que dará uma jornada ao mais alto nível.

Um abraço amigo.













Por terras de Aljustrel, à perdiz, com patos à noite.

Percha ao final da manhã.










 









 
 
















Aljustrel

Compromisso assumido com o dono desta reserva, e às 07h15, religiosamente,  estávamos no ponto de encontro, na vila de Messejana, Aljustrel, de onde então partimos para uma reserva, não muito distante dali, para tentar a sorte com as perdizes e uma ou outra lebre que encontrássemos pelo caminho.

Todavia, previamente,  procurámos as codornizes em extensas zonas de pasto , mas a busca revelou-se infrutífera ao final de muitas centenas de metros. Resolvemos, então,  mudar para a zona onde se sabia existirem um ou dois bandos de perdizes.

Tratava-se de uma vasta zona de pinheiros e,  bem cedo,  o Jeep, meu BA, começou a dar-me fortes sinais da sua existência por aqueles lugares.

Com o cão, já muito entusiasmado, a rastear cheiros deixados pelas vermelhudas, cedo me  apercebi de que as tínhamos pela frente, nas patas, e  muito em breve as teríamos ou a fugir fora do nosso alcance ou... a dar "gatilho".

De espingarda bem aperrada nas minhas mãos, vejo que, na minha esquerda o PL fazia encastelar uma, que, infelizmente, dada a longa distância em que caíu no  meio do projecto de pinheiros, acabou posteriormente por não ser encontrada.

Da minha parte, chego-me a uma estrada de terra batida, o Jeep dá-me sinal forte de perdiz por perto e tenta passar pelos arames farpados, sem o conseguir. Com a noção de que poderia perder o jogo e a perdiz lançar-se em fuga, lá peguei no cão, encostei a espingarda  e, por duas vezes, transpusemos as vedações das margens da estrada.

Já do outro lado da estrada, reparo então que o Jeep  mantinha o seu trabalho por vários metros, sinal de que a perdiz ainda por ali estaria. A adrenalina subia. Estava certo!. A cerca de 25, 30 metros, levanta-se, estridente e consigo, ao segundo tiro, derrubá-la, redonda . Mando o cão cobrar e,  depois de alguns momentos,  tinha-o pela frente, radiante, com a perdiz bem levantada, na boca.

A minha segunda ocorre numa ribeira (seca! - para quando umas chuvadas a sério neste Alentejo?) com muito juncal nas margens. Estávamos a atravessar para o outro lado quando reparo que o Jeep não apareceu. Estranho, não o chamo com o apito e  volto para trás à sua procura e reparo, dentro da ribeira, que alugures estaria em ponto com aquele pequeno bando de perdizes que dali saltou em fuga e onde bem poderia ter feito um doble mas só consegui uma,  que foi cair no outro lado da encosta. Também bem cobrada, com muita alegria por parte do cão.

Saímos, então, para uma zona propícia para a caça da lebre. Encostas solarengas de pastos e cardo, bem resguardadas ao vento frio e forte que se fazia sentir de oeste.

Log ali num  baixio, salta uma lebre à frente do PL que, certeiro, deixa-a correr e estende-a nos pastos com um tiro, sendo cobrada pelo seu BA.

Vamos ver se consigo uma - pensava eu!

Lá mais nos altos mas acamada ao sol e abrigada dos ventos salta-me uma. Deixo-a alongar-se com o Jeep já a arrrancar no seu encalço. Difícil segurar um cão nestas circunstancias. Aponto, seguro, e ao primeiro tiro derrubo-a, com uma cambalhota, sendo logo prontamente agarrada e cobrada pelo cão.

Já mesmo no regresso para os carros, arranca outra, de uma linha de água ( seca, claro!) . Ao primeiro tiro, sinto que lhe dou, ao segundo o mesmo efeito mas a a lebre continua em fuga e o Jeep em louca correria. Só lá muito para a frente é que já mal conseguindo ver o que se estava a passar, vejo a lebre a reduzir a velocidade e o cão a agarrá-la, segurando-a no chão por uns momentos, ofegante, e logo levantando-a com a boca e trazendo-a prontamente.

Ao almoço, reunimo-nos em  aldeia próxima para comer um delicioso guisado de javali, abatido há pouco tempo, acompanhado de uma salada de tomate bem maduro com muita cebola, e batata frita aos quadrados.

Feitas as despedidas, rumámos, céleres,  para a zona de Mértola, onde íamos desfrutar do sempre misterioso cair da noite no campo, e  esperar os patos reais ao entardecer,  em açude com 2 abrigos artificiais já ali existentes. À nossa chegada levantaram-se logo meia dúzia deles. Estes já não voltariam.

Com vento sudoeste a soprar com muita força, sabíamos que viriam em sentido contrário,  e com vontade de se fazerem logo ao açude. Contudo, havíamos combinado o tiro sem os deixar poisar, pois o risco de fugirem "sem poisarem na água" era muito elevado.

Assim foi. Entraram 2 que já não chegaram ao meu alcance. Dois tiros, e um doble do meu amigo PL .
Minutos mais tarde vem um terceiro a entrar,  também com tiro certeiro cai para as costas do posto do PL que saíu a correr para o cobrar.

Ia anoitecendo e vigorosamente entram mais 2, desta feita com doble meu. Ficaram ambos dentro de água, um ainda a chapinhar.  Entra-me um terceiro. Disparo e vai cair lá por trás do talude do açude. Pouso a espingarda, saio do posto e corro, para ainda o conseguir ver a tentar fugir à pata. Seguro-o.

No seu lugar, o PL compensava a minha saída do posto e consegue mais 2 ou 3, certeiros.

No total, abatemos 9, mais ou menos em meia hora,  sendo que, atendendo a que já andam muito atirados e desconfiados, ficámos satisfeitos com o resultado da espera.

Neste longo dia de caça, deitámo-nos propositadamente cedo para tentar dormir algumas horas pois no dia seguinte, o esforço e as dificuldades haveriam de triplicar ou mais.

Abraço amigo.












segunda-feira, outubro 28, 2019

Um regresso em grande

O maravilhoso final do entardecer  em terras de Mértola.

Herdade onde decorreu a caçada.


Grupo de caçadores

Quadro final das peças cobradas.















Em terras de Mértola
Uma boa caçada à perdiz


Durante o período do defeso fui, aos poucos,  sendo amavelmente informado acerca da evolução das criações de perdiz vermelha nesta Herdade que tem o condão especial de albergar belíssimas aves em termos de porte e bravura, quando atingem o seu estado de adultas.

Não sei explicar bem o porquê mas Santa Maria, nos termos atrás  indicados sobre as suas perdizes, destaca-se, na minha humilde opinião, pelo menos no que conheço de algumas outras reservas.

O dia lindo que se fez sentir, a abordagem ao terreno, a disciplina no cumprimento das instruções dadas à linha  que se montou e a colocação cirúrgica de 2 ou 3 portas durante a caçada, com a mestria de quem muito bem conhece aquelas terras, permitiu obter o quadro final da foto acima.

Pessoalmente, por razões que se prendem com os meus fieis amigos de 4 patas, estive numa dessas portas, pelo que assisti a espectaculares voos de bandos em fuga pelas encostas abaixo e fabulosos tiros em que, uma a uma , se desprendiam lá do alto e caíam estrondosamente terras e matos adentro.

No final, a satisfação era evidente por parte do nosso grupo e culminámos a comentar as peripécias da manhã, à volta de uma mesa, em Almodôvar,  num saboroso ensopado de borrego, regado com os bons tintos da região.

Um abraço amigo e até breve, na certeza porém de que, na próxima, seguramente irei " de salto" com os cães pela frente.








Bom tiro. É sua !!

Terras de Caça.



















Messejana
Conceição
Atrás da Perdiz Vermelha


Único mas belíssimo troféu. Um dos meus melhores cobrados este ano.

Mantêm-se as altas temperaturas e as consequentes dificuldades nos campos, com os cães e... nos resultados das caçadas.

Sobretudo quando nesta reserva sendo a caça nascida e criada no campo,   logo pressente, desde muito longe,  quem são os intrusos nos seus territórios habituais.

Agreste e desconfiada, pôem-se nas asas a grandes distancias e só mesmo quando  sol vai alto e as temperaturas insuportáveis e depois de alguns voos tresmalhados, dão mão,  e até saltam escandalosamente aos nossos pés.

Não há caça ou tiro mais bonito do que a de salto, isolado, ou em linha, à nossa perdiz.

No caso em apreço, por volta das 13horas, um belíssimo exemplar abatido, a saltar, poderosa, em olival velho e sujo, da direita para esquerda. Dois tiros simultâneos, cobro de um breton, e o CS a dizer-me; Sérgio, bom tiro, esta é sua !

Estimado amigo, um abraço.