quinta-feira, outubro 21, 2021

Sem descanso

 













Outubro, 16 - 2021

Mértola


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A título de exemplo, recordo os meus dois bracos, com a brisa pela frente, imobilizados, cachorrra na dianteira, em paragem a bando de perdizes, escondidas dentro dos pastos, a uns bons 30 metros,  mas, na frente  dos cães, uma forte vedação de arame. O bando pouco demora e começam assustadas rapidamente a levantarem voo. Primeiro disparo e vejo-a enrolar-se no ar e cair , arranca uma outra perdiz , segundo tiro certeiro e queda da segunda ave enquanto que as outras puseram-se nas asas para terrenos mais seguros.  Os cães lançaram-se fervorosamente para a frente mas a vedação impedia a sua passagem, tornando-os muito, demasiado,  nervosos junto à rede, o que às vezes dá asneira, pois queriam à viva força passar tal obstáculo.  Rápido, suor a escorrer, lá corri, abri e depositei a arma no chão e , com os braços, levantei-os vigorosamente e passeio-os para o lado de lá do aramado. Eu já não sabia muito bem onde as perdizes tinham caído, mas deixei ( que remédio) o nariz dos cães fazerem o trabalho e quer uma quer a outra foram imaculadamente cobradas. Que gozo, que satisfação !!



Caça de salto, em Linha.


 









Mértola, 09 Outubro 2021


Boa linha de caçadores a que formámos neste lindo dia de 09 de Outubro


Apesar do calor que se previa, os caçadores não faltaram ao seu compromisso. O número de bandos e perdizes nascidas e criadas por aqui na época do defeso era motivo substancial e o entusiasmo e a alegria e boa disposição imperavam, por isso,  entre todos.


Os terrenos onde íamos caçar, já bem nossos conhecidos, apresentavam-se este ano lindíssimos para a prática da caça de salto à perdiz. Embora muito secos,  os pastos amarelados, queimados pelo impiedoso sol de verão eram muitos e fartos e bem distribuídos pela herdade. Nas zonas de montado,  os inúmeros arrifes de mato que por ali existem nos cumes faziam prever, desde logo,  que as perdizes, aos primeiros voos e nas horas de maior calor, ali se refugiassem.


Para mim, embora bem mais penoso, é mais fácil caçar a perdiz em outubros escaldantes do que nos tempos de chuva, húmidos e frios. A perdiz é mais certa em determinados sítios de refúgio, basta ir lá procurá-la, nós sabemos isso. Se houver pequenos barrancos com juncos e alguma humidade é também lá que elas se escondem das armas e dos caçadores. No inverno é mais imponderável, gostam muito das "chapadas" viradas ao sol, do cimo dos cabeços pois estão sempre em alerta mas saltam de qualquer lado se assim for preciso e necessário. 


Para a caça, o inverno é, de facto, mais justo pois dá mais defesa à caça.


Nesta caçada eu e o PL levamos os nossos 4 bracos, uns mais experientes, um ou outro sobressaem pelo seu poderoso nariz, outros melhores no cobro, uns mais cachorros outros já adultos mas, no geral, cumprem - e muito bem - as suas funções. Sem eles, as perchas seriam seguramente mais reduzidas, diz-me a experiência de 40 anos de caça a esta espécie.


No final um bonito quadro de caça, no geral. As temperaturas de verão fustigam mais as perdizes, sobretudo se os caçadores e cães conseguirem suportar a estiva típica e habitual da temporada, o que, sendo difícil, não é de todo impossível


Vamos, pois,  aguardar por um clima mais ameno


Um abraço amigo






segunda-feira, outubro 04, 2021

Abertura geral 2021

 





















Mértola, 02 OUT 2021


Convenhamos que para abertura geral em Outubro, ainda que com relativa preparação física, enfrentar as desafiantes ladeiras e barrancos da Ribeira do Vascão era sempre algo de superlativo,  mesmo para 3 caçadores experientes como nós,  neste tipo de caça de salto, à perdiz.

No entanto, lá fomos, de "peito aberto" , com a fé na alma e com a ajuda dos nossos cães, alguns deles praticamente a estrearem-se nestas lides da caça brava.

Nesta nova temporada  enfrentávamos pela primeira vez aqueles declives,  muito pronunciados, muitos quase a 45º e que, quando chegados aos seus topos, deixavam-nos com o coração a saltar da boca,  incapazes de quase sequer conseguir levantar a arma e dar um tiro.

Terras secas, cheios de xistos traiçoeiros que nos deixavam perigosamente escorregar as botas, com riscos de quedas, estevas e matos ressequidos por todo o lado, responsáveis por muitos  arranhões nos braços e pernas, pés doridos, sofridos,  sobretudo das descidas dos barrancos, onde, para não cairmos, muitas vezes íamos agarrados ao mato.

E pergunta-se porquê, porquê ir fazer uma abertura nestas condições com 3 caçadores e 2 mochileiros para tais terrenos ?  - a resposta : pelo complexo desafio de o fazer logo em Outubro em condições agrestes e, acima de tudo, pela qualidade das perdizes !! Não encontro outra explicação. Pelo desafio.

Mas lá fomos.

Tivemos a ( grande sorte ) de a manhã se tornar mais fresca e cinzenta e conseguirmos jornada até ao meio dia. Caso contrário, estávamos seguros que pelas 10 da manhã tínhamos a caçada feita e a percha teria sido nem metade. Na véspera assim estivemos mentalizados para isso. Mas tal não sucedeu, tivemos sorte.

Com voltas bem calculadas e uma espingarda sempre bem adiantada e colocada, certeira,  lá iam tombando ao som dos tiros, uma a uma. Muitas fugiram para sítios incertos, dobrando cabeços de asas abertas , poderosas, bravas. Nem insistíamos ! Lá iam.

Fizemos 2 longas voltas adivinhando a fuga das perdizes para certas zonas e, na volta de contrário, fomos lá tentar dar com elas. A temporada ainda agora começou . Fora mais tarde e os voos seriam muito mais largos e não conseguiríamos concretizar esta estratégia. 

Subida a subida, descida a descida, com o ritmo possível, cães a trabalharem e a cobrarem muito bem, perdizes a levantarem, algumas a fugirem para trás ou em voos cruzados por cima de nós, lá foram sendo capturadas. No final, 12 perdizes e 1 coelho. Bravo! Da minha parte não contribui muito para o resultado mas estou certo que melhores dias virão.

A boa disposição e companheirismo imperou sempre como se pode ver nas fotos . 

Num lugarejo onde nem sequer podíamos fazer ou receber chamadas - os telemóveis aqui não tinham linha para funcionarem - esperava-nos, acautelado e já feito,  um saboroso almoço de cozido de grão,  que tão bem se faz por estas terras alentejanas. Retemperou-nos as forças e regressámos a casa, para mim com a satisfação do dever cumprido e o desejo de lá voltar.

Um abraço amigo.






terça-feira, setembro 21, 2021

Outra meia dúzia


 













Setembro 2021
Castro Verde



Tínhamos lá deixado escapar uns bons pares de codornizes na anterior jornada, razão pela qual se impunha um rápido retorno ao local.

Falados com o Dono da Herdade obtivemos o acordo e, três dias depois, aqui marcávamos presença, de novo.

Tinham entretanto caído umas boas bátegas de chuva um pouco por todo o país elevando, assim, as  nossas espectativas de uma boa caçada. Terrenos húmidos e mais água nos barrancos seriam sempre sinónimo de mais aves por ali.

Errado!!

Mesma hora, o guarda a aguardar por nós e lá fomos atrás da coluna de pó que o Jipe do dito levantava. A chuva tinha-se abatido em quantidade mas não suficiente. As terras rapidamente absorveram a água e voltámos ao cenário de secura anterior. Parecia-nos mentira.

Bom, ainda sem poder contar com a ajuda da minha lesionada cachorra braco, alternámos  a estratégia da caçada anterior e neste dia foi o PL pelas zonas mais altas da herdade. De referir que a zona da codorniz onde caçamos se restringe a 60 ou 70 hectares de restolhos ainda não tocados pelo gado, a herdade é claramente maior.

Da minha parte começa por se levantar uma lebre aos pés, linda, corrida pelo barranco acima, mas não estávamos autorizados ao abate, nem queremos, elas que se reproduzam em quantidade suficiente para mais tarde  podermos estar de consciência tranquila na sua caça.

Com a queda das trovoadas e chuvas, os rastos dos coelhos eram bastante  mais visíveis e muito mais frequentes. O Jeep, marrava-se com um dentro das giestas e obrigou-o a esgueirar-se barranco abaixo direito provavelmente às covas. Sem tiro, claro.

No que toca a codornizes, tivemos mais uma divertida manhã. O PL pelas alturas disparava mais, sabia-se, os cães também ajudam e muito e, pouco a pouco,  conseguiu a conta, as dez, ao cabo de não mais de 2 horas.

Da minha parte consegui um cupo de 6, belos tiros, bons cobros, diversão máxima. O Jeep, para minha satisfação,  vai apurando também a performance à medida que as vai caçando. Com calma, e sem grandes excitações do dono, não deixa para trás as abatidas e é exemplar, não me canso de o referir, no cobro com dente suave e dócil destas pequenas aves.

Com o calor a fazer prostrar os cães, demos por terminada a caçada e fomos à vilória mais próxima,  com poucas dezenas de habitantes, a um pequena venda ali existente, saciar-nos numa reduzida  esplanada de 3 mesas, com umas cervejas bem geladinhas e umas irrepreensíveis  bifanas quentinhas de porco preto em pão alentejano.

Um abraço amigo



sexta-feira, setembro 17, 2021

Simbiose perfeita

 




Setembro 2021
Castro Verde

A ansiedade era muito grande. 

Há um ano que não caçávamos à codorniz. As saudades destas jornadas vincam-nos sempre de uma forma muito forte.

Saímos de Lisboa aí pelas 04h15 e às 06h30 já estávamos no local que havia sido combinado. Connosco,  3 bracos alemães a viajar tranquilamente na caixa da Berlingo. A minha cachorra, com muita pena minha, ficou em casa, pois tinha iniciado o seu primeiro cio a 30 de Agosto, para mal dos meus pecados.

Ainda na penumbra do inicio do nascer do dia,  seguimos atrás do Jipe do Guarda para uns restolhos de trigo onde o gado não havia entrado. 

Largas tiras de restolho entremeadas com matos e arrifes próprios desta região. Um ou dois barrancos sendo  um com água de nascente e algumas poças bem afastadas por centenas de metros.

Coube-me a mim seguir com o Jeep  ( meu braco alemão) pelos locais mais elevados da herdade, o que talvez tenha sido a minha sorte pois os dias iam muito quentes e estas pequenas aves frequentavam sobretudo aqueles sítios onde passassem ligeiras brisas.

Primeira paragem do Jeep, passo rápido para junto dele e saltam um par delas.  Consigo o doble!!
Grande alegria. Belo cobro do Jeep que cobrou logo uma, de forma imaculada, como habitualmente. A outra, como a tinha visto cair no restolho, deixei-me de brincadeiras, marquei a pancada,  e fui lá pegar nela.

Penduradas as duas na pioleira, seguimos em frente.

Cá mais em baixo,  o PL também ia fazendo o gosto ao dedo, muito embora houvesse menos aves.  Tem este ano uma cachorra com ele que ( digo eu ) será um dia mais tarde o sonho de qualquer caçador de codornizes.

Umas paradas, outras levantadas à frente dos nossos pés caminhámos, uma a uma, para fazermos a conta das 10 cada um, durante cerca de 3 horas de caça.

Todavia, não se pense que a herdade estava infestada de codornizes. Longe disso. Tiveram que ser os cães, também, a trabalhar ( e muito ) nos restolhos, dentro dos arrifes e mais tarde dentro das valas.

O meu cão, cada vez que cobrava uma ( e não deixou lá nenhuma) sentava-se junto de mim  e pedia-me água, numa simbiose quase perfeita, pois sabe que quando o faz, é sempre a sua recompensa nestas jornadas tórridas de Setembro, razão pela qual levo sempre algumas garrafinhas no colete de caça.

No final, o desejo de lá regressar mas ainda assim alguma contenção,  pois não saltaram assim tantas como pretendíamos.

A lá voltar com um até breve.

Correu bem !!

Um abraço amigo




sábado, dezembro 05, 2020

"Elementar meu caro Watson!"

 

 



 

 

 

 

 

 

 

21-11-2020

 

"Elementar meu caro Watson" - dizia Sherlock para o seu assistente sempre que este se apresentava  com qualquer dúvida.

Após cada jornada de caça, é sabido que se torna elementar proceder à limpeza da nossa arma. Só assim estaremos seguros do seu correto funcionamento no exercício futuro da caça.

Neste nosso regresso às ribanceiras e abruptos barrancos desta Herdade, onde predomina a perdiz ali nascida e criada no campo, a expectativa era, como sempre, elevada.

Na jornada anterior, embora com muita pena minha não tinha podido estar presente, capturaram-se, noutra zona desta mesma Herdade,  4 machos"pintados" nas caudas, o que me aumentava ainda mais a ansiedade e o desejo por conseguir um destes belos troféus.

Já no campo, com um bonito e radioso dia de sol, no momento de formarmos a linha, sorteámos os postos através do habitual cartucho no interior da boina de caça.

Ao retirarem o meu, correspondia à ponta esquerda da linha, o melhor posto sem dúvida. Trata-se de um percurso praticamente no fundo dos barrancos, até em terreno mais direito e mais fácil de percorrer, onde me competiria,  mais do que descobri-las, atirar às perdizes levantadas pelos meus companheiros da linha de caça estendida por aquelas vertentes agrestes, e que viriam em fuga, em voos muito rápidos pelas ribanceiras abaixo, normalmente nas linhas de junção dos vales.

O meu mochileiro, o F. , que ali trabalha há mais de 20 anos, conhece o local como ninguém, conhece "as cortadas" dos voos das perdizes quando em fuga e, exemplarmente, lá me ia indicando quais os melhores locais para lhes atirar. Tínhamos de andar em passo mais acelerado que os outros pois a perdiz salta na linha de caça em voo frontal e depois desce em fuga as encostas para tentar sobrevoar a ribeira e por-se fora do alcance das armas dos caçadores.

Ouvimos 2 tiros algures na linha e aguardo. Lá vêem duas. Asas abertas e direitinhas a mim cortando o silêncio do vale. Peitos bojudos e cores garridas, vivas . Desfiro o primeiro tiro, falho e ao segundo disparo...arma encravada !! Nervoso procuro desbloquear a arma, uma Benelli Crio, sem grande razão aparente para tal avaria.

Novo lance, novo falhanço ao primeiro e encravada de novo ao tentar o segundo disparo.

Nova perdiz, asa aberta, vê-me e revoa forte e rápida, da direita para a esquerda, corro a mão, atiro e a perdiz cai do lado de lá da ribeira, dentro do mato. O F. corre, ao mesmo tempo que alega que está "redonda!,  e eu ordeno o cobro ao meu braco, o Jeep, que também a tinha visto a cair. Aguardo e alguns instantes depois, desanimado,  vejo do lado de lá a perdiz a sair do interior do mato, a patas, a subir o barranco. Que angústia. Longe, não a podia segurar. Felizmente, logo após, também o "Jeep" saía do mato atrás dela e, depois dalgumas fintas ao cão ( estava a ver que se ía embora) o braco captura e traz-me a perdiz na boca, como sempre de forma doce, intacta, grande virtude deste meu companheiro de 4 patas.

Mas isto não é normal - pensava já com os nervos descontrolados, olhando, vendo e revendo a espingarda. O F. lá me dizia depois de também tentar consertar a avaria,  que "a arma não estava boa" ! - que nervos.

Só conseguia inserir um cartucho, em modo manual, tinha desistido do segundo e do terceiro pois a patilha que alimenta o cartucho para a câmara estava sempre a prender no interior, encravando a arma.

Pelas minhas contas e,  se fosse o "mata tudo", teriam ficado umas sete ou oito pelo caminho, senão mais. Que vertigem de perdizes a voar encostas abaixo, atentas, de asas bem abertas. Que pica!!  Assim,  ficou uma e também uma grande lição, a da obrigação de bem limpar as espingardas em casa, antes de sair à caça. Sim,  porque o real problema era a mola que deixa trabalhar a patilha de alimentação dos cartuchos, que estava suja de pólvora seca e empedernida, não estava oleada, por isso prendia no seu interior.

Na segunda metade, cedi imediatamente o meu lugar, ainda fui ao Monte trocar de espingarda e lá consegui caçar mais um par delas.

Almoçámos ao ar livre, no Monte, bom tinto da safra do JF, azeitonas novas bem temperadas, queijo manchego, pão alentejano e, entre outros acepipes, umas bifanas de cebolada de comer e chorar por mais.

Restou-me a lição e a quase certeza de tão cedo e muito provavelmente não conseguir outra vez, por sorteio,  aquele lugar nas próximas vezes que lá caçarmos.

Ao chegar a casa, deixei as 3 perdizes a "amaciar" durante 3 dias no frigorífico e só depois as depenei e arranjei, fazendo-as da maneira que mais aprecio: "À convento de Alcântara ". 

Desfrutando, com a família, que bem gostam.

Um abraço amigo.

 




sexta-feira, novembro 06, 2020

Por terras de Nuestros Hermanos.








 










 
 
 
 
 
 
 
24 Outubro 2020

 
Por terras de nuestros hermanos fomos gentilmente convidados para esta caçada, integrados em grupo que há muito anos caçam no país vizinho.

Com uma área de pouco mais de 500 hectares, o terreno é muito bonito para  a prática da caça à perdiz com cães de parar, quer em linha quer de salto, isolado, bastando saber como dar as voltas para conseguir alcançar perchas que se pretendem sejam sempre moderadas.
 
Este Couto, então, para a chamada Media Veda, caça de rolas e torcazes , é absolutamente fabuloso.

O Couto tem uma elevada densidade populacional de perdizes e lebres ( embora a estas esteja proibida a sua caça pelo Dono da Herdade ) fruto da gestão orientada para a caça, deixando, inclusive, sementeiras inteiras por colher, que lhes servem de abrigo para procriarem ao abrigo e protecção dos predadores, bem como fornecimento de comida durante todo o ano.

As bravas perdizes, em muitos bandos de 7, 8 ou mais, dão-nos que fazer pelas barbas, mas a oreografia da herdade permite belíssimos lances , quer no que respeita ao tiro em si quer no trabalho dos cães, constituindo uma autêntica escola onde se pode examinar a capacidade e sagacidade dos perdigueiros.

Os pastos altos, os pequenos matos ( matorrales como lá lhe chamam ) e o terreno algo ondulado, constituem um pequeno paraíso para a caça destas aves. Os cobros feitos pelos cães são algo difíceis mas como o grupo de caça é relativamente reduzido e solidário, a entreajuda em não deixar aves feridas ou mortas é deveras assinalável.

No final, 6 espingardas cobraram 30 perdizes, contribuindo para a satisfação do guarda, que assim vai gerindo os efectivos e permitindo mais jornadas pela frente.

De reter que, contrariamente à desaparecida tradição do que outrora foi praticado em Portugal, o guarda, no final, destripa todas as aves capturadas. É tradição em Espanha, pena que por cá tudo se faça para que essas referencias e tradições caminhem lentamente para o seu desaparecimento.

Um abraço e até breve.


sexta-feira, outubro 09, 2020

Bom ano de criação de perdizes = Abertura Geral em cheio!!

 












Abertura Geral - Baixo Alentejo


Grande dia de Caça !

Companheiros de 4 patas: Jeep e Kali, ambos raça braco alemão.

Na estreia da minha nova companheira de 4 patas, prestes a completar 6 meses , foi, pela primeira vez, à caça, e logo da perdiz vermelha. Assim, levei comigo o meu braco alemão, o Jeep, destinado à "segunda parte", sendo que a cachorra, a "Kali", faria as primeiras duas horas de trabalho, pela fresquinha.


Segundo informação do dono da herdade, já sabíamos que as criações de perdiz nesta zona tinham sido fora do normal, muito melhores que na época anterior , pois, para além do maior número de bandos existentes, o número de efectivos em cada bando era francamente generoso.


Com isto a ansiedade imperava ainda mais e, no caminho para a parte da herdade que iríamos caçar, reinava como é habitual a boa disposição no nosso grupo de 8 caçadores, misturada e notada também com algum nervoso miudinho. Da minha parte algum receio com a Kali pois, sem qualquer tipo de treino, inclusive de tiro, não gostaria mesmo nada de a ver a esconder-se ou a correr desalmadamente pelo campo e aborrecer os restantes confrades num dia tão importante como este. Nas semanas anteriores em minha casa, algum treino de trela e cobro e respondia de vez em quando ao apito mas, num dia como este de tiros, gritos e ladras, receava que a cadelita ganhasse medo e perdesse o seu próprio controle. Foi por isso uma grande aventura e risco da minha parte.


O primeiro erro da volta foi começar com o vento ( mais uma brisa forte ) pelas costas. Enervante ver os bandos de perdizes a levantar fora de tiro e os cães sem poderem caçar de ventas ao ar e, por isso, a esticarem-se mais. Poucos tiros, quase nenhuns abates e muita perdiz fugida. Resolvemos por isso alterar a estratégia e, na carrinha 4x4, fomos todos, alguns kms mais à frente fazer a volta inversa, desta feita contra o vento.


Ora, aqui e agora, foi tudo mesmo muito diferente. As perdizes começaram a dar tiro e a atravessar a linha proporcionando alguns abates verdadeiramente espectaculares. Alguns bandos, de 9, 10 ou mais aves, conseguiram escapar completamente ilesas, sem tiro. Finas. Não faz mal que ficam lá, não fogem e voltaremos o mais breve possível para lhes dar caça.


Quanto à Kali, braco alemão de pelo liso, filha de Voss deAlmansur  e da Lança das Meiguices, foi uma autêntica surpresa. Não revelou nenhum medo aos tiros, caçou sempre perto de mim ( surpreendente) em zig-zag como mandam as regras e sem que ninguém a tivesse ensinado, tomava ventos sempre de cabeça levantada e não se fazia rogada em meter o ( belíssimo) nariz no chão sempre que sentia o rasto das perdizes. A cauda constantemente a abanar revelava grande satisfação da sua parte. À primeira perdiz abatida tive a grande sorte da cadelita a ter visto logo a tombar 30 ou 40 metros lá para a frente no meio dos pastos altos, esqueceu o estrondo do tiro e desatou a correr direita à ave abatida. No local, a perdiz ainda desatou a fugir o que ajudou mais pois a cachorra em grande frenesim correu atrás dela até a conseguir capturar. O PL gritava-me animado, "está feita, já não é preciso mais, já ganhou vício"  Deixei-a saborear e mordiscar a ave ali por alguns bons momentos e depois comecei a chamá-la. Que alegria vê-la tomar a perdiz na boca e vir trazê-la ao dono. Boca doce, tudo perfeito. Seria bom se assim sempre continuar. Após 3 ou 4 lances similares de tiro e cobro, já estava com 2 horas de caça e, extenuada,  a última perdiz cobrada, não o esquecerei, trouxe-a na boca e quando chegou ao pé de mim, deitou-se no chão de lado mas não largou a perdiz da boca. Altura de de trocar de montada e fui buscar o Jeep que continuou por mais 3 horas comigo.


Uma manhã perfeita de caça, não fora um lamentável episódio de briga entre dois cães machos, durante o habitual taco matinal. O dono, irreflectidamente,  foi tentar separar os animais com as mãos e sofreu duas ou trés dentadas numa das mãos, tendo sido suturado com diversos pontos do Centro de Saúde mais próximo e ministrado antibiótico adequado. As rápidas melhoras para o P. 

 

Em caso de briga nunca tentar separar 2 cães com as mãos. Existe este risco pois os animais estão tresloucados e não reparam onde mordem, querem é morder.


Um abraço amigo e continuemos, todos, com saúde, as nossas jornadas.







domingo, setembro 27, 2020

Aos Patos, a sorte grande em Beja

 

 
Aspecto geral do açude
 

 
 
 Trindade, Beja, em 17/09/2020


A caçada havia sido cancelada neste dia por desistência de alguns caçadores, atendendo ao mau tempo que estava previsto

De surpreender,  pois é sabido que muitas vezes as melhores caçadas aos patos são feitas com tempo adverso.

Pela anterior desistência e por entrada de novos confrades, fiquei impedido de levar comigo um familiar que previamente tinha convidado. Ainda assim, não deixei fugir a oportunidade, pois outras haverá.

Às 17 horas encontrávamo-nos,  entre trovoada e raios a cair ao longe, na rotunda de Beja com meu antigo conhecido e local amigo e organizador da mesma, o L.F., pelo que a caçada revestia-se, desde logo, para mim, de seriedade e expectativa.

A caminho da Trindade, na rota para Mértola, entramos em Herdade já minha conhecida e , no caminho, com bandos de perdizes em fuga e que mais tarde lá irei acertar contas com elas, com ligeireza, foi feito o sorteio dos 3 açudes que iam ser caçados. 

Calhou-me em sorte ( e que sorte) o açude com aspecto de acordo com vídeo acima.

Neste açude fiquei eu e um outro confrade, pelo que, caso entrassem,  adivinha alguma dificuldade em segurar os patos só com duas armas.

Às 18h30, bem escondidos e camuflados nas "atabuas", armei a minha benelli crio,  com 3 Bornaghi CH6, chumbo 5.

O primeiro pato, um belo real, entrou isolado, logo alguns minutos depois, aterrando a 5 ou 6 metros à minha frente. Ergui-me de espingarda aperrada, o pato levantou, poderoso, apontei e , quando já o dava como "certo", tinha a espingarda ainda na segurança. De tal forma carreguei no gatilho que me desequilibrei e ia caindo para dentro de água. Maçarico, pensei furioso, ainda tentei destravar mas o pato já ia bastante largo.

Começa mal isto, pensei. Escondi-me de novo, coração aos saltos.

O vento soprava moderado de sul pelo que os patos, a entrarem, sabia que seria sempre pela zona mais desprotegida do açude, pela "praia",  conforme se pode ver no pequeno filme.

Surpreendido, ainda bem dia, oiço o sibilar de muitas asas por cima de mim. Quieto, aguardei e só mexendo os olhos vejo de um bando de uns 10 ou 12 a irem dar a volta e tomar o vento pelos bicos.

Deixei aterrar alguns, para permitir ao outro Senhor o tiro, levantei-me e outros em voo, consegui um doble do ar, cai um dentro de água, cai outro já na margem. Perfeito. Virão mais?

Não querendo ser extenso vieram mesmo, e com fartura. Até uma hora após o por do sol , foi um fartar vilanagem de tiros e patos a entrar. Aos poucos íam caindo, mais um doble no ar, tiros espectaculares de outros que, já em fuga, iam cair para trás do talude do açude. 

Peripécias diversas, lanterna led na cabeça e fomos cobrar alguns.

No total, 16 patos cobrados, 12 à minha conta. Estive bem, seguro, certeiro, Sto Huberto esteve comigo, pois, dos 3 açudes ( e os outros 2 estavam previstos como melhores que este ) o nosso foi, de longe o mais visitado.

Bela jornada, a recordar e a revisitar.




 

domingo, setembro 13, 2020

Aos Patos, em Mértola

 





 
 
 
04-09-2020 
Zona de Caça em Alcaria Ruiva - Mértola


O meu amigo S. tinha-me falado neste açude, que o Guarda lhe tinha dito que havia uns bons patos a ir todos os dias lá dormir pela calada da noite, que merecia a pena marcar presença com uma caçada, para tentar derrubar alguns.

Com o "bichinho" a morder saímos de Lisboa com 34 graus, pelas 15h00 , com hora marcada às 17h30, para o encontro com o Guarda,  Sr F.,  à entrada do Monte da Reserva.

Prometido para o final da jornada e para o jantar lá no Monte estavam duas galinhas caseiras, feitas de tomatada, em tacho, com batata frita cortada à mão, e arroz branco, com vinho tinto da região. Só isto já quase merecia a pena a viagem.

Colocados no açude, no meio das atabuas, aguardámos, com ansiedade, os ditos "adens".
 
Já não se via o sol e ainda não tinha visto nada de caçável. Alguns minutos depois, dois tiros à minha direita, olho, e esteiro pela frente um bando de reais, 10 ou 12, a entrarem à água  em grande velocidade. Quase que me assustei. Lindo.
Agachado, vejo dois que se entrecruzam com o tradicional CUÁA...CUÁ_CUÁ de pânico. Precipito-mo e faço fogo. O primeiro cai com estrondo dentro de água. O segundo assustado, sobe quase na vertical. Tento a carambola mas erro-o muito por trás.

O tiroteio prossegue, apercebo.me que há quem atire larguíssimo, pior para eles.

Mais uns largos minutos de espera. Aí vêm mais,  direitos à água, parecem F16 a descer. Dois poisam na água. O meu coração bate mais forte e...gatilhada. Ficam 2. Levantam outros 3 ou 4 e passam pela minha direita. Estava inspirado nesta noite. Corro-lhes a mão e disparo, cai um, seco, na margem, já fora de água. Com o terceiro tiro, "zás", começou logo a descer atingido numa asa. Salto do lugar e corro na direcção onde o vi cair, procuro a uns cinquenta metros, espero ali um pouco que se mexa, e ei-lo a correr atrapalhadamente entre a vegetação rasteira à volta do açude. Apanho-o, rápido. É lindo, mesmo, pescoço verde azulado, com um colar branco, as asas cinzentas, brancas e pretas, aliás como o resto do corpo fazem contrastar ainda mais o espelho azulado. Tenho uma pena enorme de o matar mas não queria que sofresse mais.

No final, entre mais 2 ou 3 cobrados, uma dúzia entre mim e o S. 

As galinhas de tomatada, essas, estavam simplesmente divinais, que sabor de carne,  e a simpatia do guarda e sua esposa são por demais. O vento suão, com temperaturas ainda imagino na ordem dos 30 graus, entrava pela modesta casa de janelas e portas todas abertas. Belo jantar.

Arrumada a tralha, regressámos a  casa onde cheguei por volta das 2 da manhã, cansado mas satisfeitíssimo . Tudo correu bem e há que aguardar, agora, por nova (boa) oportunidade.

Um abraço amigo.

 
 

quarta-feira, setembro 02, 2020

A Porta 9





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornada de 29 Agosto

 

No calendário destas caçadas às rolas e torcazes, eu estaria , no período da manhã, entre outras, numa das melhores portas desta Herdade, a já muito falada Porta 9. 

Mais 2 ou 3 Portas são consideradas ainda melhores do que esta, mas esta, a 9,  é sempre muito ambicionada.

É uma Porta localizada num local privilegiado, algo elevado, e que abrange a entrada dos torcazes pela zona mais baixa do vale ( primeira foto acima )  e entrada, pelas costas do abrigo, das "africanas". 

Assim, tiros relativamente menos difíceis aos torcazes e muito mais tortuosos às rolas,  a necessitar de muitos golpes de rins.

Boas pernas também são necessárias para cobrar a caça abatida dado que, amiúde,  é necessário descer muito lá abaixo, procurar a caça e com ela regressar à porta. Bom exercício físico para uma manhã de muito calor.

Tanto nos pombos como nas rolas, a caça entrou, de uma forma geral, generosamente, quer isolada, quer em grupos de 3 ou 4,  quer em bandos e,  tanto nos pombos como nas rolas, esta forma de entrar aconteceu, obrigando a estar sempre a municiar as caçadeiras.

No final , no patio do Monte, um quadro de caça muito bonito, que escuso de mostrar mas que satisfez todos os 10 caçadores de rostos bem satisfeitos com o número e dificuldade dos tiros, alguns de rara beleza e eficácia.

Um abraço amigo.


 

 

segunda-feira, agosto 24, 2020

Caça de Verão

 

 













 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  22/23 Agosto 2020

 

Um esplenderoso amanhecer que, com muita ansiedade à mistura,  fazia antever uma belíssima jornada de caça às rolas e aos pombos torcazes.

Cevadouros extensos e bem tratados,  observados ao longo de semanas a fio, por quem os mandou fazer e por quem, sobretudo, os foi tratando dia a dia, presentearam-nos nestes dois dias ,generosamente, com muitas,  mas muitas centenas de disparos.

Um grupo de Confrades bem dispostos e muito habituados a estas lides, a quem com muito gosto nos juntámos este ano.

Mais pombos e menos rolas nas nossas expectativas, mas, com estes resultados, e com a satisfação de podermos caçar mais vezes, vamos,  seguramente,  realizar com sucesso novas caçadas ainda durante Agosto e próximo mês de Setembro.

Um abraço amigo.





domingo, maio 03, 2020

Bom ano de tordos.



























 Época de tordos em 2020


Como é do conhecimento de todos nós caçadores, que temos verdadeira paixão pela caça desta linda espécie, na época transacta, ao contrário de muitas outras anteriores, que foram paupérrimas,  desta vez a visita dos tordos foi muito generosa para o nosso país

De norte a sul de Portugal estas migradoras espalharam-se, este ano, gradualmente e em boas quantidades, fugindo  uma vez mais do clima gélido dos países nórdicos do continente europeu, em busca de comida, voando, assim,  para as nossas terras do sul da Europa.

Por cá, os tordos buscam numa primeira fase refúgio nos matagais espessos dos montados, sendo então a sua alimentação constituída essencialmente à base de  pequenas lagartas, minhocas e larvas, que tanto apreciam. Com o tempo gradualmente a arrefecer e a ficar muito mais frio nas semanas seguintes estes invertebrados recolhem-se debaixo da terra para invernar e, então, não lhes resta outra solução senão voarem direito aos olivais procurando a tão saborosa azeitona lusitana.

Poderia talvez postar caçada a caçada mas, sabendo que tal iria tornar-se deveras fastidioso para quem lê estes relatos, optei por uma colagem de muitas ( não todas ) as caçadas que eu, o PL e o MS fizemos por terras alentejanas.

O meu novo BA,  JEEP, foi uma autênticas surpresa para mim, e revelou-se um extraordinário e obediente cão de cobro dos tordos ( nunca pensei) e acompanhou-me sempre na caça a esta espécie, sendo um companheirão super obediente que, nesta modalidade, só cobra à ordem.

O animal mantêm-se horas e horas a fio sentado por trás da "parrocha", junto aos meus pés, e já aprendeu muito em, por exemplo, quando ergo a espingarda  ao disparo, já ele está a olhar na mesma direcção, para o céu,  esperando ver cair o tordo. Quando cai e ele sai em cobro rápido, sabe-me  sempre muito bem ouvir os elogios dos confrades que se encontram nas portas vizinhas.

Espero que todos os caçadores a esta espécie se tenham divertido com as jornadas da época, e espero, também, que a nova época abra sem que este vírus continue a nos apoquentar ,  com saúde para todos e deixando.nos praticar o nosso desporto favorito.

Um abraço amigo






quinta-feira, janeiro 09, 2020

Uma bonita caçada de final de época.





















Trindade - Beja
Herdade da Mingorra
04-01-2020


Primeira vez que nesta herdade cacei, respondendo a amável convite de amigo caçador.

Dois mil hectares de terras de vinhas ( bons vinhos e bons espumantes aqui se produzem, já que tive a oportunidade de os provar ao almoço ) de olival e pousios, fazem destes terrenos , bem cuidados, o local ideal para desfrutar de uma bela caçada de final de época, à perdiz vermelha.

Com um dia de sol e temperatura magníficos,  e companheiros de linha bem entendidos nesta matérias de caçar à vermelha, a jornada foi sobejamente pródiga em lances que nos ficarão por muito tempo na memória, quer no que respeita aos tiros quer no que se refere aos nossos prodigiosos companheiros de 4 patas que tantas alegrias nos dão.

A caçada foi bastante longa ( almoçámos por volta das 16 horas )  , andámos seguramente muitos quilómetros de espingarda aperrada, mas, no final, certo que cansados, sentimos na alma o prazer imenso de ter a oportunidade de um dia muito muito bem passado.

Não me alongarei em detalhes de lances, somente refiro sem hesitações que foi um dos melhores dias de caça à perdiz, que tive até hoje, nos meus já quase 40 anos de caça.

Por isto se vê a sorte que tenho tido ao meu lado neste tempo todo.

Ponto!.

Um abraço amigo e até breve.








segunda-feira, dezembro 30, 2019

Caçar em Cortegafo

A meio da manhã





















No final da jornada

















Cortegafo
Mértola - 22/12/2019


Como combinado na véspera, às 08h30 todos chegávamos britanicamente ao ponto de encontro, para, logo ali, após os habituais cumprimentos mas sem delongas, se iniciarem as trocas de impressões sobre qual a melhor estratégia de abordagem à extensa herdade de cerca de 2.000 ha, por forma a reunir as melhores condições possíveis para tornar num êxito, esta última caçada de 2019.

Identificados pelo dono da herdade os melhores locais com mais abundância de bandos de perdizes e a melhor forma de os "atacar" desenrolámos harmoniosamente a linha de caçadores através de projectos de pinheiros e (penso que eram sobreiros ). Cães pela frente, espingardas aperradas, cedo começámos os levantes e, nada fáceis ( neste local as perdizes nascem todas no campo ) ,chegámos a meio da jornada algo desapontados dado o escasso número de capturas.

Da minha parte estive com sorte, uma vez mais ( obrigado Sto. Huberto) e consegui, até àquela hora,  2 belos exemplares, sendo um deles um perdigão real com 2 pintas nas penas na cauda.

Aqui não há "taco", só uma águas são rapidamente distribuídas e as espingardas têm de subir de novo para as costas para retomar a caçada.

Para mim é mito dizer que a perdiz do campo, a selvagem,  não se deixa parar. Errado. Deixa-se parar  sempre que se encontre aterrorizada, seja porque circunstancia for. O meu braco alemão, em paragem de grande estética ( sempre é um field trialer) segurou uma perdiz a cerca de 20/25 metros, com os ventos pela frente. A ave estada deitada no solo, dentro do pasto, esperando não ser encontrada e deixando o perigo passar. Mas o Jeep numa guia muito bonita e excitante, galgou mais ou menos uma dezena de metros e a perdiz já não resistiu. Sentindo-se descoberta arrancou, possante, em voo rasante. Esta foi-se embora, de frente, e com dois tiros por mim escandalosamente falhados.

A segunda volta correu bastante melhor. O dia solarengo mas com uma brisa q.b. trouxe bons resultados. As perdizes , já muito tresmalhadas ao final da manhã, começaram a ter medo e a levantarem  para trás, em altos voos,  proporcionando à linha belos tiros de passagem. Dificilmente esquecerei alguns desses tiros e cobros dos cães, pela beleza que aportaram aos lances de caça.

Ainda tive a sorte de capturar um coelhote que se levantou em fuga atrás de mim. Não chegou às inúmeras covas que por ali existem.

No final, uma percha de de 3 aves , 1 coelho e 1 lebre.

Mataram-se muitos perdigões e ainda ficou o ensejo de voltar para tentar capturar mais alguns e equilibrar o racio machos/fêmeas.

Será? A ver vamos.

Um abraço amigo









sexta-feira, dezembro 13, 2019

A evoluir na caça





















Mértola

Com uma vaga aberta nesta ZCT, não hesitámos e assumimos desde logo o compromisso da nossa presença.

Como o grupo bem sabe a qualidade das perdizes nesta zona é muito elevada pelo que a ansiedade reinou na mal dormida noite do dia anterior.

Porém, às 07h45 comparecíamos britanicamente e, depois dos preparativos usuais, retirada e montagem de armas e cartucheiras ( aqui sempre bem recheadas )  e soltos o cães, saltámos para cima de carrinha de caixa aberta e fomos transportados para a zona nascente da herdade onde começámos a caçar com o sol bem nas costas e com a brisa pela frente, como bem mandam as regras neste desporto.

O Jeep, meu braco alemão esteve muito bem nesta nova faceta um pouco antagónica à da sua vida anterior de grande  field trialer, e tem evoluído de forma fantástica na adaptação à caça.

Esteve envolvido e, a bem dizer, foi ele que, com muita distinção,  me deu a matar as 4 perdizes que consegui nesta jornada.

Já caça quase sempre dentro de tiro e denota uma obediência e carácter ímpares.

Realço a sua bivalência quer colocando o nariz ao vento quer apanhando distintamente os rastos das perdizes. O comportamento muda radicalmente em rasto e obriga-me a acelerar o passo,  para vários metros depois, sentir  e ver a perdiz a levantar ( sempre em pontos altos) permitindo o tiro certeiro, a queda da ave e o seu cobro fantasticamente alegre.

Precisa de trabalhar com mais afinco o "tirar de ferido" a aves feridas ou "de asa", mas também isso estou convencido que lá vai.

Quem o viu o quem o vê, direi, deste meu braco alemão, agora adaptado à caça verdadeira, sempre com perdiz selvagem.

A linha esteve sempre irrepreensível na sua colocação e fez levantar alguns bandos que, pouco a pouco, foram dando oportunidades a quem não as tinha tido e a quem já pendurava uma ou duas.

Um dia 5 estrelas que terminou por volta das 15horas à volta de uma mesa no monte, em almoço partilhado, com bom vinho, bons petiscos e muito boa disposição à mistura.

Abraço amigo










quinta-feira, dezembro 05, 2019

NO PAIN NO GAIN !!




























01-12-2019
Mértola - Vascão


No pain , no gain é expressão inglesa que, como bem se sabe,  significa que sem dor, sem esforço não há ganho.

Nada melhor do que esta expressão para esta caçada.

Para caçar estas perdizes, nas vertentes do Vascão, é necessário, efectivamente, dor, esforço e coragem para enfrentar aquelas íngremes ribanceiras e penhascos, barrancos profundos onde, lá em baixo, para seguir em frente, por vezes é necessário espingarda ao alto e empurrar o mato com as pernas. Depois, subir de novo, a 45 graus, sempre em condições difíceis. O suor no rosto, escorre em bica. Penoso sim, mas recompensador, quando consegues um disparo que faça tombar uma destas aves. Seja lá para onde for que ela caia.

Quando a procuras, com a ajuda do teu cão, a adrenalina sobe. Por vezes,  quando tens de descer uma ou duas centenas de metros, escondido pelos matos e demoras 10 ou 15 minutos para cobrar a ave, quando a vês na boca do teu ajudante ou quando a vês, cheia de colorido,  escondida mas morta  no chão, dentro do mato, não há descrição possível para esta fabulosa sensação.

Grupo valoroso, com um atirador de  porta para quem já não tem condição física para estas andanças, atacámos estes terrenos com 3 valiosos mochileiros, conhecedores daqueles barrancos desde praticamente crianças. Não fossem estes "jovens" e a caçada estaria comprometida. Mas,  garantiram-nos os melhores!.

Nestes terrenos, a fuga das perdizes faz-se na maioria das vezes para os vales ou para a frente.

Para a frente raras vezes dão tiro, mas quando fogem lá para baixo por vezes cruzam uma ou duas espingardas da linha.

É quando se vêm e desfrutam aqueles tiros fabulosos, perfeitos, abater estas aves selvagens  em alta velocidade, muitas vezes com o caçador em desequilíbrio no terreno e dificultando o tiro, resulta em lances inolvidáveis, jamais nos sairão da nossa memória.

No meu lado esquerdo ( ponta da linha ) o JF e do meu lado direito o PL.

O JF lá ia, com a sua habitual e tremenda pontaria,  sempre lá pelos vales, fazendo o gosto ao dedo, cobrando, no final, 4 lindas aves. Mas também falhou 3!!

Do lado do PL tiro certeiro a perdiz fugida do confrade da sua direita , enrolou-se toda no ar e foi cair a uns bons 50 metros. Na busca, o meu Jeep deu uma ajuda e foi "desenterrar" a perdiz dentro e na base de um arbusto velho que mais parecia uma árvore. Não tenho uma G-Pro mas aqui seria fantástico usar uma instalada na testa para filmar tais lances.

Da minha parte, a primeira foi logo um  perdigão real com 4 pintas na cauda, 2 esporões e o terceiro já a emergir das patas. Atirada, fugida e lançada ribeira abaixo,  da minha direita para a esquerda, o F2 Classic funcionou e, logo morta no ar, foi enfiar-se dentro dumas estevas enormes a 50 metros mais abaixo. Só com a ajuda do mochileiro consegui o cobro. Estava de tal modo metida dentro do mato e de uma rocha de xisto que o cão pouco ajudou.

Ainda consegui mais duas bonitas fêmeas e, com enorme pena minha,  perdi uma F16 que "sequei" no ar em velocidade vertiginosa, mesmo por cima de mim,  e foi tombar lá em baixo nos confins dos infernos, i.e.,  dos matos. Nem com cães e ajuda dos mochileiros conseguimos encontrá-la.

No final, um taco no campo,  "à Porto" , febras de porco de cebolada, enchidos do norte, pão escuro  vinho e cerveja fresquinha.

A caçada fez-se durante a manhã, na sua maioria debaixo de chuva miudinha que teimosamente a todos encharcou, pelo que, quando o sol finalmente abriu, fomos enxugar as roupas em mais uma volta final, desta feita em terrenos muito mais direitos, fora dos barrancos.

A certeza, porém, é de que voltaremos aos barrancos, já com elas mais espertas e desconfiadas, mas ficaram lá (mesmo) muitas.

Deixo aqui, de igual forma, o meu respeito e admiração pelos nosso confrades que, nas montanhas do norte, caçam,  em solitário, a estas meninas. Fantástico.

Abraço amigo







quarta-feira, dezembro 04, 2019

Sempre na senda das perdizes.


























30-11-2019
Mértola
Cortegafo de Cima e Cortegafo de Baixo


Em vasta herdade que engloba estas 2 pitorescas aldeias do Concelho, abrimos neste dia uma linha de 7 caçadores e,  perseguindo a genuína perdiz vermelha, calcorreámos aproximadamente 18 quilómetros , em belíssimos terrenos para a caça de salto à nossa perdiz vermelha

No final, segundo os donos da herdade, que também participaram,  os resultados, não por falta delas mas por imprecisões da linha,  não foram o que tanto esperavam, mas as perdizes coabitam por ali alegremente com os muitos coelhos avistados e algumas lebres também.

Os terrenos, cuidadosamente guardados e preparados quase em exclusivo para a prática da caça, (sempre há algum gado ou pastoreio mas pelo que vi muito pouco) são belíssimos para esta actividade.

Vastos projectos de pinheiros e sobreiros, muitas zonas de montado característico destas zonas de Mértola, isto é, com pastos e estevas onde as perdizes e os coelhos se escondem, tornam a herdade um paraíso para o desenvolvimento da caça.

Da minha parte, estive sortudo, com cobrança de 3 aves, uma sendo um perdigão real, e 3 coelhotes "al salto".

O F2 Classic continua a ser o meu predilecto . Grande eficácia.

Abraço amigo







sexta-feira, novembro 29, 2019

A nossa paixão em terras de Mértola: a Perdiz Vermelha !


















Mértola


Terceira caçada na Herdade de Santa Maria, São João dos Caldeireiros.

Como em tudo na vida, tudo o que é acossado com alguma frequência, adquire novos e aperfeiçoa os seus habituais  instintos e mecanismos de defesa.

Imagino nestas terras os ainda existentes e sobreviventes bandos de perdizes, avançada a época de caça já em finais de Novembro, a verem ao de longe uma linha de caçadores e diversos cães pela frente a esquadrinharem os terrenos e a aproximarem-se dos seus locais.

Inquietas e já sabedoras de que se trata da caça à sua própria espécie e da possibilidade de serem capturadas pois viram diversas irmãs a caírem ao sabor dos tiros, já saltam longe, largas,  e fazem grandes voos a perder de vista, defendendo-se o mais eficazmente possível do troar das espingardas.

É a luta entre caçador e as perdizes, onde, nesta altura,  já  estas últimas ganham grande vantagem sobre nós , pois não se deixam iludir. E apesar de continuarem a haver quadros de caça no final, vejo claramente que as que escapam são claramente muitas mais do que as que caiem.

Onde elas por vezes se enganam é nas trajectórias de voo.

Algumas,  que acabam por ser mais retardadas "a sair", enganam-se e cruzam  a linha de caçadores que vai em marcha, dando sobretudo possibilidade aos pontas de enrolo e contra-pontas e permitindo belos tiros de passagem.

Já há menos perdizes, isso é certo e normal, mas aqui,  as suas qualidades de genética e de bravura leva-nos a fazer nestas jornadas entre 10 a 20 km de arma em riste, por dia, na perspectiva de conseguir pelo menos um ou dois exemplares destes.

Na foto acima, já não sendo o quadro final de caça, a linha esteve (muito) bem no seu desempenho e conseguimos 30 belos exemplares, sendo que 14 eram perdigões e 2 deles eram "reis do bando" ou ditos  "reais".

Abraço amigo.









terça-feira, novembro 19, 2019

Há uns anos que não os caçava !






















17-11-2019
Os tordos estão de volta!


Perto de 130 disparos, 33 pássaros abatidos.Há que aprimorar a pontaria.

O meu amigo e companheiro de caça PL fez igual média.

Os tordos estão de volta !

Promessa de mais pormenores em breve.

Abraço amigo.