segunda-feira, outubro 15, 2018

Caça em Mértola - Dia 2


Peças capturadas por 2 espingardas.




































Moreanes
Monte do Guizo
Mértola
14-10-2018




Com as chuvas intensas que se sentiram durante a noite, nesta jornada as expectativas estavam ainda mais elevadas quando em comparação com o dia anterior.

Nada de mais errado.

Não consigo explicar o porquê.

Embora se tenha caçado noutra zona da herdade, certo é que também se viu bastante caça, mas, das três uma, ou as pontarias estavam mais desafinadas face ao esforço do dia anterior, ou as noites mais mal dormidas, ou a caça estava bastante mais áspera . Talvez as trovoadas tenham tido influência no "fenómeno".

Os resultados finais, de que não tenho foto, foram cerca de metade dos da véspera.

Realço, no entanto, em lance particular, e com êxito, belíssima paragem em ângulo recto da minha cadela Inka, a lebre acamada junto a um muro em ruínas que ali a protegia dos ventos fortes e frios que sopravam de noroeste. O sol incidia-lhe em cima, certamente aquecendo-a,  e consegui quase tranquilamente observar e ver a lebre "amagada", com os olhos ambos bem abertos, orelhas sobre o dorso, certamente a fitar a cadela ( segundo dizem os entendidos, nestes casos elas olham é para os cães e não para o caçador).

Realço, ainda, tiro frontal com êxito a perdiz macho fugida da linha ( eu estava a fazer ponta de enrolo na direita)  embalada por trás com o vento forte e a 20/30 metros de altura.

Finalmente, numa ribeira coberta de juncos, oculto mas à minha frente, o arranque brutal de um "barrasco" de (certamente) mais de 100 Kg. Tive-lhe a cabeça a menos de 10 metros dos canos da Beretta mas, dado que desconhecia se podia atirar, o enorme bicho fugiu, pujante e demolidor. Só depois dos gritos de um dos mochileiros é que me apercebi que tinha mesmo é que atirar. Dois tiros ainda, mas...nada feito. O desânimo estava estampado no rosto do gestor de caça, dado que aparentemente é bicho que tem dado por ali muita luta para ser apanhado e não deixa.


Após reconfortante almoço, arrumámos a bagagem no carro e feitas as despedidas, voltámos a Lisboa, deixando o Monte  já com as saudades e nostalgia próprias de 2 dias muito, muito bem passados.

Abraço amigo









Caça em Mértola - dia 1


A meio da manhã.

Resultado de 2 espingardas, no final .








































Monte do Guizo
Moreanes
Mértola
13-10-2018


Com nova janela de oportunidade aberta pelo Gestor de caça desta Herdade, para caçar neste fim de semana, saímos de Lisboa por volta das 17h00 e rumámos para sul, na véspera, para ali dormir e integrar um grupo que caçaria nos dois dias seguintes.

Na que já consideramos talvez uma das melhores reservas de caça deste concelho no que à qualidade da caça respeita, escusado será referir que os níveis de satisfação e, porque não? - alguma ansiedade,  nos invadiam na viagem de ida,  e ambas eram bem substantivas.

Paragem habitual em Mértola, confortados os estômagos com um saborosíssimo ensopado de borrego, um tinto,  desta feita do Douro, rematámos com o habitual doce de ovos e frutos secos, o torrão real,  e seguimos caminho.

Às 07h00 da manhã seguinte, dia da caçada, os caçadores iam-se juntando, a pouco e pouco, cumprimentando-se entre si, antes do lauto pequeno almoço preparado pela organização para a longa manhã de caça que nos esperava. Os reconfortantes e quentes ovos mexidos, as compotas e mel puro, pão e queijos frescos na mesa, enchidos e outras iguarias, e um expresso bem forte no final servem e cumprem perfeitamente para o efeito pretendido, dar força às pernas.

Já no local do inicio da caçada, após cartucheiras cheias e espingardas montadas, um espesso manto de nevoeiro impedia-nos de começar pelo que ai estivemos à conversa até surgirem as condições mínimas para iniciar a jornada com segurança.

Sem entrar em grandes pormenores de lances individuais com a minha cadela braco, prefiro destacar a parte organizacional da caçada. Com pontas de enrolo bem posicionadas, também a matar caça, e com eficácia, a linha de caçadores bem articulada com a ajuda de 3 colaboradores da herdade a comunicarem entre si com intercomunicadores, as perdizes eram obrigadas depois de um ou dois longos voos, a levantes e a cruzarem as diversas posições com belos tiros de passagem, muitos a alturas consideráveis.

Também as lebres já começam a aparecer com mais frequência e, quer de levante, quer de fuga cruzada à frente da linha, sempre foram dando algumas boas oportunidades de tiro e cobro pelos cães.

Neste dia, pareceu-me irrepreensível a condução da linha e, tirando um ou outro pormenor de somenos importância, os resultados finais, de que não tenho foto,  foram muito interessantes.

Ao almoço, para além das entradas, umas macias bochechas de porco com arroz, batata frita e salada, acompanhadas com vinhos maduros da zona de Mértola, tudo contribuiu para uma sã e divertida convivência.

Durante parte da tarde, alguns mais fervorosos ainda foram pescar alguns (bons) achigãs aos açudes, na modalidade de pescar e soltar de novo, enquanto que outros dedicaram-se à espera dos patos que, nesta fase, sabidos, já dão muito poucas hipóteses.

O vento sul que se fazia sentir, cada vez mais forte, antecipava  trovoadas acompanhadas de chuva durante a noite, pelo que as expectativas para o dia seguinte eram igualmente elevadas.


Abraço amigo.






terça-feira, outubro 02, 2018

Abertura às perdizes 2018




































Moreanes
Mértola
01-10-2018




Na antevéspera recebi inesperado telefonema do proprietário desta Herdade, convidando-me para participar na inauguração da abertura da caça geral à perdiz, que haviam antecipado.

Apesar das temperaturas que se previam para este dia, iam mesmo arriscar a jornada às perdizes.

Perguntei se podia levar um amigo e companheiro de caça habitual o que, gentilmente, me foi de imediato concedido.


Viajámos,assim, de véspera, e fomos pernoitar ao Monte da Herdade. Pelo caminho, parámos no "Brasileiro", em Mértola, e deliciámo-nos com uma omelete de farinheira e, para contrabalançar, uma leve açordinha de bacalhau, ambas acompanhadas com um branco gelado da região, da marca "Balanches" . No final, e para rematar, não poderia faltar o "torrão real", fresco doce conventual de ovos e amêndoa, especialidade daquela casa


À noite, pelas 11 horas, já deitado na cama do Monte, muitas perdizes e lebres passaram-me pela cabeça. Adormecer foi, como tal, tudo menos tarefa fácil. Finalmente, lá consegui adormecer, acordando com a ajuda do despertador do tm às 06 horas da manhã.


Toca de me trajar a rigor para o dia e, às 06h30, fomos-nos todos encontrando e cumprimentando e juntando à mesa. Ovos mexidos quentinhos a chegarem à mesa, pão fresco, queijo fresco de cabra, compotas diversas, finas fatias de bons enchidos alentejanos, leite, café, entre outros, recompuseram o estômago para a dura tarefa que tínhamos pela frente .


No caminho para o ponto de partida, já aperrados com armas e cães em cima dos veículos 4x4 , avistámos 2 ou 3 bandos de perdizes, correndo nervosamente, como que adivinhando algo de anormal ( a caça quer aceitemos ou não esta teoria, pressente estas coisas) afastando-se rapidamente das viaturas.


Ultimados os preparativos, montadas as armas e penduradas as cartucheiras, devidamente municiadas, com algum nervoso miudinho à mistura e habitual nestas andanças, soltámos os perdigueiros e, à ordem do diretor da linha encetámos a jornada.


Do meu lado esquerdo, o cão do PL, o Sado, marrava-se logo ali num pequeno barranco com um belo par de lebres. Levantadas, uma saiu ao caminho e, tiro certeiro, derrubada e bem cobrada.


A Inka, a minha cadela, também não deixava os seus créditos por mãos alheias e desalojava uma outra orelhuda duns carrascos e ao segundo tiro seguro-a. Também bem cobrada veio trazer-ma, doce, às mãos.


As perdizes ainda com o fresco da manhã, não "davam orelha" e iam escapando,longas, na frente da linha, independentemente de um ou outro tiro mais largo.


Quem estava em portas, cirurgicamente colocadas, lá fazia o gosto ao dedo, primeiro que os confrades da linha de salto.


O sol levantava e, logo implacável ( chegámos aos 33 graus de temperatura) secava já tudo à sua volta, o que restava de algum orvalho da noite e os pastos e restolhos já quase que queimavam. As lebres, nestas condições, não se deixavam ficar e levantavam-se, longe, por vezes com os cães no seu encalço, em grandes correrias, não dando tiro. Avistámos diversas, muito fora de tiro.


Se por um lado era mau para "o pelo" , por outro tinha o seu aspecto positivo para "a pena", dado que as jovens perdizes do ano, assustadas com os tiros, tresmalhavam e uma ou outra iam ficando em pânico, amagadas nos pastos e proporcionando boas arrancadas, bons tiros e bons cobros.


Da minha parte, comecei menos bem e falhei 3 ou 4, ou de levante ou de passagem, mesmo daquelas que, não obstante a velocidade, se certeiras, cairiam. Esta perdiz, nesta herdade, não deixa brincar, e os voos, rápidos, mesmo com calor, dificultam o tiro.

Com a minha primeira pendurada, abati ainda uma segunda, sempre com a ajuda da cadela no cobro.


Foi quando, já a meio da manhã, com um calor abrasador por cima, Santo Huberto dediciu conceder-me a oportunidade do dia.

Numa baixa, por onde ainda circulava uma leve brisa, arrancam 2 ou 3 perdizes, aponto a sobrepostos Beretta, derrubo uma, derrubo a segunda. Doble. Belo. A Inka vai rápida ao cobro mas, na corrida, levanta-se-lhe uma lebre para trás, pela encosta acima. Irresistível, a cadela não deixa de ir a correr atrás dela. Entretanto, outra perdiz salta da esquerda para a direita e, atrapalhado, tento meter mais 2 cartuchos na arma. Arranca ainda uma outra lebre desta feita pela encosta abaixo. Os nervos apoderam-se de mim em ver só ali tanta caça a fugir. Outra perdiz vem fugida da linha e passa por cima de mim a 100 à hora de asas abertas.


Com o coração a bater apressadamente, acabo por pendurar somente as 2 perdizes e seguir, (in)conformado. Só ali podia ter pendurado mais 2 lebres e uma perdiz, para além das 2 que já havia cobrado.


Entre muitos tiros e muitas peças a fugir ao longe, a manhã foi chegando, rápida, ao seu final.


Nos rostos dos caçadores espelhava-se acesa alegria pela caçada havida. Na linha, constatei existirem excelentes atiradores, mesmo muito batidos neste tiro à perdiz, o que, com um dia escaldante como este, também ajudou aos números finais.


Alguns açudes com água sempre deram uma belíssima ajuda aos cães que, estafados e língua quase toda de fora, deitavam-se, a arrefecer, dentro de água, seguindo a caçar.


Já no monte, as fotos finais com o quadro de caça, 34 perdizes, 4 lebres, um coelho e 4 patos.


Ao almoço, presenteados com umas belas febras de porco preto grelhadas com migas alentejanas, estaladiças, no ponto, com o belo vinho tinto das Bombeiras produzido duma vinha cercana, com cerca de 17 ou 18 hectares, nas margens do Guadiana que produz sempre bons néctares .


Feitas as despedidas a meio da tarde, pusemo-nos ao caminho para Lisboa ( e outros para o Porto), com a satisfação e a paz de alma de mais um dia de abertura muito bem passado.


Cá atrás, na carrinha, os cães dormiam nos sonos dos Deuses, estafados pela manhã de caça que muito puxou por eles.

Abraço amigo





sábado, setembro 29, 2018

Quem porfia....
















29-09-2018
Serpa


O horrível calor que persiste em não nos deixar por vezes leva-nos a a pôr em causa o resultado e a vontade de efectuar  algumas caçadas.

Recordo, no entanto, a frase de um amigo,  " o dia faz-se é à porta do patrão",  e continuo a não me deixar desanimar por este tipo de obstáculos.

Com os milhos em fase de colheita, aproveitam-se algumas aves desalojadas que sempre nos proporcionam bons lances com os cães.

No dia de hoje, não no milho mas nos pastos, destaco paragem da Inka sobre o que me parecia ser no máximo um par de codornizes mas acabaram por se levantarem do local 7 ou 8,  em voos desfasados, o que me proporcionou o doble do dia.

Fixei a queda das duas abatidas para efeitos de cobro e as restantes voaram para não se deixarem voltar a ver.

Boa percha no final.

Cães em enorme esforço a necessitarem constantemente de água.

Abraço amigo




quarta-feira, setembro 19, 2018

Coelhos na Caiada




















Caiada - Mértola
18-09-2018


Mal dormi na noite anterior.

Muita esperança depositada nesta caçada aos coelhos.

Na Caiada, esta Herdade porventura será uma das mais ricas do concelho de Mértola, digna de uma orografia invejável e apaixonante no que se refere à excelência para caça ao coelho e à perdiz.

Nesta terça-feira 18 de Setembro, logo após o nascer do sol, a temperatura voltou, quase de imediato, a ficar insuportável  para esta actividade, devido ao extremo calor que se fez sentir.

Ainda assim, e na medida do que a matilha de cães lá conseguiu aguentar e trabalhar estoicamente, capturámos 33 peças, com inúmeros e divertidos lances de toca, levanta, ladras, fugas e muito tiro.


Abraço amigo


Em tempo: enquanto perdurar este calor e secura, o feitor da Herdade deixou de fazer caçadas.






sábado, setembro 15, 2018

Boa jornada de codornizes
















15-09-2018
Serpa


Inacreditavelmente caíram em Serpa durante esta noite algumas (boas)  pingas de chuva.

Suficiente para limpar o pó e amolecer os  pastos altos, lugares de predilecção destas aves, que, assim, saíram, em maior número, dos milherais.

Suficiente para soltarmos os cães, fazermos alguns levantamentos, alguns bons ( belíssimos) tiros e atingirmos o cupo legal destas aves, em pouco mais de 3 horas.

Nesta caça, a influencia do tempo que se faz sentir é determinante.

Os bracos, à medida que vão caçando, torna-se notória a evolução da sua performance no campo, ao nível do seu trabalho, quer na descoberta,  quer nos cobros, por vezes altamente difíceis,  destas pequenas galináceas.

Seria bom, mesmo muito bom, cair mais umas chuvadas pelos próximos dias.

Um abraço amigo

Sérgio Vieira







sexta-feira, setembro 07, 2018

Jornada de codornizes















06-09-2018
Serpa 

Com o tempo fresco, temperaturas entre  os 21 e os 28 graus, e com a imprescindível ajuda da minha Inka, inseparável cadela braco alemão com quase 7 anos, que melhora a olhos vistos de ano para ano, desbravámos, palmo a palmo, esta herdade.

Os milhos continuam por colher, o que é uma (grande) dificuldade acrescida na obtenção de melhores resultados.

A percha, apesar de boa, foi muito suada.

Não fazendo ideia do efectivo de codornizes ali existente, admito uma considerável quantidade que ficará logo disponível quando as plantações de milho forem colhidas. Entretanto, é clara a tendência para se refugiarem naquelas plantações.

Há água, sorgo, pivots ainda a funcionar e mato para refúgio.

A chuva seria a cereja em cima do bolo.

Abraço amigo






domingo, fevereiro 04, 2018

Fecho das perdizes 2018




















Vidigueira
27-01-2018



Estando já combinada algumas semanas atrás, com os proprietários da Herdade, tínhamos esta caçada agendada para este dia, para fechar da melhor maneira a época da caça de salto à perdiz.

A habitual disponibilidade e simpatia dos donos da Herdade em receber, aliados à elevada qualidade das aves ali existentes, criou-nos expectativas altas, desta feita acompanhadas de alguma ansiedade,  , particularmente por também ser o último dia de caça.

8 armas capturaram 24 perdizes ao longo de uma extensa jornada das 09h00 às 16h00 ( de permeio o habitual taco no campo,  para retemperar forças nas pernas, escolhido a rigor e com bom gosto, quer nos belíssimos vinhos que nos oferecem quer nos respectivos acompanhamentos, bem quentinhos ).

É do conhecimento de todos nós, nós os que fazemos parte desta fantástica confraria dos caçadores que " um dia é da caça, outro dia é do caçador". Todos nós certamente saberemos este ditado.

Neste dia, fui uma vez mais feliz e coloquei toda a sorte do meu lado, do lado do caçador.

De entre todos os lances, que não irei detalhar, destacarei para sempre, na memória, um disparo a uma perdiz que nos escapava, voando sobre barragem ali existente. Tiro longo, asa partida e perdiz na água. Como as perdizes têm a particularidade de não saberem nadar seria, sempre, perdiz perdida atendendo à distancia a que caiu e à inexistência de vento suficientemente forte que a conseguisse empurrar para uma das margens.

Mas ainda não tinha baixado a Bereta após o tiro e já a inka, minha braco alemão projectava-se em salto acrobático para dentro de água ( devia estar pouco gelada devia ) e, a gemer, em nítido esforço de luta com aquelas águas geladas, a cadela nadou dezenas de metros até à ave, abocanhou-a e, de forma absoluta e irrepreensível, cobrou-a, trazendo-a na boca, viva. Dado o tempo despendido neste lance deu para tirar foto( acima) .

Um excelente almoço-ajantarado já com o sol a cair no horizonte, deu-se o dia por terminado.

Um bem haja a todos os que participaram e organizaram esta caçada de fecho e a esperança de muita saúde para todos,  para nos podermos por lá reunir de novo na próxima época.

Abraço amigo.