domingo, janeiro 29, 2023

Mais um molhinho ( pequeno)

 












Sobral da Adiça

25-01-2023


Sem grandes expectativas mas com a fé a ferver no subconsciente, fui tentar, uma vez mais, a minha sorte e talvez poder disfrutar e ver alguns tordos a entrar.

Em dia de brisa forte, do quadrante nordeste, com bastante frio à mistura, lá me dispus a ocupar a minha porta calhada em sorte.

Foi uma manhã de algum pinga-pinga, com poucos tordos e numa porta a exigir muita concentração, pois era muito tapada de oliveiras de grande porte.

Tive de recorrer à minha ( infinita) paciência e, um a um, foram caindo alguns pássaros no total de 16, nada demais para as caçadas que por aí se têm visto pois este ano é ano de muito tordo em algumas regiões.

Esperemos melhor sorte até ao final da época.

Um abraço amigo



sexta-feira, janeiro 27, 2023

Por terras de Dom Quixote

 





Janeiro, 7 - 2023

Desde os meus 18 anos que não fazia uma caçadinha aos coelhos, a furão.

Fazia-o, com o meu Pai, em determinadas zonas em Portugal , por Edital. Infelizmente esta prática encontra-se praticamente extinta no nosso país, o que diz bem da diferença de como a caça é tratada em Espanha e como o é em Portugal.

No nosso vizinho país, em determinadas províncias, é permitido e aconselhado,  pois estes roedores são considerados pelos agricultores quase como pragas.

A oportunidade surgiu-nos e era irrecusável, tanto mais que no dia seguinte ( nosso principal objetivo nesta viagem)  havia a promessa de uma caçada aos tordos, tendo-nos sido aconselhado "levar muitos cartuchos" !!

Inúmeros caçadores consideram este método de caça como pouco desportivo. Felizmente, no local onde caçámos, as "madrigueras" , tocas subterrâneas onde se recolhem os coelhos, eram gigantescas em área. Autênticas cidades.  Por isso, mais de 2 terços dos coelhos fugiam por aberturas muito afastadas, tornando impossível o disparo.

Por questões de segurança, havia um "Furanero" por cada dois caçadores. Ele colocava-nos da melhor forma  que podíamos, sempre em absoluto silêncio, recorrendo aos sinais por gestos,  e a concentração e o olhar em redor tinham sempre de estar presentes para nos apercebermos da completamente aleatória fuga dos coelhos.

Pouco a pouco, fizemos a percha que pretendíamos e ficámos ansiosamente esperando pelo dia seguinte.

Quando acordámos à hora combinada o dia estava um autêntico dilúvio de chuva e vento. Tomámos o pequeno almoço numa pequena localidade e, ainda assim, o gestor da Herdade fez questão de nos levar ao sítio dos tordos para vermos o que queríamos fazer. 

Chegados ao local, serra com olivais tradicionais estendidos pelas encostas, nem vimos tordos nem nos atrevemos sequer a sair dos carros. Que ficaria para uma outra oportunidade , quando assim o entendêssemos.

A viagem de regresso fez-se bem, e por volta do meio dia o sol começou a despontar entre as nuvens.

Pena, pois tínhamos a certeza de que seria grande caçada, se o tempo tivesse sido mais amigo.

Um abraço.







segunda-feira, dezembro 19, 2022

Caçada notável

 





















15-12-2022

Mértola


A herdade é na estrada do Pulo do Lobo, algures ali na zona norte de Mértola cujos terrenos acabam por ir confinar com as margens do Rio Guadiana.

Há longo tempo que o JF aguardava uma oportunidade para ali caçar à perdiz. Finalmente, conseguiu.

O entusiasmo no grupo era extenso neste dia, e,  às combinadas 08h00 estávamos religiosamente no Monte. 

Cumprimentos feitos  e apresentadas as pessoas, seguimos atrás dum 4x4 que nos guiou em marcha moderada até ao ponto de partida da jornada.

Ali, sempre em ambiente de boa disposição e pelo método do cartucho no boné, sortearam-se as posições na linha. De armas aperradas, bolsos e cartucheiras recheadas com cartuchos e   já com os perdigueiros pela frente, de raças diferentes, deu-se início à festa. 

Escusado será dizer que poucos minutos depois estávamos completamente encharcados até à  cintura pois entrámos por zonas de estevas quase da nossa altura e tinha chovido durante a noite. O objectivo, no entanto,  era empurrar as perdizes para outros terrenos mais abertos.

De quando em quando ouvíamos os perdigões a cantar dentro dos matagais, em zonas algo mais distantes. Alguns carreiros entre as estevas, feitos pelos tratores propositadamente para a caça, davam-me a chance de sair de vez em quando e ali esperar por algumas que pudessem fugir. Aproveitei um barranco descendente , que me pareceu querençudo e apropriado por onde elas tentassem escapar. 

Logo, cedo,  apareceu em fuga um bando de umas 7 ou 8, não sei, não tive tempo para as contar. Fiquei encantado com a beleza das perdizes, 3 tiros e todas a fugir para zonas fora de alcance. Que desilusão !! - "és pouco marteleiro és" , pensava para comigo, e na idade que já vem influenciando estas coisas do tiro.

Siga caçando!.

A primeira abatida foi para aí uma hora mais tarde. Sol já alto. Tiro certeiro, perdiz bem enrolada no ar e vai estatelar-se num barranco abaixo, a uns 30 ou 40 metros, dentro da densa vegetação. Chamei a Kali, desci com alguma dificuldade até lá, espingarda na mão esquerda e com a direita a agarrar-me onde podia, lá atirei uma pedra mais ou menos para a zona do tombo, para ajudar a cadela. O animal entrou lá para dentro e aqui só havia que esperar pois eu nunca conseguiria penetrar em tal sítio. Só ouvia o movimento lá dentro, o resfolegar da respiração da cadelita. Três ou quatro infindáveis minutos esperei, ansioso, podia estar ainda viva e fugir, mas não, algum tempo depois a braco sai de lá, gentil, com a perdiz na boca e vem trazer-me a perdiz à mão, como habitualmente, doce boca tem este animal. Uma fêmea. Depois de bem observada, penduro-a por dentro do cinto,  pelo pescoço, à espanhola,  e sigo caçando.

Não me quero alongar com outras descrições e lances que tive de capturas. Mas, a uma não cedo e relato mesmo porque quero mesmo mais tarde recordar. Perdiz a uns bons 30/40 metros, em voo fugido da linha,  a descer da direita para a minha esquerda onde, a umas dezenas de metros mais abaixo estava um açude repleto de água barrenta da lama das chuvas. Asas bem abertas e a grande velocidade, lá ia. Aponto bem , corro a benelli atrás dela, passo à frente e primo o gatilho. Tiro em cheio e a perdiz , enrolada por cima do açude, cai, com estrondo,  batendo numa rocha do outro lado. "Está seca" - logo pensei! . Desatei a correr,  eu e a cadela. Quando lá chego, atiro uma pedra para a outra margem e puxo pela cadela com ordem para ir ao cobro. Sem hesitar a Kali atira-se à água, atravessa a nado e, do outro lado, nada! Eu já não conseguia ver a perdiz. Como podia ser? Deixo-a trabalhar, a pensar como é que aquela perdiz, com o tiro que levou e depois de embater aparatosamente na pedra... não estava lá! Pouco tempo depois, a cadela desapareceu, rodeia a rocha, dá umas voltas,  e lá aparece, com a ave na boca, a olhar para mim, como que a querer dizer: "vês ? - está aqui!!  Aleluia, que grande alegria.

Para a trazer, cereja em cima do bolo, nem a molhou.  Foi a correr dar a volta ao açude e fielmente trouxe a perdiz ao seu dono.

Ao longo da jornada, que acabou já tarde, por volta das 14h30, outros e variados lances, meus e dos meus companheiros,  e muita perdiz se viu e por lá ficou.

Belíssima reserva de caça. "Resultado de muito trabalho que por aqui temos para cuidar delas ao longo do ano", dizia-nos o feitor ao almoço, na esplanada do "Repuxo" em Mértola.

Chegados a casa, já de noite, lembro-me de arrumar todo o material de caça, tratar de alimentar e alojar a kali e, depois do banho tomado, deitei-me em cima da cama e só dei por mim a acordar as cinco da manhã, com a mulher ao lado, a dormir profundamente.

A aplicação que uso no telemóvel para medir as distancias percorridas na caça, marcava os 17 km. Mas, fico sempre na dúvida se é em linha recta ou se conta com o subir e descer as encostas. 😏

Um abraço amigo



quinta-feira, dezembro 08, 2022

Nada mau !

 










Concelho de Moura

07-12-2022


Em dia de aviso meteorológico laranja para todo o Baixo Alentejo, devido ao temporal que se fez sentir e que ainda se previa agravar, arrisquei e fui mesmo !!

Já o meu Pai dizia: " O dia faz-se é à porta do patrão" !!

Nem uma pinga de chuva toda a manhã. Que sorte !

Só no regresso a chuva começou a fazer-se sentir,  caindo em bátegas constantes, impiedosas, provocando infelizmente as fortes inundações em Lisboa e outras localidades, já do conhecimento de todos.

A manhã, essa,  esteve escura, puxando pelo provérbio entre os caçadores de: " Nuvens escuras, tordos nas alturas" . 

E assim foi, tirando aqueles tordos matinais até as nove horas da manhã, que bem aproveitei, alguns quase pulverizados, foi o que se viu... " nas alturas!". 

De tordos esteve fraco em geral mas, para mim, foi dos tais (raros)  dias em que , cada tiro cada tordo. 

Ou por outra: Mais ou menos, não foi bem assim mas com uma noite bem dormida os canos alinharam bem e a coisa tornou-se mais fácil.

Um a um, acabei por compor o ramalhete, diverti-me, dei uns bons tiros, muitos e alguns bons, terminando, assim, nova jornada de tordos.

Agora, ou muito me engano, ou as fortes trovoadas desta noite de 07 de Dezembro devem ter feito muitos estragos entre os tordos. Mas, para o bem ou para o mal, espero que tenha sido o bem, e que venham mais tordos do norte e também dos países nórdicos.

Um abraço a todos.


terça-feira, novembro 08, 2022

Por terras inóspitas

 











30 OUT 2022

MÉRTOLA


Muito menos perdizes do que em anos anteriores.

A qualidade mantêm-se toda lá mas as criações ressentiram-se, foram pobres, a seca brutal não lhes perdoou,  e nem nós nem aquelas terras inóspitas as podemos inventar e criar.

Ainda assim, a luta que oferecem sempre justifica o nosso compromisso de lá irmos  defrontá-las, mesmo com o risco real de sair com uma "grade às costas".

Cada perdiz aqui capturada é religiosamente uma saborosa e bem suada vitória para o caçador, que a entende, que a conseguiu enganar, agora já muito raramente de salto, pela frente, que elas já levantam longe, mas sim na espreita da oportunidade, quando vêem de asas abertas fugindo dos outros companheiros da linha.

Já matreiras,  nesta altura da época são muitas as que escapam, revoando para trás, onde sabem não existir "portas" nem outros caçadores.

Nesta jornada tive a felicidade de conseguir um trio delas e a alegria de ter dois lances, dois tiros,  que registo e que certamente não esquecerei.

Um pleno de intenção, bem vincado, propositado, pois vi duas perdizes voarem encostas abaixo na minha direcção. Agachando-me, da minha direita para a minha esquerda consigo correr  a mão e, ao primeiro disparo, a ave enrola-se toda no ar e, com estrondo, vai cair numa vereda lá embaixo, envolta numa nuvem de pó ( a chuva por aqui teima em não cair com abundância ) a cerca de 70/80 metros.

A segunda,  que vinha acompanhando a outra,  foi o meu companheiro PL que a derrubou. Não vi o lance dele, mas quando os nossos cães iniciaram o cobro, a cadela que lhe pertence foi cobrar a minha e a minha braco descobriu a dele que também caíu bastantes metros mais abaixo, do meu lado esquerdo.

O outro lance, foi mais tarde,  também quase similar. Mas neste caso o tiro foi muito mais de instinto. Só ouvi o PL gritar " ao ar, ao ar", olhei para cima vejo um veloz vulto de perdiz já na vertical e só me lembro de para lá ter virado a arma, enquadrado em fracção de segundos, feito o tiro e , quase ( quase) que para meu espanto,  a perdiz morre imediatamente no ar e vai estatelar-se a uns bons 40 metros de mim, redonda, por baixo da seca rama duma azinheira brava. Mais uma nuvem de pó !!

A terceira acertei-lhe com uma bagada na cabeça.  Caiu dentro da folhagem de um barranco mas o FR, atual feitor da herdade, rapidamente a viu e resolveu o problema vindo entregar-me a ave, uma fêmea.

Ainda uma outra perdiz que a minha braco, a Kali, generosamente desalojou dentro duns arrifes e atirou-a , ofereceu-a , ao JF,  que com a sua habitual destreza colocou-a cá em baixo com dois tiros.

O Grupo juntou-se quase ao final da manhã, contando as peças e as peripécias. Depois de um breve taco com umas minis geladinhas e umas bifanas de cebolada no pão, esmeradamente mandadas fazer pelos nossos amigos do Norte e que sempre trazem, deu-me desta vez a fraqueza e, com o calor, acabei por "estoirar" na caçada por volta do meio-dia, pois as pernas já não conseguiam mais.

Com este belos troféus nas bagageiras, fomos finalmente degustar umas boas carnes grelhadas mesmo ali por cima do Guadiana, à sombrinha que fazia calor (!!) , terminando a jornada , como sói dizer-se : Em grande!!

Um abraço amigo.





segunda-feira, novembro 07, 2022

Uma bonita volta às Perdizes

 


















Mértola

28 OUT 2022


Por especial convite de um bom amigo, reservámos esta sexta-feira para irmos à zona de Mértola tentar dar conta de meia dúzia de perdizes, que sabíamos que as havia !

O dia esteve algo chuvoso e cinzento durante uma boa parte da manhã pelo que ao atravessarmos as zonas densas, cobertas de giestas,  acabámos por ficar com as roupas e botas tudo encharcado. Mas nós sabemos que isto faz parte da caça. 

Andar molhado e não ver perdizes e sem dar um tiro não é nada fácil para o caçador. 

Mas também tínhamos a confiança de termos bons cães para esta caça. Por onde entravam seria difícil deixarem caça para trás, até porque o tempo estava fresco e corria ligeira brisa, jogando a nosso favor.

E, bem dito bem certo, volvido algum tempo foi inevitável começarem a desalojar as perdizes. Uma mistura de perdizes adultas de repovoamento, de muito boa qualidade,  e outras nascidas no campo

Começaram a dar mão e, pouco a pouco, os cinturões foram-se compondo. Bons voos, bons tiros, bons cobros fizeram o tempo voar até às 13 horas, hora a que terminou a nossa caçada.

Os terrenos são lindíssimos de caçar, não exatamente como na foto acima, onde ficaram os carros, mas em terrenos mais dobrados, mais tapados de vegetação, onde chegamos ao alto dos cabeços e elas saltam mais abaixo, de meia encosta, asa aberta.

De realçar que, ali, sem os cães não teríamos feito nem metade da percha... se fizéssemos !

Gostaria de lá voltar ainda este ano. Vamos ver. 

Um abraço amigo.




quarta-feira, outubro 26, 2022

Aproveitando a (pouca) chuva num ano de seca extrema




 







22-10-2022

Mértola


Na véspera, durante o caminho de Lisboa para Mértola, choveu copiosamente o que nos alegrou imenso os corações pois cada vez mais temos consciência das sérias dificuldades dos agricultores em conseguir contornar nas suas actividades e rendimentos profissionais os efeitos da falta dela.

Também para a caça a chuva torna-se muito necessária. Os açudes de água começam lentamente a encher, os regatos e rios ganham nova vida, as poças de água proliferam por todo o campo e tudo isto ajuda,  e muito,  no equilíbrio e sustentação da biodiversidade dos sistemas .

Foi mais um dia de caça a sério para os nossos cães que tiveram de se empenhar nos barrancos de juncos e mato denso. Os perdigueiros são cães de pena mas, sendo os nossos Bracos, a sua grande polivalência permite utilizá-los nesta caça de pelo, ao coelho.

Neste dia estiveram particularmente bem, metendo-se e desbravando o mato molhado. Os coelhos, aqui, acoitam-se debaixo dos juncos, não é fácil descobri-los e desalojá-los, mas, como disse, os cães estiveram endiabrados e lá foram dando conta do recado, um a um.

Claro que, se tivéssemos ao dispor uma matilha de podengos a caçada seria bastante mais substancial, mas não é esse o propósito. O propósito passa por meter os cães  à caça brava, pois só assim aprendem as manhas e as dificuldades que esta aporta.

Recordo um coelho tocado, corrido e falhado que se foi foi meter nuns arrifes de estevas, certamente com buracos, tocas, pois é o que aqui não falta. Fomos lá, por descargo de consciência e a minha cadela deu com ele dentro de um buraco que passava por baixo de uma pedra de xisto. Da entra à saída, ou vice versa, não eram mais de 50/ 60 cm. O coelho estava lá, deitado, por vezes mexia-se e viamo-lo. Com um pedaço de giesta seca começamos a incomodá-lo lá dentro, por uma das entradas. Do lado oposto estavam: 3 cães !! com as narinas lá dentro e: dois homens !!  de cu para o ar à espera que ele saísse para o agarrar à mão. Por fim conseguiu sair mas deu-nos "uma rabeta" tal que fugiu-nos a todos nós e aos cães, ainda levou um tiro e foi embora. Este mereceu viver !!

Na véspera, ao cair da noite ainda tínhamos dado uma bicada aos patos e ficaram dois. Podiam ter ficado 7 ou 8 mas abstenho-me de comentar, pois a "marteleirice" foi em demasia 😉.

Um abraço amigo.






domingo, outubro 23, 2022

Em prospecção

 














Alentejo

Feriado 05 Outubro 2022


Uma prospecção em busca de novos bons locais para caçar à perdiz.

Negativo !!

Sem  História. Para esquecer.

Abraço amigo


segunda-feira, outubro 17, 2022

Nova brincadeira aos coelhos em Mértola

 











30-09-2022

Por terras de Mértola


Um belo de um divertimento este, de poder desfrutar de uma caçadita aos coelhos com os nossos bracos ( qualquer dia já não procuram as perdizes 😉 )

Como não podia deixar de ser, nesta altura da época, foram mais ou menos 3 horas a caçar pois o calor continua e a não permitir maiores veleidades.

Na caça ao coelho deparamo-nos invariavelmente sempre com lances deveras divertidos, pois o seu levante irrequieto, rápido e astuto, nunca permitem fuga e tiro iguais.

Com cães de coelhos em matilha é uma caça relativamente arriscada sendo sempre necessário muito cuidado no tiro e oportunidade do mesmo por forma a evitar acidentes. Os números serão certamente sempre mais expressivos mas, ao podermos caçá-los com os nossos cães de parar, torna-se uma jornada relativamente mais tranquila e, na minha opinião, com uma beleza própria e especial.

Algumas lebres foram avistadas mas, prometemos a nós próprios este ano, dado que continuam a ser poucas,  só proceder a disparo caso sejam paradas e/ou corridas pelos cães.

De resto, foi mais um dia muito engraçado, com bons tiros e emoção à mistura.

No café lá da vila mais próxima um branquinho da região mergulhado em gelo e umas bifanas de porco preto em pão alentejano dão sempre oportunidade a refrescar e conviver com  as gentes da região e comentar os lances vividos e oportunidades futuras

Agora teremos pela frente as perdizes. Nalgumas zonas onde caçamos, muito difíceis, mas na próxima jornada andaremos em "prospecção". 

Um abraço amigo




terça-feira, setembro 20, 2022

Coelhos em Setembro com cão de parar

 




















Mértola

17-09-2022


Porque tínhamos visto bastantes coelhos na nossa visita da semana anterior aos patos, aceitámos o desafio de lá voltar neste dia e tentar uma jornada de salto com os nossos bracos.

Na véspera ainda fomos esperar os patos mas, atirados na dita semana anterior, só nos visitaram meia dúzia deles, ainda assim estivemos de pontaria bem afinada e conseguimos cobrar 4, todos eles Reais!

Pelas 07h30 do dia seguinte, 17/09, e depois de tomarmos o pequeno almoço ( 2 taças de vinho branco geladinho, duas bifanas e 2 cafés- só na caça tal é possível) armámos espingardas, uma dúzia de cartuchos nos bolsos, cães à solta, e começámos a caçada.

O terreno por ali é de restolhos comidos quer pelo implacável sol destes longos meses de seca quer pelas ovelhas do pastoreio, mas, nos barrancos de estevas ásperas e já ressequidas , existem muitas tocas onde os coelhos se resguardam. São longas e longas filas de estevas, praticamente paralelas umas às outras, com muita rocha, pedra solta  e xisto.

A estratégia era a de ladear essas estevas,  e os bracos lá foram dando conta do recado, procuraram o melhor que podiam os coelhos que, acossados nas camas, fugiam velozmente direitos às tocas. Havia que aproveitar esses momentos! E aproveitámos,  e bem!!

Tiros muito bonitos aos coelhos em fuga, cambalhotas e rápidos cobros dos nossos cães. A dada altura, estávamos dentro de um autêntico frenesim ! Tiros diversos, quer nos restolhos quer dentro das estevas, estes bastante mais difíceis. Claro que, também alguns falhanços. Faz parte.

Os cães, esses, estiveram muito bem, ganharam vício aos orelhudos e já não havia palmo de terra que eles quisessem deixar para trás.

No entanto, pelas 09h30 o calor chegou, terrível e em força,  e os nossos companheiros já não aguentaram mais a pedalada. Já procuravam sombra onde a houvesse. Normal, sabíamos que isso ia acontecer, o sol de verão no Alentejo e sobretudo em Mértola, manda parar tudo e todos a partir de certa hora. 

No final ainda conseguimos uma dúzia de coelhos, feito que nos deixou encantados com a a caçada. Não esperávamos números tão generosos. Correu bem, mesmo muito bem.

Agora, há que aguardar pela abertura da caça à perdiz, a nossa rainha dos campos. As patas dos cães estão praticamente calejadas, acho que se encontram já bem preparados para esses dias de grande exigência.

Um abraço amigo!!


segunda-feira, setembro 12, 2022

Abertura aos Patos em terras de Mértola

 










MÉRTOLA

10-09-2022


Com  muita pena minha não conseguimos chegar a melhor foto da captura do que a acima, pois os faróis da viatura estavam-nos apontados e foi o que se conseguiu, até porque a caçada acabou já tarde e quem nos acompanhava, gente da região, justamente queria regressar a casa.

Uma abertura muito boa. 

Para o que temos visto por este Alentejo, açude ainda com muita água, bem tratada.  Às 18 horas ( com 36 graus a marcar no carro)  já lá estávamos, já os esperávamos.

Tinha-se entretanto levantado uma brisa, quase vento,  de sudoeste,  pelo que estrategicamente fomo-nos colocar nos pontos que nos pareceram melhores face à previsível "entrada e aterragem dos patos" , usualmente contra o vento.

Qual quê (?) , não ligaram nenhuma ao vento e entravam sempre do mesmo lado,  por cima do talude da represa!

Pequenos bandos de 4, 5, 6 patos de cada vez, como mandam as boas regras para uma boa caçada no final.

O PL, como se impõe nesta prática, bando que poisasse nas águas à sua frente, fazia barulho e só ao levante atirava, com alguns dobles conseguidos.

Muitos fugiam por alguns lados do açude onde não estávamos. Outros fugiam mas passavam-me por cima. 

Da minha parte estive em noite algo desinspirada, mas não me aborreci grande coisa pois, muito em breve, teremos ali uma segunda oportunidade e o açude é extremamente "querençudo".

No final, já noite, claro,  uma das bracos esteve de serviço ao cobro dos que por lá ficaram a flutuar fora do alcance, no meio do açude.

Antes de dormir ainda fomos à aldeia mais próxima, comer umas bifanas e saciar a muita sede com 2 ou 3 imperiais, à conversa sobre os diversos problemas da caça, com alguns guardas de reservas da região.

Cedo nos retirámos pois no outro dia haveríamos de ir ainda dar uma volta às codornizes, noutro local, e regressar a Lisboa

Um abraço amigo.


sexta-feira, setembro 09, 2022

Codornizes 2022


 












4 de Setembro de 2022

Abertura em Safara.


Terra de codornizes, Safara sempre pairou no meu coração para caçar a estas lindas aves, que tanto trabalho e dores de cabeça dão aos nossos cães.

Saudosos foram os anos em que por aqui caçava com os meus cães pela frente. Com a maior das facilidades, numa manhã ornava o cinturão pendurando uma ou duas dezenas de codornizes!.

Os campos, esses, este ano, apesar de bastante cultivados, apresentam-se bastante desoladores, os restolhos estão rapados das esfomeadas ovelhas e,  às 09 da manhã,  já a terra começa a ferver com as altas temperaturas.

As nossas botas e pés disso são testemunhos, já para não falar do que é por demais evidente, das sofridas patas dos nossos ajudantes.

Estes nossos companheiros rapidamente vão-se ressentindo e cedo começam a ofegar, meio palmo de língua de fora, dificuldades extremas , olfacto cortado a muitos por cento.

Há que dar-lhes água constantemente para lhes garantir algum equilíbrio mental no trabalho e, sobretudo,  facilitar,  procurando nós próprios os reduzidos locais onde ainda suspeitamos de haver a possibilidade de um ou dois lances.

A minha braco, pouco experiente ainda com estas migradoras, não esteve mal. Fez o que lhe competia. Uma paragem, alguns levantes trabalhosos e cobros,  o que esteve ao seu alcance.

Dei-me como arrependido ? - Não, com certeza que não, nada mais bonito do que privar 3 ou 4 horas com os nossos cães , nos campos.

No final, fomos "à da Dona Mariana" degustar uns carapauzinhos fritos, acompanhados com arroz de cogumelos por ali apanhados ainda na altura das chuvas.

Queremos lá voltar, a uma outra zona, tentar nova chance.

Um abraço amigo!!



Abertura aos Torcazes em 2022

 









27-08-2022


Primeiro dia de caça ! 

A esperança ( e alguma ansiedade) são sempre elevadas nesta altura, mas, este ano, os pombos torcazes não compareceram como eu esperaria.

O que está na foto foi o que se conseguiu.

Valeu pelo dia em que afugentei do meu estado de alma todo o sacrifício de aguentar penosamente 6 meses de defeso e voltar às lides cinegéticas.

Num ano de seca extrema as expectativas pela criação da caça nos campos não são as mais elevadas.

Vamos ver como entra o inverno.

Um abraço amigo!!

segunda-feira, novembro 22, 2021

No Pereiro, às Perdizes

 












~


Alcoutim

21-11-2021


Na véspera, sábado,  não muito longe desta herdade havíamos caçado também em terrenos difíceis, onde, previamente,  tínhamos assistido durante a noite e madrugada a uma tempestade de chuva muito intensa à mistura com quedas de longos raios.

Talvez fosse o motivo para que as perdizes nesse dia tenham  estado tão, tão desconfiadas, sempre a levantarem muito largas, fora de tiro,  e, sobretudo, nunca cruzando a linha de caça para permitir o tiro e o abate. Os resultados foram, assim,  mesmo muito fraquinhos.

Mas neste domingo dia 21, não sendo a chuva foi o nevoeiro que nos obrigou a esperar quase 2 horas primeiro que dissipasse. Por fim, o sol foi mais forte e lá irrompeu , permitindo, como tal,  a constituição da linha de caçadores e o avançar da mesma através dos projetos de pinheiros, ribeiras, e largas folhas de terra já lavradas.

Logo de início a cachorra do PL entra no pinhal e de lá sacode um pequeno bando onde uma delas  passa ainda ao alcance do JF que raramente lhes perdoa. Perdiz no chão!!

Mais à frente uma, duas lebres fugiam longe, fora do alcance das espingardas, bem assim como muitas perdizes que não "deram gatilho" como costumamos dizer nesta gíria cinegética.

Começámos a entrar em zonas de pinhal e logo as estevas, encharcadas em água da chuva e orvalho começavam a fazer das suas deixando as nossas vestimentas ensopadas, provocando maior esforço nas pernas e dificultando sobremaneira o passo rápido que nesta caça se exige.

Dentro de pinhal, fugida de algures,  passa-me uma ave mesmo por cima de mim. Rodo o corpo e, em tiro praticamente de instinto, vejo-a enrolar-se no ar e cair muito lá para trás . O coração acelera pois aquilo estava tudo muito coberto de mato mas um dos guias ao longe tinha visto, elogiado o tiro e apontava para onde a perdiz tinha ido cair, tornando o cobro "à zona" mais fácil. Um bonito perdigão, de cores bem vivas, como ali os há.

Algum tempo depois, o meu braco entra em zonas de mato e vejo duas a esgueirarem-se, longe, para a limpa, ao fundo de um  caminho, levantando voo sem demora alguma. "Chiça, azar" - pensei. Aponto, desfiro 2 tiros largos mas elas vão embora, fortes, de asa aberta. Logo de seguida sai uma que ficou para trás, desse mesmo bando, exatamente para o meu lado, mas em voo aberto e de peito virado, e esta sim, muito mais perto. Não contava com ela e procuro encarar e aproveitar o terceiro tiro da Benelli mas falho escandalosamente.

Siga, sem angústias.

A Kali, minha braco fêmea, levantava-me entretanto uma lebre que escapa para trás, espavorida mas atravessada, não sendo difícil o abate ao primeiro tiro, logo que depois de bem esticada na corrida. Pronta a agarrou, trazendo-a à minha mão, toda orgulhosa do seu troféu. Esta cachorra tem uma aptidão e gosto enormes para cobrar.

Depois de atravessar penosamente diversos projetos de pinhal, a minha segunda perdiz salta, ruidosa mas algo larga. Aponto muito rápido como se impunha naquela situação e o meu F2 Classic de chumbo 5 fê-la tombar também ao primeiro tiro,  "larga mas redonda". Três ou quatro cães foram lá envolver-se no cobro mas foi a Kali a vencedora, agarrando a perdiz - uma fêmea - e esquivando-se aos outros,  veio a correr , rápida, até a depositar nas minhas mãos.

A terceira e última foi trabalhada pelos cães. Logo mesmo ali a descer uma encosta começaram a abanar as caudas, a mostrar muito entusiasmo, denotando muito rasto delas. Salta a perdiz uns bons metros mais à frente. Aponto, primeiro tiro falhado mas ao segundo morre e vai, ajudada pela forte inclinação do terreno,  embater num muro de pedra solta a uns bons 80 ou 90 metros. A cachorra a tudo assistiu e, sem perda de tempo, desata em galope para a ir buscar. Com a ajuda da brisa e já junto ao dito muro, logo ali começou a detetar as emanações do corpo da ave e, breves minutos depois já a tinha nas minhas mãos. Outra fêmea bonita.

Do meu lado esquerdo o AP abatia a sua primeira e logo após a segunda perdiz. Quem porfia sempre alcança.

Do lado oposto, o PL não estava definitivamente nos seus dias, o que já não vem sendo nada habitual.

Na ponta esquerda, o SP tomava conta de um "orelhudo", certamente saltado ao caminho.

O ponta direita, que comandava a linha, o JF, não vale a pena falar. Caça e mata que se farta, e bem, sem clemência. Quase sempre acerta-lhes no primeiro tiro e ainda faz o segundo tiro rematando muitas no ar. Desta feita foram 5 perdizes.

A jornada, mesmo que bonita,  começava a ir longa e o almoço aparentava começar a ser bem mais lembrado aos nossos estômagos do que propriamente a caça.

Ora,  nem mais!  - Na mesa, carnes de porco preto,  com fartura,  assadas na brasa, acompanhadas com arroz de legumes, tinto a condizer e muita conversa bem disposta com o Gestor da Zona de Caça,  que nos acompanhou, encerraram mais este maravilhoso dia.

A voltar, lá mais para a frente.

Um abraço amigo



quarta-feira, novembro 10, 2021

Enquanto puder...

 










Sábado, 6 Novembro 2021
Mértola
___________________________


Uma boa equipa de caça identifica-se consoante os desafios que tenha pela frente sejam mais ou menos exigentes.

Este, o de caçar nesta herdade, que fronteia com o Rio Guadiana e com a Ribeira do Vascão é um dos mais desafiantes para um grupo que tem enorme paixão pelas perdizes vermelhas que por aqui nascem, se criam e escondem  de todas as adversidades que o dia a dia lhes traz.

Às 07h30 estávamos religiosamente no local combinado.

A brisa que soprava moderada, favorável, e que provinha do quadrante nordeste, obrigava "a pegar"  na caçada com o vento pela frente e com o sol pelas costas . Perfeito.

"Se não, não fazemos nada delas" - exclamava o feitor da reserva. Que tínhamos de ir até ao ponto de partida com os cães em cima da carrinha de caixa aberta, iniciar a  caminhada aí até mais ou menos meio da manhã e, logo após o "taco", regressar de novo na dita carrinha e pegar noutra zona paralela àquela, para onde, supostamente, os bandos teriam fugido durante a primeira volta.

Feito o sorteio das posições com o habitual  "cartucho no chapéu", logo começámos  a esticar a linha de caça. Ainda eram muitas centenas de metros a andar a pé, com os cães pela frente, até lá ao fundo dos barrancos mais profundos.

Aqui, havia que alinhar sempre com a ponta do lado esquerdo. 

Calhou-me ficar em quinto . Chamei os cães quase em silencio e ali fiquei a aguardar, à espera de ver quando a ponta apareceria com os outros confrades.

Pela frente e no meu caso particular, um ambiente muito hostil. Um dos mochileiros lá me ia dizendo que teria de ter muito cuidado a descer por ali, que era "muito íngreme". Pois, pois, pelo que tinha pela frente logo se me arrepiaram os cabelos. Terreno seco e áspero, sem chuva, xistoso e de pedra solta, inclinado quase a 45 graus, dobrar a linha do barranco lá em baixo e voltar a subir praticamente tudo igual, era um bom batismo logo a começar a manhã.

Para descer foi com a espingarda numa mão e com a outra pedia ajuda às rochas, estevas e matos secos. Quedas, os chamados "bate cus" aqui, foram duas (!) . 

A meio da vertente, do outro lado, já com meio palmo de língua de fora e o peito a rebentar, oiço 2 tiros. Parei, ofegante, transpirado, atento. De repente, uma perdiz em velocidade louca direita a mim. Burro que sou, em vez de a tapar logo com os canos e premir os gatilhos sem demora,  fiquei-me a pensar " esta já cá canta". 

Passou , de asa aberta, levou atrás de si 3 tiros F2 Classic da B&P, e deixou-me perdido de nervos. Ainda sem novos cartuchos na arma passa-me logo outra, ainda mais perto, de peito virado, sem poder fazer nada. Fiquei à beira de um ataque de nervos. "È sempre assim" - pensava, desgostoso.

Para a frente é o caminho, vamos lá, acalma-te ! - pensava. 

No final da primeira volta, a meio da manhã,  Santo Huberto esteve comigo  e já tinha penduradas 4 lindas perdizes, 2 machos e 2 fêmeas, todas cobradas pelos cães o que é sempre bem bonito de se ver.

Depois da breve pausa ao ar livre para trocar impressões sobre a volta, beber uma ou duas  minis fresquinhas e comer uma bifana de cebolada em fatia de pão alentejano, estava na hora de saltarmos de novo para cima da carrinha com os cães, e voltar ao ponto de partida da manhã, mas desta vez no outro lado, noutras encostas.

Na grelha de  rede da caixa aberta da carrinha já diversas perdizes seguiam penduradas, bamboleando  nas pioleiras, alegrando o quadro de caça.

Desta vez ficaria na sobreponta o que me trazia mais possibilidades. Mais perdizes fugidas do grupo pelas ribanceiras abaixo, logo mais possibilidades de cobrar mais uma ou duas.

Não demorou muito . No relógio estaríamos nesta altura pelo meio-dia. Um par delas em fuga, asas abertas, em grande velocidade. Encaro, aponto, disparo uma, duas ( aqui acertei pois ela dobrou as costas ),  três vezes. A perdiz segue, rija, pronta a ir morrer longe. Duas centenas de metros mais abaixo perde força, começa a encastelar e, de repente, cai a pique, mesmo dentro do mato alto da ribeira ( sem água). Seria seguramente muito difícil de cobrar. Mas o nosso guia, foi a correr direito ao mato, desapareceu lá dentro, e quando já descia e me aproximava com os meus cães, saiu ele de lá com a perdiz na mão. Belo exemplar. Diria logo que era um macho pelo esporão e volume do corpo. Mas não, tinha efectivamente esporão mas não era macho, referia o guia, era  "uma perdiz cantadêra" , fêmea velha, de esporão bem saliente, algumas artroses nas patas.  Rara de se matar. Mais satisfeito fiquei. Depositei-a atrás, no bolso do colete, com todo o cuidado para preservar o seu aspecto e mostrar ao grupo.

Algumas centenas de metros mais à frente mais um avião de asas abertas, primeiro tiro falho, segundo tiro corrijo e acerto em cheio! Veio cair, com estrondo, 30 ou 40 metros mais abaixo. Serviu-me o cão que a viu e foi prontamente cobrar.

À direita, a meia encosta , o AP interrompia com um belo "tiro de rei" o percurso de outra que vinha direitinha  para mim. Caiu-lhe longe pelo que ainda teve algum trabalho em a cobrar com a sua cadela "Rufa".

Já na parte final da caçada, com o estômago a pedir almoço, em terreno ligeiramente mais direito, e com vento de frente, a cachorrra braco estanca e o Jeep - o outro braco - pára imediatamente por simpatia. Avanço o mais rápido que pude e numa ribeira abaixo, a cerca de 10-15 metros de desnível,  levanta-se logo um bando de cerca de 8 ou 10 aves. Muito lindas. Em voo de costas pois estava a vê-las em plano mais alto destaco uma e derrubo-a ao primeiro tiro, a cerca de 35-40 metros. Cobro perfeito e pendurada na pioleira. Mais uma fêmea.

Neste dia, o meu saldo final foi de 7 perdizes. Grande dia para mim, a compensar jornadas menos boas. Mas como todas as posições são diferentes, umas melhores que outras, juntamos sempre a caça para "o monte" e distribuímos equitativamente por todos. 

Nestas terras é fácil apanhar " a grade" , as perdizes são bravias e se a sorte também não está connosco corremos o risco de nada caçar, o que se torna deveras penoso para quem tem esse grande azar pois a orografia dos terrenos é muito muito hostil para o caçador.

Mas , ENQUANTO PUDER, enquanto as minhas pernas tiverem forças, lá estarei a desafiar os meus limites para poder cobrar uma ou duas daquelas magníficas aves.

O reconfortante almoço bem que compensou o cansaço da manhã. Umas entradas de peixe frito do rio, carnes de porco preto no ponto, saborosas e bem grelhadas, saladinhas de tomate com muita cebola e batatas fritas caseiras cortadas aos palitos, acompanhadas com tinto da região.

Até breve.

Um abraço amigo





quinta-feira, outubro 21, 2021

Sem descanso

 













Outubro, 16 - 2021

Mértola


.........

A título de exemplo, recordo os meus dois bracos, com a brisa pela frente, imobilizados, cachorrra na dianteira, em paragem a bando de perdizes, escondidas dentro dos pastos, a uns bons 30 metros,  mas, na frente  dos cães, uma forte vedação de arame. O bando pouco demora e começam assustadas rapidamente a levantarem voo. Primeiro disparo e vejo-a enrolar-se no ar e cair , arranca uma outra perdiz , segundo tiro certeiro e queda da segunda ave enquanto que as outras puseram-se nas asas para terrenos mais seguros.  Os cães lançaram-se fervorosamente para a frente mas a vedação impedia a sua passagem, tornando-os muito, demasiado,  nervosos junto à rede, o que às vezes dá asneira, pois queriam à viva força passar tal obstáculo.  Rápido, suor a escorrer, lá corri, abri e depositei a arma no chão e , com os braços, levantei-os vigorosamente e passeio-os para o lado de lá do aramado. Eu já não sabia muito bem onde as perdizes tinham caído, mas deixei ( que remédio) o nariz dos cães fazerem o trabalho e quer uma quer a outra foram imaculadamente cobradas. Que gozo, que satisfação !!



Caça de salto, em Linha.


 









Mértola, 09 Outubro 2021


Boa linha de caçadores a que formámos neste lindo dia de 09 de Outubro


Apesar do calor que se previa, os caçadores não faltaram ao seu compromisso. O número de bandos e perdizes nascidas e criadas por aqui na época do defeso era motivo substancial e o entusiasmo e a alegria e boa disposição imperavam, por isso,  entre todos.


Os terrenos onde íamos caçar, já bem nossos conhecidos, apresentavam-se este ano lindíssimos para a prática da caça de salto à perdiz. Embora muito secos,  os pastos amarelados, queimados pelo impiedoso sol de verão eram muitos e fartos e bem distribuídos pela herdade. Nas zonas de montado,  os inúmeros arrifes de mato que por ali existem nos cumes faziam prever, desde logo,  que as perdizes, aos primeiros voos e nas horas de maior calor, ali se refugiassem.


Para mim, embora bem mais penoso, é mais fácil caçar a perdiz em outubros escaldantes do que nos tempos de chuva, húmidos e frios. A perdiz é mais certa em determinados sítios de refúgio, basta ir lá procurá-la, nós sabemos isso. Se houver pequenos barrancos com juncos e alguma humidade é também lá que elas se escondem das armas e dos caçadores. No inverno é mais imponderável, gostam muito das "chapadas" viradas ao sol, do cimo dos cabeços pois estão sempre em alerta mas saltam de qualquer lado se assim for preciso e necessário. 


Para a caça, o inverno é, de facto, mais justo pois dá mais defesa à caça.


Nesta caçada eu e o PL levamos os nossos 4 bracos, uns mais experientes, um ou outro sobressaem pelo seu poderoso nariz, outros melhores no cobro, uns mais cachorros outros já adultos mas, no geral, cumprem - e muito bem - as suas funções. Sem eles, as perchas seriam seguramente mais reduzidas, diz-me a experiência de 40 anos de caça a esta espécie.


No final um bonito quadro de caça, no geral. As temperaturas de verão fustigam mais as perdizes, sobretudo se os caçadores e cães conseguirem suportar a estiva típica e habitual da temporada, o que, sendo difícil, não é de todo impossível


Vamos, pois,  aguardar por um clima mais ameno


Um abraço amigo






segunda-feira, outubro 04, 2021

Abertura geral 2021

 





















Mértola, 02 OUT 2021


Convenhamos que para abertura geral em Outubro, ainda que com relativa preparação física, enfrentar as desafiantes ladeiras e barrancos da Ribeira do Vascão era sempre algo de superlativo,  mesmo para 3 caçadores experientes como nós,  neste tipo de caça de salto, à perdiz.

No entanto, lá fomos, de "peito aberto" , com a fé na alma e com a ajuda dos nossos cães, alguns deles praticamente a estrearem-se nestas lides da caça brava.

Nesta nova temporada  enfrentávamos pela primeira vez aqueles declives,  muito pronunciados, muitos quase a 45º e que, quando chegados aos seus topos, deixavam-nos com o coração a saltar da boca,  incapazes de quase sequer conseguir levantar a arma e dar um tiro.

Terras secas, cheios de xistos traiçoeiros que nos deixavam perigosamente escorregar as botas, com riscos de quedas, estevas e matos ressequidos por todo o lado, responsáveis por muitos  arranhões nos braços e pernas, pés doridos, sofridos,  sobretudo das descidas dos barrancos, onde, para não cairmos, muitas vezes íamos agarrados ao mato.

E pergunta-se porquê, porquê ir fazer uma abertura nestas condições com 3 caçadores e 2 mochileiros para tais terrenos ?  - a resposta : pelo complexo desafio de o fazer logo em Outubro em condições agrestes e, acima de tudo, pela qualidade das perdizes !! Não encontro outra explicação. Pelo desafio.

Mas lá fomos.

Tivemos a ( grande sorte ) de a manhã se tornar mais fresca e cinzenta e conseguirmos jornada até ao meio dia. Caso contrário, estávamos seguros que pelas 10 da manhã tínhamos a caçada feita e a percha teria sido nem metade. Na véspera assim estivemos mentalizados para isso. Mas tal não sucedeu, tivemos sorte.

Com voltas bem calculadas e uma espingarda sempre bem adiantada e colocada, certeira,  lá iam tombando ao som dos tiros, uma a uma. Muitas fugiram para sítios incertos, dobrando cabeços de asas abertas , poderosas, bravas. Nem insistíamos ! Lá iam.

Fizemos 2 longas voltas adivinhando a fuga das perdizes para certas zonas e, na volta de contrário, fomos lá tentar dar com elas. A temporada ainda agora começou . Fora mais tarde e os voos seriam muito mais largos e não conseguiríamos concretizar esta estratégia. 

Subida a subida, descida a descida, com o ritmo possível, cães a trabalharem e a cobrarem muito bem, perdizes a levantarem, algumas a fugirem para trás ou em voos cruzados por cima de nós, lá foram sendo capturadas. No final, 12 perdizes e 1 coelho. Bravo! Da minha parte não contribui muito para o resultado mas estou certo que melhores dias virão.

A boa disposição e companheirismo imperou sempre como se pode ver nas fotos . 

Num lugarejo onde nem sequer podíamos fazer ou receber chamadas - os telemóveis aqui não tinham linha para funcionarem - esperava-nos, acautelado e já feito,  um saboroso almoço de cozido de grão,  que tão bem se faz por estas terras alentejanas. Retemperou-nos as forças e regressámos a casa, para mim com a satisfação do dever cumprido e o desejo de lá voltar.

Um abraço amigo.






terça-feira, setembro 21, 2021

Outra meia dúzia


 













Setembro 2021
Castro Verde



Tínhamos lá deixado escapar uns bons pares de codornizes na anterior jornada, razão pela qual se impunha um rápido retorno ao local.

Falados com o Dono da Herdade obtivemos o acordo e, três dias depois, aqui marcávamos presença, de novo.

Tinham entretanto caído umas boas bátegas de chuva um pouco por todo o país elevando, assim, as  nossas espectativas de uma boa caçada. Terrenos húmidos e mais água nos barrancos seriam sempre sinónimo de mais aves por ali.

Errado!!

Mesma hora, o guarda a aguardar por nós e lá fomos atrás da coluna de pó que o Jipe do dito levantava. A chuva tinha-se abatido em quantidade mas não suficiente. As terras rapidamente absorveram a água e voltámos ao cenário de secura anterior. Parecia-nos mentira.

Bom, ainda sem poder contar com a ajuda da minha lesionada cachorra braco, alternámos  a estratégia da caçada anterior e neste dia foi o PL pelas zonas mais altas da herdade. De referir que a zona da codorniz onde caçamos se restringe a 60 ou 70 hectares de restolhos ainda não tocados pelo gado, a herdade é claramente maior.

Da minha parte começa por se levantar uma lebre aos pés, linda, corrida pelo barranco acima, mas não estávamos autorizados ao abate, nem queremos, elas que se reproduzam em quantidade suficiente para mais tarde  podermos estar de consciência tranquila na sua caça.

Com a queda das trovoadas e chuvas, os rastos dos coelhos eram bastante  mais visíveis e muito mais frequentes. O Jeep, marrava-se com um dentro das giestas e obrigou-o a esgueirar-se barranco abaixo direito provavelmente às covas. Sem tiro, claro.

No que toca a codornizes, tivemos mais uma divertida manhã. O PL pelas alturas disparava mais, sabia-se, os cães também ajudam e muito e, pouco a pouco,  conseguiu a conta, as dez, ao cabo de não mais de 2 horas.

Da minha parte consegui um cupo de 6, belos tiros, bons cobros, diversão máxima. O Jeep, para minha satisfação,  vai apurando também a performance à medida que as vai caçando. Com calma, e sem grandes excitações do dono, não deixa para trás as abatidas e é exemplar, não me canso de o referir, no cobro com dente suave e dócil destas pequenas aves.

Com o calor a fazer prostrar os cães, demos por terminada a caçada e fomos à vilória mais próxima,  com poucas dezenas de habitantes, a um pequena venda ali existente, saciar-nos numa reduzida  esplanada de 3 mesas, com umas cervejas bem geladinhas e umas irrepreensíveis  bifanas quentinhas de porco preto em pão alentejano.

Um abraço amigo



sexta-feira, setembro 17, 2021

Simbiose perfeita

 




Setembro 2021
Castro Verde

A ansiedade era muito grande. 

Há um ano que não caçávamos à codorniz. As saudades destas jornadas vincam-nos sempre de uma forma muito forte.

Saímos de Lisboa aí pelas 04h15 e às 06h30 já estávamos no local que havia sido combinado. Connosco,  3 bracos alemães a viajar tranquilamente na caixa da Berlingo. A minha cachorra, com muita pena minha, ficou em casa, pois tinha iniciado o seu primeiro cio a 30 de Agosto, para mal dos meus pecados.

Ainda na penumbra do inicio do nascer do dia,  seguimos atrás do Jipe do Guarda para uns restolhos de trigo onde o gado não havia entrado. 

Largas tiras de restolho entremeadas com matos e arrifes próprios desta região. Um ou dois barrancos sendo  um com água de nascente e algumas poças bem afastadas por centenas de metros.

Coube-me a mim seguir com o Jeep  ( meu braco alemão) pelos locais mais elevados da herdade, o que talvez tenha sido a minha sorte pois os dias iam muito quentes e estas pequenas aves frequentavam sobretudo aqueles sítios onde passassem ligeiras brisas.

Primeira paragem do Jeep, passo rápido para junto dele e saltam um par delas.  Consigo o doble!!
Grande alegria. Belo cobro do Jeep que cobrou logo uma, de forma imaculada, como habitualmente. A outra, como a tinha visto cair no restolho, deixei-me de brincadeiras, marquei a pancada,  e fui lá pegar nela.

Penduradas as duas na pioleira, seguimos em frente.

Cá mais em baixo,  o PL também ia fazendo o gosto ao dedo, muito embora houvesse menos aves.  Tem este ano uma cachorra com ele que ( digo eu ) será um dia mais tarde o sonho de qualquer caçador de codornizes.

Umas paradas, outras levantadas à frente dos nossos pés caminhámos, uma a uma, para fazermos a conta das 10 cada um, durante cerca de 3 horas de caça.

Todavia, não se pense que a herdade estava infestada de codornizes. Longe disso. Tiveram que ser os cães, também, a trabalhar ( e muito ) nos restolhos, dentro dos arrifes e mais tarde dentro das valas.

O meu cão, cada vez que cobrava uma ( e não deixou lá nenhuma) sentava-se junto de mim  e pedia-me água, numa simbiose quase perfeita, pois sabe que quando o faz, é sempre a sua recompensa nestas jornadas tórridas de Setembro, razão pela qual levo sempre algumas garrafinhas no colete de caça.

No final, o desejo de lá regressar mas ainda assim alguma contenção,  pois não saltaram assim tantas como pretendíamos.

A lá voltar com um até breve.

Correu bem !!

Um abraço amigo